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Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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31 DE OUTUBRO DE 2018:
CENTENÁRIO DE IAN STEVENSON,
O GALILEU DA REENCARNAÇÃO

Dando sequência à nossa celebração dos 100 anos de nascimento de Ian Stevenson, psiquiatra canadense que mais avançou nas pesquisas científicas em torno da reeencarnação, transcrevemos hoje a tradução de um de seus mais importantes artigos, publicado em 1993, dando início à última fase de seus estudos, concentrada na relação entre marcas e defeitos de nascença e as lembranças de crianças de suas vidas passadas.

É um texto HISTÓRICO, inédito e exclusivo, em português, na internet brasileira. Constitui um marco nas pesquisas do tema, leitura essencial para toda a comunidade espírita e para todos os interessados na comprovação científica da pluralidade de nossas existências...

Marcas de nascença e defeitos congênitos correspondentes
a feridas em pessoas falecidas(1)

RESUMO:

Retrato de Dr. Ian Stevenson“Quase nada se sabe sobre a razão de marcas de nascença pigmentadas (pintas ou nevos) ocorrerem em locais específicos da pele. As causas da maioria dos defeitos congênitos também são desconhecidas.

Cerca de 35% das crianças que afirmam lembrar vidas anteriores têm marcas de nascença e / ou defeitos congênitos que eles (ou informantes adultos) atribuem a feridas na outra pessoa de cuja vida a criança se lembra.

210 casos dessas crianças foram investigados. As marcas de nascença eram geralmente áreas de pele sem pelos e franzidas; algumas eram áreas de pouca ou nenhuma pigmentação (máculas hipopigmentadas); outras eram áreas de aumento da pigmentação (nervos hiperpigmentados). Os defeitos congênitos foram quase sempre de tipo raro.

“Nos casos em que uma pessoa falecida foi identificada, verificou-se que os detalhes de sua vida correspondiam inequivocamente às declarações da criança, e uma estreita correspondência foi quase sempre encontrada entre as marcas de nascença e / ou defeitos congênitos da criança e as feridas na pessoa morta.

Em 43 dos 49 casos, em que um atestado de óbito foi obtido, confirmou-se a correspondência entre feridas e marcas de nascença (ou defeitos congênitos).

Há pouca evidência de que os pais e outros informantes impuseram uma identidade falsa na criança para explicar a marca de nascença da criança ou seu defeito de nascença. Algum processo paranormal parece necessário para explicar pelo menos alguns dos detalhes desses casos, incluindo as marcas de nascença e defeitos congênitos”.

1. INTRODUÇÃO:

Embora a contagem de sinais de pele tenha mostrado que em média adultos têm entre 15 e 18 deles (Pack e Davis, 1956), pouco se sabe sobre a sua causa - exceto para aqueles associados com a doença genética neurofibromatose - e menos ainda se sabe porque as marcas de nascença ocorrem em uma localização do corpo em vez de em outra.

Foto-montagem de feto humanoAs causas de muitos, talvez a maioria, dos defeitos congênitos permanecem igualmente desconhecidas. Grandes séries de defeitos congênitos foram investigados e suas causas conhecidas, como os teratógenos químicos (ex.: talidomida), infecções virais e fatores genéticos, representando 43% do total (Nelson e Holmes, 1989); mas em outros estudos (Wilson, 1973) de 65 a 70% dos casos foram atribuídos a "causas desconhecidas".

Entre 895 casos de crianças que alegaram lembrar-se de uma vida anterior (ou assim apontadas por adultos), marcas de nascença e / ou defeitos congênitos foram atribuídos à vida anterior em 309 (35%) dos sujeitos. Essas marcas são indicadas como correspondentes a uma ferida (geralmente fatal) ou outra marca na pessoa morta cuja vida a criança diz lembrar.

Este artigo relata uma investigação sobre a validade de tais alegações. Com meus associados, levei agora a investigação de 210 casos desse tipo para uma fase em que posso relatar seus detalhes em um livro próximo(2), a ser publicado. Este artigo resume nossas descobertas.

Crianças que alegam recordar vidas anteriores foram encontradas em todas as partes do mundo onde foram procuradas (Stevenson, 1983; 1987), mas elas são encontradas mais facilmente nos países do sul da Ásia.

Normalmente a criança começa a falar sobre uma vida anterior quase tão logo quanto pode falar, geralmente entre as idades de 2 e 3 anos; e normalmente para de fazer isso entre as idades de 5 e 7 anos (Cook, Pasricha, Samararatne, Win Maung e Stevenson, 1983).

Embora algumas das crianças façam apenas declarações vagas, outras dão detalhes de nomes e eventos que permitem identificar a pessoa cuja vida e morte correspondem às declarações da criança. Em alguns casos, a pessoa identificada já é conhecida pela família da criança, mas em muitos casos esse contato inexiste.

Além de fazer declarações verificáveis sobre uma pessoa falecida, muitas das crianças mostram também algum comportamento (como uma fobia) que é incomum na sua família, mas encontrado naquela outra pessoa, falecida, que ela diz ser. (Stevenson, 1987; 1990).

Embora algumas das marcas de nascença que ocorrem nessas crianças sejam "comuns", dos quais cada adulto tem alguns (Pack e Davis, 1956), a maioria não é. Em vez disso, elas são mais propensas a ser franzidas e com cicatrizes, às vezes deprimidas - um pouco abaixo da pele ao redor – e/ou apresentam áreas de falta de cabelo, áreas de pigmentação marcadamente diminuída ou manchas do tipo “vinho do porto”.

Quando uma marca de nascença relevante é nevo hiperpigmentado, é quase sempre maior em área do que a mancha "ordinária". Da mesma forma, os defeitos de nascimento nesses casos são de tipos incomuns e raramente correspondem a qualquer um dos "padrões reconhecíveis de malformação humana" (Smith, 1982).

2. MÉTODO:

Retrato de mancha hipopigmentada de um jovem indiano que, como criança, disse lembrar-se ter sido em outra vida um homem, Maha Ram, morto com um ataque de arma de fogo à curta distânciaMinhas investigações nesses casos incluíram entrevistas, muitas vezes repetidas, com o sujeito e com vários ou muitos outros informantes para ambas as famílias. Com raras exceções, apenas informantes de primeira mão foram entrevistados. Todos os pertinentes registros escritos que existiam, particularmente atestados de óbito e relatórios post mortem, foram procurados e examinados. Nos casos em que os informantes disseram que as duas famílias não tinham nenhum conhecimento anterior da pessoa falecida, fiz todos os esforços para excluir todas as possibilidades de que algumas informações possam ter passado normalmente para a criança, talvez através de um conhecimento mútuo meio esquecido das duas famílias envolvidas.

Eu não aceitei qualquer marca indicada como uma marca de nascença a menos que uma testemunha em primeira mão me garantisse que havia sido notada imediatamente após o nascimento da criança ou, no máximo, dentro de algumas semanas. Eu perguntei sobre a ocorrência de marcas similares em outros membros da família; em quase todos os casos isso foi negado, mas em sete casos, um fator genético não pode ser excluído.

Defeitos de nascimento do tipo em questão aqui seriam notados imediatamente após o nascimento da criança. Foram excluídos os casos de defeitos congênitos de causas conhecidas, como relacionamento biológico próximo dos pais (consanguinidade), infecções virais durante sua gravidez e causas químicas como o uso de álcool.

3. RESULTADOS:

a) Correspondência entre as marcas de nascença e feridas

Uma correspondência entre marca de nascença e ferida foi julgada satisfatória se estavam ambas dentro de uma área de 10 centímetros quadrados e na mesma localização anatômica; na verdade, muitas das marcas de nascença e feridas estavam muito mais perto do mesmo local do que isso.

Reprodução do Atestado de  Óbito de Maha Ram. Os círculos mostram as principais feridas de espingarda havidas em seu tórax, para comparação com a figura 1.Um documento médico, geralmente um Atestado de Óbito, foi obtido em 49 casos. A correspondência entre ferida e marca de nascença foi considerada satisfatória ou melhor pelo critério adotado em 43 (88%) destes casos e não satisfatório em 6 casos.

Explicações parecem ser necessárias para explicar os casos discrepantes, e eu as discuto em outro lugar (Stevenson, a ser publicado). A figura 1 mostra uma marca de nascença (área de hipopigmentação) em uma criança indiana que disse lembrar-se da vida de um homem que havia sido morto com uma espingarda disparada a curta distância. A Figura 2 mostra a localização das feridas registradas pelo patologista que tratou do caso (Os círculos foram desenhados por um médico indiano que estudou comigo o relatório post-mortem).

A alta proporção (88%) de concordância entre feridas e marcas de nascença nos casos para os quais obtivemos relatórios pós-morte (ou outros documentos) aumenta a confiança na precisão das memórias dos informantes sobre as feridas na pessoa falecida, em relação aos outros casos, mais numerosos, em que não se obteve a mesma documentação.

Nem todos os erros das memórias dos informantes teriam resultado da atribuição de uma correspondência entre marcas de nascença e feridas que não existiam; em quatro casos (possivelmente cinco) a dependência apenas na memória de um informante teria resultado em perder-se a identificação de uma correspondência de fato existente, que um documento médico atestou.

b) Casos com duas ou mais marcas de nascença:

Figura 3 – Grande epiderme verrucosa na cabeça de um homem tailandês que quando criança disse que se lembrava da vida de seu tio paterno, morto com um golpe de uma faca pesada na cabeça.Figura 4 – Malformação congênita da unha no dedão do pé direito do sujeito tailandês mostrada na Figura 3.  Essa malformação correspondia a uma úlcera crônica do dedão do pé direito, da qual o tio do sujeito tinha sofrido.O argumento do acaso como responsável pela correspondência entre as marcas de nascença e feridas tem probabilidades muito reduzidas quando a criança tem duas ou mais marcas desse tipo, cada uma delas correspondente à uma ferida diferente na pessoa falecida cuja vida ela afirma lembrar. A Figura 3 mostra uma anormalidade da pele na parte de trás da cabeça de um homem tailandês que, como criança, recordou a vida de seu tio paterno, que tinha sido atingido na cabeça com um faca pesada e morto quase que instantaneamente.

O sujeito também tinha uma unha do dedo do pé direito deformada (Figura 4). Isso correspondia a uma infecção crônica do mesmo dedo do qual o tio do sujeito tinha sofrido por alguns anos antes de sua morte.

A série inclui 18 casos em que duas marcas de nascença de um mesmo sujeito correspondiam a feridas de bala de entrada e saída de outra pessoa. Em 14 desses uma marca de nascença foi maior do que a outra, e em 9 destes 14 a evidência mostrou claramente que a marca de nascença menor (geralmente redonda) correspondia à ferida de entrada e a maior (geralmente de forma irregular) correspondia à ferida de saída. Estas observações estão de acordo com o fato de que as feridas de bala de saída são quase sempre maiores que as feridas de entrada (Fatteh, 1976; Gordon e Shapiro, 1982).

Figura 6 – Marca de nascença maior e irregular, da área frontal da cabeça do mesmo rapaz tailandês da Figura 5. Esta segunda marca correspondia à ferida de bala de saída no tailandês falecido cuja vida o menino disse lembrar.Figura 5 - Marca de nascença pequena, redonda e enrugada, num rapaz tailandês que correspondia à ferida de bala de entrada em um homem cuja vida ele disse que se lembrava e que tinha sido atingido por um rifle por trás.A Figura 5 mostra uma pequena marca de nascença na parte de trás da cabeça de um menino tailandês, e a Figura 6 mostra uma marca de nascença maior e de formato irregular na frente de sua cabeça. O menino disse que se lembrava da vida de um homem que foi baleado na cabeça por trás (O modo da morte foi verificado, mas nenhum documento médico estava disponível). Além dos 9 casos que eu próprio investiguei, Mills relatou outro caso com a característica de uma marca de nascença redonda, correspondente à ferida de entrada, e uma outra marca de nascença, maior que a primeira, correspondente à ferida de saída (ambos verificados por um atestado de óbito - MiIls, 1989).

Eu calculei as probabilidades de acaso de duas marcas de nascença corretamente correspondentes a duas feridas. A área da superfície da pele do macho adulto médio é de 1,6 metro (Spalteholz, 1943). Se imaginarmos essa área quadrada e espalhada sobre uma superfície plana, suas dimensões seriam de aproximadamente 127 centímetros quadrados. Nesta área caberia aproximadamente 160 quadrados de 10 centímetros quadrados, conforme mencionado acima. A probabilidade de que uma única marca de nascença em uma pessoa corresponda em localização à uma ferida situada na área de quaisquer desses 160 quadrados menores é de apenas 1 em 11.160. No entanto, a probabilidade de correspondências entre duas marcas de nascença e duas feridas seria de 1 em 25.600 (Este cálculo pressupõe que as marcas de nascença são uniformemente distribuídas por todas as regiões da pele. Isso está incorreto [Pack, Lenson, e Gerber, 1952), mas acredito que a variação pode ser ignorada para o presente propósito).

c) Exemplos de outras correspondências de detalhes entre marcas e feridas:

Figura 7 - Duas marcas de nascença redondas, enrugadas e semelhantes a cicatrizes, de tamanhos diferentes, no lado  esquerdo do tórax de uma mulher birmanesa que, quando criança, disse ter se lembrado da vida de uma mulher que foi fatalmente ferida por uma espingarda que usava um cartucho com diferentes tamanhos.Uma mulher tailandesa tinha três marcas de nascença cicatriciais hipopigmentadas lineares, perto da linha mediana das costas dela; quando criança, ela se lembrava da vida de uma morta quando atingida três vezes nas costas com um machado (Informantes confirmaram esse modo de morte, mas nenhum registro médico foi obtido).

Uma outra mulher birmanesa nasceu com duas marcas de nascença perfeitamente redondas no lado esquerdo de seu peito (Figura 7); elas se sobrepuseram um pouco, e uma delas tinha cerca de metade do tamanho da outra. Quando criança, ela disse que se lembrava da vida de uma mulher que fora acidentalmente baleada e morta com uma espingarda. Um informante responsável disse que o cartucho de espingarda continha munição de dois tamanhos diferentes. (Nenhum registro médico estava disponível neste caso).

Outra criança birmanesa disse que se lembrava da vida de sua falecida tia, que morreu durante uma cirurgia por doença cardíaca congênita. Essa criança tinha uma marca de nascença longa, linear e vertical, hipopigmentada, próxima à linha média da parte inferior do tórax e abdômen superior; essa marca de nascença correspondia à incisão cirúrgica para o reparo de coração (Eu obtive o registro médico desse caso).

Em contraste, uma criança da Turquia tinha uma marca de nascença linear horizontal no quadrante superior direito do abdômen. Assemelhava-se à cicatriz da incisão abdominal transversal de um cirurgião. A criança disse lembrar-se da vida de seu avô paterno, que teve icterícia e foi operado antes de morrer. Ele pode ter tido um câncer da cabeça do pâncreas, mas não consegui obter um diagnóstico médico preciso.

Dois sujeitos birmaneses lembraram como crianças a vida de outras duas pessoas que morreram depois de mordidas por cobras venenosas, e as marcas de nascença de ambos corresponderam a incisões terapêuticas feitas nos locais das picadas de cobra nas pessoas de cujas vidas eles se lembravam.

Outro sujeito birmanês também disse quando criança lembrar-se da vida de uma outra criança que havia morrido após sido mordida no pé por uma cobra. Neste caso, no entanto, o tio da criança falecida aplicou a chama de um charuto sobre o local da picada, um remédio popular para picadas de cobra em partes da Birmânia. A marca de nascença do sujeito era redonda e localizada no local no pé onde o tio da criança mordida aplicara o charuto.

d) Três exemplos de defeitos de nascença:

A Figura 8 mostra o lado direito da cabeça de um menino turco com uma orelha malformada (microtia unilateral). Ele também tinha subdesenvolvimento do lado direito do rosto (microssomia hemifacial). Ele disse lembrar-se da vida de um homem que havia sido baleado (com uma espingarda) à queima-roupa. O homem ferido foi levado para um hospital onde morreu 6 dias depois, com ferimentos no cérebro causados pelo tiro, que havia penetrado no lado direito do crânio (Eu obtive uma cópia do registro do hospital).

A Figura 9 mostra dedos quase congenitamente ausentes de uma das mãos (braquidactília unilateral) de uma criança da Índia que disse lembrar-se da vida de outra criança que colocara a mão direita nas lâminas de uma máquina de cortar forragem e perdera os dedos.

A maioria dos casos de braquidactília envolve apenas um encurtamento das falanges médias. No presente caso, não havia ossos falangeais e os dedos ficaram malformados, à semelhança de pequenos cotos.

A braquidactilia unilateral é excessivamente rara, e eu não encontrei um relatório publicado de nenhum caso, embora um colega (cirurgião plástico) haja me mostrado a foto de um caso que esteve sob seus cuidados.

A figura 10 mostra a ausência congênita da perna direita inferior (hemimelia unilateral) em uma menina birmanesa. Ela disse lembrar-se da vida de uma outra menina, atropelada por um trem. Testemunhas oculares contaram que o trem cortou primeiro a perna direita da menina, antes de passar por cima do tronco. Hemimelia inferior é um defeito extremamente raro; Frantz e O'Rahilly (1961) a encontraram em apenas 12 (4,0%) dos 300 casos de todas as deficiências esqueléticas congênitas que eles examinaram.

Figura 10 – Ausência congênita da perna de uma garota da Birmânia, que disse lembrar-se da vida de uma jovem mulher acidentalmente atropelada por um trem, com sua perna direita atingida primeiro em relação ao restante do corpo.Figura 9 - Dedos quase ausentes de uma das mãos num menino da Índia que dizia lembrar-se da vida de um menino de outra aldeia que pusera a mão nas lâminas de uma máquina de cortar forragem e tivera os dedos amputados.Figura 8 - Crânio severamente malformado de um menino turco que disse se lembrar da vida de um homem que foi fatalmente ferido no lado direito da cabeça por uma espingarda, descarregada a curta distância.

4. DISCUSSÃO:

Porque a maioria (mas não todos) desses casos se desenvolve entre pessoas que acreditam em reencarnação, devemos esperar que seus informantes os interpretem como exemplos de acordo com sua crença; e eles geralmente o fazem. É necessário, no entanto, que os cientistas pensem em explicações alternativas.

A explicação mais óbvia desses casos atribui a marca de nascença ou defeito de nascimento na criança ao acaso, e os relatos das declarações da criança e seu comportamento tornam-se base de uma ficção parental para justificar a marca de nascença (ou defeito congênito) em termos da crença culturalmente aceita na reencarnação.

Há, no entanto, objecções importantes à essa explicação.

Primeiro, os pais (e outros adultos envolvidos no caso) não têm necessidade de inventar e narrar detalhes de uma vida anterior para explicar a lesão de seu filho. Acreditando em reencarnação, como ocorre à maioria deles, eles estão quase sempre satisfeitos em atribuir a lesão a algum evento de uma vida anterior, sem necessariamente procurar por uma outra vida com detalhes correspondentes.

Em segundo lugar, as vidas das pessoas falecidas envolvidas nos casos eram de qualidade variável, seja quanto ao status social, seja quanto à conduta moral. Alguns deles forneceram modelos de heroísmo ou alguma outra virtude invejável, mas muitos outros viveram na pobreza e não foram nada exemplares em sua atitude. Poucos pais imporiam uma identificação com tais pessoas a seus filhos.

Em terceiro lugar, embora na maioria dos casos as duas famílias envolvidas tivessem alguma familiaridade (ou mesmo relacionamento), estou confiante que em pelo menos 13 casos (entre 210 cuidadosamente examinados em relação a esta questão) as duas famílias em causa nunca tinham ouvido falar uma da outra antes do caso ser desenvolvido. Nesses casos, as famílias dos sujeitos podem não ter tido nenhuma informação com a qual construir uma vida prévia imaginária que, mais tarde, acabou por corresponder a uma real. Em outros 12 casos, os pais da criança ouviram falar da morte da pessoa em questão, mas não tinha conhecimento das feridas naquela pessoa. Limitações de espaço para este artigo me obrigam a pedir aos leitores que aceitem minha avaliação destes 25 casos para este assunto; mas no meu próximo trabalho eu darei uma lista de casos em que os leitores poderão encontrar os relatórios detalhados dos casos e de lê-los, para julgar essa importante questão por si mesmos.

Em quarto lugar, penso que demonstramos suficientemente que o acaso é uma interpretação improvável para as correspondências na localização entre duas ou mais marcas de nascença do sujeito de um caso e as feridas em uma pessoa falecida.

Pessoas que rejeitam a explicação do acaso combinada com a de uma história confeccionada podem considerar outras interpretações que incluem processos paranormais, mas ficam aquém de propor uma vida após a morte. Uma deles supõe que a marca ou defeito de nascença ocorre por acaso no sujeito e, em seguida, ele por telepatia apreende sobre uma pessoa morta que teve uma lesão semelhante e desenvolve uma identificação com essa pessoa. As crianças-sujeitos desses casos, no entanto, nunca revelaram poderes paranormais da magnitude necessária para explicar as aparentes memórias em contextos fora de sua realidade pessoal.

Capa do volume Where Reincarnation and Biology Intersect (1997), última obra do Dr. Stevenson. Foi seu canto do cisne, reunindo mais de 2 mil casos de reencarnação altamente documentados.Outra explicação, que deixaria menos ao acaso a produção da lesão da criança, a atribui a uma impressão por parte da mãe da criança. De acordo com essa ideia, uma mulher grávida, tendo um conhecimento das feridas da pessoa falecida, pode influenciar um embrião ou feto de modo que sua forma reproduza as feridas da pessoa falecida. A ideia das impressões maternas, populares nos séculos precedentes e até as primeiras décadas deste, caiu em descrédito. Até meu artigo recente (Stevenson, 1992) não houve revisão da série de casos desde 1890 (Dabney, 1890); e casos raramente são publicados agora (Williams e Pembroke, 1988). No entanto, alguns dos casos publicados - antigos e novos - mostram uma notável correspondência entre um estímulo incomum na mente de uma mulher grávida e uma marca de nascença incomum ou defeito de nascimento em seu filho nascido mais tarde.

Não obstante, em uma análise de 113 casos publicados, descobri que o estímulo ocorreu para a mãe no primeiro trimestre em 80 deles (Stevenson, 1992). O primeiro trimestre é bem conhecido por ser o de maior sensibilidade do embrião ou feto a teratógenos reconhecidos, como a talidomida (Nowack, 1965) e a rubéola (Hill, Doll, Galloway e Hughes, 1958). Aplicada aos casos presentes, no entanto, a teoria da impressão materna tem obstáculos tão grandes quanto a explicação normal parece ter. Em primeiro lugar, nos 25 casos mencionados acima, a mãe, embora possa ter ouvido falar da morte da pessoa falecida em questão, não tinha conhecimento das feridas daquela pessoa. Em segundo lugar, esta interpretação supõe que a mãe não só modificou o corpo de seu filho como também os seus pensamentos, mas que também após o nascimento da criança a influenciou a fazer declarações e mostrar um comportamento que de outra maneira não teria feito. Nenhum motivo para tal conduta pode ser identificado na maioria das mães (ou pais) desses sujeitos.

Não é meu propósito impor qualquer interpretação destes casos aos leitores deste artigo. Nem esperaria que qualquer leitor alcançasse mesmo uma conclusão a partir dos sucintos resumos de casos que a brevidade deste relatório implica. Em vez disso, espero que tenha estimulado os leitores a examinar os relatórios detalhados de muitos casos que estou agora no processo de publicação (Stevenson, próximo). "Originalidade e verdade são encontradas apenas nos detalhes" (Stendhal, 1926).

(1) Ian Stevenson, Journal of Scientific Exploration, Vol. 7, No. 4, pp. 403-410, 1993

(2) Where Reincarnation and Biology Intersect, Praeger (21 de maio de 1997)

TESE DO ANO:
A URGÊNCIA NA BUSCA DO CAMINHO INTERIOR

"O reino de Deus está próximo… não virá com visível aparência…. O reino dos céus é semelhante a um tesouro… Nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus… Esforçai-vos por entrar pela porta estreita… O homem bom tira o bem do bom tesouro do seu coração… Não o que entra pela boca que faz mau… mas sim, o que sai de seu coração."

homem diante de seus caminhosEnfim, foram muitos os avisos deixados pelo Cristo Jesus, e anotados pelos evangelistas. Mas, mesmo assim, as religiões cristãs, sempre tiveram grande dificuldade em consciencializar seus adeptos da pouca valia dos cultos exteriores, proveniente da fé de aparências, sistematizada em práticas materiais para tranquilização dos sentidos físicos. Os séculos transcorreram e a humanidade permaneceu na mesma ilusão, imaginando um Deus, distante e inacessível num céu exterior.

Não conseguiram entender que, quando o personagem Jesus, afirmou ser: "O Caminho, A Verdade e A Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim." Não estava Ele, apresentando-se como o salvo conduto, figurado como o bilhete premiado da loteria divina. Mas destacava que, o estado cristico do Seu ser, a consciência plena do foco de luz que rege a vida é oriunda do próprio Criador, e, é igualmente presente em todas as criaturas. Assim sendo, o Cristo interior, que dormita em nosso ser, precisa urgentemente ser realmente despertado, nascendo e crescendo, caminhando com os próprios passos para Deus.

É isso, buscar o Reino dos Céus que se encontra dentro de nós mesmos. Sublime, é a hora desse encontro, alcançando a glória de doar sempre o melhor de si. Passaremos então a viver a realidade do Espírito eterno começando pela libertação da morte.

Eis porquê tanta urgência.

COMENTÁRIOS

Na realidade não foram só os cristãos que, não souberam lidar com a revelação do reino de Deus interior, também denominado reino dos céus. Pois, essa revelação esteve presente em todas as épocas da história da humanidade. Embora revelado à milênios por Lao Tsé, Confuncio, Crisna, Buda, e muitos outros missionários e profetas. As religiões decorrentes enfrentaram a mesma consequência, a tendencia de formalizar cultos exteriores aprisionando-se a símbolos materiais, atendendo ao imediatismo dos sentidos físicos, na exaustiva fuga egoistica do sofrimento.

Somente ao esgotarem-se as muitas alternativas de superação, buscando apelar para a misericórdia celeste em reflexão mais profunda, vasculhando o mais intimo do seu ser. Aí, começa o homem a ser atendido no equivocado trilhar da aflição que ele próprio gerou.

"A consciência é nosso elo de ligação com a verdade; aprendermos a lidar com sua “voz” é aprender a ouvir Deus em nós. (…) Conhecer-se é a primeira iniciativa a fim de estabelecermos um acordo de paz interior.”(*)

A esse respeito, vejamos, o espírito Manoel Filomeno de Miranda através da mediunidade do Divaldo, no livro PERTURBAÇÕES ESPIRITUAIS, que nos diz: “Quando o ser humano compreender que viver é fenômeno biológico, viver bem é conquista de prazer, mas bem viver é conforme as Leis de Deus, que se lhe encontram ínsitas na consciência, avançará com maior rapidez pela trilha do amor e da caridade, as vias que levam à porta estreita da salvação.

(*) Espirito Ermance Dufaux, no livro MEREÇA SER FELIZ

UNIFICAÇÃO

ilustração de pássados libertos de uma gaiolaO serviço da unificação em nossas fileiras é URGENTE, mas não APRESSADO. Uma afirmativa parece destruir o outra. Mas não é assim. É URGENTE porque define o objetivo a que devemos todos visar, mas não APRESSADO, porquanto não nos compele violentar consciência alguma. Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender e, se possível, estabeleçamos em cada lugar onde o nome do Espiitismo apareça como legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus.

Nós que nos empenhamos carinhosamente em todos os tipos de realização respeitável que os nossos princípios nos oferecem, não podemos esquecer o trabalho do raciocínio claro, para que a vida se nos povoe de estradas menos sombrias. Comparemos a nossa Doutrina Redentora a uma cidade metropolitana, com todas as exigências de conforto e progresso, paz e ordem. É indispensável a diligência no pão e no vestuário, na moradia e na defesa de todos. Entretanto, não se pode esquecer o problema da luz, porque ela foi sempre uma preocupação do homem, desde a hora da primeira furna. Antes do tudo, o fogo obtido por atrito, a lareira doméstica, a tocha, os lumes vinculados às resinas, a candeia e, nos tempos modernos, a força elétrica transformada em clarão.

A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice. Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. Quem se afeiçoe à Ciência que a cultive em sua dignidade; quem se devote à Filosofia que lhe engrandeça os postulados, e quem se consagre à Religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização. Nenhuma hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja.

Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espiritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios, convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade. ALLAN KARDEC NOS ESTUDOS, NAS COGITAÇÕES, NAS ATIVIDADES, NAS OBRAS ADVERTE QUE A NOSSA FÉ NÃO FAÇA HIPNOSE, PELA QUAL O DOMÍNIO DA SOMBRA SE ESTABELECE SOBRE AS MENTES MAIS FRACA, ACORRENTANDO-AS A SÉCULOS DE ILUSÃO E SOFRIMENTO.

ilustração de pássados libertos de uma gaiolaLibertação da palavra divina é desentranhar o ensinamento do Cristo de todos os cárceres a que foi algemado e, na atualidade, sem querer qualquer privilégio para nós, apenas o Espiritismo retém bastante força moral para se não prender a interesses subalternos e efetuar a recuperação da luz que se derrama do Verbo cristalino do Mestre, dessedentando e orientando as almas. Seja Allan Kardec não apenas acreditado ou sentido, apregoado ou manifestado à nossa maneira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espirita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação. Ensinar mas fazer crer, mas exemplificar; reunir, mas alimentar. Falamos em provações e sofrimentos, mas não dispomos de outros veículos para assegurar a vitória da Verdade e do Amor sobre a Terra. Ninguém edifica sem amor, ninguém ama sem lágrimas. Somente aqui, na viria espiritual, vim aprender que a cruz de Cristo era uma estaca que Ele, o Mestre, fincava no chão para levantar o mundo novo. E para dizer-nos em todos os tempos que nada se faz de útil e bom sem sacrifícios, morreu nela. Espezinhado, batido, enterrou-a no solo, revelando-nos que esse é o nosso caminho – o caminho de quem constrói para cima, de quem mira os continentes do além.

É INDISPENSÁVEL MANTER O ESPIRITISMO COMO FOI ENTREGUE PELOS MENSAGEIROS DIVINOS A ALLAN KARDEC - SEM COMPROMISSOS POLÍTICOS, SEM PROFISSIONALISMO RELIGIOSO, SEM PERSONALISMOS DEPRIMENTES, SEM PRURIDOS DE CONQUISTA A PODERES TERRESTRES TRANSITÓRIOS. Respeito a todas as criaturas, apreço a todas as autoridades, devotamento ao bem comum e instrução do povo, em todas as direções, sobre as Verdades do Espírito, imutáveis e eternas. Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades. Amor de Jesus sobre todos, verdades de Kardec para todos.

Em cada templo, o mais forte escudo para o mais fraco, o mais esclarecido deve ser a luz para o menos esclarecido e sempre, e sempre seja o sofredor o mais protegido, o mais auxiliado, como entre os que menos sofram seja o maior aquele que se fizer o servidor de todos, conforme a observação do Mentor Divino. Sigamos paro a frente, buscando a inspiração do Senhor.

Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião da Comunhão Espírita Cristã, em 20-4-1963, em Uberaba, MG.)

KARDEC E PIETRO UBALDI

Foto de Pietro Ubaldi em seu escritório, ao lado de retrato de Jesus CristoNossa Doutrina é eminentemente progressiva, conforme preconizado amplamente pelo seu Codificador, Allan Kardec. Temos em nosso DNA uma aversão natural à ortodoxia, ao congelamento do pensamento em função das tradições que desconsideram a lei natural do progresso.

Nossos valores, no entanto, são eternos, posto que fincados na solidez rochosa dos princípios cristãos. Precisam apenas ser lembrados, continuamente, às novas gerações de espíritas, para que sua chama nunca se apague.

Dentre esses valores, dois parecem-nos de extrema atualidade, nesse tempo de "patrulhas ideológicas" e debates acalorados:

a) LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA - o espírita sabe que deve respeitar, por princípio, todas as formas de pensamento, mesmo as que lhe contraditam as ideias e o modo de ser, como decorrência natural do "fazer ao próximo o que gostarias que lhe fizessem";

b) MODERAÇÃO - o segundo, tão complementar ao primeiro que lhe serve de perfeito contraponto, como a outra face da mesma moeda, salienta a importância da boa fundamentação de suas próprias opiniões, por parte dos espíritas, para que por esse modo de façam respeitar em qualquer debate, marcadamente pela seriedade, sobriedade e consistência de suas manifestações.

"Seja o vosso falar sim, sim, não, não" - ensinou-nos o Cristo (Mt. 5:37).

Kardec reitera essas recomendações e dá delas o exemplo ao longo de toda a sua trajetória e em todos os seus textos, tanto na Codificação quanto na Revista Espírita:

"Respeitamos vossa opinião, respeitai a nossa. Eis tudo quanto vos pedimos". ("Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas - Allan Kardec - Introdução)

"Já vos disse, senhor, não tenho a pretensão de vos fazer adotar a minha opinião; respeito a vossa, se é sincera, como desejo que respeiteis a minha". (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 53 da 37a ed. FEB)

"Àquele que nos procura como irmão, nós o acolhemos como tal; ao que nos repele, deixamo-lo em paz. [...] O Espiritismo não se impõe, porque, como vo-lo disse — respeita a liberdade de consciência; [...] Ele expõe seus princípios aos olhos de todos, de modo a cada um poder formar opinião segura. (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Padre, pág. 124 da 37a ed. FEB)

“Julgar o que não se conhece é falta de lógica" (Revista Espírita, 1858, Fev - Pág.100 da Ed. FEB)

“Imprudente é se inscreverem em falso contra as coisas que não compreendem”. (Revista Espírita, 1858, Out - Pág. 420 da Ed. FEB)

"E de lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem valor". (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 55 da 37a ed. FEB)

Ocorre-nos a lembrança desses pontos a propósito de uma publicação recente do confrade Rafael Van Erven Ludolf, do valoroso Grupo Espírita Servidores de Jesus, de Niterói, trazendo para as redes sociais um texto magnifíco, de autoria do nosso inesquecível CARLOS TORRES PASTORINO (vide sua biografia em nossa página Sal da Terra), um dos maiores estudiosos dos Evangelhos que este país já teve e que serve até hoje de prefácio para o volume "O Sistema", de Pietro Ubaldi.

O texto de Pastorino é um exemplo perfeito do cuidado que devemos ter com a emissão de nossas opiniões, e do valor crescente que elas terão, a qualquer tempo, quando bem fundamentadas, consolidadas através de um estudo sério e prolongado sobre o que se pretende comentar.

Segue abaixo, portanto, reproduzido integralmente, e cremos que dispensa comentários adicionais, de nossa parte, pela elegância, clareza e firmeza com que demonstra, tão bem, a relação de continuidade e complementariedade existente entre as obras de Kardec e Ubaldi, tão conhecidas daqueles que as estudam longa e sistematicamente.

Aos nossos amigos do Servidores de Jesus, a nossa gratidão, pela lembrança de tão genuíno exemplo destes dois valores, que nos são tão caros, e que não podemos perder...

IMPRESSÃO

Retrato de Carlos Torres PastorinoTerminada a tradução da obra, O Sistema, de Pietro Ubaldi, feita com a alegria imensa do garimpeiro que vai descobrindo em cada nova linha uma pepita de ouro do mais puro, não me contenho em rascunhar a impressão que me ficou dessa leitura meditada, do estudo dessa revelação nova trazida a nós em plena segunda metade do século XX. Desde a infância, o estudo desses problemas, através das obras da Teologia Católica, primeiramente, e mais tarde através das publicações oficiais do Espiritismo, do Protestantismo, da Teosofia, do Esoterismo, da Antroposofia, dos Rosa-Cruzes, das obras mais antigas da Índia, do Egito e da China, o estudo de tudo isto deu-me uma impressão de incerteza e de tateamento, ou então de afirmativas sem bases no campo racional. Não há, em todas essas doutrinas, respeitabilíssimas sem dúvida, porque representam o labor da mente concreta que busca o conhecimento através de suas próprias forças – não há uma unidade completa que una tudo numa única visão de conjunto.

Por isso, através da leitura estudada e meditada da obra de Ubaldi, cheguei à conclusão de que o universo é de fato um todo único, cujo centro é Deus. E, completando a maravilhosa e inspirada A Grande Síntese com o volume Deus e Universo, vislumbrei certos aspectos novos. No entanto, o segundo volume citado está demais conciso e alto, não me permitindo à parca inteligência, a compreensão total da grandiosidade ali exposta. Neste volume, entretanto, a explicação é cabal e acessível a todas as inteligências, mesmo as medianas, como a de quem está escrevendo, e as provas são de tal forma completas e irrespondíveis, que pouco haverá que acrescentar a isso, nessa época. Talvez mais tarde se possa dizer algo mais. Mas, no momento, não vemos o que acrescentar ao que aqui se encontra.

Capa do volume O SistemaO Sistema é um livro ótimo, lógico e claro. Trata-se, em minha insignificante opinião, de completo curso ou tratado de Teologia cosmogônica, uma Teologia Nova, que vem cortar pela raiz todas as elucubrações puramente humanas, esclarecendo os pontos obscuros, revelando todos os mistérios incompreensíveis e inaceitáveis à mente hodierna. As teologias antigas, que pararam no tempo e no espaço, por se terem tornado dogmáticas e não mais admitirem pesquisas, reagirão, sem dúvida, a esta intromissão em seu terreno. Mas a humanidade está em evolução perene, e não seria compreensível que a parte mais nobre e elevada da humanidade, que é o pensamento e a sabedoria, parassem nos séculos remotos, enquanto a parte inferior, material, estivesse, como está, progredindo a passos gigantescos.

Neste Tratado Teológico, encontramos um Deus perfeitamente aceitável por Sua grandeza, ao invés daquele Deus mesquinho que trazia sempre bombons na mão direita para premiar e um chicote na esquerda para castigar, como qualquer capataz irritadiço e vulgar. Revela-nos uma finalidade à existência, ao invés de um paraíso de ociosidade inútil e egoísta, em que as criaturas ficarão por toda a eternidade gozando ao ver seus entes queridos sofrendo horrorosamente um inferno infindável.

A teoria da queda e da reabilitação dos espíritos é tão lógica que temos a impressão que ela guiará o mundo espiritualizado de amanhã, esclarecendo os pontos obscuros e dando direção à evolução da humanidade, que hoje se debate em problemas sem solução. É um Tratado de Teologia nova e ao mesmo tempo um Tratado de Filosofia Universalista Unitária, que nos apresenta, como um todo único, um só corpo cuja cabeça é Cristo. A segurança de raciocínio jamais abandona o autor a especulações vazias, mas o leva a provas sólidas, em matéria difícil e complexa. É a única teoria que conhecemos, que pode satisfazer o intelecto, a razão e mesmo o coração, porque explica logicamente tudo o que se passa neste mundo. Filosofia, física, química, biologia, sociologia, moral, tudo é examinado conscienciosamente, com minúcias que esgotam o assunto, com inflexibilidade irrespondível, com segurança e acerto.

A parte mais alta do livro O Sistema é constituída pelo capítulo XX, quando o autor nos dá a terceira interpretação da visão. Esta é de uma clareza deslumbrante. Inegavelmente trata-se, nesta obra, de uma revelação descida do Alto, que nos vem trazer luz acerca de problemas que a mente humana, por si só não poderia resolver.

Perguntam-me alguns confrades, como posso aceitar a teoria de Pietro Ubaldi, sendo, como sou, espírita adepto de Allan Kardec. Confesso não ver nenhuma contradição entre as duas teorias.

Capa de O Livro dos EspíritosPara quem lê Kardec superficialmente, detendo-se nas palavras impressas, a teoria de Pietro Ubaldi pode parecer "herética". Mas aos que lêem o mestre penetrando as entrelinhas das respostas dos espíritos, tão sábias e profundas, nada lhes parece de contráditório.

Em primeiro lugar, Allan Kardec tentou penetrar nesse terreno. Todavia os espíritos não lhe deram a resposta ansiada. Podemos encontrar no Livro dos Espíritos a pergunta 39: "Podemos conhecer o modo de formação dos mundos"? E a resposta dos espíritos: "Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço". Não é o que diz Pietro Ubaldi, no capítulo XX? A origem dos universos foi uma "contração", em que o espírito ficou aprisionado dentro da matéria.

Em segundo lugar, o próprio Kardec afirma não ter dito a última palavra, mas apenas a primeira. E que todas as teorias por ele trazidas deveriam ser desenvolvidas à proporção que a ciência progredisse.

Em terceiro lugar, Allan Kardec preocupa-se com o problema da evolução, a partir da matéria primitiva, sem cogitar do que havia ocorrido antes. Ou seja, começa do mesmo modo em que a Bíblia e do mesmo ponto em que A Grande Síntese iniciaram o estudo: a subida evolutiva dos seres encarnados. Evidentemente, partiram todos da "matéria", ou seja, dos átomos, cuja concentração formou os universos. Nesse ponto – o infinito negativo, o ponto de chegada da involução, a concentração máxima do espírito – era evidente que "todos os espíritos eram simples e ignorantes" (pergunta 115). Entretanto, é evidente a confusão da palavra "espírito", no sentido de "princípio espiritual" com o sentido de espírito humano. Mas as próprias respostas dos espíritos e Allan Kardec classificam a origem, pesquisada agora por Pietro Ubaldi, como "mistério": "a origem deles é mistério" (Pergunta 81). E pouco antes: "Quanto ao modo pelo qual nos criou e em que momento o fez, nada sabemos" (Pergunta 78).

Dentro do próprio Livro dos Espíritos, contudo, encontramos em esboço muito rápido e leves pinceladas, a confirmação da teoria ubaldiana. Pergunta Kardec: "Donde vieram para a Terra os seres vivos"? Resposta: "A Terra lhes continha os germes, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram (teoria das "unidades coletivas"), desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados" (Pergunta 44). Não é o que diz Pietro Ubaldi?

Mas, acima de tudo, está de pé a resposta à pergunta 540, no fim: "É assim que tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia, que vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!"

Nada mais cremos seja precioso para provar que a teoria exposta por Pietro Ubaldi, em sua revelação, nada tem de contraditório com a doutrina codificada por Allan Kardec. Antes, vem completá-la e explicá-la, levantando o véu daquele mistério que, há um século, os espíritos julgaram oportuno deixar ainda envolvendo a origem da vida. E isto porque os homens daquela época "ainda não podiam entender" essa origem, pois a ciência não havia demonstrado que matéria é apenas a condensação da energia, e esta a descida das vibrações do espírito. A frase final da resposta à pergunta nº 83 nos revela bem que Allan Kardec, incontestável mestre codificador, não pôde receber dos espíritos uma doutrina completa, porque o ambiente terrestre ainda não estava preparado. Lemos aí: "É tudo o que podemos, por agora, dizer". Então, há mais coisas a dizer, mas não podiam ser ditas, tal como ocorreu quando Jesus disse a seus apóstolos: "Muitas coisas vos tenho a dizer, mas não as podeis suportar agora" (João, 16:12). Por que então condenaremos a teoria de Pietro Ubaldi, se ela sem contradizer nem Kardec, nem Jesus, vem trazer-nos luz a respeito de coisas que nem um nem outro nas haviam revelado? O fato concreto, sob nossa vista, é que a teoria exposta mediante revelação e inspiração por Pietro Ubaldi satisfaz integralmente a todas as indagações científicas, psíquicas, filosóficas, teológicas e espirituais que possamos fazer-nos. Assim sendo, temos que lealmente aceitá-la, até prova em contrário; mas prova que traga argumentos e fatos, experimentações e demonstrações, e não apenas citações do "magister dixit". Hoje o método científico tem de prevalecer para satisfazer tanto à mente concreta quanto à abstrata, tanto à razão quanto à intuição, tanto à inteligência quanto à sensibilidade.

A obra é de suma importância e finca no mundo um marco que dificilmente será removido. Poderá ser mais bem explicado e desenvolvido seu ponto de vista, poderá mesmo ser modificado em seus aspectos secundários. Mas o âmago do problema foi equacionado brilhantemente, e daí poderemos partir para posteriores e maiores pesquisas e buscas. Compete agora ao homem de amanhã essa parte. Mas este já encontrará uma base onde se apoiar, um alicerce sobre o qual poderá erguer novos edifícios. E era isto, justamente, o que faltava à humanidade de hoje, que nada podia edificar em terrenos movediços de mistérios, sobre abismos sem fundo de desconhecimentos confessados. Tudo, dentro da relatividade humana, foi explicado em termos científicos e lógicos. Foi-nos mostrado, com dificuldade por causa da pobreza da linguagem humana, o que a mente do homem perquiria há milênios, e que nos fora dito várias vezes, mas sempre com palavras ocultas, cheias de subentendimentos, que a mente comum não conseguia penetrar.

Para a filosofia e a teologia, este volume constitui um dos mais importantes tratados que já apareceram publicados na face da Terra. É uma luz nova que se levanta no horizonte, um novo sol que vem iluminar as mentes e aquecer os corações, sequiosos de sabedoria e de amor. Porque nele se revelam, em Sua plenitude infinita, a Sabedoria e o Amor de Deus, como centro de tudo, como Seu pensamento a constituir atmosfera psíquica "em que vivemos, nos movemos e existimos (…) porque Dele também somos gerados" (Atos, 17:28)

Carlos Torres Pastorino - Rio, 5 de Julho de 1957

SALVE OS 150 ANOS DE “A GÊNESE”!

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”. – O Que É Espiritismo, Preâmbulo

retrato de Allan KardecAgora no dia 06 de janeiro último celebramos os 150 anos de publicação de “A Gênese”, a quinta e última das obras que compõe a Codificação Espírita. Kardec faleceu pouco mais de um ano depois de trazê-la a público, em 31 de março de 1869. Foi seu canto do cisne. Missão dada, missão cumprida...

Ao Mestre Lionês, a nossa eterna reverência e gratidão. “O Cristão Espírita” soma a sua voz ao coro de homenagens programadas para este ano, a propósito desta celebração, nos cinco continentes.

Precisamos estudar mais e melhor “A Gênese”. Talvez seja essa a melhor forma de retribuir todo o esforço e sacrifício de Kardec no desenvolvimento de sua obra. Foi um verdadeiro “mártir do trabalho”. Seu corpo sucumbiu ao peso de um esforço hercúleo em prol da missão que o Espírito abraçara...

Kardec e os Espíritos que o orientaram em sua missão se revelaram inicialmente muito cuidadosos no trato da origem dos Espíritos. Diante desse tema as respostas foram muitas vezes breves, evasivas, reticentes, reservando para momento oportuno estudos mais aprofundados:

“O princípio das coisas está nos segredos de Deus” (LE, Q.49) [...] “Quanto [...] ao modo por que nos criou e em que momento o fez, nada sabemos”. (LE,Q.78) [...] “A época e o modo por que essa formação se operou [...] são desconhecidos.”(LE,Q.79) [...] “A origem [dos Espíritos] é mistério” (LE,Q.81)

Parece paradoxal, por isso, a inserção do estudo de nossa natureza e origem na própria definição da Doutrina, como apontamento mesmo de sua missão essencial, conforme se vê acima, na epígrafe em destaque.

Capa da edição original de A Gênese, em 1868A solução do aparente paradoxo é simples. O papel da Terceira Revelação, em consonância com a promessa solene do Cristo, é o de nos ensinar “todas as coisas” (João, XIV: 15 a 17 e 26). Essa Revelação será constante (“ficará eternamente convosco”) mas “essencialmente progressiva” (A Gênese, Cap. I, Caráter da Revelação Espírita, item 55), servindo-se para tanto de uma variedade de modos e meios, proporcionais à nossa evolução e maturação psíquica: “Penetrará o homem um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas? R. “O véu se levanta a seus olhos, à medida que ele se depura” (LE, Q.18).

Foi exatamente com a publicação de “A Gênese”, segundo os próprios Espíritos, que o estudo de nossa origem mais essencial mudou de patamar, abrindo-se desde então portas para novos e mais desenvolvidos estudos sobre o tema:

“A questão de origem que se prende à Gênese é para todos uma questão apaixonada. Um livro escrito sobre esta matéria deve, em consequência, interessar a todos os espíritos sérios. Por esse livro, como vos disse, o Espiritismo entra numa nova fase e esta preparará as vias da fase que mais tarde se abrirá, porque cada coisa deve vir a seu tempo. Antecipar o momento propício é tão prejudicial quanto deixá-lo escapar”. São Luís (Revista Espírita, Fev/Pág.92 Ed. FEB – Comentário sobre o lançamento de A Gênese)

Outro modo interessante de celebrar e homenagear a edição original de “A Gênese” pode ser o de lembrar e esclarecer ao máximo aquilo que a Doutrina Espírita já nos revelou sobre a nossa origem. Aqui podemos lembrar pelo menos dois aspectos essenciais:

1º. A ideia de que fomos criamos “simples e ignorantes” (LE, Q.115), num estado a que poderíamos chamar de “infância espiritual” (LE, Q.190) foi útil àquele momento de início da Doutrina e mais tarde para a popularização da ideia de progressividade do Espírito, mas sua divulgação e ou aceitação hoje meio “axiomática” (para não dizer dogmática) acabou por tornar-se um problema. Kardec foi claro, muitas vezes, a dizer que essa era uma solução parcial e provisória, enquanto na se buscava mais intensamente o estudo de nossa VERDADEIRA ORIGEM. Por escassez de espaço, citamos a passagem em que a respeito ele se mostra mais incisivo:

“Deixemos então de lado a questão da origem, insolúvel por enquanto; consideremos o Espírito, não em seu ponto de partida, mas no momento em que, manifestando-se nele os primeiros germens do livre-arbítrio e do senso moral o vemos a desempenhar o seu papel humanitário, sem cogitarmos do meio onde haja transcorrido o período de sua infância, ou, se o preferirem, de sua incubação”. (A Gênese Cap. XI, A Gênese Espiritual, Item 29)

Nos dias de hoje a repetição “mecânica” ou irrefletida de que fomos criados “simples e ignorantes” pode tornar-se até um prejuízo para o entendimento da Doutrina, fazendo-a parecer “criacionista”, no sentido de não aceitar a evolução do animal para o homem, quanto ela tem exatamente entre os seus principais valores o fato de ser evolucionista por natureza, com reiterados ensinos nesse sentido desde suas primeiras horas: “É assim que tudo serve, tudo se encadeia, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que começou um dia por ser átomo” (LE, Q. 540) [...] “Observai como tudo se encadeia na imensa Natureza que o Senhor vos faz descortinar. [...] Passando sucessiva-mente por todos os reinos e por aquelas espécies intermediárias, o Espírito, mediante um desenvolvimento gradual e contínuo, ascende da condição de essência espiritual originária à de Espírito formado, à vida consciente, livre e responsável, à condição de homem. São elos preciosos que tudo ligam”. (Os Quatro Evangelhos, Tomo I, item 56)

2º. O segundo ponto que nos cumpre sempre salientar, no estudo dos primeiros ensinos da Doutrina sobre a nossa Criação original, é o que nos trazem as questões 85 e 86 de O Livro dos Espíritos, destacadas no Resumo da Doutrina Espírita apresentado pelo próprio Codificador na introdução desse mesmo volume: “O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita”.

retrato de Allan Kardec“Deus é ESPÍRITO”, ensinou-nos Jesus através de seu diálogo com a samaritana (Jo.4:24) e, como “Causa primária de todas as coisas”(O Livro dos Espíritos, Q.1), só poderia ter como resultado de sua criação algo que fosse de sua própria natureza – uma criação, portanto, toda ESPIRITUAL. Se “todo efeito inteligente tem uma causa inteligente”, conforme tantas vezes nos ensinaram Kardec e os próprios Espíritos, o inverso também é verdadeiro: causas inteligentes têm efeitos inteligentes. O efeito reflete sempre a natureza da causa que se origina, e mais ainda quando está próximo dela. A água é tão mais pura quanto mais próxima à fonte. A luz mais intensa nas imediações da lâmpada. O calor mais forte ao redor da chama. “Vós sois deuses” (Salmo 82:6 e João 10:34), lembrou-nos também o Cristo, a despertar-nos para a consciência de nossa filiação e origem.

Podemos, portanto, não ter ainda muitos detalhes de nossa criação primeira, mas já podemos garantir que nosso mundo de origem era todo ESPIRITUAL, que a matéria surgiu depois, e que o universo por ela constituído poderia “nunca ter existido”, sem com isso comprometer a realidade do primeiro, que “preexiste e sobrevive a tudo”.

Os melhores desdobramentos do volume “A Gênese”, de Allan Kardec, nós os encontramos nos volumes “Deus e Universo” e “O Sistema” de Pietro Ubaldi, aos quais dirigimos aqueles que se interessam mais intensamente pelo estudo de nossas origens.

Por ora, só desejamos concluir dizendo: “Salve os 150 anos de A Gênese!".

Que Kardec, onde quer que esteja, sinta em seu coração, a vibração de gratidão e amor dos nossos, em prece por sua evolução e felicidade. Amém!

P.S.: A propósito de algumas controvérsias recentes sobre as traduções brasileiras de "A Gênese", a Federação Espírita Brasileira se pronunciou, há algunas dias, com excelente texto sobre o tema, ao qual remetemos aqueles que estiverem interessados. Para acessar, basta clicar o botão fixado na nossa barra de menus, à esquerda da tela.

O ESPÍRITA DIANTE DA CRISE

Madre Teresa de CalcutáQuando se considera o estado atual da sociedade, é-se tentado a olhar sua transformação como um milagre. Pois muito bem! Esse é o milagre que o Espiritismo deve e pode realizar, pois que está nos desígnios de Deus, e isto com o auxílio de uma divisa: Fora da caridade não há salvação. Tome a sociedade humana essa máxima por emblema, conforme a ela sua conduta, substituindo-a por esta outra, que está na ordem do dia: A caridade bem ordenada é a parte dos outros para nós, e tudo se modificará. Toda a questão será fazer esse lema aceito.

A palavra caridade, vós o sabeis, senhores, tem uma acepção muito extensa. Há caridade em pensamentos, em palavras, em atos. Ela não é tão somente a esmola. O homem é caridoso em pensamentos sendo indulgente para com as faltas do próximo. a caridade em forma de palavra nada diz que possa prejudicar a outrem. A caridade em ações assiste ao próximo na medida de suas forças. O pobre que partilha seu pedaço de pão com o companheiro mais carecente do que ele é mais caridoso e tem mais mérito aos olhos de Deus do que o rico que dá do seu supérfluo sem de nada se privar. Quem alimenta contra seu próximo sentimentos de ira, de animosidade, de ciúme, de rancor, falta com a caridade. A caridade é a antítese do egoísmo. Este é a exaltação da personalidade, aquela a sublimação da personalidade. Ela diz: Para vós em primeiro lugar, para mim depois. E o egoísmo diz: Para mim antes e para vós se sobrar. A primeira está toda inteira nesta frase de Cristo: “Fazei aos outros o que quiserdes que vos façam”. Em uma palavra, ela se aplica a todas as relações pessoais.


Admiti: se todos os membros de uma sociedade agissem de conformidade com esse princípio, haveria menos decepções na vida. Uma vez que dois indivíduos estão reunidos, contratam, por força disso mesmo, deveres recíprocos. Se desejam viver em paz, estão obrigados a se fazerem concessões recíprocas. Esses deveres aumentam com o número dos indivíduos; as aglomerações constituem-se em todos-coletivos que têm também suas obrigações respectivas. Tendes, pois, além das relações de indivíduo a indivíduo, as relações de cidades para com cidades, de estados para com estados, de países para com países. Essas relações podem ter duas motivações que são a negação uma da outra; o egoísmo e a caridade, pois que há também egoísmo nacional. O egoísmo faz com que o interesse pessoal prevaleça acima de tudo. Cada pessoa arrebata o que pode para si, o semelhante é visto apenas como um antagonista, um rival que pode se intrometer em nosso caminho, que podemos explorar ou que pode nos explorar. A vitória pertencerá ao mais sagaz e a sociedade – coisa triste de dizer – consagra comumente essa vitória, o que faz com que ela se divida em duas áreas principais: os explorados e os exploradores. Disso resulta um antagonismo perpétuo, que faz da vida um tormento, um verdadeiro inferno. Substitua-se o egoísmo pela caridade e tudo será diferente. Ninguém procurará fazer mal ao seu vizinho, as iras e os ciúmes se extinguirão à falta do que os alimente e os homens viverão em paz entreajudando-se ao invés de mutuamente se despedaçando. Se a caridade substituir o egoísmo, todas as instituições sociais passarão a ter por alicerce o princípio da solidariedade e da reciprocidade. O forte protegerá o fraco ao invés de explorá-lo.

Chico XavierMuitas pessoas poderão dizer: Eis um belo sonho! Infelizmente é apenas um sonho. O homem é egoísta por natureza, por necessidade, e para sempre será assim. Mas se tal proposição é verdadeira – o que seria realmente muito triste! –, é de se perguntar com que finalidade o Cristo veio até nós, pregando a caridade aos homens. Com igual resultado teria pregado aos animais. Todavia examinemos a questão.

Há progresso do selvagem ao homem civilizado? Não se procura, diariamente, melhorar os costumes dos selvagens? Mas com que finalidade, se o homem é incorrigível? Estranha bizarria! Estais certos de educar os selvagens e acreditais que o homem civilizado não pode melhorar. Se o homem civilizado tivesse a pretensão de ter atingido o último limite do progresso acessível à espécie humana, bastaria comparar os costumes, caráter, a legislação, as instituições sociais de hoje com as de outrora. E, entretanto, os homens de outrora, também eles, supunham ter alcançado o último degrau. O que teria respondido um grã senhor ao tempo de Luís XIV se lhe tivessem dito que poderia dispor de uma ordem social melhor, mais justa, mais humana do que a vigente então; se lhe afirmassem que o regime mais eqüitativo se caracterizaria pela abolição dos privilégios de classe e a igualdade do grande e do pequeno diante da Lei? O audacioso que isso proclamasse, certamente bem caro pagaria a sua temeridade.

Disso concluímos que o homem é eminentemente perfectível e que os mais adiantados hoje parecerão atrasados dentro de alguns séculos. Negar esse fato será negar o progresso, que é uma lei da natureza.

Embora o homem tenha progredido do ponto de vista moral, é preciso, entretanto, convir que esse progresso se realizou, mais acentuadamente, no sentido intelectual. Por que motivo? Eis aqui um outro problema que foi dado ao Espiritismo explicar, mostrando que a moral e a inteligência são dois caminhos que raramente seguem juntos. Quando o homem dá alguns passos num deles, se retarda no outro. Todavia, mais tarde, torna a ganhar o terreno que havia perdido e as duas forças acabam por se equilibrar, através de sucessivas reencarnações. O homem chegou a uma fase em que as ciências, as artes e as indústrias atingiram um alcance até hoje desconhecido. Se a satisfação que delas tira satisfaz à vida material, deixa um vazio na alma: ele aspira qualquer coisa de superior, sonha com melhores instituições, deseja a vida, a felicidade, a igualdade, a justiça para todos. Mas como atingir tudo isso com os vícios da sociedade e, sobretudo, com o egoísmo imperando? O homem sente, pois, a necessidade do bem para ser feliz, compreende que só o reino do bem pode lhe dar a felicidade pela qual aspira. Esse reinado ele o pressente pois, instintivamente, crê na justiça de Deus e uma voz secreta lhe diz que uma nova era vai se iniciar.

MalalaComo ocorrerá isso? Ora, se o reino do bem é incompatível com o egoísmo, é preciso que o egoísmo seja destruído. Mas o que pode destruí-lo? A predominância do sentimento do amor, que leva os homens a se tratarem como irmãos e não como inimigos. A caridade é a base, a pedra angular de todo o edifício social. Sem ela o homem construirá sobre a areia. Assim sendo, urge que os esforços e, sobretudo, os exemplos de todos os homens de bem a difundam; e que eles não se desencorajem ao defrontarem as recrudescências das más paixões. Elas são os inimigos do bem. Ganhando terreno, lançam-se contra ele; mas está nos desígnios de Deus que, por seus próprios excessos, elas se destruam. O paroxismo de um mal é sempre o sinal de que chega ao seu fim.

Acabo de afirmar que sem a caridade o homem constrói sobre a areia. Um exemplo torna isso compreensível.

Alguns homens bem intencionados, tocados pelos sofrimentos de uma parte de seus semelhantes, supuseram encontrar o remédio para o mal em certas doutrinas de reforma social. Com pequenas diferenças, os princípios são pouco mais ou menos os mesmos em todas essas concepções, qualquer seja o nome que se lhes dê. Vida comunitária, por ser a menos onerosa; comunidade de bens para que todos tenham a sua parte; nada de riquezas, mas também nada de miséria. Tudo isso é muito sedutor para aquele que, não tendo nada, vê antecipadamente a bolsa do rico passar ao fundo comunal, sem cogitar que a totalidade das riquezas, postas em comum, criaria uma miséria geral ao invés de uma miséria parcial; que a igualdade, estabelecida hoje, seria rompida amanhã pela mobilidade da população e a diferença entre aptidões; que a igualdade permanente de bens supõe a igualdade de capacidades e de trabalho. Mas esta não é a questão. Não está em minhas intenções examinar o lado positivo e o negativo desses sistemas. Faço abstração das impossibilidades que acabo de citar e proponho olhá-los de um outro ponto de vista que, parece-me, ainda não preocupou a ninguém e que se relaciona à nossa área de cogitações.

Karl MarxOs autores, fundadores ou promotores de todos esses sistemas, sem exceção, não visaram senão a organização da vida material de uma maneira proveitosa a todos. A finalidade é louvável, indiscutivelmente. Resta saber se nesse edifício não falta a base que, só ela, poderia consolidá-lo, admitindo-se que fosse praticável.

A comunidade é a abnegação mais completa da personalidade. Ela requer o devotamento mais absoluto, pois cada pessoa deve pagar de sua pessoa. Ora, o móvel da abnegação e do devotamento é a caridade, isto é, o amor ao próximo. Entretanto é preciso reconhecer que a base da caridade é a crença: que a falta de crença conduz ao materialismo e o materialismo ao egoísmo. Um sistema que, por sua natureza, requer para sua estabilidade virtudes morais no mais supremo grau, haveria que ter seu ponto de partida no elemento espiritual. Pois muito bem, ele não o leva absolutamente em conta, já que o lado material é a sua finalidade exclusiva. Muitas dessas concepções são fundamentadas em uma doutrina materialista confessada em alto e bom som, ou sobre um panteísmo que não passa de uma espécie de materialismo disfarçado. Isso quer dizer que são enfeitadas com o nome da fraternidade, mas a fraternidade, assim como a caridade, não se impõe nem se decreta, é algo que existe no coração e não será um sistema que a fará nascer, se ela aí já não se encontra alojada. Ao mesmo tempo em que isto ocorre, o defeito antagônico à fraternidade arruinará o sistema e o fará cair na anarquia, já que cada pessoa quererá tirar para si a melhor parte. A experiência aí está, diante de nossos olhos, para provar que eles não extinguem nem as ambições nem a cupidez. Antes de fazer a coisa para os homens, é preciso formar os homens para a coisa, como se formam obreiros, antes de lhes confiar um trabalho. Antes de construir, é preciso que nos certifiquemos da solidez dos materiais. Aqui os materiais sólidos são os homens de coração, de devotamento e abnegação. Sob o egoísmo, o amor e a fraternidade são, como já dissemos, palavras vazias. Assim sendo, de que maneira, sob o império do egoísmo, fundar um sistema que requeira a abnegação em um sentido tão amplo que tenha por princípio essencial a solidariedade de todos para cada um e de cada um para com todos? Alguns homens abandonaram o solo natal para ir fundar, à distância, colônias sob o regime da fraternidade. Quiseram fugir ao egoísmo que os esmagava, mas o egoísmo seguiu com eles e lá, onde se acham, encontram-se exploradores e explorados, pois que a caridade lhes falta. Acreditaram que bastasse conduzir o maior número de braços possível, sem imaginar que, ao mesmo tempo, levavam os vermes roedores da nova instituição, arruinada tão mais rapidamente porque não tinha em si nem força moral nem força material suficientes.

Ilustração - coração nas mãosO que lhe faltava não eram braços numerosos, mas sólidos corações. Infelizmente muitos foram os que se lhes engajaram porque, não se tendo desincumbido a contento no que lhes fora confiado, acreditaram libertarem-se de obrigações pessoais. Viram apenas um ponto sedutor no horizonte, sem perceberem a espinhosa rota que para ele conduzia. Decepcionados em suas esperanças, reconhecendo que antes de gozar era preciso muito trabalhar, muito sacrificar, muito sofrer, tiveram por perspectiva o desencorajamento e o desespero. Sabeis o que sucedeu à maioria. Seu erro é terem querido construir um edifício começando pela cumeeira, antes de ter assentado sólidos fundamentos. Estudai a história e a causa da queda dos Estados mais florescentes e por toda parte encontrareis a mão do egoísmo, da cupidez, da ambição.

Sem a caridade, não há instituição humana estável. E não pode haver caridade nem fraternidade, na verdadeira acepção do termo, sem a crença. Aplicai-vos, pois, a desenvolver sentimentos que, em se afirmando, destruirão o egoísmo que vos destrói. Quando a caridade tiver penetrado as massas, quando se tiver transformado na fé, na religião da maioria, então vossas instituições se tornarão melhores pela força mesma das coisas. Os abusos, nascidos do personalismo exacerbado, desaparecerão. Ensinai, pois, a caridade e, sobretudo, pregai pelo exemplo: esta é a âncora da salvação da sociedade. Só ela pode realizar o reino do bem na Terra, pois o reino do bem é o reino de Deus. Sem ela, por mais que vierdes a fazer, não criareis senão utopias das quais não vos resultarão senão decepções. Se o Espiritismo é uma verdade, se ele deve regenerar o mundo, é porque tem por base a caridade. Ele não vem derrubar qualquer culto nem estabelecer um novo. Ele proclama e prova verdades comuns a todos, base de todas as religiões, sem se preocupar com particularidades. Não vem destruir senão uma coisa: o materialismo, que é a negação de toda religião! Não vem pôr abaixo senão um templo: o do orgulho e do egoísmo! Vem, entretanto, dar uma sanção prática a estas palavras de Cristo, que são toda a sua lei: Amai o vosso próximo como a vós mesmos. Não vos espanteis, pois, com o fato de ele ter por adversários os adoradores do bezerro de ouro, cujos altares veio lançar por terra. Há, naturalmente, contra ele, aqueles que julgam sua moral incômoda, aqueles que teriam, de boa vontade, pactuado com os Espíritos e suas manifestações, se os Espíritos condescendessem em diverti-los. Mas, pelo contrário, o Espiritismo veio rebaixar-lhes o orgulho, pregar-lhes a abnegação, o desinteresse, a humildade. Deixai-os, pois, dizer e fazer o que quiserem. Com isso não se modificará a marcha dos desígnios de Deus.

Auta de SouzaO Espiritismo, por sua poderosa revelação, vem, pois, acelerar a reforma social. Seus adversários, sem dúvida, rir-se-ão dessa pretensão e, todavia, ela nada tem de presunçosa. Demonstramos que a incredulidade, a simples dúvida em relação ao futuro, leva o homem a se concentrar sobre a vida presente, o que, muito naturalmente, desenvolve o sentimento do egoísmo. O único remédio para o mal é concentrar a atenção sobre um outro ponto e desenraizá-lo, por assim dizer, a fim de que, dessa forma, todos os hábitos a ele inerentes sejam modificados. O Espiritismo, provando de maneira patente a existência de um mundo invisível, leva, forçosamente, a uma ordem de idéias bem diversa, pois que dilata o horizonte moral limitado à Terra. A importância da vida corporal diminui à medida que cresce a da vida espiritual. Colocamo-nos, naturalmente, em um outro ponto de vista e o que nos parecia uma montanha não se nos afigura maior do que um grão de areia. As vaidades, as ambições, aqui na Terra, tornam-se puerilidades, brinquedos infantis em presença do futuro grandioso que nos espera. Atendo-nos menos às coisas terrestres, tendemos, igualmente, a nos satisfazer menos às expensas dos outros, de onde uma diminuição no sentimento do egoísmo.

O Espiritismo não se limita a provar o mundo invisível. Pelos exemplos que faz se desenrolarem aos nossos olhos, ele no-lo revela em sua realidade e não como a imaginação o havia feito conceber. Ele no-lo mostra povoado de seres felizes ou infelizes, porém prova que a caridade, a soberana lei do Cristo, pode aí assegurar a paz e a alegria. Por outro lado assistimos ao espetáculo da sociedade terrena que se auto-estraçalha sob o império do egoísmo e que, entretanto, viveria feliz e pacífica sob o da caridade. Com a caridade tudo é, pois, benefício para o homem! Felicidade neste mundo e no outro! Não se trata mais, conforme a expressão de um materialista, do sacrifício de pessoas logradas, mas segundo a expressão do Cristo, do investimento de dinheiro que vai ser centuplicado. Com o Espiritismo o homem compreende que tem tudo a ganhar realizando o bem e tudo a perder optando pelo mal. Ora, entre a certeza (eu não direi a oportunidade!) de perder ou de ganhar, a escolha não pode ser duvidosa. Por esse motivo a propagação da idéia espírita tende, necessariamente, a tornar os homens melhores em suas mútuas relações. O que ele faz hoje, relativamente aos indivíduos, fará amanhã, em relação às massas, quando estiver difundido de maneira geral. Tratemos, pois, de torná-lo conhecido, em proveito de todos.

Prevejo uma objeção que pode ser levantada, isto é, a de que, de acordo com essas idéias, a prática do bem seria um cálculo interessado. A isso respondo dizendo que a Igreja, prometendo as alegrias do céu ou ameaçando com as chamas do inferno, conduz, ela própria, os homens, ou pela esperança ou pelo terror. O próprio Cristo ensinou que o que se dá neste mundo renderá, depois, centuplicado. Sem dúvida haverá maior mérito em fazer-se o bem espontaneamente, sem pensar em suas conseqüências, mas acontece que todos os homens não chegaram a esse estágio e vale mais praticar o bem com um estímulo do que não praticá-lo.

Eurípedes BarsanulfoOuve-se por vezes falar de pessoas que fazem o bem sem premeditação e, por assim dizer, por um impulso que lhes é próprio. Delas diz-se que não têm mérito, pois nessa realização não empenham nenhum esforço pessoal. É um erro! O homem não chega a nada sem esforço. Aquele que não precisou fazê-lo nesta existência, deve ter lutado em uma precedente e o bem acabou por se identificar com ele. Eis por que tudo parece tão natural. O bem está nele como estão, em outras pessoas, idéias que, também elas, tiveram sua fonte em um trabalho anterior. Este é ainda um dos problemas que o Espiritismo vem resolver. Os homens de bem têm, pois, também eles, o mérito da luta. Para eles a vitória já está alcançada. Os outros têm ainda que lutar para obtê-la. Eis por que, como as crianças, carecem de um estímulo, isto é, de um objetivo a ser atingido, ou, se o quiserdes, de um prêmio a ser arrebatado.

Uma outra objeção mais séria é esta: Se o Espiritismo produz todos esses resultados, os espíritas devem ser os primeiros a deles se aproveitarem. A abnegação, o devotamento desinteressado, a indulgência para com o próximo, a abstenção absoluta de toda palavra ou de todo ato que possam ferir os outros, em uma palavra, a caridade em sua mais pura acepção, devem ser a regra invariável de sua conduta. Não devem conhecer nem o orgulho, nem o ciúme, nem a inveja, nem o rancor, nem as tolas vaidades, nem as pueris suscetibilidades do amor-próprio. Devem praticar o bem pelo bem, com modéstia e sem ostentação, praticando esta máxima do Cristo: “Que vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita”. Agindo desse modo, ninguém merecerá que se lhe aplique estes versos de Racine: “Um benefício lançado em rosto vale sempre por uma ofensa”. Enfim, a mais perfeita harmonia deve reinar entre eles. Por que, então, citam-se exemplos que parecem contradizer a eficácia dessas belas máximas?

No início das manifestações espíritas, muitos as aceitaram sem prever suas conseqüências. A maioria olhou-as como curiosas concepções, mas quando delas resultou uma moral severa, deveres rigorosos a serem executados, não faltou quem se sentisse sem forças para praticá-las e a elas se conformar. Faltou-lhes coragem, devotamento, abnegação. Nessas pessoas a natureza corporal prevaleceu sobre a espiritual. Creram, mas recuaram em face da realização. Havia, pois, na origem, apenas espíritas, isto é, crentes; a filosofia e a moral abriram a essa ciência um horizonte novo e criou os espíritas praticantes. Os primeiros se atrasaram na retaguarda, os segundos arremeteram-se para a frente.

Bezerra de MenezesQuanto mais a moral se sublimou, mais ela fez contrastar imperfeições daqueles que se negaram a segui-la, assim como uma intensa luz faz ressaltar as sombras. Era como um espelho: alguns não quiseram nele se olhar ou, crendo nele se reconhecerem, preferiram apedrejar aqueles que lho mostravam. Tal é, ainda hoje, a causa de certas animosidades. Todavia posso, por felicidade, dizer: estas são exceções, algumas pequenas sombras sobre o vasto panorama, e que não lhe podem alterar a luminosidade. Neste grupo encontram-se, em grande parte, os que poderíamos chamar espíritas da primeira formação. Quanto àqueles que se formaram depois e se formam a cada dia, em grande maioria aceitaram a doutrina precisamente por causa de sua moral e de sua filosofia. Eis por que esforçam-se em praticá-la. Pretender que deveriam todos se terem tornado perfeitos é desconhecer a natureza da humanidade. Mas terem-se despojado de resquícios do homem velho é sempre um progresso que, por força, se deve levar em conta. São indesculpáveis aos olhos de Deus apenas aqueles que, estando devidamente esclarecidos, não tiraram desse esclarecimento o proveito que poderiam tirar. A estes, certamente, será pedida uma conta severa, da qual sofrerão, conforme temos visto em numerosos exemplos, as conseqüências aqui na Terra. Mas ao lado destes há também o grande número no qual operou-se uma verdadeira metamorfose. Encontraram na crença espírita a força para vencer pendores desde há muito tempo enraizados, de romper com velhas atitudes, de ignorar os ressentimentos e as inimizades, de tornar menores as distâncias sociais. Exigem-se do Espiritismo milagres: eis os que ele pode produzir.

Assim, pela força mesma das coisas, o Espiritismo levará, por inevitável conseqüência, ao aprimoramento moral. Esse aprimoramento conduzirá à prática da caridade, e da caridade nascerá o sentimento da fraternidade. Quando os homens estiverem imbuídos dessas idéias, conformarão a elas suas instituições e será assim que realizarão, naturalmente e sem agitações, as reformas desejáveis. Essa será a base sobre a qual assentar-se-á o edifício social do futuro.

Divaldo FrancoEssa transformação é inevitável, pois que está compreendida na lei do progresso. Todavia, se se deixar levar apenas pela marcha natural das coisas, sua realização poderá ser por muito tempo adiada. Se acreditarmos na revelação dos Espíritos, está nos desígnios de Deus ativá-la e nós vivemos exatamente o tempo predito para isso. A concordância das comunicações a esse respeito é um fato digno de nota. Em toda parte diz-se que nos aproximamos da era nova e que notáveis realizações irão se efetivar. Seria, entretanto, um erro supor que o mundo está ameaçado por um cataclismo material. Examinando as palavras do Cristo, torna-se evidente que nesta, como em outras muitas circunstâncias, Ele falou de maneira alegórica. A renovação da humanidade, o reino do bem sucedendo ao reino do mal, são notáveis fatos que podem ter realização sem que haja necessidade de um naufrágio universal, da eclosão de fenômenos extraordinários, ou da derrogação das leis naturais. E é sempre nesse sentido que os Espíritos se têm exprimido.

Tendo a Terra alcançado o tempo marcado para se transformar em feliz morada, elevando-se assim na hierarquia dos mundos, basta a Deus não permitir aos Espíritos imperfeitos aqui se reencarnarem, dela afastando aqueles que, por orgulho, incredulidade, maus instintos, se possam tornar em um obstáculo ao progresso, perturbando a boa harmonia, como, aliás, procedeis vós mesmos, em uma assembléia em que necessitais ter paz e tranqüilidade e da qual afastais aqueles que a ela possam trazer a desordem, ou como se expulsam de um país os malfeitores, que são exilados em países longínquos. Isso porque nas raças, ou melhor – para nos servirmos das palavras do Cristo – nas gerações de Espíritos enviados em expiação à Terra, aqueles que se mantiverem incorrigíveis serão substituídos por uma geração de Espíritos mais adiantados e, para isso, bastará uma geração de homens e a vontade de Deus que pode, através de acontecimentos inesperados, embora naturais, apressar-lhes a partida da Terra. Se, pois, a maior parte das crianças que hoje nascem pertencem à nova geração de Espíritos melhores, se os demais, que partem a cada dia, não mais regressarão, disso resultará uma renovação completa. E o que será feito dos Espíritos exilados? Serão encaminhados para mundos inferiores, onde expiarão duras asperezas em longos séculos de provas difíceis, pois que também eles são anjos rebeldes que desprezaram o poder de Deus e se revoltaram contra a lei que Cristo veio lhes recordar.

Como quer que seja, nada se faz bruscamente na natureza. A velha levedura deixará ainda, durante algum tempo, traços que só de pouco em pouco se apagarão. Quando os Espíritos nos dizem – e isso eles o fazem por toda parte – que nos abeiramos desse momento, não creiais que seremos testemunhas de uma transformação exposta à vista. Querem demonstrar-nos que estamos no momento da transição, assistimos à partida dos velhos e à chegada dos novos, que virão fundar uma nova ordem de coisas, isto é, o reino da justiça e da caridade que é o verdadeiro reino de Deus, predito pelos profetas e do qual o Espiritismo vem preparar os caminhos.

Allan KardecVede, senhores, estamos já bem distantes das mesas girantes e, entretanto, apenas alguns anos nos separam do berço do Espiritismo! Quem quer que tivesse sido bastante audacioso para predizer o que hoje se passa seria levado à conta de insensato aos olhos dos seus próprios correligionários. Observando a pequenina semente, quem poderia compreender, se dantes não tivesse assistido ao fenômeno, que dali sairia a árvore poderosa? Vendo a criança nascida no estábulo de uma pobre aldeia na Judéia, quem poderia supor que, sem o fausto e o poder material, sua voz singela abalaria o mundo, reforçada apenas por alguns pescadores ignorantes e tão pobres quanto ela mesma? Outro tanto ocorre com o Espiritismo que, saindo de um humilde e vulgar fenômeno, já aprofundou suas raízes em todas as direções, e cuja ramalhada bem cedo abrigará a Terra inteira. As coisas progridem celeremente quando Deus assim o quer. E considerando que nada ocorre fora de Sua vontade, quem não veria aí o dedo de Deus?

Assistindo à marcha irresistível das coisas, poderíeis dizer como outrora os Cruzados marchando para a conquista da Terra Santa: Deus o quer!, mas com a diferença que eles marchavam levando nas mãos ferro e fogo, enquanto que vós apenas tendes por arma a caridade que, ao invés de ocasionar ferimentos morais, derrama um bálsamo salutar sobre os corações doloridos. E, com essa arma pacífica, que cintila aos olhos como um raio divino e não como o metal assassino, que semeia a esperança e não o temor, tereis, dentro de alguns anos, levado ao aprisco da fé mais ovelhas desgarradas do que o teriam podido fazer séculos de violência e de prepotência. É com a caridade por guia que o Espiritismo caminha para a conquista do mundo.

Será fantasioso e quimérico o quadro que esbocei diante de vós? Não! A razão, a lógica, a experiência, tudo diz que essa é uma realidade.

Espíritas, sois os pioneiros dessa grande obra. Tornai-vos dignos da gloriosa missão, cujos primeiros frutos já recolheis. Pregai por palavras, mas, sobretudo, pregai por exemplos. Comportai-vos de modo a que, em vos vendo, não possam dizer que as máximas que ensinais são palavras vãs em vossos lábios. A exemplo dos apóstolos, fazei milagres, pois para isso Deus concedeu-vos o dom! Não milagres que chocam os sentidos, porém milagres de caridade e de amor. Sede bons para com vossos irmãos, sede bons para com o mundo inteiro, sede bons para com vossos inimigos! A exemplo dos apóstolos, expulsai os demônios. Para isso tendes o poder, e eles pululam em torno de vós, os demônios do orgulho, da ambição, da inveja, do ciúme, da cupidez, da sensualidade, que alimentam todas as más paixões e semeiam por entre vós os pomos da discórdia. Expulsai-os de vossos corações, a fim de que tenhais a força necessária para expulsá-los dos corações alheios. Fazei esses milagres e Deus vos abençoará, as gerações futuras vos abençoarão como as de agora abençoam os primeiros cristãos, dentre os quais, muitos revivem entre vós para assistir e concorrer para o coroamento da obra do Cristo. Fazei esses milagres e vossos nomes serão inscritos gloriosamente nos anais do Espiritismo. Não empanai esse clarão por sentimentos e atos indignos do verdadeiro espírita, do espírita cristão. Libertai-vos, o quanto antes possível, de tudo quanto possa ainda restar em vós do velho levedo. Observai que de um momento para o outro, amanhã talvez, o anjo da morte pode vir bater à vossa porta e dizer: Deus vos chama para prestardes conta do que fizestes de sua palavra, da palavra de Seu Filho, que Ele fez repetir pelos bons Espíritos. Estai, pois, sempre prontos a partir e não façais como o viajor imprudente que é surpreendido desprevenido. Fazei vossas provisões com antecipação, provisões de boas obras e de bons sentimentos, pois infeliz é aquele que o momento fatal surpreende com a ira, a inveja ou o ciúme no coração. Terão por escolta os maus Espíritos, jubilosos das desgraças que o esperam, uma vez que essas desgraças serão a sua obra. E vós sabeis, espíritas, quais são essas desgraças: os que as sofrem chegam até nós, eles próprios, para descrever seus sofrimentos. Àqueles, pelo contrário, que se apresentarem puros, os bons Espíritos virão estender a mão, dizendo-lhes: Irmãos, sede bem-vindos às celestes moradas onde vos esperam cantos de alegra.

Jesus-CristoVossos adversários rir-se-ão de vossa crença nos Espíritos e em suas manifestações, mas não poderão rir das virtudes que resultam dessa crença. Não se rirão quando virem os inimigos perdoar-se ao invés de ferir-se, a paz renascer entre aqueles que se dividiram pela dissensão, o incrédulo de ontem concentrado hoje em prece fervorosa, o homem violento e colérico transformado em ser doce e pacífico, o debochado transfigurado no homem cumpridor de seus deveres e perfeito pai de família, o orgulhoso que se tornou humilde, o egoísta oferecendo provas do mais alto espírito de caridade. Não rirão quando constatarem que já não têm a temer a vingança de seus inimigos, transformados em espíritas. O rico não se rirá quando verificar que o pobre não inveja sua fortuna e o pobre, ao invés de alimentar sentimentos de ciúmes, abençoará o rico que se fez humano e generoso. Os chefes não rirão de seus subordinados e não os molestarão quando constatarem que se fizeram escrupulosos e conscienciosos na realização de seus deveres. Finalmente os patrões encorajarão seus servidores e subalternos quando os virem, sob o império da fé espírita, mais fiéis, mais devotados e mais sinceros. Eles verificarão que o Espiritismo é bom para tudo e para todos e não apenas para salvaguardar-lhes os interesses materiais. E tanto pior será para aqueles que não quiserem ver um pouco mais além. Sob o império dessa mesma fé, o militar será mais disciplinado, mais humano, mais fácil de ser conduzido. Terá sentimentos e obedecerá não pelo temor, mas pela razão. É o que constatam os dirigentes imbuídos desses princípios e eles são numerosos. E, por tal motivo, sinceramente desejam que nenhum entrave se oponha à propagação das idéias espíritas entre aqueles que se encontram sob sua direção.

Eis, senhores, que rides, o que produz o Espiritismo, essa utopia do século dezenove, parcialmente ainda, é verdade, mas cuja influência já se reconhece e cuja propagação em breve se compreenderá ser do maior benefício, em favor de todos. Sua influência é uma garantia de segurança para as relações sociais, pois que constitui o mais poderoso freio às más paixões, às efervescências desordenadas, mostrando o laço de amor e de fraternidade que deve unir o grande ao pequeno e o pequeno ao grande. Fazei, pois, que por vosso exemplo logo se possa dizer: Praza a Deus que todos os homens sejam espíritas de coração!

Ilustração - imagem do sol sobreposta pelas palavras Deus, Cristo e CaridadeCaros irmãos espíritas, venho vos indicar o caminho, fazer-vos ver o objetivo. Possam minhas palavras, em sua impotência, ter-vos feito compreender a sua grandeza! Todavia outros virão, depois de mim, que vo-la mostrarão também, e cuja voz, mais poderosa do que a minha, terá para as nações o brilho vivaz da trombeta. Sim, meus irmãos, Espíritos mensageiros de Deus, encarregados de estabelecer o Seu reino na Terra, logo surgirão entre vós e os reconhecereis por sua sabedoria e a autoridade de sua linguagem. À sua voz, os incrédulos e os ímpios se encherão de espanto e de estupor e curvarão a cabeça, pois não ousarão chamá-los loucos. Eu não poderia, irmãos, revelar-vos tudo quanto vos prepara o futuro. Mas o tempo está próximo em que todos os mistérios serão revelados, para a confusão dos mentirosos e a glorificação dos bons.

Enquanto a oportunidade se apresenta, revesti-vos do manto branco, abafai as discórdias, pois que as discórdias pertencem ao reino do mal que vai ter fim. Seja-vos possível fundir-vos em uma única e mesma família e dar-vos mutuamente, do fundo do coração e sem pensamento premeditado, o nome de irmãos. Se entre vós há dissidências, causas de antagonismos, se os grupos que devem todos marchar para um objetivo comum estiverem divididos, eu o lamento, sem me preocupar com as causas, sem examinar quem cometeu os primeiros erros, e me coloco, sem hesitar, do lado daquele que tiver mais caridade, isto é, mais abnegação e verdadeira humildade, pois aquele a quem falta a caridade está sempre errado, assistido embora por qualquer espécie de razão, pois Deus maldiz quem diz a seu irmão: racca.

Cartaz com fundo vermelho e a palavra amor em destaqueOs grupos são indivíduos coletivos que devem viver em paz como os indivíduos, se realmente são espíritas. Eles são os batalhões da grande falange. Ora, o que será feito de uma falange cujos batalhões se dividirem? Aqueles que vêem o próximo com olhos ciumentos provam, só por isso, que estão sob uma má influência, pois que o Espírito do bem não pode produzir o mal. Vós o sabeis: a árvore reconhece-se pelos frutos. Ora, o fruto do orgulho, da inveja e do ciúme é um fruto envenenado que mata quem dele se nutre.

O que digo das dissidências entre grupos vale, igualmente, para as que possam haver entre os indivíduos. Em semelhante circunstância, a opinião das pessoas imparciais é sempre favorável àquele que dá provas de maior grandeza e de generosidade. Aqui na Terra, onde ninguém é infalível, a indulgência recíproca é uma conseqüência do princípio da caridade que nos leva a agir para com os outros como quereríamos que os outros agissem para conosco. Ora, sem indulgência não há caridade, sem caridade não há verdadeiro espírita. A moderação é um dos sinais característicos desse sentimento, como a acrimônia e o rancor são sinais da negação. Com acrimônia e espírito vingativo deterioram-se as mais dignas causas, mas com a moderação fortalecemo-las, se estamos de seu lado, ou delas passamos a participar, se não o fizemos ainda. Se, pois, eu tivesse de opinar em uma divergência, eu me preocuparia menos com as causas e mais com as conseqüências. As causas, em querelas ocasionadas sobretudo por palavras, podem ser o resultado de questões das quais nem sempre somos senhores; a conduta ulterior de dois adversários é o resultado da reflexão; eles agem de sangue frio e é então que o verdadeiro caráter de cada uma das partes se define. Uma cabeça ruim e um mau coração caminham muitas vezes juntos, porém rancor e bom coração são incompatíveis. Minha medida de apreciação seria, então, a caridade, isto é, eu observaria aquele que menos mal diz de seu adversário, aquele que é o mais moderado em suas recriminações. É segundo esta medida que Deus nos julgará, pois que Ele será indulgente para quem tiver sido indulgente e será inflexível para quem tiver sido inflexível.

Ilustração com a palavra paz em destaqueA rota traçada pela caridade é clara, infalível e sem equívocos. Poderíamos defini-la assim: “Sentimento de benevolência, de justiça e de indulgência relativamente ao próximo, baseado no que quereríamos que o próximo nos fizesse”. Tomando-a por guia, podemos estar certos de não nos afastar do caminho reto que conduz a Deus. Quem deseja, de maneira sincera e séria, trabalhar por sua própria melhoria, deve analisar a caridade em seus mínimos detalhes e por ela conformar sua conduta, pois ela se aplica a todas as circunstâncias da vida, tanto às mais simples quanto às mais complexas. De cada vez que estivermos incertos quanto ao partido a tomar, no interesse alheio, basta que interroguemos a caridade e ela responderá, sempre, de maneira justa. Infelizmente escuta-se mais freqüentemente a voz do egoísmo.

Sondai, pois, os refolhos de vossa alma, para dela arrancardes os últimos vestígios das más paixões, se delas algo restar ainda. E se experimentais algum ressentimento contra alguém, cuidai de abafá-lo e dizei: “Irmão, esqueçamos o passado. Os maus Espíritos nos haviam separado, que os bons nos reúnam!” Se ele recusar a mão que lhe estendeis, oh!, então lamentai-o, pois Deus, por sua vez, lhe dirá: “Por que pedes perdão, tu que não perdoastes?”

Cartaz com fundo vermelho e a palavra amor em destaqueApressai-vos, pois, para que se não vos aplique esta frase fatal: É tarde demais! Tais são, queridos irmãos espíritas, os conselhos que tenho a vos dar. A confiança que vindes em mim depositar é uma garantia de que eles trarão bons frutos. Os bons Espíritos, que vos assistem, dizem-vos a cada dia a mesma coisa, porém julguei um dever apresentar-vos essas advertências em um conjunto, de modo a que suas conseqüências melhor se destaquem. Venho, pois, em nome deles, lembrar-vos a prática da grande lei do amor e da fraternidade que deverá, em breve, reger o mundo e nele fazer reinar a paz e a concórdia, sob o estandarte da caridade para com todos, sem exceções de seitas, de castas e nem de cores.

Com esse estandarte, o Espiritismo será o traço de união que reunirá os homens divididos pelas crenças e os prejuízos mundanos. Ele fará ruir a mais poderosa barreira que separa os povos: o antagonismo nacional. À sombra dessa bandeira, que será o seu ponto de reunião, os homens se habituarão a ver irmãos naqueles que viam como inimigos. Daqui até lá haverá muitas lutas, pois o mal não liberta facilmente sua presa e os interesses materiais são tenazes. Sem dúvida, não vereis com os olhos do corpo a realização dessa obra, para a qual concorreis, e isso embora esse momento não esteja remoto. Os anos iniciais do século próximo deverão prenunciar essa era nova que se prepara ao crepúsculo desta em que vivemos. Mas fruireis, com os olhos do Espírito, o bem que tiverdes feito, como os mártires do Cristianismo rejubilaram-se contemplando os frutos de seu sangue derramado. Coragem, pois, e perseverança. Não recueis ante os obstáculos. O campo não se torna fértil sem a dádiva do suor. Assim como o pai, mesmo no ocaso da vida, constrói o lar que irá abrigar seus filhos, crede que construís para as gerações futuras um templo à fraternidade universal e no qual as únicas vítimas imoladas serão o egoísmo, o orgulho e todas as más paixões que ensangüentaram a humanidade. (Allan Kardec, Viagem Espírita 1862, Discurso 3)

O ELOGIO DAS VIRTUDES

Autor: Francisco de Assis

    Quadro com a figura de Francisco de Assis

    Salve, rainha sabedoria, o Senhor te guarde por tua santa Irmã, a pura simplicidade!

  1. Senhora santa pobreza, o Senhor te guarde por tua santa Irmã, a humildade!

  2. Senhora santa caridade, o Senhor te guarde por tua santa Irmã, a obediência!

  3. Santíssimas virtudes todas, guarde-vos o Senhor, de quem procedeis e vindes a nós!

  4. Não existe no mundo inteiro homem algum em condições de possuir uma de vós, sem que ele morra primeiro.

  5. Quem possuir uma de vós e não ofender as demais, a todas possui;

  6. e quem a uma ofender, nenhuma possui e a todas ofende.

  7. E cada uma por si destrói os vícios e pecados.

  8. A santa sabedoria confunde a Satanás e todas as suas astúcias.

  9. A pura e santa simplicidade confunde toda a sabedoria deste mundo e a prudência da carne.

  10. A santa pobreza confunde toda a cobiça e avareza e solicitudes deste século.

  11. A santa humildade confunde o orgulho e todos os homens deste mundo e tudo quanto há no mundo.

  12. A santa caridade confunde todas as tentações do demônio e da carne e todos os temores carnais.

  13. A santa obediência confunde todos os desejos sensuais e carnais

  14. e mantém o corpo mortificado para obedecer ao espírito e obedecer a seu Irmão,

  15. e torna o homem submisso a todos os homens deste mundo,

  16. e nem só aos homens, senão também a todas as feras e animais irracionais,

  17. para que dele possam dispor a seu talante, até o ponto que lho for permitido do alto pelo Senhor (cf. Jo 19,11).


REENCARNAÇÃO:
A UM PASSO DA COMPROVAÇÃO

Ilustração - adulto e criança em uma praia, numa noite estreladaIan Stevenson, o célebre psiquiatra canadense, apontado por muitos como o "Galileu" da reencarnação, ocupou por tanto tempo uma posição de destaque no "front" das pesquisas sobre esse tema que sua desencarnação abriu de fato um "vácuo", trazendo preocupação, dentre a sua legião de admiradores, quanto ao futuro dos estudos sobre as vidas sucessivas.

Seu trabalho, no entanto, foi mais que apenas um esforço pessoal, e resultou na criação da Divisão de Estudos Perceptivos (DOPS), uma unidade da Divisão de Estudos da Personalidade do Departamento de Psquiatria e Neurociências do Comportamento da Universidade da Virgínia (EUA). Essa unidade foi fundada pelo próprio Dr. Stevenson, em 1967. Ano que vem completará, portanto, cinquenta anos...

É das fileiras desta Divisão que surgiu um dos principais continuadores de sua obra, o Dr. Jim B. Tucker, já conhecido no Brasil com a tradução de seu livro "Vida antes da Vida". Dr. Tucker publicou em 2013 um novo livro, com o título "De Volta à vida" (tradução livre), trazendo desta vez a público dezenas de casos de reencarnação de crianças norte-americanas. Respondeu, assim, a uma das tradicionais críticas ligadas aos estudos sobre vidas passadas: a de que supostamente apenas crianças nascidas em culturas onde tradicionalmente se aceita a reencarnação teriam esse tipo de lembranças... É alentador, também, constatar que a coleta e pesquisa sobre esses casos não parou, e que prosseguem as investigações científicas sobre a pluralidade das existências.

Vale destacar que, além dos estudos sobre a reencarnação, essa unidade mantém também linhas de pesquisa dedicadas aos casos de experiência de quase morte, vivências fora do corpo e aparições e comunicações pós-morte, constintuindo-se, portanto, numa das frentes mais promissoras de pesquisas científicas hoje existentes em torno dos fenômenos espíritas.

A preocupação com o avanço dos estudos sobre o tema, no entanto, procede, visto que não identificamos outro centro universário com pesquisas contínuas sobre as vidas sucessivas, como ocorre na Universidade da Virgínia, mesmo entre os que se dedicam ao estudo de parapsicologia.

Um artigo relativamente recente (2014) de Jill Hanson, Mestre em Arte, Consciência e Transformação da Universidade JFK, EUA, no site "Mind Floss" (Veja aqui), nos dá notícia de 13 universidades ao redor do mundo com histórico de estudos sobre parapsicologia, muitas delas ainda ativas, e nelas não identificamos nem um centro dedidado ao tema reencarnação. No Google Acadêmico, as referências acadêmicas sobre o tema vêm geralmente da Universidade da Virgínia...

Até novas notícias ficamos portanto na torcida pelo sucesso de Jim B. Tucker e sua equipe, no aguardo por novas iniciativas. Dr. Stenvenson chegou perto demais da definitiva comprovação, para que esse estudo possa ser interrompido. Mas, como dizem as escrituras, "o Espírito de Deus sopra onde quer" (Jo.3:8), aguardemos, porque pelos avanços já obtidos, é de se esperar que ainda neste século a reencarnação esteja plenamente comprovada e aceita pela ciência. Quem sabe veremos ainda esse dia, nessa encarnação, ou na próxima!

SARAH E JACOB em...
"EU NÃO DISSE?"

Ilustração com um casal jovemJacob e Sarah eram amigos na infância, na época em que certo Messias andava fazendo sucesso lá pela Galiléia. Certo dia Jacob chamou a Sarah porque soube que Ele estava fazendo um sermão não muito distante de onde moravam.

- Quem é esse Messias? – perguntou Sarah, tentando se apressar para acompanhar Jacob.

- Olha... uns dizem que o cara é o próprio Deus... outros dizem que é enganação, que tá se fazendo passar por quem não é ...

- E por que você quer vê-lo, então?

- Pra ter minha própria opinião, ué... eu tenho um tio que é amigo deste Messias e ele sempre diz que a gente tem que ver pra crer, se não, não dá pra confirmar nada.

- Tio Tomé?

- Esse mesmo...

Quando chegaram ao local onde estava o Messias, os dois ficaram muito assustados quando viram a quantidade de gente que o cercava. Estavam muito longe dele e, embora conseguissem ouvi-lo com perfeição, queriam mesmo é chegar perto, como toda criança.

- Temos que chegar mais perto – falou Jacob. - Não podemos ouvir daqui? Parece que está falando aqui pertinho...

- E se ele fizer um milagre? Como vamos saber?

- Milagre? Que milagre?

- Mas em que mundo você vive, Sarah? Não ouviu falar do morto que viveu, do paralítico que andou... da água que virou vinho?

- Vai me dizer que ele fez tudo isso?

- É o que eu vim descobrir... vamos... Então eles foram se infiltrando entre as pessoas, mas quando conseguiram chegar perto o Messias já havia terminado de falar e estava saindo.

- E agora? Como vamos falar com ele, se está cercado de seguranças? – perguntou Sarah.

- São os apóstolos, não seguranças... olha lá, meu tio tá com eles, quem sabe ele não me dá uma força?

Jacob correu e deixou Sarah para trás. Então ela resolveu sentar e esperar, pois já estava cansada. Só que o tempo passou e todo mundo foi embora. Jacob não voltou e ela não sabia voltar sozinha para casa. E agora? Quando o desespero começou a tomar conta, um homem apareceu na frente dela e perguntou:

- Por que você está chorando?

A Sarah deu um pulo da pedra onde estava sentada e respondeu, com o coração quase saindo pela boca:

- De onde você apareceu, criatura?

- O que você faz sozinha aqui? – perguntou o desconhecido.

- Eu me perdi do meu amigo... e não sei voltar para casa...

- Venha comigo, vou levar

- Mas você sabe onde eu moro?

- Ah! Vamos na direção da cidade... em algum momento você há de reconhecer o caminho, não é?

Então os dois foram e aquele homem foi puxando uma conversa atrás da outra com Sarah, que gostava muito de uma conversa. Só que Sarah começou a andar mais rápido do que ele, com medo de levar algum castigo por ter chegar tão tarde. Então, de repente, olhou para trás e cadê o homem? Ele tinha sumido. Logo em seguida virou para frente e ali estava ele a esperando com um sorriso, a um passo dela.

- O que houve? – ele

- Você ficou para trás e sumiu... agora apareceu aí na frente... como fez isso?

- Eu não fiz nada de especial... você é que me perdeu. Sarah ficou encucada. O cara tinha aparecido de repente quando ela tava sozinha e ela nem o ouviu chegando. Agora sumia atrás dela e aparecia na frente. Então ela resolveu ficar atenta e não tirou mais o olho dele. Só que, de repente, uma coruja piou do lado da estrada e tirou a atenção dela. Foi uma fração de segundo. Bastou olhar para o lado e, pronto, quando olhou de novo, cadê ele? Rodopiou em volta dela mesma e não o viu. Já ia chorar por estar sozinha, quando ele cutucou seu ombro. Estava ali, e sorria de novo.

- Como é que você faz isso? – perguntou Sarah.

- Faço o que?

- Some, depois volta... eu nunca vi ninguém fazer isso. Você é um fantasma? – perguntou Sarah, jurando a si mesma que não tirava mais os olhos dele, mas, enquanto ela falava, olhando para ele, tropeçou numa pedra e teve que olhar para o chão, e já não o encontrou mais quando olhou novamente. Só que desta vez não se assustou. Cruzou os braços e falou:

- Espertinho, né? ... onde você está agora? Então o homem apareceu nas suas costas e com uma força que ela nem podia imaginar que ele tinha, levantou-a no colo e sorriu, para depois dizer:

- Vamos nos apressar porque seus pais devem estar muito preocupados. Já é quase noite. Vou levar você no meu braço para irmos mais ligeiro. E assim foram chegando perto da casa da Sarah, mas ela ainda estava encucada com aquele homem que aparecia e desaparecia. Então, como já iam chegar, o desafiou:

- Tá ... e você não vai me dizer como faz isso, né?

- Isso o quê?

- De sumir e aparecer... então quero ver sumir comigo no colo...

Pronto. Lá foi a Sarah para o chão. Mas o lugar era de areia macia, por isso não se machucou. Logo ela viu que estava bem pertinho de casa e sua mãe já vinha correndo, desesperada porque não sabia onde ela estava. Depois de muito falatório, Sarah conseguiu explicar tudo. Jacob estava lá, cheio de desculpas por ter perdido a amiga e era quem mais fazia perguntas, sempre desconfiado.

- Mas quem a trouxe, afinal.

- Um homem que aparecia e desaparecia.

- O quê?

- É verdade. Eu deixava ele para trás e ele aparecia na minha frente. Eu olhava para a coruja e ele já tinha sumido, depois aparecia do meu lado. Eu tropecei numa pedra e quando olhei, cadê ele?

- Sim, onde ele estava – perguntou a mãe de Sarah, aflita.

- Não sei, mas de repente fui parar no braço dele. Era tão forte, me carregou até aqui, mas depois eu falei que duvidava que ele podia desaparecer comigo no colo... e agora tô assim, toda suja de areia.

O pais de Sarah, e também, Jacob, ficaram muito preocupados. Muito preocupados mesmo. Tá certo que ela já era meio estranhazinha, sempre, mas, essa agora ia além dos limites. Tentaram fazê-la acreditar que aquilo não era possível. Que ia contra as leis de Deus. Que um corpo não pode aparecer e desaparecer como se fosse feito de ar e que, se fosse um fantasma, não conseguiria carregar ninguém no colo. Mas ela tinha visto, e não visto, e visto, e não visto, tantas vezes, que se recusava a mudar de ideia.

- E como era o nome deste homem? – Perguntou, por fim, o pai de Sarah.

- Ele disse que era Jesus... ei! Jesus não é o tal Messias que você foi ver pra crer? –perguntou Sarah ao Jacob. Todos se olharam. O caso era bem mais grave do que pensavam. Jacob, que não tinha visto aquilo e seguia as normas do tio famoso, falou:

- Tá ... você tá querendo dizer que o cara, que é “o cara”, veio até aqui só pra trazer você? Então o cara, que é O CARA, veio trazer você e ficou brincando de aparecer e desaparecer, como se fosse um fantasma? Tá ... tudo bem... o que mais você vai inventar pra ficar famosa? Heim?

O pai de Sarah puxou a mãe pelo braço e falou baixinho:

- Olha... eu já ouvi mais gente falar por aí que esse Jesus tem essa mania...

- Ah! Você também? Ela tem por quem puxar mesmo!

E o tempo passou. E Sarah continuou contando sua história do homem que aparecia e desaparecia, mas ninguém acreditava. Virou motivo de piadas. Amiguinha do fantasma... “Como você pode acreditar que alguém pode aparecer e desaparecer?” “só você mesmo”...

E o tempo passou. E quanto mais o Messias ficava conhecido, mais deixavam de acreditar nela. Até que correu a notícia da morte do Messias na cruz. Sarah entristeceu. Estivera com ele tempo tão pequeno que nem podia provar pra ninguém que estivera com ele, mas nunca o esqueceu. Todos comentavam que fizeram com o Messias. Uns estavam indignados por ele não ter queimado com um raio todos os agressores. Outros reclamavam que os mais chegados tinham que ter tomado uma atitude. Outros silenciavam e tentavam entender o que significava tudo aquilo. O importante é que todos falavam do assunto e Sarah estava triste. Dois dias depois, Sarah estava reunida em casa com os pais e o amigo Jacob, quando uma amiga da mãe dela chegou apavorada, contanto a notícia que corria de boca em boca:

"O corpo do Messias sumiu... o corpo de Jesus sumiu..."

- Sumiu como? – perguntaram.

Sumiu, desapareceu no ar... e não foi roubado não, desapareceu de verdade...

Um profundo silêncio tomou conta da casa. Todos ficaram um longo tempo pensativos. Até que a ficha caiu. Então olharam para Sarah, que estava com a expressão de sabedoria desenhada no rosto. E ela apenas falou:

- Eu não disse?"

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA E
DESPERTAR HUMANITÁRIO

“Predita foi a transformação da Humanidade e vos avizinhais do momento em que se dará, momento cuja chegada apressam todos os homens que auxiliam o progresso". - O Livro dos Espíritos, Q.1019

Imagem de Nascer do SolA sensação de muitos é que já estamos em meio ao grande processo de transformação planetária anunciado solenemente na última questão de O Livro dos Espíritos.

Alguém lá em cima ligou o "turbo" para acelar a mudança de rota... O movimento mais rápido e de curva mais acentuada gera turbulência. Muitos se assustam. Alguns chegam a desacreditar na habilidade do "piloto" de levar a transição a bom termo. Quem O conhece, no entanto, sabe de especial habilidade em lidar com tempestades (vide Mateus 8:23-27) e seguem confiantes na Sua condução...

A sequência da leitura da resposta dos Espíritos à questão 1019 da obra inaugural do Espiritismo traz, porém, motivos adicionais para nossa reflexão.

"Essa transformação se verificará por meio da encarnação de Espíritos melhores, que constituirão na Terra uma geração nova".

Mais do que "dos Espíritos", essa resposta vem assinada por um deles, em especial: S. Luiz, o protetor da Sociedade de Estudos Espíritas de Paris. Trata-se, portanto, de um "fecho de ouro" para uma obra já, por si, sublime. Meditemos,portanto, sobre seus ensinos, com atenção igualmente especial.

Há no trecho acima uma vinculação importante: o mundo novo virá com homens novos. S.Luiz refere-se, é verdade, especificamente a uma nova geração, à renovação dos Espíritos encarnados. No entanto, podemos perguntar: Mas e os já encarnados? Ficam só esperando a troca da guarda? Qual o seu papel, nessa transição? Como podem ajudá-la?

Em meio à crise de transformação, parece que se multiplicam os comentaristas de dentro do campo. Imagine que, num jogo de futebol, os jogadores simplesmente cruzassem os braços e começassem a apenas criticar a paralisia dos colegas. Estariam todos igualmente parados, em completa inação, mas seriam apenas capazes de perceber a paralisia alheia.

Na vida real, são esses os que repetem o jargão: "Esse mundo está perdido". "Vem aí mais um escândalo". "A saúde está horrível". "A Educação uma lástima"... e por aí vai. Falam do "mundo" como se dele não fizessem parte. Reclamam da sujeira da rua mas não varrem a própria calçada.

Entendemos que a transição planetária passa necessáriamente por um despertar humanitário.

Só saindo desse estado de crítica "inteligente e mordaz", mas apática e inerte, conseguiremos colaborar de maneira ativa para as mudanças desejadas.

A selva não vira jardim sem trabalho árduo.

Ninguém que se pretenda "do bem" pode viver no mundo em que estamos vivendo de braços cruzados.

Nesse início de ano, observe a si mesmo. Se já faz algo de concreto pela melhoria do mundo, do país e de sua vizinhança, pense em como aumentar essa "quota de contribuição". Como fazer mais e melhor, dentro daquilo que esteja ao seu alcance? Como se unir a outros para fazer além de seus limites individuais?

Diz-nos ainda S.Luiz, em outro trecho da resposta já citada:

"Todos vós, homens de fé e de boa vontade, trabalhai, portanto, com ânimo e zelo na grande obra da regeneração".

Ainda está em tempo de fazer uma promessa de ano novo bacana, dessas "do bem" mesmo: duplicar em 2017 as horas de serviço comunitário realizadas em 2016.

Pense nisso ... e lembre da frase fantástica e tão breve de Victor Hugo, a esse respeito: AMAR É AGIR!

Paz e luz!