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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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O LIVRO DA VIDA

Abre o livro da Vida e examina-o com cuidado. Nele encontrarás a Verdade, escrita pelo teu comportamento diário, por tuas faltas e teus acertos. Se o souberes ler, compreenderás a necessidade de considerar o perigo a que te expõe os erros que cometes cotidianamente. Para isso, entretanto, deves tirar a máscara do orgulho, despir as vestes da ilusão e retirar a capa da vaidade, para que possas ter uma visão clara do que o mundo possui para te dar e do que tens para dar a ele, pois a vida nada mais é, sob tal aspecto, do que uma permanente troca. Mas, procura dar mais do que esperar que te deem, pois nada obscurece mais o caminho do que o egoísmo e nada o iluminará tanto quanto o altruísmo, a bondade e o amor.

Do alto, da fonte do amor divino, jorram incessantemente as águas que nos permitirão lavar a alma e abrir oportunidades à própria reabilitação. Seguindo uma vida limpa, com pensamentos fraternos e propósitos edificantes, tua alma se iluminará e poderás transformar a tua passagem pela Terra como uma experiência fecunda e valiosa. Assim, poderás ler o livro da Vida e observar os erros que cometes cada dia, erros que engendram os sofrimentos que te afligem. Se tiveres a coragem de reconhecer teus próprios erros e a decisão de combate-los com a adoção de um comportamento diferente do que vinhas mostrando; se avaliares quantas oportunidades já perdeste por causa da tua indiferença, fruto do comodismo que buscas na existência; se te capacitares de que é a tua teimosia em não modificar os hábitos inconvenientes que marcam as tuas ações, então começarás a sentir a vida menos áspera. O mundo te parecerá menos hostil e a humanidade terá para ti uma expressão mais digna do teu respeito e da tua ajuda. Se todos quisermos viver num mundo feliz, teremos de começar o trabalho individualmente. Se cada pessoa tomar a peito só fazer coisas boas, encontrará seguidores e contribuirá bastante para que o mundo melhore e a humanidade se recupere e alcance a salvação.

Portanto, ergue-te sem demora, se quiseres mesmo encontrar a suprema alegria de ver tua alma iluminada fugir do inferno de sofrimentos em que possa encontrar-se agora, embora aparente uma felicidade que não está no coração, mas apenas na face. Essa aparência feliz é capaz de iludir aos que ainda cultivam as riquezas da Terra e não os tesouros do céu.

No entanto, os que já sentiram despertar em seu interior o chamamento de Jesus, o Mestre divino, acordam animados para a caminhada, sem se preocuparem com a extensão da estrada nem com as asperezas do caminho, pois já se libertaram de todos os empecilhos, aprendendo e seguindo as palavras do Cristo, que disse: “Por que razão reparas o argueiro que está no olho do teu irmão e te esqueces de tirar a trave do teu próprio olho?” Para melhor fixar essa advertência do Mestre, lembramos a máxima que bem traduz a sublime lição: “Olha e passa. Não te preocupes com os erros dos outros, para que não te descuides dos teus próprios erros, e assim venhas a errar duplamente”. Lê o livro da Vida e escreve, com o teu procedimento, nas páginas que te estão reservadas, as obras que te assegurem um futuro cheio de paz e amor.

Jesus nos abençoe.

Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida pelo fundador e Orientador-Geral de nossa CASA, Azamor Serrão, e publicada em O Cristão Espírita, edição 29 – Maio/Junho de 1970)

A CARIDADE SEGUNDO ALLAN KARDEC

"Fora da Caridade não há salvação":

"Estes princípios, para mim, não existem apenas em teoria, pois que os ponho em prática; faço tanto bem quanto o permite a minha posição; presto serviços quando posso; os pobres nunca foram repelidos de minha porta, ou tratados com dureza; foram recebidos sempre, a qualquer hora, com a mesma benevolência; jamais me queixei dos passos que hei dado para fazer um benefício; pais de família têm saído da prisão, graças aos meus esforços. Certamente, não me cabe inventariar o bem que já pude fazer; mas, do momento em que parecem esquecer tudo, é-me lícito, creio, trazer à lembrança que a minha consciência me diz que nunca fiz mal a ninguém, que hei praticado todo o bem que esteve ao meu alcance, e isto, repito-o, sem me preocupar com a opinião de quem quer que seja. A esse respeito trago tranqüila a consciência; e a ingratidão com que me hajam pago em mais de uma ocasião não constituirá motivo para que eu deixe de praticá-lo. A ingratidão é uma das imperfeições da Humanidade e, como nenhum de nós está isento de censuras, é preciso desculpar os outros, para que nos desculpem, de sorte a podermos dizer como Jesus-Cristo: “atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado”.

Continuarei, pois, a fazer todo o bem que me seja possível, mesmo aos meus inimigos, porquanto o ódio não me cega. Sempre lhes estenderei as mãos, para tirá-los de um precipício, se se oferecer oportunidade. Eis como entendo a caridade cristã. Compreendo uma religião que nos prescreve retribuamos o mal com o bem e, com mais forte razão, que retribuamos o bem com o bem. Nunca, entretanto, compreenderia a que nos prescrevesse que paguemos o mal com o mal".

(Pensamentos íntimos de Allan Kardec, num documento achado entre os seus papéis. - Obras Póstumas)

OS EVANGELISTAS ERAM MÉDIUNS

Os evangelistas eram, sem o saberem, médiuns historiadores inspirados mas dentro dos liames da humanidade, guardando, em face da aptidão mediúnica, a independência da natureza que lhes era peculiar.

Assim, escrevendo, recebiam a intuição, que os auxiliava na revelação. E escreviam, ou de acordo com o que tinham visto, ou com o que lhes fora revelado “por aqueles que - como diz Lucas - viram com seus próprios olhos as coisas desde o começo e eram os ministros da palavra".

A intuição lhes vinha da inspiração divina por intermédio de Espíritos superiores, que desempenhavam o papel de ministros de Deus agindo sobre a natureza humana, livre e falível de cada um deles.

O homem precisa compreender que, seja qual for o objetivo que se lhe dê por meta, forçoso é se humanizem os meios postos à sua disposição e que, conseguintemente, esses meios se tornam imperfeitos; que nada há de impecável nas obras humanas.

A cada evangelista cabia, no quadro geral, uma parte da narração. Os tradutores e interpretadores freqüentemente falsearam a intenção primitiva. As palavras dos apóstolos passaram de boca em boca durante muito tempo antes que fossem escritas, o que deu lugar, de certo modo, às diferenças que se notam nas narrativas. Levado em conta o que, nas relações mediúnicas, há de humano e, por isso, de molde a embaraçá-las, ter-se-á desvendado o segredo dessas diferenças, aliás pouco importantes em si mesmas. Não podendo deixar de ser assim, os evangelistas, em certos casos que vos serão assinalados, ficaram privados da inspiração, entregues ao próprio critério, nalguns pontos da narrativa oriundos da voz pública e que, ao tempo da nova revelação, da revelação da revelação, teriam que ser explicados e compreendidos.

As divergências apontadas servem exatamente para atestar a autenticidade dos Evangelhos. Se eles tivessem sido falsificados, que não somente pela errônea interpretação dos tradutores, nada mais fácil houvera do que pô-los acordes todos quatro. As divergências, repetimos, pouco importantes de si mesmas, devem ser consideradas como a característica da veracidade deles.

Visto que em tudo o que é humano há erro, as diferenças, nos Evangelhos, são devidas à condição humana dos narradores, que conservavam a independência da natureza que lhes era particular, ainda quando sob a inspiração que os auxiliava na revelação. Aliás, essas disparidades não atingem absolutamente nem a base, nem os elementos da revelação messiânica, isto é: nem a origem, senão divina no sentido próprio da palavra, ao menos perfeitamente pura e imaculada do Cristo¹; nem sua missão de devotamento e de amor; nem a doutrina moral que pregou, doutrina que não é sua, mas daquele que o enviara; nem as verdades eternas que ensinou; nem suas predições e promessas; nem o modo, velado pela letra da revelação que o anjo ou Espírito superior fez a Maria e a José, do seu aparecimento e de sua pas-sagem pela Terra; nem sua vida humilde, pura, irrepreensível, quer debaixo do ponto de vista humano, quer debaixo do ponto de vista espiritual; nem os fatos, chamados milagres, operados por ele durante a sua permanência entre os homens; nem sua "morte" infamante; nem o desaparecimento do seu corpo de dentro do sepulcro, não obstante estar selada a pedra que o fechava; nem sua "ressurreição”; nem suas aparições às mulheres e aos discípulos; nem sua volta definitiva à natureza espiritual que lhe era própria, na época denominada da "ascensão".

Sendo assim fiéis, cada uma dentro do seu quadro as narrações se explicam e completam mutuamente, formando o conjunto da obra da revelação messiânica.

Não vos agarreis às contradições de palavras, às diferenças de minúcias, todas secundárias, sem valor e que não afetam a obra do Mestre. Olhai com mais amplitude para a tarefa que vos está confiada. Cumpre-vos revelar os mistérios, que darão a conhecer aos homens,em espírito e verdade, quem é o Filho e os prepararão a saber quem é o Pai. Tendes que patentear aos olhos de todos a verdade tal como precisa ser vista, mas no tocante aos fatos principais, não a respeito de particularidades sem importância alguma.

O tempo corre, vossas horas estão contadas, não as desperdiceis em tardanças inúteis. Ocupai-vos, repetimos, com os fatos graves, que possam alterar a fé, ou que tenham sido adulterados pela tradição. Passai, sem vos deterdes, pelas críticas baseadas em minudências só dignas de prender a atenção das crianças ou de Espíritos pueris, evitando assim entrar em minuciosidades que nada valem.

Não confundais nunca, nas narrações evangélicas, as palavras ditas pelo Mestre, os atos por ele praticados, as revelações, os acontecimentos, com o que, em tais narrativas, reflete e reproduz, como havia de suceder, as impressões, opiniões e interpretações dos homens da época, feitas de acordo com os seus preconceitos, ou com as tradições relativas a essas palavras, atos, revelações e acontecimentos, à natureza e ao caráter que revestiam.

("Os Quatro Evangelhos, de Jean Baptiste Roustaing, Tomo I, item 1)

CIÊNCIA E RAZÃO

O pensamento humano avança. Cada século, cada povo segue um conceito de acordo com o desenvolvimento que obedece a leis a que estais submetidos. Em qualquer campo, a nova idéia vem sempre do Alto e é intuída pelo gênio. Depois, dela vos apoderais, a observais, a decompondes, a viveis, passando, então, à vossa vida e às leis. Assim, desce a idéia e, quando se fixa na matéria, já esgotou seu ciclo, já aproveitastes todo seu suco e a jogais fora para absorverdes, em vossa alma individual e coletiva novo sopro divino.

Vosso século possuiu e desenvolveu uma idéia toda própria que os séculos precedentes não viam, pois estavam atentos em receber e desenvolver outras. Vossa idéia foi a ciência, com que acreditastes descobrir o absoluto, embora essa também seja uma ideia relativa que, esgotado seu ciclo, passa; eu venho falar-vos exatamente porque ela está passando.

Vossa ciência lançou-se num beco escuro, sem saída, onde vossa mente não tem amanhã. Que vos deu o último século? Máquinas como jamais o mundo as teve (mas que, no entanto, são apenas máquinas) e, em compensação, ressecou vossa alma. Essa ciência passou como um furacão destruidor de toda a fé e vos impõe, com a máscara do ceticismo, um rosto sem alma. Sorris despreocupados, mas vosso espírito morre de tédio e ouvem-se gritos dilacerantes. Até vossa própria ciência é uma espécie de desespero metódico, fatal, sem mais esperanças. Terá ela resolvido o problema da dor? Que uso sabe fazer dos poderosos meios que lhe deram os segredos arrancados da natureza? Em vossas mãos, o saber e a força transformam-se sempre em meios de destruição.

Para que serve, então, o saber, se ao invés de impulsionar-vos para o Alto, tornando-vos melhores, para vós se torna instrumento de perdição? Não riais, ó céticos, que julgais ter resolvido tudo, porque sufocastes o grito de vossa alma que anseia por subir! A dor vos persegue e vos encontrará em qualquer lugar. Sois crianças que julgais evitar o perigo escondendo a cabeça e fechando os olhos, mas existe uma Lei, invisível para vós, todavia mais forte que a rocha, mais poderosa que o furacão, que caminha inexorável movimentando tudo, animando tudo; essa Lei é Deus. Ela está dentro de vós, vossa vida é uma exteriorização dela e derramará sobre vós alegria ou dor, de acordo com a justiça, como o merecerdes. Eis a síntese que vossa ciência, perdida nos infinitos pormenores da análise, jamais poderá reconstituir. Eis a visão unitária, a concepção apocalíptica que venho trazer-vos.

Para que me possa fazer compreender, é mister que fale de acordo com vossa mentalidade e me coloque no momento psicológico que vosso século está vivendo. É indispensável que eu parta justamente dos postulados da vossa ciência, para dar-lhe uma direção totalmente nova. Vosso sistema de pesquisa objetiva, à base da observação e experiência, não vos pode levar além de certos resultados. Cada meio pode fornecer certo rendimento e nada mais, e a razão é um meio. A análise não poderia chegar à grande síntese, grande aspiração que ferve no fundo de todas as almas, senão por meio de um tempo infinito, de que não dispondes. Vossa ciência arrisca-se a não concluir jamais e o “ignorabimus” quer dizer falência. A tarefa da ciência não pode ser apenas a de multiplicar vossas comodidades. Não estranguleis, não sufoqueis a luz de vosso espírito, única alegria e centelha da vida, até o ponto de tornar a ciência, que nasce do vosso intelecto, uma fábrica de comodidades. Esta é prostituição do espírito, é vergonhosa venda de vós mesmos à matéria.

A ciência pela ciência não tem valor, vale apenas como meio de ascensão da vida. Vossa ciência tem um pecado original: dirigir-se apenas à conquista do bem-estar material. A verdadeira ciência deve ter como finalidade tornar melhores os homens. Eis a nova estrada que precisa ser palmilhada. Essa é a minha ciência.

("A Grande Síntese", de Pietro Ubaldi, Cap. 1)