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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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ANTOLOGIA UBALDIANA

O HERÓI

Pietro Ubaldi e Chico Xavier - 1951Afrontando o aguilhão torvo e escarninho
De sarcasmos e anseios tentadores,
Ei-lo que passa sob as grandes dores,
Na grade estreita do terrestre ninho.

Relegado às agruras do caminho,
Segue ao peso de estranhos amargores,
Acendendo celestes resplendores,
Atormentado, exânime, sozinho...

Anjo em grilhões de carne, errante e aflito,
Traz consigo os luzeiros do Infinito,
Por mais que a sombra acuse, gema e brade!

E, servindo no escuro sorvedouro,
Abre ao mundo infeliz as portas de ouro
Para o banquete da imortalidade.

Cruz e Souza

(Soneto psicografado por Francisco Cândido Xavier em Pedro Leopoldo-MG, dedicado ao Professor Pietro Ubaldi no dia 18 de agosto de 1951, em homenagem aos seus 65 anos)

EMMANUEL E A GRANDE SÍNTESE

EmmanuelSeguimos na celebração dos 90 anos do início da redação de "A Grande Síntese", de Pietro Ubaldi, e dos 50 anos da desencarnação de seu autor, lembrando textos e episódios ligados à sua história. Hoje, trazemos a abençoada mensagem de Emmanuel sobre a Obra Prima da coleção Ubaldiana, que veio posteriormente a ser utilizada como prefácio de todas as suas edições brasileiras.

"Quando todos os valores da civilização do Ocidente desfalecem numa decadência dolorosa, é justo que saudemos uma luz como esta, que se desprende da grande voz silenciosa de A Grande Síntese.

Na mesma Itália, que vulgarizou o sacerdócio romano, eliminando as mais belas florações do sentimento cristão no mundo, em virtude do mecanismo convencional da igreja católica, aparelhos existem da grande verdade, restaurando o messianismo, no caminho sublime das revelações grandiosas da fé.

A palavra do Cristo projeta nesta hora as suas irradiações enérgicas e suaves, movimentando todo um exército poderoso de mensageiros seus, dentro da oficina da evolução universal. O momento é psicológico. As nossas afirmativas abstraem do tempo e do espaço, em contraposição às vossas inquietudes; mas, o século que passa deve assinalar-se por maravilhosas renovações da vida terrestre.

As contribuições exigidas serão bem pesadas. Todavia, uma alvorada radiosa sucederá às angústias deste crepúsculo.

Aqui fala á Sua Voz divina e doce, austera e compassiva. No aparelhamento destas teses, que muitas vezes transcendem o idealismo contemporâneo, há o reflexo soberano da sua magnanimidade, da sua misericórdia e da sua sabedoria. Todos os departamentos da atividade humana são lembrados na sua exposição de inconcebível maravilha!

É que, sendo de origem humana a razão, a intuição é de origem divina, preludiando todas as realizações da Humanidade. A grande lição desta obra é que o Senhor não despreza o vosso racionalismo científico, não obstante a roupagem enganadora do seu negativismo impenitente.

Na sua misericordiosa sabedoria, Ele aproveita todos os vossos esforços, ainda os mais inferiores e misérrimos. Toma-vos de encontro ao seu coração augusto e compassivo, unge-vos com o Seu amor sem limites, renovando os Seus ensinamentos do Mar da Galiléia.

Vede, pois, que todos os vossos progressos e todos os vossos surtos evolutivos estão previstos no Evangelho. Todas as vossas ciências e valores, no quadro das civilizações passadas e no mecanismo das que hão de vir, estão consubstanciados na sua palavra divina e redentora.

A Grande Síntese é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo, em todos os institutos da evolução terrestre.

Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos de coração genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a fé se irmanam para Deus.

E, enquanto o mundo velho se prepara para as grandes provações coletivas, meditemos no campo infinito das revelações da Providência Divina, colocando acima de todas as preocupações transitórias, as glórias sublimes e imperecíveis do Espírito imortal".

Pedro Leopoldo, Outubro de 1938

(Mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier).

ERNESTO BOZZANO E A OBRA UBALDIANA

Ernesto BozzanoErnesto Bozzano (Gênova, 9 de janeiro de 1862 — 24 de junho de 1943) foi professor de Filosofia da Ciência na Universidade de Turim, Itália, e um dos maiores e mais respeitados estudiosos da fenomenologia espírita de todos os tempos. Membro honorário da “Society for Psychical Research (SPR)”, de Londres; da “American Society for Psychical Research (ASPR)”, de Nova Iorque e do “Institut Métapsychique International (IMI)”,de Paris; e correspondente dos principais nomes da pesquisa mediúnica e parapsicológica de seu tempo, produziu dezenas de monografias especiazadas no tema, e uma ampla e respeitada bibliografia científica sobre os mais variados aspectos dos fenômenos mediúnicos, traduzidos em diversos idiomas e preservados até hoje pela Fondazione Biblioteca Bozzano - De Boni.

Sendo portanto italiano e contemporâneo do prof. Pietro Ubaldi (Foligno, 18 de agosto de 1886 - São Vicente, 29 de fevereiro de 1972) era natural que fosse consultado por este quando da captação das primeiras de suas Grandes Mensagens e, logo na sequência, de “A Grande Síntese”. As respostas às consultas feitas vieram sempre prontas, gentis, repletas de incentivo e reconhecimento ao trabalho que ali se iniciava promissor, marcado desde o princípio por extraordinário conteúdo moral e científico.

Alma franciscana, humilde por natureza, Ubaldi não se acanha de consultar ao então já famoso compatriota logo quando do recebimento de suas primeiras mensagens. Vejamos, rapidamente, a partir do volume “Comentários”, um breve panorama desse colóquio entre dois dos maiores nomes do espiritualismo moderno de origem italiana.

A primeira troca de correspondências entre ambos se dá em 1932, logo em seguida ao recebimento de duas das chamadas Grandes Mensagens que marcam o início da Obra Ubaldiana, a Mensagem do Natal (Dezembro de 1931) e a da Ressurreição (Abril de 1932). Bozzano responde a uma consulta de Ubaldi sobre as mesmas em 1o. de junho do mesmo ano, nos seguintes termos:

"a mensagem recebida por sua mediunidade é indubitavelmente de origem transcendental, e mais ainda, de elevadíssima inspiração. Provem, patentemente, de um grande Mestre espiritual [.....]. Observo que a forma de sua mediunidade — que consiste numa voz subjetiva que lhe dita a mensagem — é idêntica à de Miss Cummins, a médium por meio de quem se manifesta a famosa e extraordinária personalidade espiritual de Patience Worth. Termino encorajando-o a preserverar em suas experiências, das quais espero algo de análogo aos Spirit Teachings, de Moses".

Eis que pouco depois, a 2 de agosto de 1932, Ubaldi recebe a mais altaneira, maior e talvez a mais importante dessa série inicial de mensagens, a “Mensagem do Perdão”, que rapidamente se espalha pelo mundo causando assombro e admiração, e que novamente é objeto de consulta do Prof. Ubaldi a Bozzano. A resposta é pública e realmente especial, foi publicada na Revista Constancia, a 3 de novembro daquele mesmo ano, conforme abaixo:

A PROPÓSITO DA "MENSAGEM DO PERDÃO" DO PROF. PIETRO UBALDI

Da Revista Constancia - Buenos Aires, ano LV, nº 2368, 3 de novembro de 1932.

Senhor Prof. Dr. Pietro Ubaldi

Querido Ubaldi,

Jesus-CristoPede-me você um julgamento sobre a "Mensagem do Perdão". Ei-lo em poucas palavras: "Estupendo! Contém passagens tão sublimes em sua cósmica grandiosidade, que infundem quase uma sensação de terror sagrado".

Pergunta-me também se, pelo texto, será possível identificar a Entidade comunicante. Parece-me que dela transparece claramente quem é que se manifesta: "Deus, perdoa-os, não sabem o que fazem" (.....). "Por vós me deixaria crucificar outra vez"(....). "Não queirais renovarme as angústias do Getsêmani" (.....). Infere-se que deve tratar-se nada menos que de Jesus Nazareno. E, do ponto de vista da investigação científica, isto constitui o ponto crítico das mensagens desta natureza, dessas que deixam perplexo o ânimo do leitor, porque se revestem de sublimidade semelhante às que você recebeu; se se trata de investigadores que, como eu, já estão convencidos experimentalmente da verdade irrefutável das comunicações mediúnicas com entidades de desencarnados, poderão convencer-se com facilidade da veracidade da fonte donde emanam as mensagens; todavia, isto ocorrerá sempre por força de um "ato de fé", embora neste caso esta se baseie na experiência adquirida nas investigações mediúnicas.

Infelizmente, todavia, se se deseja convencer o mundo, e mormente os homens de ciência, a respeito do importantíssimo fato da existência e da sobrevivência do espírito humano, fazem falta fatos, induções e deduções de fatos. Foi a este último sistema de investigação positiva sobre o mistério do ser, que eu me dediquei invariavelmente. Isto não impede, no entanto, que esse sistema possa aperfeiçoar-se e completar-se, com o acréscimo dos ensinamentos e da luz espiritual que podem trazer-nos mensagens mediúnicas de tão grande elevação que se impõem à razão. E este, precisamente, o caso das mensagens recebidas por você.

Você me pede um conselho sobre se deve continuar ou ao invés suspender o exercício de sua mediunidade, orientada nesse sentido. Respondo: Cada um tem sua própria missão. A minha era o de contribuir, na medida das minhas forças, para convencer os homens de ciência, com base nos fatos; a sua, parece ser a de trazer à humanidade pensante mensagens elevadíssimas, de ordem moral e espiritual, e que estão destinadas a tornar-se um dia, as únicas importantes para a evolução espiritual dos povos. Prossiga, portanto, em sua missão.

Afetuosas saudações,

Savona, 14 de Outubro de 1932

(a)E. Bozzano

Quase simultâneamente nasce “A Grande Síntese”, cujas primeiras páginas foram recebidas por Ubaldi exatamente naquele mesmo verão de 1932. Publicadas na revista Ali dei Pensiero, a partir de janeiro de 1933, logo o prof. Bozzano compartilha com seu colega da Úmbria as suas primeiras impressões sobre a magnífica obra:

"o conteúdo de A Grande Síntese já aparece e promete tornar-se grandioso, de vez que está de pleno acordo com tudo quanto ensina ou intui a ciência humana"; e ultimamente: (.....) "está concebida em termos rigorosamente científicos e está perfeitamente concorde com as hodiernas concepções filosóficas, matemáticas, geométricas, a respeito do mesmo assunto (.......). Esperando reler e comentar à altura a poderosa mensagem transcendental, quando se tiver a possibilidade de fazê-lo com a obra terminada"

Redigida ao longo dos verões de 32 a 35, e publicada finalmente em volume apenas em 1937, ao longo desse tempo Bozzano fez ainda mais alguns comentários sobre essa poderosa síntese, ainda com o trabalho em andamento:

"a onda supernormal inspiradora foi a que lhe ditou a mais extraordinária, concreta e grandiosa mensagem mediúnica, de ordem científica que se conhece na casuística metapsíquica".(Fevereiro de 1935)

“eu soubera com que admirável constância e a custa de quanto sacrifício e dispersão de energias físico-psíquicas, conseguira sua nobre finalidade. Não se lamente, pois realizou obra meritória, cujo valor científico, filosófico, metapsíquico aumentará com o passar do tempo... Mas A Grande Síntese é tão densa de pensamento, de ciência e de sabedoria, que não é possível pronunciar a respeito um julgamento sumário, enquanto não for publicada em volume". (Outubro de 1935)

A prometida apreciação final, global, só veio portanto em Outubro de 1937, pouco depois da publicação da primeira edição de “A Grande Síntese” pela Editora Hoepli, de Milão, nos termos abaixo:

A PROPÓSITO DE “A GRANDE SÍNTESE”

Jesus-CristoQuerido Ubaldi

Você deseja um parecer global sobre A Grande Síntese. Tarefa difícil, porque se trata de uma obra demasiado densa de pensamento e demasiado variada em seus temas, para que se possa sintetizá-la num parágrafo global.

Apesar de tudo, eis o parágrafo:

Pedem-me um parecer confidencial sobre A Grande Síntese de Pietro Ubaldi. Respondo: Sumamente favorável sob todos os aspectos. Trata-se, realmente, de uma grande Síntese de todo o saber humano, considerado do ponto de vista positivamente transcendental, em que se estudam todos os ramos do saber, sendo esclarecidos e resolvidos numerosos problemas até hoje insolúveis, com o acréscimo de novas orientações científicas, além de considerações filosóficas, científicas, religiosas, morais e sociais, a tal ponto elevadas que induzem a reverente assombro. É uma obra que fará época na história das revelações mediúnicas, tanto mais que esta é a primeira vez que é ditado à humanidade um grande Tratado realmente original, de ordem rigorosamente científica.

Cordiais saudações,

Savona, 12 de Outubro de 1937

(a)Ernesto Bozzano "

O último período de vida de Bozzano foi muito difícil, devido a problemas econômicos e de saúde. Morreu aos 81 anos, em 24 de junho de 1943. Ubaldi veio morar no Brasil em dezembro de 1952 e aqui fez os últimos 20 anos de sua trajetória, desenvolvendo a parte brasileira de sua Obra. Faleceu em S. Vicente, São Paulo, a 29 de fevereiro de 1972, há exatos 50 anos, portanto. Dois grandes gênios do espiritualismo moderno, Ubaldi e Bozzano assinalaram com suas obras e com suas vidas, e em colaboração constante, os fundamentos da Era do Espírito, da Nova Civilização do 3o. Milênio. Deus os abençoe sempre, e que saibamos aproveitar, na melhor medida, o conteúdo de suas obras. Paz e Bem!

E OS GIGANTES VIERAM...

Pietro Ubaldi e Chico Xavier em 1951Há alguns anos atrás fizemos um estudo sobre a correlação entre as obras de Chico Xavier e Pietro Ubaldi, que começava com algumas das impressionantes previsões de Léon Denis, sobre a vinda desses dois gigantes da espiritualidade, em sua obra "O Grande Enigma", do qual reproduzimos abaixo algumas das passagens mais diretamente relacionadas a esses dois personagens:

"O abuso dos métodos e dos processos de análise tem estado a ponto de nos perder. Conseqüentemente, é mister preparar as grandes sínteses, as concepções de conjunto. [...] Prepara-se, entretanto, o trabalho de renovação. O século XIX e o começo do XX viram aparecer os precursores. Os gênios não tardarão em vir".

A sensibilidade do mais filosófico dos quatro grandes discípulos de Kardec foi certeira... Os gênios efetivamente vieram. Um no Velho Mundo, no hemisfério norte, do coração da Europa, da abençoada Úmbria franciscana - o prof. Pietro Ubaldi -; o outro, no chamado Novo Mundo, no hemisfério sul, nas Américas, no coração do Brasil, nas gerais, o maior brasileiro de todos os tempos - Francisco Cândido Xavier, doutor em bondade.

Dois gênios da espiritualidade, ou da inteligência espiritual, comparáveis a outros gigantes de outros tempos, como os profetas de Israel, como os apóstolos do Cristo e tantos e tantos nomes venerandos da história espiritual dos povos.

Vieram com missões específicas, determinadas.

A do prof. Pietro Ubaldi foi assinalada 20 anos antes de sua encarnação na obra "Os Quatro Evangelhos", recebida por uma das grandes médiuns da Codificação Kardequiana, Émilie Collignon, primeiro bem definindo o papel de Pedro, o Apóstolo, como pedra fundamental da Igreja do Cristo...

"Pedro preside ao progredir da fé, ao desenvolvimento da inteligência, ao cumprimento das promessas de Jesus. Ele continuou no desempenho da sua missão espiritual, depois de haver cumprido a sua missão humana. Desempenhando esta, começou, com o auxílio dos outros Apóstolos e dos discípulos que se lhes associaram, a construir a Igreja do Cristo. Pelo desempenho da sua missão espiritual, prossegue na execução desta obra e a concluirá. (Tomo II, item 184)

... e depois antecipando sua volta, no Prefácio da mesma obra ("Os Quatro Evangelhos")

"Fica sabendo e faze saber a teus irmãos que a obra que lhes colocas sob as vistas é uma obra preparatória, ainda incompleta, uma entrada em matéria; que não passa de um prefácio da que sairá das mãos daquele que o Mestre enviará para esclarecer as inteligências e despojar INTEIRAMENTE da letra o espírito. Aquele que há de desenvolvê-la e cuja obra também será reparatória não tardará a se dar a conhecer, porquanto a atual geração humana verá os seus primeiros anos messiânicos. E os messias, isto é, os enviados especiais se sucederão até que a luz reine sobre todos". (“Os Quatro Evangelhos”, Prefácio)

Vinte anos mais tarde, a 18 de agosto de 1886, volta à Terra o abençoado apóstolo do Cristo, na personalidade de Pietro Ubaldi, com a missão de dar prosseguimento ao trabalho da renovação planetária prometida pelo Cristo com o advento do Consolador, do Espírito da Verdade, da Terceira Revelação, da volta do Cristianismo do Cristo, produzindo, em exatos 40 anos de trabalho, uma das mais impressionantes e magistrais obras já produzidas pela humanidade, em todos os tempos, reunindo de maneira realmente genial ciência, filosofia e religião, e trazendo novamente ao mundo a Sua Voz, a voz do Cristo, com toda autoridade, profundidade e bondade que a caracterizam.

Mas, pouco depois, a 2 de abril de 1910, na pequenina e pacata cidade de Pedro Leopoldo, no coração das gerais, chegava ao mundo o outro gênio dessa dupla abençoada, uma mais maiores antenas psíquicas da humanidade, de todos os tempos, como também outro Cristão, com "C" maiúsculo mesmo, capaz de nos ensinar vez por todas o que é verdadeiramente a prática do Espiritismo Cristão, em todas as suas facetas, como verdadeiro Homem de Bem - Francisco Cândido Xavier - o nosso Chico, ou o "Cisco de Deus", como ele mesmo gostava de se apresentar, esse incansável operário do Bem, que deixou de legado à humanidade uma das mais vultosas e impressionantes obras de espiritualidade já vistas em nosso planeta, um monumento grandioso e eloquente de saudação à vida eterna, sem começo nem fim, e à comunicação entre os mundos visível e invisível. Foi a intuição popular que o apontou como o maior brasileiro de todos os tempos, e acertou também em cheio, porque definiu bem esse verdadeiro biotipo do futuro, com capacidades psíquicas e qualidades humanas que se encontram muito à frente de nossos dias.

Pois bem, quis a vida que esses dois grandes gênios se encontrassem de novo, curiosamente, nas contas do calendário.

O dia 29 de junho é dedicado à memória de "São Pedro".

O dia 30 do mesmo mês, desde junho de 2002, será a partir de então, e para sempre, e cada vez mais, a data de lembrança e saudação da memória de Chico Xavier, posto que voltou à espiritualidade, depois de 92 anos muitíssimos bem vividos, exatamente neste dia, em 2002.

Sim, Denis estava certo. Os grandes Gênios não tardavam a vir, vieram, deixaram conosco através de suas obras joias de altíssimo valor, verdadeiros patrimônios da humanidade, ao mesmo tempo que uma imensa saudade, posto que ainda por muito tempo será raro de ver, em nosso mundo, tantas capacidades combinadas com tanta bondade, com tanta generosidade.

Deus os abençoe. Devem estar próximos, seguindo hoje e sempre ao Cristo, cujas pegadas perseguem, e que tão bem souberam representar. Deus os abençoe, hoje e sempre!

KARDEC E PIETRO UBALDI

Foto de Pietro Ubaldi em seu escritório, ao lado de retrato de Jesus CristoNossa Doutrina é eminentemente progressiva, conforme preconizado amplamente pelo seu Codificador, Allan Kardec. Temos em nosso DNA uma aversão natural à ortodoxia, ao congelamento do pensamento em função das tradições que desconsideram a lei natural do progresso.

Nossos valores, no entanto, são eternos, posto que fincados na solidez rochosa dos princípios cristãos. Precisam apenas ser lembrados, continuamente, às novas gerações de espíritas, para que sua chama nunca se apague.

Dentre esses valores, dois parecem-nos de extrema atualidade, nesse tempo de "patrulhas ideológicas" e debates acalorados:

a) LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA - o espírita sabe que deve respeitar, por princípio, todas as formas de pensamento, mesmo as que lhe contraditam as ideias e o modo de ser, como decorrência natural do "fazer ao próximo o que gostarias que lhe fizessem";

b) MODERAÇÃO - o segundo, tão complementar ao primeiro que lhe serve de perfeito contraponto, como a outra face da mesma moeda, salienta a importância da boa fundamentação de suas próprias opiniões, por parte dos espíritas, para que por esse modo de façam respeitar em qualquer debate, marcadamente pela seriedade, sobriedade e consistência de suas manifestações.

"Seja o vosso falar sim, sim, não, não" - ensinou-nos o Cristo (Mt. 5:37).

Kardec reitera essas recomendações e dá delas o exemplo ao longo de toda a sua trajetória e em todos os seus textos, tanto na Codificação quanto na Revista Espírita:

"Respeitamos vossa opinião, respeitai a nossa. Eis tudo quanto vos pedimos". ("Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas - Allan Kardec - Introdução)

"Já vos disse, senhor, não tenho a pretensão de vos fazer adotar a minha opinião; respeito a vossa, se é sincera, como desejo que respeiteis a minha". (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 53 da 37a ed. FEB)

"Àquele que nos procura como irmão, nós o acolhemos como tal; ao que nos repele, deixamo-lo em paz. [...] O Espiritismo não se impõe, porque, como vo-lo disse — respeita a liberdade de consciência; [...] Ele expõe seus princípios aos olhos de todos, de modo a cada um poder formar opinião segura. (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Padre, pág. 124 da 37a ed. FEB)

“Julgar o que não se conhece é falta de lógica" (Revista Espírita, 1858, Fev - Pág.100 da Ed. FEB)

“Imprudente é se inscreverem em falso contra as coisas que não compreendem”. (Revista Espírita, 1858, Out - Pág. 420 da Ed. FEB)

"E de lógica elementar que o crítico conheça, não superficialmente, mas, a fundo, aquilo de que fala, sem o que, sua opinião não tem valor". (O que é o Espiritismo - Allan Kardec, – O Crítico, pág. 55 da 37a ed. FEB)

Ocorre-nos a lembrança desses pontos a propósito de uma publicação recente do confrade Rafael Van Erven Ludolf, do valoroso Grupo Espírita Servidores de Jesus, de Niterói, trazendo para as redes sociais um texto magnifíco, de autoria do nosso inesquecível CARLOS TORRES PASTORINO (vide sua biografia em nossa página Sal da Terra), um dos maiores estudiosos dos Evangelhos que este país já teve e que serve até hoje de prefácio para o volume "O Sistema", de Pietro Ubaldi.

O texto de Pastorino é um exemplo perfeito do cuidado que devemos ter com a emissão de nossas opiniões, e do valor crescente que elas terão, a qualquer tempo, quando bem fundamentadas, consolidadas através de um estudo sério e prolongado sobre o que se pretende comentar.

Segue abaixo, portanto, reproduzido integralmente, e cremos que dispensa comentários adicionais, de nossa parte, pela elegância, clareza e firmeza com que demonstra, tão bem, a relação de continuidade e complementariedade existente entre as obras de Kardec e Ubaldi, tão conhecidas daqueles que as estudam longa e sistematicamente.

Aos nossos amigos do Servidores de Jesus, a nossa gratidão, pela lembrança de tão genuíno exemplo destes dois valores, que nos são tão caros, e que não podemos perder...

IMPRESSÃO

Retrato de Carlos Torres PastorinoTerminada a tradução da obra, O Sistema, de Pietro Ubaldi, feita com a alegria imensa do garimpeiro que vai descobrindo em cada nova linha uma pepita de ouro do mais puro, não me contenho em rascunhar a impressão que me ficou dessa leitura meditada, do estudo dessa revelação nova trazida a nós em plena segunda metade do século XX. Desde a infância, o estudo desses problemas, através das obras da Teologia Católica, primeiramente, e mais tarde através das publicações oficiais do Espiritismo, do Protestantismo, da Teosofia, do Esoterismo, da Antroposofia, dos Rosa-Cruzes, das obras mais antigas da Índia, do Egito e da China, o estudo de tudo isto deu-me uma impressão de incerteza e de tateamento, ou então de afirmativas sem bases no campo racional. Não há, em todas essas doutrinas, respeitabilíssimas sem dúvida, porque representam o labor da mente concreta que busca o conhecimento através de suas próprias forças – não há uma unidade completa que una tudo numa única visão de conjunto.

Por isso, através da leitura estudada e meditada da obra de Ubaldi, cheguei à conclusão de que o universo é de fato um todo único, cujo centro é Deus. E, completando a maravilhosa e inspirada A Grande Síntese com o volume Deus e Universo, vislumbrei certos aspectos novos. No entanto, o segundo volume citado está demais conciso e alto, não me permitindo à parca inteligência, a compreensão total da grandiosidade ali exposta. Neste volume, entretanto, a explicação é cabal e acessível a todas as inteligências, mesmo as medianas, como a de quem está escrevendo, e as provas são de tal forma completas e irrespondíveis, que pouco haverá que acrescentar a isso, nessa época. Talvez mais tarde se possa dizer algo mais. Mas, no momento, não vemos o que acrescentar ao que aqui se encontra.

Capa do volume O SistemaO Sistema é um livro ótimo, lógico e claro. Trata-se, em minha insignificante opinião, de completo curso ou tratado de Teologia cosmogônica, uma Teologia Nova, que vem cortar pela raiz todas as elucubrações puramente humanas, esclarecendo os pontos obscuros, revelando todos os mistérios incompreensíveis e inaceitáveis à mente hodierna. As teologias antigas, que pararam no tempo e no espaço, por se terem tornado dogmáticas e não mais admitirem pesquisas, reagirão, sem dúvida, a esta intromissão em seu terreno. Mas a humanidade está em evolução perene, e não seria compreensível que a parte mais nobre e elevada da humanidade, que é o pensamento e a sabedoria, parassem nos séculos remotos, enquanto a parte inferior, material, estivesse, como está, progredindo a passos gigantescos.

Neste Tratado Teológico, encontramos um Deus perfeitamente aceitável por Sua grandeza, ao invés daquele Deus mesquinho que trazia sempre bombons na mão direita para premiar e um chicote na esquerda para castigar, como qualquer capataz irritadiço e vulgar. Revela-nos uma finalidade à existência, ao invés de um paraíso de ociosidade inútil e egoísta, em que as criaturas ficarão por toda a eternidade gozando ao ver seus entes queridos sofrendo horrorosamente um inferno infindável.

A teoria da queda e da reabilitação dos espíritos é tão lógica que temos a impressão que ela guiará o mundo espiritualizado de amanhã, esclarecendo os pontos obscuros e dando direção à evolução da humanidade, que hoje se debate em problemas sem solução. É um Tratado de Teologia nova e ao mesmo tempo um Tratado de Filosofia Universalista Unitária, que nos apresenta, como um todo único, um só corpo cuja cabeça é Cristo. A segurança de raciocínio jamais abandona o autor a especulações vazias, mas o leva a provas sólidas, em matéria difícil e complexa. É a única teoria que conhecemos, que pode satisfazer o intelecto, a razão e mesmo o coração, porque explica logicamente tudo o que se passa neste mundo. Filosofia, física, química, biologia, sociologia, moral, tudo é examinado conscienciosamente, com minúcias que esgotam o assunto, com inflexibilidade irrespondível, com segurança e acerto.

A parte mais alta do livro O Sistema é constituída pelo capítulo XX, quando o autor nos dá a terceira interpretação da visão. Esta é de uma clareza deslumbrante. Inegavelmente trata-se, nesta obra, de uma revelação descida do Alto, que nos vem trazer luz acerca de problemas que a mente humana, por si só não poderia resolver.

Perguntam-me alguns confrades, como posso aceitar a teoria de Pietro Ubaldi, sendo, como sou, espírita adepto de Allan Kardec. Confesso não ver nenhuma contradição entre as duas teorias.

Capa de O Livro dos EspíritosPara quem lê Kardec superficialmente, detendo-se nas palavras impressas, a teoria de Pietro Ubaldi pode parecer "herética". Mas aos que lêem o mestre penetrando as entrelinhas das respostas dos espíritos, tão sábias e profundas, nada lhes parece de contráditório.

Em primeiro lugar, Allan Kardec tentou penetrar nesse terreno. Todavia os espíritos não lhe deram a resposta ansiada. Podemos encontrar no Livro dos Espíritos a pergunta 39: "Podemos conhecer o modo de formação dos mundos"? E a resposta dos espíritos: "Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço". Não é o que diz Pietro Ubaldi, no capítulo XX? A origem dos universos foi uma "contração", em que o espírito ficou aprisionado dentro da matéria.

Em segundo lugar, o próprio Kardec afirma não ter dito a última palavra, mas apenas a primeira. E que todas as teorias por ele trazidas deveriam ser desenvolvidas à proporção que a ciência progredisse.

Em terceiro lugar, Allan Kardec preocupa-se com o problema da evolução, a partir da matéria primitiva, sem cogitar do que havia ocorrido antes. Ou seja, começa do mesmo modo em que a Bíblia e do mesmo ponto em que A Grande Síntese iniciaram o estudo: a subida evolutiva dos seres encarnados. Evidentemente, partiram todos da "matéria", ou seja, dos átomos, cuja concentração formou os universos. Nesse ponto – o infinito negativo, o ponto de chegada da involução, a concentração máxima do espírito – era evidente que "todos os espíritos eram simples e ignorantes" (pergunta 115). Entretanto, é evidente a confusão da palavra "espírito", no sentido de "princípio espiritual" com o sentido de espírito humano. Mas as próprias respostas dos espíritos e Allan Kardec classificam a origem, pesquisada agora por Pietro Ubaldi, como "mistério": "a origem deles é mistério" (Pergunta 81). E pouco antes: "Quanto ao modo pelo qual nos criou e em que momento o fez, nada sabemos" (Pergunta 78).

Dentro do próprio Livro dos Espíritos, contudo, encontramos em esboço muito rápido e leves pinceladas, a confirmação da teoria ubaldiana. Pergunta Kardec: "Donde vieram para a Terra os seres vivos"? Resposta: "A Terra lhes continha os germes, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram (teoria das "unidades coletivas"), desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados" (Pergunta 44). Não é o que diz Pietro Ubaldi?

Mas, acima de tudo, está de pé a resposta à pergunta 540, no fim: "É assim que tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia, que vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!"

Nada mais cremos seja precioso para provar que a teoria exposta por Pietro Ubaldi, em sua revelação, nada tem de contraditório com a doutrina codificada por Allan Kardec. Antes, vem completá-la e explicá-la, levantando o véu daquele mistério que, há um século, os espíritos julgaram oportuno deixar ainda envolvendo a origem da vida. E isto porque os homens daquela época "ainda não podiam entender" essa origem, pois a ciência não havia demonstrado que matéria é apenas a condensação da energia, e esta a descida das vibrações do espírito. A frase final da resposta à pergunta nº 83 nos revela bem que Allan Kardec, incontestável mestre codificador, não pôde receber dos espíritos uma doutrina completa, porque o ambiente terrestre ainda não estava preparado. Lemos aí: "É tudo o que podemos, por agora, dizer". Então, há mais coisas a dizer, mas não podiam ser ditas, tal como ocorreu quando Jesus disse a seus apóstolos: "Muitas coisas vos tenho a dizer, mas não as podeis suportar agora" (João, 16:12). Por que então condenaremos a teoria de Pietro Ubaldi, se ela sem contradizer nem Kardec, nem Jesus, vem trazer-nos luz a respeito de coisas que nem um nem outro nas haviam revelado? O fato concreto, sob nossa vista, é que a teoria exposta mediante revelação e inspiração por Pietro Ubaldi satisfaz integralmente a todas as indagações científicas, psíquicas, filosóficas, teológicas e espirituais que possamos fazer-nos. Assim sendo, temos que lealmente aceitá-la, até prova em contrário; mas prova que traga argumentos e fatos, experimentações e demonstrações, e não apenas citações do "magister dixit". Hoje o método científico tem de prevalecer para satisfazer tanto à mente concreta quanto à abstrata, tanto à razão quanto à intuição, tanto à inteligência quanto à sensibilidade.

A obra é de suma importância e finca no mundo um marco que dificilmente será removido. Poderá ser mais bem explicado e desenvolvido seu ponto de vista, poderá mesmo ser modificado em seus aspectos secundários. Mas o âmago do problema foi equacionado brilhantemente, e daí poderemos partir para posteriores e maiores pesquisas e buscas. Compete agora ao homem de amanhã essa parte. Mas este já encontrará uma base onde se apoiar, um alicerce sobre o qual poderá erguer novos edifícios. E era isto, justamente, o que faltava à humanidade de hoje, que nada podia edificar em terrenos movediços de mistérios, sobre abismos sem fundo de desconhecimentos confessados. Tudo, dentro da relatividade humana, foi explicado em termos científicos e lógicos. Foi-nos mostrado, com dificuldade por causa da pobreza da linguagem humana, o que a mente do homem perquiria há milênios, e que nos fora dito várias vezes, mas sempre com palavras ocultas, cheias de subentendimentos, que a mente comum não conseguia penetrar.

Para a filosofia e a teologia, este volume constitui um dos mais importantes tratados que já apareceram publicados na face da Terra. É uma luz nova que se levanta no horizonte, um novo sol que vem iluminar as mentes e aquecer os corações, sequiosos de sabedoria e de amor. Porque nele se revelam, em Sua plenitude infinita, a Sabedoria e o Amor de Deus, como centro de tudo, como Seu pensamento a constituir atmosfera psíquica "em que vivemos, nos movemos e existimos (…) porque Dele também somos gerados" (Atos, 17:28)

Carlos Torres Pastorino - Rio, 5 de Julho de 1957

MONTEIRO LOBATO E A GRANDE SÍNTESE

Carta de Monteiro Lobato a Anísio Teixeira

Monteiro LobatoSão Paulo, 3 de junho de 1944

Anísio,

Passou por aqui um engenheiro baiano, Nery, que muito me falou de você, e também um moço da livraria do Otales, que te levou meu abraço. Mas esta não é para nada disto – nem para comentar a entrada americana em Roma, o grande fato do dia de hoje. É para te comunicar algo muito mais importante.

Todos nós, Anísio, temos o vago sonho de encontrar um livro que nos seja como uma casa definitiva – a casa de sonho que procuramos. Um livro no qual moremos, ou passemos a morar como um rato dentro de um queijo. Um livro que seja casa e comida. E, como D. João saltava duma mulher para outra em busca da única, ou da certa, nós vivemos como gafanhotos, a pular de livro em livro, é que nunca encontramos o nosso livro. Quando Santo Agostinho dizia temer o homem de um só livro, ele se referia ao perigo que é o homem que encontra o seu livro.

Pois creio que encontrei o Meu Livro – o queijo para casa e comida do rato velho que sou. E chama-se A Grande Síntese, de Pietro Ubaldi. Foi traduzido por Guillon Ribeiro e publicado pela Federação Espírita Brasileira. Temos de lê-lo de cabo a rabo – começando pelo fim. Estou a vagar no alto mar desse livro e tonto, deslumbrado, maravilhado – e inclinadíssimo a reescrevê-lo, tal a minha certeza de torná-lo três vezes mais claro. Guillon sabe a língua e tem estilo, mas não procura facilitar a compreensão do leitor. Eu procuraria a força da clareza.

A Grande SínteseQuis mandar-te o livro em vez de apenas indicá-lo, mas não achei nenhum nas livrarias, estão tirando nova edição. Fica ai de alcatéia para fisgar um quando esta saia. E leio-o como estou fazendo: sem pressa nenhuma, com a simpatia aberta como uma flor; leia digerida e traduzidamente, isto é, retraduzindo mentalmente em palavras tuas, ou mais próprias, os períodos que o tradutor obscurece com o seu excesso de bom português. Estou ainda pouco avançado na leitura tanto me deslumbro e paro pelo caminho; e tenho um medo imenso de que com você não se dê a mesma coisa. Mas há de dar-se. Impossível que você não veja o que este livro é. E sabe que A Grande Síntese está cá em casa há quase dois anos, e só agora eu a descobri? Poeirinha morou nela todo esse tempo, e foi essa persistência que me atraiu a atenção. Abria-a ao acaso, comecei a lê-la...e eis-me maravilhado! Eis-me evangelizante! Eis-me a escrever ao Anísio, para que a leia também. Por que ao Anísio e não a outro qualquer? Porque você é a inteligência pura, Anísio, e tenho a certeza de que a tua opinião sobre o livro pode coincidir com a minha – e que glória para mim por tê-la indicado!

Mas se acaso seguires meu conselho e leres A Grande Síntese, não quero que me escreva logo após a leitura – e sim um ano depois; isto é, depois que a leitura amadurecer, como os vinhos.

Adeus. Dê-nos a tremenda notícia de que anda projetando uma daquelas famosas vindas a São Paulo. Venha levantar o ânimo de São Paulo que está “crest fallen” com a tua já tão longa ausência.

Mil abraços do

Lobato.

(O original desta carta encontra-se no Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas.)