Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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SAL DA TERRA


(Coleção de Biografias - Nossa homenagem a grandes e pequeninos nomes da história do Espiritismo)


ADDE AGUIAR DE ALMEIDA

Capa da obra Árvore e Frutos, psicografada por Adde Aguiar de Almeida

Nascida em Três Rios, no Estado do Rio, a 15 de novembro de 1919, e falecida na mesma cidade, a 15 de agosto de 1998. Espírita desde a infância, frequentou com a família o Grupo Espírita Fé e Esperança, participando de sua mocidade espírita e de seu grupo de teatro. A avó materna, Marcelina Chaves, dotada de grande bondade e de mediunidade de cura expressiva, trabalhando pela comunidade entrerriense até quase o final de sua vida de mais de 100 anos, foi exemplo expressivo de amor, fé, solidariedade e cooperação, influenciando a formação afetiva e espiritual da jovem Adde.

Mudou-se para o Rio de Janeiro e apesar de enfrentar inúmeras dificuldades, nunca se desesperou, nem deixou de auxiliar a quem dela necessitasse.

Sempre dedicada ao estudo espírita, atuante em atividades doutrinárias em várias instituições dirigiu, por alguns anos, a Mocidade Espírita da Casa de Laís, na Ilha do Governador, compondo músicas e peças para evangelização.

Em 1971 passou a frequentar a nossa CRBBM, logo agregada ao corpo de médiuns, dando muito de si, sem poupar esforços na distribuição dos conhecimentos adquiridos, sempre com ternura e com vontade de minimizar a dor de seus semelhantes.

Psicografou dois livros que falam ao coração: FLAGRANTES DE LUZ, pelos espíritos Kalil Gesum e Sing Iu Fu e ÁRVORE E FRUTOS, pelo espírito de Helvécio.

Sem queixas nem revolta, ao contrário, sempre com doce sorriso e meigo olhar, enfrentou por cinco anos o leito de uma clínica, desencarnando vítima do mal de Parkinson.

Constante lição para todos, demonstrou ser Adde para nós verdadeiro Sal da Terra...

ADELAIDE CÂMARA (Aura Celeste)

Retrato de Adelaide Câmara - Aura CelesteEra uma mulher à frente de seu tempo. Nasceu em Natal, a 11 de janeiro de 1874. Recebeu educação primorosa, adquirindo sólida cultura. Em 1896, veio para o Rio de Janeiro, já com o diploma de Professora Normalista, numa época em que isso ainda era raro por aqui, já que nossa primeira Escola Normal foi criada em 1880 (as primeiras alunas obtiveram o título de bacharel somente em 1907).

Era uma época em que a mulher se mantinha ainda subordinada à autoridade do marido ou do pai. Apenas uma ou outra, como as feministas Júlia Lopes Almeida e Francisca Hedwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga, se destacavam, numa sociedade essencialmente machista. Pois foi nessa época, em que mulheres vestiam roupas até os punhos e até os tornozelos, que Adelaide Câmara se destacou. Começou lecionando no colégio Ramp Williams. Um dia leu em "O Paiz" uma coluna chamada "Espiritismo - Estudos Filosóficos", assinada por Max, pseudônimo do Presidente da Federação Espírita Brasileira, Bezerra de Menezes. Foi sob a supervisão desse nosso Patrono que Aura Celeste começou o seu trabalho no Espiritismo, como médium psicógrafa, no Grupo Ismael.

Com a morte de Bezerra de Menezes, Aura Celeste passou a trabalhar no Círculo Espírita Cáritas, na rua Voluntários da Pátria 20, junto de Inácio Bittencourt, outro mentor da Casa.

Tendo se casado em 1906 com o Dr. Amaro Abílio Soares Câmara, não se afastou do Espiritismo, embora tenha permanecido mais voltada ao lar. Nesse período produziu, através da psicografia, muitas páginas que depois foram publicadas nos livros "Orvalho do Céu" (também chamado de "Flores do Céu") e "Do Além", adotando então o nome de Aura Celeste.

Em 1920 retornou às tribunas e ao trabalho mediúnico. Passou a operar muitas curas, através do espírito do Dr. Joaquim Murtinho, e desenvolveu a mediunidade de vidência. Entre 1922 e 1924 foi inspetora do Colégio Andrews, na Praia de Botafogo, sem contudo deixar de lado o seu trabalho mediúnico.

Aura Celeste publicou ainda os seguintes trabalhos: "Palavras Espíritas" (palestras), "Rumo à Verdade" , "Vozes d'Alma" (versos), "Sentimentais“ (versos), "Aspectos da Alma" (contos) e "Luz do Alto". Há também farto material de sua autoria em diversos jornais e revistas espíritas.

Tinha a mediunidade de incorporação, vidência, psicografia, receitista, curadora, intuitiva e até a faculdade de transporte, tendo operado várias curas em diversas partes do Brasil. Fundou o Asilo Espírita João Evangelista, aqui no bairro de Botafogo, e desencarnou em 25 de outubro de 1944. Por tudo que representa essa jóia rara para o Espiritismo, Adelaide Câmara é o SAL DA TERRA.

ANTÔNIO LUIZ SAYÃO

Antônio Luiz SayãoNasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1829. De origem humilde, passou necessidades para bacharelar-se em Ciências Jurídicas, na então Academia de Direito de São Paulo, em 1848.

Trabalhador incansável e extremamente econômico, conseguiu fazer fortuna, poupando e guardando as parcas economias que lhe sobravam das suas restritas necessidades materiais.

Talento modesto, aliado ao desejo do bem servir ao Senhor, jamais se deixou atingir pelo orgulho e pela vaidade, ou pelas sugestões do fausto e da orgia. Seu vestuário sempre foi sério, simples e decente, sua alimentação sólida, parca e sóbria. Seu lar, nos tempo ignominosos da escravidão, eram o céu dos desgraçados que tinham pedido a prova de ser escravos.

Nele se acolhiam, para de escravizados ficarem livres, pois eram tratados pelo "senhor" como irmãos e amigos e se constituíam membros de sua família. Que o digam os Moisés, os Celestinos e as Joanas, cujos filhos eram por ele acalentados e muitas vezes nos seus próprios braços entregavam o Espírito ao Criador. [...] Em 1878, mais ou menos, se fez espírita.

Tomou para seu companheiro e mestre o seu colega Bittencourt Sampaio... [...] Sayão e Bittencourt Sampaio pertenceram à Sociedade "Deus, Cristo e Caridade" até o dia em que uma divergência determinou a saída dos membros que não se deixaram arrastar pelo orgulho da ciência. Foi então quando resolveram fazer, no dia 06 de junho de 1880, uma reunião em sua casa, a fim de concertarem a respeito do destino que deveriam tomar, e o resultado foi a fundação do "Grupo dos Humildes", vulgarmente conhecido por "Grupo Sayão", dirigido espiritualmente pelo anjo Ismael e materialmente por ele, Sayão.

O que se passou na primeira fase desse Grupo está minuciosamente descrito no seu livro inicial, intitulado "Trabalhos Espíritas". Foi tempestuosa e, por isso, muitas lágrimas custou ao pobre do Sayão.

A segunda fase foi mais calma e deu-lhe ensejo a que publicasse o seu segundo livro, que denominou "Elucidações Evangélicas", livro que tantos e tão relevantes serviços tem prestado aos que se entregam ao estudo da Doutrina Espírita. Foi quando desencarnou o bom Bittencourt Sampaio.(*)

Desde essa data entrou o Grupo na sua terceira fase, que não foi para Sayão tão tempestuosa quanto a primeira, mas que se caracterizou pela luta que ele teve de sustentar contra os espíritos das trevas, quando o Grupo sucessivamente recebeu os livros "Jesus Perante a Cristandade".

Faleceu a 31 de março de 1903, à mesma hora em que a Federação Espírita Brasileira comemorava a desencarnação de Allan Kardec. Desencarnou como justo, balbuciando uma Ave Maria.

Pela grandeza de sua Obra, e pelo exemplo de sua humildade, Antônio Luís Sayão, grande divulgador de Kardec e Roustaing é, também, "Sal da Terra".

(Adaptação e resumo do capítulo homônimo da obra "Grandes Espíritas do Brasil, de Zêus Wantuil, publicação da Federação Espírita Brasileira)

(*)Sobre essa obra, sugerimos a consulta do volume"Virtudes dos Céus", publicação da CRBBM disponível para download gratuito em nossa Biblioteca Digital.

ARMANDA PEREIRA DA SILVA

Retrato de Armanda Pereira da SilvaNasceu em Portugal, a 24/11/1908, filha de Armando Pereira da Silva e Ana Correia da Silva.

A infância foi tranquila. Sua educação iniciou-se em Portugal, num internato de freiras. Veio para o Brasil com 12 anos de idade. Muito estudiosa, diplomou-se em letras, dominando bem o inglês e francês. Cursou a antiga Escola Nacional de Música, hoje UFRJ, formando-se em piano e canto orfeônico pelo Maestro Villa Lobos. O destino, porém, reservava-lhe provas duras... A forja do sacrifício pessoal e da resignação fariam parte também de sua educação, como disciplinas obrigatórias para o bom desempenho de futura missão.

Logo que chega à idade adulta, sua mãe contrai uma doença cruel, que produz paralisia progressiva. A jovem e promissora Armanda abandona, então, todos os projetos pessoais, inclusive o noivado, para dedicar-se integralmente à mãe. Assim o fez por várias décadas... Nos últimos anos de vida, sua progenitora só movimentava os olhos. A esta altura, Armanda já de há muito procurara ajuda e retempero de forças na doutrina espírita, frequentando sessões em um centro no Estácio. As muitas horas à cabeceira do leito de sua mãe eram agora preenchidas com o formidável manancial da literatura espírita, reconfortando-as e, melhor ainda, iluminando-as.

As dificuldades, porém, só aumentavam... Embora não lhes faltassem recursos financeiros, esvaziava-se a cada dia a cooperação humana. Primeiro, seu padrasto adoece; depois, o casamento dos irmãos (tinha dois, Alexandre e Antônio) e outros colaboradores. As horas de consolo e refrigério reduziam-se na proporção em que o acúmulo de tarefas impediam-na de frequentar as reuniões espíritas. A solução foi procurar um centro mais próximo de sua residência, no bairro de Botafogo. Corria o ano de 1963 e, assim, Armanda chegou à CRBBM. Sua mãe desencarnou pouco depois, e mais tarde também seu pai também se foi.

Armanda Pereira da SilvaJusto seria que a filha prestimosa, que não teve tempo de ver o tempo passar gozasse, agora, do merecido descanso, depois de quase trinta anos (!) de sacrifícios e vigílias noturnas ... Armanda, porém, não confundia descanso com ócio, e decidiu aproveitar as horas, agora livres, dedicando-se à causa espírita. Nessa época, nosso fundador e orientador geral, Azamor Serrão, já estava quase cego e, por isso, estudava braille no Instituto Benjamim Constant. Tendo-o acompanhado por algumas vezes, logo se viu extremamente sensibilizada com as dificuldades dos deficientes visuais, dispondo-se então a acompanhá-lo no estudo da escrita de cegos. Em pouco tempo tínhamos uma nova mestra no ensino da matéria, surgindo, desta maneira, a ideia da Casa formar um grupo de tradutores de livros em braille, tarefa que desempenhou também com extrema dedicação. Mal sabia, no entanto, que outra missão, tão importante quanto a prova em família, que enfrentara com tanto mérito e dignidade, a aguardava logo em seguida...

É sempre a mesma história: As pessoas que mais anseiam o poder e o comando são, exatamente, as que se mostram mais despreparadas para o seu exercício. As que não o esperam, ou que não se julgam preparadas, quase sempre surpreendem com exemplos de vida, onde humildade, autodisciplina e perseverança compensam, sobejamente, qualquer limitação por inexperiência ou despreparo. Nossa irmã Armanda fazia - e ainda faz! - parte, certamente, do segundo grupo.

Logo em seguida à desencarnação de nosso fundador e Orientador Geral, Azamor Serrão, em 1969, viu-se guindada à condição de Orientadora da CRBBM para sua surpresa e - por que não dizer? - verdadeiro desespero! Tinha então 62 anos! Foram dias e dias de aflição, de receio de não corresponder às expectativas de todos, de comprometer os destinos da Casa... Como a missão lhe havia sido conferida por Bezerra de Menezes (Espírito) e pelo próprio Azamor, juntos, decidiu afinal aceitar o pesado fardo ...

Os anos seguintes foram testemunhas de uma verdadeira revolução pessoal. Aquela senhora tímida, solteira, que tinha vivido sempre em prol do lar, que tinha consumido anos e anos de sua vida cuidando da mãe doente, via-se agora à frente de um centro espírita com quase 50 médiuns - hoje, são 150 -, contas, pagamentos e toda a sorte de providências que a gestão de uma casa como essa costuma solicitar. Na tentativa de fazer bem, de acertar sempre, avançava sempre nas horas, estendendo o dia ao limite das forças físicas. Acordava sempre cedo, em torno das 5 horas da manhã, trabalhando afanosamente até às 23 horas ou mesmo virando noites, quando julgava necessário, "para botar o trabalho em dia"! Adotou a disciplina como bandeira. A insegurança e o medo de errar pareciam-lhe espinhos permanentemente incrustados na pele ... Na dúvida, procurava manter sempre tudo exatamente como havia recebido, preservando assim como zelo férreo as atividades, os horários e a cultura interna da Casa, mesmo que a preço da incompreensão e da crítica dos arautos dos "novos tempos". Quem a via sempre ali, no posto, rígida, forte, "dura", jamais poderia adivinhar o coração puro e a alma grandiosa que habitavam aquele corpo tão pequeno e delicado.

Mais recentemente, aprendeu a língua internacional - o Esperanto - com mais de 80 anos de idade, passando então a lecioná-lo semanalmente para um grupo de alunos. No último dia 08 de setembro, nossa irmã se foi. O corpo, cansado, não suportou mais a energia intensa desse espírito tão corajoso, tão digno, tão operoso. Que o nosso querido Bezerra de Menezes possa tê-la recebido, no plano espiritual, nos seus braços generosos, é o nosso desejo, fazendo votos, também, que ela prossiga, firme e alegre, em sua nova etapa, aproveitando o gozo de uma consciência tranquila e de uma vida bem vivida.

Armanda Pereira da Silva foi, é e será sempre entre nós...verdadeiro SAL DA TERRA.

AUGUSTO ELIAS DA SILVA

Retrato de Augusto Elias da SilvaPortuguês de nascimento, veio para o Brasil e se fixou em Lavras (MG), em 05 de julho de 1845, e desencarnou em 19 de dezembro de 1905. Fundou em 1883 a que é hoje a mais antiga revista espírita, "Reformador", da FEB, agora com 117 anos de publicação. É, portanto, um dos maiores responsáveis pela implantação dos ideais espíritas em nossa pátria.

Conviveu com Bezerra de Menezes na luta unificadora do Espiritismo, a ser consagrado como Ciência, Filosofia e Religião, o tríplice aspecto capaz de abranger todas as necessidades do presente estado evolutivo do ser humano. Eis alguns apontamentos sobre sua personalidade contidos na biografia escrita por Sílvio Brito Soares:

"Caráter rígido e sempre pronto a defender os oprimidos. Seu altruísmo superava qualquer barreira ideológica ou convencional, como demonstrou em protesto público feito em 1883, defendendo um pastor protestante contra as perseguições fanáticas de agentes do governo instigados por um padre católico.

Apesar de formidável fluência e correção de linguagem, que casava num estilo pleno de beleza e vigor literários, apoiados em profundos conhecimentos da doutrina espírita, Elias era retraído devido a modéstia extrema, causando em muitos a impressão de ser portador de limitada cultura, mas surpreendendo a todos que logravam assistir sua excelente oratória.

Ewerton Quadros, que o sucedeu na direção do "Reformador", assim se expressou em seu funeral:

"Sempre pronto a ir em auxílio dos que sofrem neste mundo de provações e expiações, sem anunciar ao som de trombeta os atos de caridade que partilhava, o espírito que acaba de alar-se ao outro mundo sacrificou, por mais de uma vez, os interesses materiais dos seus, sem jamais esmorecer, nem mesmo com os golpes da ingratidão."

Para todo espírita estudioso das verdades eternas, Augusto Elias da Silva é Sal da Terra.

AZAMOR SERRÃO

Azamor SerrãoNasceu em Portugal, na freguesia de Jou, pertencente ao conselho de Murça, na província de Trás-dos-Montes, em 23 de janeiro de 1915. Desencarnou no Rio de Janeiro em 1º de agosto de 1969.

Imigrou para o Brasil com 6 anos incompletos. Em tenra idade revelava acentuadas tendências artísticas: canto, desenho, pintura, artes dramáticas, participando com sucesso em grupos de teatro amador. Profissionalmente firmou-se no comércio de roupas masculinas, gerenciando algumas das lojas de maior evidência na época, atuando também como consagrado vitrinista. Sua mediundade também foi precoce, surgindo em plena infância. Por ser de família católica, teve que desenvolvê-la sem o consentimento de seus pais e por iniciativa própria, no Grupo Antônio de Pádua, que ficava no centro da cidade, próximo da loja em que trabalhava. Casou-se com jovem católica e conservadora mas, para não desagradá-la, interrompeu a atividade mediúnica e só voltou a um centro espírita aos 35 anos de idade, sofrendo de intenso assédio de espíritos sofredores.

Com o reinício das atividades mediúnicas, cessaram as reações anômalas que tanto intrigavam os médicos que tratavam de sua diabete, responsabilizando os choques de insulina como causadores das repentinas perturbações.

Azamor viu confirmar-se, então, o que já sabia desde a infância: os incômodos provinham da mediunidade abandonada.

Não foram necessários mais que quatro anos para que atingisse a plenitude mediúnica, passando a transmitir com regularidade receituário de Bezerra de Menezes e orientações filosóficas de Ali-Omar. Em pouco tempo, o atendimento semanal já beneficiava centenas de aflitos.

Fundou a "Casa de Recuperação" em 1961 (vide item "Breve História"), sob inspiração e orientação de Bezerra de Menezes. Chamando a atenção pela condução fraterna e pelos seguros princípios cristãos-espíritas de seu fundador, logo outros expoentes do meio espírita vieram trazer o seu apoio à firmeza e dedicação de Azamor Serrão, destacando-se entre eles Indalício Mendes, Fernando Flôres e Ivo de Magalhães, todos então renomados colaboradores da FEB.

Os princípios estabelecidos nos primórdios de nossa Casa persistem até os nossos dias, objetivando acima de tudo a caridade, a benevolência, a igualdade; priorizando-se a iluminação do espírito pela busca da permanente sintonia com a orientação do Espírito de Azamor Serrão, que continua sendo, para nós, autêntico SAL DA TERRA.

Conheça mais sobre Azamor Serrão e a história da CRBBM na página Nossa História.

BEZERRA DE MENEZES

Bezerra de MenezesAdolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831 na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará. Descendia Bezerra de Menezes de antiga família, das primeiras que vieram ao território cearense. Seu avô paterno, o coronel Antônio Bezerra de Souza e Menezes tomou parte da Confederação do Equador, e foi condenado à morte, pena comutada em degredo perpétuo para o interior do Maranhão, e que não foi cumprida porque o coronel faleceu a caminho do desterro, sendo seu corpo sepultado em Riacho do Sangue. Seus pais, Antônio Bezerra de Menezes, capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, desencarnou em Maranguape, no dia 29 de setembro de 1851, de febre amarela; a mãe, Fabiana Cavalcanti de Alburquerque, nascida em 29 de setembro de 1791, desencarnou em Fortaleza, aos 91 anos de idade, perfeitamente lúcida, em 5 de agosto de 1882.

Desde estudante, o itinerário de Bezerra de Menezes foi muito significativo. Em 1838, no interior do Ceará, conheceu as primeiras letras, em escola da Vila do Frade, estando à altura do saber de seu mestre em 10 meses. Já na Serra dos Martins, no Rio Grande do Norte, para onde se transferiu em 1842 com a família, por motivo de perseguições políticas, aprendeu latim em dois anos, a ponto de substituir o professor.

Em 1846, já em Fortaleza, sob as vistas do irmão mais velho, o Dr. Manoel Soares da Silva Bezerra, conceituado intelectual e líder católico, efetuou os estudos preparatórios, destacando-se entre os primeiros alunos do tradicional Liceu do Ceará.

Bezerra queria tornar-se médico, mas o pai, que enfrentava dificuldades financeiras, não podia custear-lhe os estudos. Em 1851, aos 19 anos, tomou ele a iniciativa de ir para o Rio de Janeiro, a então capital do Império, a fim de cursar medicina, levando consigo a importância de 400 mil réis, que os parentes lhe deram para ajudar na viagem.

No Rio de Janeiro, ingressou, em 1852, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia.

Para poder estudar, dava aula de filosofia e matemática. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Em março de 1857, solicitou sua admissão no Corpo de Saúde do Exército, sentando praça em 20 de fevereiro de 1858, como cirurgião tenente. Ainda em 1857, candidatou-se ao quadro dos membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento", sendo empossado em sessão de 1º de junho. Nesse mesmo ano, passou a colaborar na "Revista da Sociedade Físico-Química".

Em 6 de novembro de 1858, casou-se com a Sra. Maria Cândida de Lacerda, que desencarnou no início de 1863, deixando-lhe um casal de filhos. Em 1859 passou a atuar como redator dos "Anais Brasilienses de Medicina", da Academia Imperial de Medicina, atividade que exerceu até 1861. Em 21 de janeiro de 1865, casou-se, em segunda núpcias com Dona Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira esposa, com quem teve sete filhos.

Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos favorecidos da fortuna, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional. Foi justamente o respeito e o reconhecimento de numerosos amigos que o levaram à política, que ele, em mensagem ao deputado Freitas Nobre, seu conterrâneo e admirador, definiu como “a ciência de criar o bem de todos”. Elegeu-se vereador para Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1860, pelo Partido Liberal.

Quando tentaram impugnar sua candidatura, sob a alegação de ser médico militar, demitiu-se do Corpo de Saúde do Exército. Na Câmara Municipal, desenvolveu grande trabalho em favor do “Município Neutro” e na defesa dos humildes e necessitados.

Foi reeleito com simpatia geral para o período de 1864-1868. Não se candidatou ao exercício de 1869 a 1872.

Bezerra de Menezes e Azamor SerrãoEm 1867, foi eleito deputado-geral (correspondente hoje a deputado federal) pelo Rio de Janeiro. Dissolvida a Câmara dos Deputados em 1868, com a subida dos conservadores ao poder, Bezerra dirigiu suas atividades para outras realizações que beneficiassem a cidade.

Em 1873, após quatro anos afastados da política, retomou suas atividades, novamente como vereador.

Em 1878, com a volta dos liberais ao poder, foi novamente eleito à Câmara dos Deputados, representando o Rio de Janeiro, cargo que exerceu até 1885.

Neste período, criou a Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos, que veio proporcionar-lhe pequena fortuna, mas que, por sua vez, foi também o sorvedouro dos seus bens, deixando-o completamente arruinado. Em 1885, atingiu o fim de suas atividades políticas. Bezerra de Menezes atuou 30 anos na vida parlamentar. Outra missão o aguardava, esta mais nobre ainda, aquela de que o incumbira Ismael, não para o coroar de glórias, que perecem, mas para trazer sua mensagem à imortalidade.

O Espiritismo, qual novo maná celeste, já vinha atraindo multidões de crentes, a todos saciando na sua missão de consolador. Logo que apareceu a primeira tradução brasileira de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, foi oferecido a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio.

Foram palavras do próprio Bezerra de Menezes, ao proceder a leitura de monumental obra: “Lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, entretanto tudo aquilo era novo para mim [...]. Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no Livro dos Espíritos [...]. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou mesmo, como se diz vulgarmente, de nascença”. Contribuíram também, para torná-lo um adepto consciente, as extraordinárias curas que ele conseguiu, em 1882, do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento.

Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita. Em 1883, recrudescia, de súbito, um movimento contrário ao Espiritismo e, naquele mesmo ano, fora lançado por Augusto Elias da Silva o “Reformador”, órgão oficial da Federação Espírita Brasileira e o periódico mais antigo do Brasil, ainda em circulação. Elias da Silva consultava Bezerra de Menezes sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas. O venerável médico aconselhava-o a contrapor-se ao ódio, o amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia.

Bezerra não ficou, porém, no conselho teórico. Com as iniciais A. M., principiou a colaborar com o “Reformador”, emitindo comentários judiciosos sobre o Catolicismo.

Bezerra de MenezesFundada a Federação Espírita Brasileira em 1884, Bezerra de Menezes não quis inscrever-se entre os fundadores, embora fosse amigo de todos os diretores e sobremaneira, admirado por

Embora sua participação tivesse sido marcante até então, somente em 16 de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, Bezerra de Menezes, perante grande público, em torno de 1.500 a 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda Velha, em longa alocução, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da consoladora

Daí por diante Bezerra de Menezes foi o catalisador de todo o movimento espírita na Pátria do Cruzeiro, exatamente como preconizara Ismael. Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem público e ao inexcedível amor ao próximo, conduziu o barco de nossa doutrina por sobre as águas atribuladas pelo iluminismo fátuo, pelo cientificismo presunçoso, que pretendia deslustrar o grande significado da Codificação Kardequiana. Presidente da FEB em 1889, ao espinhoso cargo foi reconduzido em 1895, quando mais se agigantava a maré da discórdia e das radicalizações no meio espírita, nele permanecendo até 1900, quando desencarnou. O Dr. Bezerra de Menezes foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, da Sociedade Físicoquímica, sócio e benfeitor da Sociedade Propagadora das Belas-Artes, membro do Conselho do Liceu de Artes e presidente da Sociedade Beneficente Cearense.

Escreveu em jornais como “O Paiz”, redigiu “Sentinela da Liberdade”, os “Anais Brasilienses de Medicina”, colaborou na “Reforma”, na “Revista da Sociedade Físico-química” e no “Reformador”. Utilizava os pseudônimos de Max e Frei Gil.

O dicionarista J. F. Velho Sobrinho alinha extensa bibliografia de Bezerra de Menezes, relacionando para mais de quarenta obras escritas e publicadas. São teses, romances, biografias, artigos, estudos, relatórios, etc. Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11h30min., tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta. Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de uma clientela que nenhum médico queria; eram pessoas pobres, sem dinheiro para pagar consultas. Foi preciso constituir-se uma comissão para angariar donativos visando a possibilitar a manutenção da família. A comissão fora presidida por Quintino Bocayuva.

Por ocasião de sua morte, assim se pronunciou Leon Denis, um dos maiores discípulos de Kardec: “Quando tais homens deixam de existir, enlutase não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo”.

Fonte: Texto incluído nas obras que integram a Coleção Bezerra de Menezes, publicada pela FEB

Conheça mais sobre o Patrono de nossa CASA no nosso Museu Virtual Bezerra de Menezes.

BITTENCOURT SAMPAIO

"Tão longe de mim distante,/ Onde irá, onde irá teu pensamento!"...

Bittencourt SampaioQuem ouve os primeiros acordes e versos da modinha "Tão longe de mim distante", de Carlos Gomes, impressionando-se com a sua beleza e a espiritualidade de sua poesia, está na verdade reverenciando também o trabalho de um dos maiores vultos do Espiritismo, de todos os tempos: Bittencourt Sampaio.

Sergipano, nascido na cidade de Laranjeiras, a 1º de fevereiro de 1834, Francisco Leite de Bittencourt Sampaio contava então apenas 25 anos (sua parceria com o autor da ópera "O Guarani" ocorreu em 1859), mas já foi suficiente para revelar ao público o que seria um dos grandes gênios da poesia brasileira.

Segundo o prezado Zeus Wantuil, "não se sabe quando ele entrou para o Espiritismo, mas em 02 de agosto de 1873 já fazia parte da Diretoria do "Grupo Confúcio", primeira sociedade espírita surgida em terras cariocas. Lá desenvolveu sua mediunidade receitista, curando muitos doentes com remédios homeopatas.

Mais tarde (1882), já na condição de grande amigo de Bezerra de Menezes, Bittencourt fez o prodígio de transformar todo o Evangelho de João em magníficos versos decassílabos, na obra "A Divina Epopéia", por sinal, a mesma estrutura poética utilizada por Dante Alighieri na sua "Divina Comédia", pérola da literatura universal.

Advogado, jornalista, alto funcionário público e político ativo, foi deputado por sua província em duas legislaturas e Presidente (Governador) do Espírito Santo. Presidiu, também, a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Desencarnou no Rio de Janeiro, a 10 de outubro de 1895.

Já de volta à vida espiritual, foi autor de dois grandes clássicos da literatura espírita: "Jesus Perante a Cristandade" e "Do Calvário ao Apocalipse", esta última o complemento para a obra "Os Quatro Evangelhos", de João-Baptista Roustaing, prometido pelos seus espírito autores desta última.

É apontado por Fred Figner, na obra "Voltei", como o responsável pelos estudos evangélicos na pátria de Ismael.

Por tudo que fez, por tudo que é, Bittencourt Sampaio é também ... Sal da Terra!

CAMILLE FLAMMARION

Na primeira semana de junho a família espírita celebra sempre a memória de Camille Flammarion, na condição de um dos quatro grandes coaduvantes encarnados para colaborar com Kardec em sua abençoada missão, juntamente com Roustaing, Léon Denis e Gabriel Delanne, no dizer de Humberto de Campos, por Chico Xavier, em "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho". Esse grande trabalhador da causa espírita desencarnou a 04 de junho de 1925, deixando um legado de obras primorosas e a trajetória de uma vida digna, dedicada ao estudo e ao amor à humanidade. Deus abençoe a este valoroso "Sal da Terra"!

Camille Flammarion e sua esposaPopularizador da Astronomia e divulgador do Espiritismo, "de estatura regular, de expressiva fisionomia", o ilustre astrônomo parece concentrar em seu olhar toda a energia de sua alma, toda a vivacidade de seu espírito. Até o nome leva o selo de sua natureza e, por assim dizer, o signo estranho de seu destino (Flamma Orionis...)" (Biografias, Artículos y Datos Espiritistas, recopilados por E.E.G. - Madrid - Revista Psicologia La Irradición, 1896).

Astrônomo célebre, sábio e filósofo, o extraordinário investigador francês é, também, famoso e respeitado autor espírita, presidente da "Societé Astronomique de France", diretor do Observatório de Juvisy, dotado de "estilo encantador" (como se refere Léon Denis); ex-presidente da S.P.R. (Society for Psychical Research), encarnado em Montigny-le-Roi, Haute-Marne, França, num sábado, à uma hora do dia 26 de fevereiro de 1842; e, como ele mesmo diria mais tarde, "estava muito impaciente para chegar à Terra, e não esperou os 9 meses; nasceu aos 7 meses."

A região da cidade onde nasceu teve uma grande influência romana; daí a razão de muitos dos seus habitantes terem nomes com essa origem. Camille é um deles. Era descendente de modesta família de lavradores. Aos 4 anos sabia ler. Na Escola Comunal foi o primeiro da classe, conquistando, nos primeiros cursos, uma Cruz de Honra, que guardava como recordação de seu primeiro mestre, o Senhor Crapelet.

Sua desencarnação ocorreu, aos 83 anos, em Juvisy-sur-Orge, França, tendo sido "inhumé dans son jardin"(sepultado em seu jardim), no vasto Parque do Observatório, de Juvisy, no dia 4 de junho de 1925. "Il est mort comme um poète, comme um amourex du ciel." (Ele morreu como um poeta, como um amor do céu.)

Com a sua desencarnação, sua esposa Mme. Gabrielle Camille Flammarion (quando solteira, Gabrielle Renaudot), que era sua secretária, assumiu a direção do Observatório, desencarnando, porém, dois anos após. Em 1858, com 16 anos de idade, Camille foi admitido como auxiliar no Observatório de Paris e fez parte do "Bureau des Longitudes", como calculador.

Desde muito jovem se deu a conhecer no mundo das letras com a notável obra "La Pluralité des Mondes Habités", que escreveu aos 19 anos de idade. Ele morou em Paris, no piso mais alto de uma casa que forma a esquina da rua Cassini com a avenida do Observatório, a que se ligou muito, pois foi aí que sofreu as amargas vicissitudes da luta pela própria existência e onde gozou das maiores alegrias de sua vida. Nesta casa ele escreveu a maioria das obras que lhe deram fama; onde também, depois de casar-se, morou com a sua fiel companheira, esclarecida confidente de todos os seus trabalhos, e sua preciosa secretária.

O gabinete de Flammarion era muito singelo; mas, nas paredes, sobre o pavimento, em cima das mesas e das cadeiras, por todos os lados, uma montanha de livros, periódicos, folhetos e papéis. A sua mesa estava sempre coberta de cartas, que chegavam todos os dias, dos quatro extremos do mundo, e de provas para a sua Revista "L´Astronomie", que fundara em 1882, e para o "Nouveau Dictionnaire Encyclopedique, etc."

Durante cerca de uma dezena de anos, Flammarion recebia, quase todas as semanas, extensas cartas de um Senhor chamado Meret, de Burgos, que o felicitava. - Flammarion, demasiado ocupado para responder a tal desbordamento de entusiasmo, se contentava em dar-lhe graças de vez em quando, por um breve bilhete de recebimento. Flammarion já não se preocupava com o generoso Bordelés, quando, um dia, se apresentou um notário em seu domicílio, para anunciar-lhe que M. Meret, sentindo próximo o seu fim, e não tendo herdeiros, lhe legava totalmente - objetivando que a utilizasse para seus estúdios - a bela e vasta propriedade que possuía em Juvisy, e que se chamava, no país, o " castelo da corte de França..."

Em 1883, Flammarion fundou o Observatório Juvisy, que dirigiu durante toda a sua vida. Foi presidente da "Societé Astronomique de France" e professor do Príncipe Imperial. Em 1923 presidiu a "Society for Psychical Research". Fez experiências, entre outras, com as médiuns Madame Girardin (na casa de Victor Hugo, em Jersey), Mademoiselle Huet e Eusápia Paladino.

O "Anuário Espírita do Brasil" (1931, 1ª ed.) destaca que "o sábio das constelações siderais, com a sabedoria de mestre, provou ao mundo que os domínios da Astronomia não iam somente ao conhecimento dos corpos celestes".

O Imperador Pedro II, amante das ciências, foi visitar o astrônomo em seu retiro e plantou, com as suas próprias mãos, no parque, para perpetuar a memória de sua passagem, um pequeno cedro do Líbano, de cujo ato Flammarion, por sua vez, gravou em uma prancha de cobre, os detalhes desse acontecimento.

Rendendo homenagem a Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, que desencarnara, repentinamente, dia 31 de março de 1869, Flammarion, a convite da Direção da Sociedade Espírita de Paris, consigna, no seu discurso, para a posteridade que "Ele era o que eu denominarei o bom senso encarnado", publicado, posteriormente, sob o título "Discours prononcé sur la tombe d´Allan Kardec", por Didier et Cie. Paris, 1869, Imp. P. A. Bourdier, 24 pp.; reeditado pela "Librairie Spirite", com o título "Le Spiritisme et la Science", Paris, 1869, "in" 8º., 24 pp., e incluída, por Pierre-Gaëtan Leymarie, em "Oeuvres Posthumes d´Allan Kardec" (Obras Póstumas) (RE - 1869 - Maio; OP, Discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec).

As obras de Flammarion foram traduzidas para grande número de idiomas - para o inglês, espanhol, sueco, dinamarquês, italiano, húngaro, checo, holandês, romeno, russo, alemão, português - e são referidas na "Revue Spirite", que também publica seus artigos.

Fonte: Revista ICESP, nº 14.

CARLOS TORRES PASTORINO

Retrato de Carlos Torres PastorinoCarioca, nasceu em 4 de novembro de 1910 e desencarnou em 13 de junho de 1980, em Brasília. Setenta anos de vida invulgar. Não foi somente um pensador, mas acima de tudo um homem de ação. Personalidade singular de vasta cultura e brilhante inteligência, aos 14 anos bacharelava-se em Geografia, Cartografia e Cosmografia, bem como em Português, obtendo a maior distinção no Colégio Pedro II.

Com grande vocação religiosa, foi para Roma. Em 1934, às vésperas de uma promoção, renuncia à carreira religiosa, entre outras razões, pela decepção que sofrera diante da recusa do Papa Pio XII em receber o Mahatma Gandhi com sua habitual e simples túnica branca indiana.

Deixando a batina tornou-se jornalista, crítico de arte, professor de Psicologia, Lógica e História da Filosofia até que, em 1939, voltou ao Pedro II como professor de Latim, tornando-se catedrático em 1961. Em 1972 foi aprovado pelo Conselho Federal de Educação como titular de Língua e Literatura Latina e, em 1974, de Grego.

Era também tradutor público de Francês, Italiano e Espanhol da Universidade de Brasília, e ainda encontrava tempo para se dedicar à música e à poesia.

Como escritor humanista, filósofo e historiador, ainda fez abordagens no Hebraico e Sânscrito. Com essa formidável bagagem intelectual tornou-se espírita em 1950, após estudar "O Livro dos Espíritos", daí passando a intensa atividade doutrinária, depois de desenvolver sua mediunidade, no Centro Júlio César, no Grajaú. Fundou o Centro Espírita da Boa Vontade (depois Legião) , e vários outros órgãos espíritas, como o Lar Fabiano de Cristo. Sua convivência com o Coronel Jaime Rolemberg gerou a CAPEMI e a SEI, o Grupo de Estudos Espíritas e a revista Sabedoria. Participou de inúmeros programas de rádio, jornais e revistas com seus comentários esclarecedores sobre a sobrevivência da alma. Traduziu várias obras de autores internacionais, entra elas “O Sistema”, de Pietro Ubaldi. Seu livro "Minutos de Sabedoria", cujos direitos foram comprados de uma pequena editora que o publicara, pela maior editora católica do país, a Vozes, é hoje recordista de vendas desta Editora, embora seja um manancial de ensinamentos de moral espírita e reencarnacionista.

Foi também autor de um dos mais profundos e completos estudos exegéticos já feito dos textos evangélicos, de todos os tempos, publicados primeiramente na revista "Sabedoria“ e depois reunidos na magistral "Sabedoria do Evangelho", em oito

Sem qualquer dúvida, Carlos Torres Pastorino é "Sal da Terra".

EURÍPEDES BARSANULFO

Eurípedes BarsanulfoQuem tem a chance de viajar pelo Brasil e visitar instituições espíritas pode se deparar, em muitas delas, com escolas espíritas. São escolas particulares, normalmente vinculadas a um centro ou casa espírita, mas gratuitas, apesar de contar com professores e funcionários profissionais, assalariados.

Essas escolas são o produto do esforço e do sacrifício de alguns valorosos irmãos de ideal, em prol da educação de qualidade universal. Em todas elas predominam instalações simples, sóbrias, desprovidas de qualquer luxo ou excesso, mas o ambiente é sempre de ordem, de paz, de amor e respeito ao próximo, propício à verdadeira educação moral e à formação da cidadania.

Quem dera, um dia, cada centro espírita possa implementar uma iniciativa dessa natureza, prestando todos, em conjunto e solidariamente, um dos serviços mais importantes para a transformação de nossso país na Pátria do Evangelho, no coração do mundo, seu destino, sua vocação.

Precisamos, para que tal aconteça, divulgar mais, conforme devido e merecido, o nome de Eurípedes Barsanulfo, o grande pioneiro da Educação Espírita.

Transcrevemos, abaixo, um pouco de sua biografia, destacando principalmente a fundação do Colégio Allan Kardec, certamente o seu maior legado, sem nenhum demérito a todos os exemplos de bondade e lucidez espiritual que nos deixou como herança...

Eurípedes Barsanulfo, um dos mais respeitados nomes do Espiritismo no Brasil, nasceu em Sacramento (MG). a 1º de maio de 1880. Foi professor, jornalista, político, médium notável e espírita convicto. Deixou como principal legado seus exemplos como verdadeiro homem de bem...

Ainda jovem, destacou-se por ser muito estudioso e compenetrado. Foi, por esse motivo, convidado por seu professor para dar aulas aos próprios colegas. Tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, pela facilidade com que se colocava como líder e comunicador, tendo participado também ativamente da fundação do jornal Gazeta de Sacramento e do Liceu Sacramentano.

Foi através de um tio que Eurípedes tomou conhecimento dos fenômenos espíritas e das obras de Kardec. Acabou por converter-se totalmente ao Espiritismo. Como continuava a lecionar, decidiu incluir aulas sobre a Doutrina na sua disciplina. A reação veio de imediato, repleta de preconceito e intolerância da parte dos pais e de muitas outras pessoas da cidade. Diante de sua insistência em continuar a propagar o Espiritismo, os alunos foram sendo retirados dpo colégio, um a um.

Sob pressão, Eurípedes mudou-se para uma cidade vizinha. Justamente nessa época desabrocharam nele várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária. De volta ao trabalho em Sacramento, começou a atrair centenas de pessoas da região. A todos Eurípedes atendia com paciência e bondade, através dos benfeitores espirituais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho de médium curador, animado do mais vivo idealismo. Em 1905 Eurípedes fundou o Grupo Espírita Esperança e Caridade, apoiado pelos irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver tanto trabalhos no campo doutrinário, como na assistência social.

Em 1º de abril de 1907 fundou o lendário Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco e ficou conhecido em todo o Brasil. Funcionou ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia em que foi obrigado a fechar devido à epidemia de gripe espanhola.

Conta-se que, certa vez, Eurípedes protagonizou uma cena inesquecível diante de seus alunos: caiu em transe em meio à aula e, voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a Primeira Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião em foi assinado o célebre Tratado.

Sua presença fortaleceu de tal forma o movimento espírita que o clero católico, sentindo-se atingido, passou a desenvolver uma campanha difamatória contra ele. A situação chegou a um ponto que, desesperados, mandaram vir de Campinas (SP) o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações, para que houvesse uma discussão em praça pública entre os dois. Eurípedes aceitou, sem perder a confiança e a fé.

No dia marcado, o padre iniciou suas observações diante da plateia de curiosos, insultando o Espiritismo como sendo "a doutrina do demônio”. Eurípedes aguardou serenamente sua vez. Iniciou sua parte com uma prece, pedindo paz e tranquilidade, e, em seguida, defendeu os princípios nos quais acreditava com racionalidade, lógica e calma. Ao terminar, Eurípedes aproximou-se do padre e abraçou-o, com sinceridade e sentimento, surpreendendo a todos. A plateia ficou perplexa e o momento entrou para a história.

Eurípedes seguiu com dedicação até o último instante de sua vida, auxiliando centenas de famílias pobres. É, ainda hoje, e cada vez mais, A GRANDE REFERÊNCIA PARA A FUNDAÇÃO DE EDUCANDÁRIOS ESPÍRITAS, EM TODO O PAÍS. Desencarnou em 1º de novembro de 1918, com apenas 38 anos, rodeado de parentes, amigos e discípulos. Deixou vastos exemplos de persistência, fé e serviço ao próximo, que para sempre irão nos inspirar, pelo que, para nós, foi e será sempre... SAL DA TERRA. (Fonte: Folha Espírita – adaptado)

FRED FIGNER

Fred FignerEm 1918, os navios chegavam ao Porto do Rio de Janeiro com passageiros e tripulantes infeccionados com a Gripe Espanhola. Como estes saltavam livremente na cidade, sem qualquer vigilância, o Rio de Janeiro ficou rapidamente contaminado com essa terrível doença. A todo momento via-se alguém tombar subitamente no meio da rua, vítima da Gripe. Raras eram as famílias cariocas que não tinham pelo menos um de seus membros contaminados por esta terrível epidemia. A situação piorou ainda mais quando os estabelecimentos comerciais, principalmente as farmácias, começaram a fechar. E, além da Gripe, os cariocas passaram a conviver com a fome. A certa altura, um jornal carioca informou que já haviam na cidade cerca de 12 mil casos fatais e cerca de 600 mil infectados com a "simples gripe", conforme dogmatizara a medicina oficial.

Em meio a essa situação desesperadora, um estrangeiro - israelita, nascido na Boêmia em 1866 - levou 14 doentes para dentro de sua própria casa, sem medir as consequências que poderiam causar o convívio com irmãos infeccionados com a Gripe, que tantas vidas já tinha levado. Mas esse caso impressionante não se encerra por aqui, não. Esse irmão acabou ficando adoentado, em consequência da Gripe Espanhola e, como se fosse realmente de ferro, esse admirável seareiro passava dias inteiros na Federação Espírita Brasileira, atendendo a doentes e necessitados, sem se importar com a sua própria saúde.

Tanta bondade e solidariedade fez com que esse irmão, Frederico Figner, viesse a ter uma vida longa e iluminada, desencarnando somente aos 81 anos de idade.

Proprietário da Casa Edison, no Rio de Janeiro, fez fortuna rapidamente, mas não deixou jamais que os bens materiais o impedissem de ver e de amparar os pobres e necessitados que lhe cruzavam o seu caminho. Abraçou a nossa Pátria como se fosse a sua e tornou-se um brasileiro de fato, naturalizando-se e casando-se com uma brasileira.

Sua dedicação ao Espiritismo era tão impressionante quando à sua dedicação aos seus "fregueses", a maneira como ele chamava os necessitados que atendia.

Há um relato de que ele visitou diariamente uma enferma durante dois meses, até que ela se restabelecesse.

Na Federação Espírita Brasileira, por sua vez, Figner despachava de 150 a 200 receitas por dia e distribuía passes.

Foi Tesoureiro e Vice Presidente da Federação Espírita Brasileira, Membro do Conselho Fiscal, Tesoureiro da Comissão Pró Livro Espírita. Além disso, presidia vários grupos na FEB e em sua própria casa e tinha uma coluna espírita no "Correio da Manhã", que valiosa contribuição prestou da divulgação da Doutrina Espírita.

Possuía sólidos conhecimentos doutrinários e era um ardoroso defensor das obras de Kardec e Roustaing.

Foi casado com Dona Esther de Freitas Reys, com quem teve seis filhos. Como desencarnado, adotou o pseudônimo de Irmão Jacó, enviandonos um belíssimo livro, intitulado "Voltei", psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, onde destaca com humildade impressionante a necessidade da reforma íntima, independente daquilo que se diga ou faça exteriormente. (Vide 1ª Epístola de Paulo aos Coríntios, cap. 13, versículos 1 a 8).

Por essas e por tantas, Frederico Fígner é, também, "Sal da Terra".

FREDERICO PEREIRA DA SILVA JR.

Frederico Pereira da Silva Jr.Segundo o Dr. Bezerra de Menezes*, ele era "um médium portador de peregrinas qualidades morais e vastos cabedais psíquicos, que dele faziam, sem contestação possível, um dos mais preciosos e eminentes intérpretes da Revelação Espírita no mundo inteiro, em todos os tempos, ..., transmitindo do Invisível para o mundo objetivo caudais de luzes e bençãos, de bálsamos e ensinamentos para quantos dele se aproximassem sequiosos de conhecimentos e refrigérios para as asperidades da existência.“ [...] “Tão nobre obreiro da Seara Cristã repartia-se em múltiplas modalidades de serviços mediúnicos, dedicado e fraterno até à admiração, porquanto seus dons psíquicos, variados e seguros, obtinham também, do Além-túmulo, as mais lúcidas revelações, relatando para os interessados empolgantes realidades espirituais".(*)

Em sua obra "Grandes Espíritas do Brasil", o querido Zeus Wantuil traz subsídios preciosos para o conhecimento da vida e da obra desse grande médium brasileiro - Frederico Pereira da Silva Júnior, falecido a 30 de agosto de 1914, no Rio de Janeiro, depois de um glorioso mandato mediúnico de 34 anos...

"O primeiro contato dele com o Espiritismo foi em 1878, na "Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade" [...]. Desejava Frederico obter notícias de uma pessoa querida desencarnada [...]. Para surpresa geral, ele próprio cai em transe sonambúlico, influenciado por um Espírito. Data daí a sua iniciação como médium na mencionada Sociedade."

Quando a "Sociedade de Estudos Espíritas" tomou, em 1879, rumo puramente científico, ... dela se desligou junto com um grupo de amigos entre os quais encontravam-se Bittencourt Sampaio e Antônio Luiz Sayão. Juntos, fundaram em 1880 o "Grupo Espírita Fraternidade", que mais tarde seria conhecido como "Grupo Ismael", dada a amorosa orientação do mentor do Espiritismo no Brasil ao grupo cujo trabalho resultaria na fundação da Federação Espírita Brasileira.

"Durante 34 anos Frederico Junior exerceu assiduamente suas funções mediúnicas no Grupo Ismael, tendo recebido, em 11 de junho de 1914, a sua última comunicação do além."

Por seu intermédio contam-se centenas de páginas e obras preciosas. A segunda parte da edição original de "Elucidações Evangélicas", de Antônio Luiz Sayão, que contava com uma centena de preciosas mensagens, foi toda produzida com o concurso da mediunidade de Frederico.

Com a desencarnação de Bittencourt Sampaio, em 1895, obras antológicas da literatura espírita mundial, de todos os tempos, foram recebidas por Frederico diretamente de seu antigo companheiro de trabalhos espirituais e amigo pessoal: "Jesus perante a Cristandade"(1808); "De Jesus para as crianças"(1901) e "Do Calvário ao Apocalipse"(1907)."Em todas elas reconhecia-se o mesmíssimo estilo do autor de "A Divina Epopeia", apesar de serem ditadas pela boca de um homem iletrado..." - conta Zeus.

"Frederico Junior era um bom, querido de todos, sendo muitos os que lhe deviam gratidão por um que outro serviço, e, como funcionário público, estimadíssimo pelos seus colegas.“ [...]

"Com graves responsabilidades no meio espírita, grande era sobre ele o assédio dos aborrecidos da Luz ... Certa vez, os Espíritos das Trevas tentaram até incendiar-lhe a casa. E graças aos seus Guias protetores e ao Espírito de sua primeira esposa, Frederico não sucumbiu ao suicídio."

"A tuberculose pulmonar acompanhou-o nos derradeiros anos de vida. Sem uma queixa e achando justo o seu sofrimento, o prodigioso médium purgava as faltas de encarnações passadas, remindo assim o seu espírito. Pressentindo, afinal, o seu desenlace, reuniu a família e, após pronunciar sentida prece, fechou os os olhos ao mundo..."

Por tantos exemplos de cristandade, por sua mediunidade e seu espírito de serviço, pelo valor imenso de seu sacrifício e das obras que deixou, a nossa homenagem deste mês vai para Frederico Pereira da Silva Júnior - verdadeiro SAL DA TERRA!!!

(*)"A Tragédia de Santa Maria" por Yvone Pereira, 12ª ed. FEB, pág. 224.

GUILLON RIBEIRO

Guillon RibeiroMuito devemos ao incansável trabalho deste seareiro de primeira grandeza, embora não tanto conhecido do grande público. Podemos mesmo dizer que poucos espíritas devem haver que jamais tenham lido um livro dentre os tantos que passaram pelas criteriosas mãos de Luiz Olímpio Guillon Ribeiro.

Porque Guillon Ribeiro traduziu quase todos os livros do Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec: "O Evangelho Segundo O Espiritismo", "O Livro dos Espíritos", "O Livro dos Médiuns", "A Gênese", "O Que É O Espiritismo" e "Obras Póstumas" - só não traduziu "O Céu e o Inferno", que coube o Manuel Quintão.

Os que se dedicam ao estudo de "Os Quatro Evangelhos", de J.B. Roustaing, têm aí também outra tradução de Guillon Ribeiro, inclusive com toda uma estrutura de índices criada por sua própria lavra, para facilitar o acesso ao conteúdo da obra.

A lista de livros traduzidos por Guillon Ribeiro é impressionante! Inclui livros de Pietro Ubaldi, Léon Denis, Ernesto Bozzano, Gabriel Delanne, Arthur Conan Doyle, entre muitos outros.

Nessa vasta lista destacam-se os livros "A Grande Síntese"(de Pietro Ubaldi), "Joanna d'Arc, Médium" e "O Além e a Sobrevivência do Ser" (ambos de Léon Denis) e "A Crise da Morte", "Animismo e Espiritismo", "Xenoglossia" e "Psicologia e Espiritismo (todos os quatro de Ernesto Bozzano). Além de todo esse trabalho, Guillon Ribeiro ainda escreveu seus próprios livros: "Jesus, Nem Deus Nem Homem", "Espiritismo e Política", "A Mulher", "A Federação Espírita Brasileira".

Outros trabalhos seus são as seguintes compilações: "Trabalhos no Grupo Ismael" (3 volumes), "Ensinamentos do Além", e "Advertência do Aquém".

Também foram publicadas diversas matérias suas no "Reformador" e na Imprensa Espírita.

A vida de Guillon Ribeiro é tão impressionante quanto a sua obra em benefício do Espiritismo. Pois, tendo nascido no Estado do Maranhão, a 17 de janeiro de 1875 (três dias depois de o "Jornal do Commércio" anunciar o lançamento da primeira tradução para o português de "O Livro dos Espíritos", por Fortunio, pseudônimo do Dr. Joaquim Carlos Travassos), filho de pais pobres, passando privações, órfão de pai aos 7 anos, acabou por chegar ao Senado Federal, desempenhando naquela Casa um trabalho tão importante, que mereceu inclusive um discurso elogioso de Rui Barbosa. Nessa Casa chegou ao cargo de Diretor Geral da Secretaria do Senado.

Foi Presidente da Federação Espírita Brasileira e Diretor dessa Entidade durante vinte e seis anos consecutivos, tendo exercido quase todos os cargos. Por todo o seu incessante trabalho na divulgação do Espiritismo, Guillon Ribeiro, esse valioso seareiro é o SAL DA TERRA.

Contribuição de João Marcos Weguelin)

GUSTAVE GELLEY

Gustave Geley"Nasceu em Nancy, em França, em 1865. Formado em medicina pela Faculdade de Lyon, clinicou até 1918 em Annecy, onde alcançou grande reputação.

Interessando-se pelos fenômenos paranormais, a respeito deles publicou, em 1897, um "Ensaio de revisão geral e de interpretação sintética do Espiritismo".

Suas melhores investigações, porém, datam de 1916, com a médium Eva Carriére. Mme. Bisson colaborou também nesses trabalhos. Em 1919 assumiu a direção do Instituto Metapsíquico Internacional, onde obteve fenômenos extraordinários com o médium polonês de materializações Franck Kluski. Em 1922 e 1923, promoveu outra série de sessões de ectoplasmia com o médium Jean Guzik, que resultou no histórico MANIFESTO DOS 34, assinado por eminentes homens de ciência, médicos, escritores e peritos de polícia (a rigor, o Manifesto tinha 35 signatários, e não 34, o que se deveu a um erro tipográfico).

De 1921 a 1923 realizou, quer em Varsóvia, quer em Paris, experiências irrefutáveis com o médium polonês Stephan Ossowiecki.

A obra experimental e filosófica de Geley acha-se contida nos seguintes livros, além do "Ensaio" acima citado: "O SER SUBCONSCIENTE", Paris, 1899); "MONISMO IDELISTA E PALINGENESIA", Annecy, 1912; "A CHAMADA FISIOLOGIA SUPRANORMAL E OS FENÔMENOS DE IDEOPLASTIA", Paris, 1918; "DO INCONSCIENTE AO CONSCIENTE", Paris, 1919; "A ECTOPLASMIA E A CLARIVIDÊNCIA", Paris, 1924.

Geley desencarnou num acidente de avião, em 1924, quando regressava a Paris, após haver assistido em Varsóvia a várias sessões com Franck Kluski. Retirado dos destroços, ainda segurava sua valise, na qual se continham fragmentos de moldes em parafina. Terminava a missão de um cientista e filósofo que lutara para convencer o homem de que ele é mais do que parece, de que a morte não existe, de que o Espírito evolui sempre, do insconsciente para o consciente, na direção de Deus."

Por essas, e tantas mais, Gustave Geley é para nós, também, Sal da Terra...

(Extraído de "O Reformador" de novembro de 1971 - artigo de Hermínio C. Miranda)

HERNANI GUIMARÃES ANDRADE

Hernani Guimarães AndradeDesencarnou em 25 de abril de 2003, em Bauru (SP), onde vivia, o pioneiro da Ciência Espírita no Brasil - o Dr. Hernâni Guimarães Andrade.

Fundador do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (1963), Dr. Hernani transformou-se, ao longo de quarenta anos de profícuo trabalho, numa das maiores autoridades do mundo na área de parapsicologia e estudos sobre reencarnação, tendo desenvolvido, ainda, uma farta bibliografia acerca da natureza do Espírito e do Perispírito e também sobre transcomunicação.

Nascido em 31 de maio de 1913, em Araguari (MG) e formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - USP, em 1941, fundou em 1963 o Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, hoje instalado na cidade de Bauru. Um dos destaques de sua obra é a TEORIA DO MODELO ORGANIZADOR BIOLÓGICO, publicada em 1958, acerca da natureza do Espírito e do Perispírito. Construiu uma série de aparelhagens para pesquisar e demonstrar a sobrevivência do espírito. Foi o primeiro a trabalhar pessoalmente em inúmeros casos sugestivos de reencarnação e de Poltergeist, desenvolvendo igualmente artigos e aparelhagens ligadas à transcomunicação, com linguagem e formato na excelência científica. Foi sempre um divulgador das novidades mundiais de pesquisa de ponta, mostrando com simplicidade e serenidade a realidade dos fenômenos psicobiofísicos e incentivou o quanto pode a criação de outros Institutos de Pesquisas no Brasil.

Espírita na plena e melhor acepção da palavra, conhecido por sua simpatia e humildade, Dr. Hernani foi também um pesquisador metódico e rigoroso, tendo obtido reconhecimento no meio científico com o produto de seus trabalhos, nacional e internacionalmente. Entre muitos prêmios, recebeu o Diplôme de MEDAILLE DOR, concedido pelo Conselho Superior da ORDRE DE LÉTOILE CIVIQUE Union des Elites Françaises, fundada em 1929 e consagrada pela Academia Francesa, em reconhecimento pelos trabalhos científicos no campo da Parapsicologia.

Dr. Hernani plantou bases sólidas para o desenvolvimento de uma pesquisa realmente científica acerca da natureza do Espírito e suas manifestações. Expandiu, assim, os próprios limites da Ciência, oferecendolhe novo objeto de estudo e novas metodologias de trabalho. Merecia, por isso, um Prêmio Nobel. Talvez receba um, algum dia, póstumo. De nossa parte, fica aqui registrada a nossa singela homenagem a este pioneiro, que foi, sem dúvida alguma, também um saboroso SAL DA TERRA...

Principais obras do Dr. Hernani:

  1. A Teoria Corpuscular do Espírito (Uma Extensão dos Conceitos Quânticos e Atômicos à Idéia do Espírito), 1a. edição, 1958; Edição do Autor.
  2. Novos Rumos à Experimentação Espirítica, 1a. edição, 1960; Edição do Autor.
  3. Parapsicologia Experimental, 1a. edição, 1967; Editora Pensamento , São Paulo, SP.
  4. A Matéria Psi, 1a. edição, 1972, Casa Editora O Clarim, Matão ¾ SP.
  5. Morte, Renascimento Evolução: (Uma Biologia Transcendental) 1a. edição, 1983; Editora Pensamento, São Paulo, SP.
  6. Muerte, Renacimiento, Evolución: (Una Biología Transcendental) 1a. edição, 1993, Ediciones CIMA, Apartado 3425 ¾ Caracas (1010) ¾ Venezuela (em espanhol).
  7. Espírito, Perispírito e Alma: (Ensaio Sobre o Modelo Organizador Biológico) 1a. edição, 1984, Editora Pensamento, São Paulo, SP.
  8. Psi Quântico (Uma Extensão dos Conceitos Quânticos e Atômicos à Idéia do Espírito) 1a. edição, 1986: Editora Pensamento, São Paulo, SP.
  9. Reencarnação no Brasil (Oito Casos que Sugerem Renascimento) 1a. edição, 1988, Casa Editora O Clarim, Matão, SP.
  10. Ocho Casos de Reencarnación, 1a. edição, 1994 ¾ Editora Rivail, Apto. 18847, Santafé de Bogotá, D.C. - Colômbia (em espanhol).
  11. Poltergeist (Algumas de Suas Ocorrências no Brasil), 1a. edição 1989 ¾ Editora Pensamento, São Paulo, SP.
  12. Transcomunicação Instrumental - TCI (pseudônimo Karl W. Goldstein) ¾ 1a. edição, 1992, Editora Jornalística FE., Coleção Folha Espírita; v.1, São Paulo, SP.
  13. Renasceu por Amor ¾ (Um Caso que Sugere Reencarnação ¾ Kilden & Jonathan) - 1a. e 2a. edição, 1995, 3a. edição 2000, Editora Jornalística FE., (monografia n.7).
  14. A Transcomunicação Através dos Tempos ¾ 1a. edição, 1997, Editora Jornalística FE., Coleção Folha Espírita, São Paulo, SP.
  15. Morte: Uma Luz no Fim do Túnel ¾ 1a. edição, 1999, Editora Jornalística FE, São Paulo, SP.
  16. Psi Quântico (Uma Extensão dos Conceitos Quânticos e Atômicos à Idéia do Espírito) ¾ 1a. reedição, 2001, Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier, Votuporanga, SP
  17. Parapsicologia ¾ Uma Visão Panorâmica 2002, Editora Jornalística FE, São Paulo, SP
  18. Você e a Reencarnação ¾ 1a. edição, 2002, CEAC Editora, Bauru, SP.

IGNÁCIO BITTENCOURT

Ignácio BittencourtA 18 de fevereiro de 1843 partia para a Pátria Espiritual, octogenário, o maior expoente do Espiritismo carioca do século XX: Ignácio Bittencourt. Nascido a 19 de abril de 1862, na Ilha Terceira, Arquipélago de Açores, Freguesia de Sé de Angra do Heroísmo (Portugal), Inácio deixou a sua terra natal e aos treze anos de idade passara a viver no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, onde permaneceu até o fim de sua vida terrena.

Sete anos depois de aportar na capital brasileira, Ignácio conheceu o Espiritismo quando ficou muito enfermo e bastante desesperançado. Foi com um médium chamado Cordeiro, residente na rua da Misericórdia, que ele conseguiu ficar com a sua saúde totalmente restabelecida. Espantado com o acontecido, pelo fato do médium não ser médico, não ter indagado quais eram os seus padecimentos ou ter sequer lhe tocado, Ignácio buscou explicações, para as quais recebeu imediata resposta: "Leia O Evangelho Segundo O Espiritismo e O Livro dos Espíritos. Medite bastante e neles encontrará a resposta para a sua indagação."

Ignácio assim o fez, abraçando o Espiritismo e entrando para a Federação Espírita Brasileira, à época que seu Presidente ainda era o Dr. Bezerra de Menezes. Então brilhou como poucos: seja, como médium receitista e curador, na sua própria residência; seja no alto das tribunas doutrinárias da FEB. Só não se sabe se ele era tão competente como barbeiro, que era o seu ganha-pão. A profissão humilde e o pouco estudo - deixou os bancos escolares aos dez anos - jamais interferiram no seu trabalho doutrinário.

As descrições desse seareiro do bem em ação impressionam. Uma delas foi a que o Reformador publicou em março de 1943, um mês após o seu falecimento: "Era então de causar pasmo, e pasmo geral, ouvi-lo, a ele, que não lograra dispor de ampla cultura intelectual discorrer de maneira fluente, até com eloquência muitas vezes, sobre o ponto em estudo, proferindo discursos ricos de belas imagens e de conceitos profundos, que seriam de impressionar e abalar os ouvintes, mesmo quando enunciados por mentalidades de vasta erudição científicas e filosóficas".

Neste mesmo número do Reformador encontramos outra descrição: "E as curas, por seu intermédio, se multiplicavam, assumindo não poucas o caráter de assombrosas. Inúmeras vezes, considerado perdido o caso, um apelo a Ignácio Bittencourt era o recurso extremo e a volta da saúde ao enfermo se verificava, com espanto dos que ansiavam, porém já descriam do seu restabelecimento, operando-se, em conseqüência e em muitíssimas ocasiões, surpreendentes conversões ao Espiritismo".

Sobre esse assunto - o estudo e a cultura - escreveu o confrade Paulo Alves Godoy, no livro "Grandes Vultos do Espiritismo": "Não foi somente como médium receitista e curador que Ignácio Bittencourt grangeou a notoriedade, a estima e a admiração de todos, mas igualmente como médium apto a receber do Alto inspiração que, durante larga fase do seu mediunato, se manifestou notória e admirável, sempre que ele assomava às tribunas doutrinárias, principalmente à da Federação Espírita Brasileira, a cujas sessões de estudos comparecia com bastante assiduidade. Embora não fosse dotado de cultura acadêmica, escrevia artigos doutrinários de forma surpreendente, e fazia uso da palavra em auditórios espíritas de forma bastante eloqüente. O simples fato de dirigir um jornal de grande penetração como o foi "Aurora", demonstra a fibra e o valor desse seareiro incomparável e incansável." Nesse mesmo livro, Paulo Alves Godoy, aponta outras realizações de Ignácio Bittencourt. Além das já citadas, Inácio fundou, juntamente com Samuel Caldas e Viana de Carvalho, o Centro Cáritas, presidindo-o até a data de sua desencarnação. Teve parte ativa na fundação da União Espírita Suburbana. E, ainda segundo o confrade e autor, "durante alguns anos exerceu também a Vice-Presidência da Federação Espírita Brasileira: presidindo também o Centro Humildade e Fé, onde nasceu a Tribuna Espírita, por ele dirigida durante anos.

Ignácio BittencourtTambém Zêus Wantuil escreveu sobre Ignácio Bittencourt, no livro Grandes Espíritas do Brasil: "Forte na fé, valoroso na humildade, impertérrito na caridade, tal se revelou constantemente este velho companheiro de lides espiritualistas e amigo muito benquisto." E mais adiante: "Apreciando em seu justo valor esse dom e em sua legítima significação, consciente da responsabilidade imensa com que lhe onerava o Espírito, exerceu-o o saudoso lidador como verdadeiro sacerdócio, disposto a todos os sacrifícios que lhe adviessem da necessidade de dar cumprimento ao dever, que a sua consciência cristã lhe impunha, ante o lema da doutrina a que servia com inteiro devotamento e abnegação: "Sem Caridade, não há salvação"." Para a Revista Internacional do Espiritismo, de 15 de março de 1943, Ignácio Bittencourt era "um dos mais devotados trabalhadores da seara cristã, cujos exemplos de caridade, perseverança, tenacidade e humildade constituem uma bússola para todos quantos porfiam por entrar no reino de Deus, em demanda dos seus gloriosos destinos". (...) "Ao correr a notícia do seu passamento, começou a romaria à residência desse Apóstolo do Espiritismo. Ricos e pobres, pretos e brancos, altas personalidades, intelectuais e os espíritas em geral, foram, pela derradeira vez, contemplar o corpo daquele justo, numa demonstração de solidariedade à família desolada, num culto de estima, amor e consideração. Cremos que nenhum espírita, como nós, desconhece a atuação de Ignacio Bittencourt na Doutrina. O seu trabalho se desenvolveu sem tréguas e, animado por aquela fé característica dos grandes missionários do Bem e da Verdade, ele traçou e cumpriu à risca um programa que constituiu o principal objeto de suas nobres e cristãs aspirações: pregar a doutrina evangelicamente não só por palavras como principalmente por obras."

Mais outro trecho interessante, ainda na mesma Revista: "Estudando, pregando e praticando a Doutrina, Ignacio Bittencourt, em pouco tempo, tornou-se um dos oradores mais apreciados, dedicando-se, com especialidade, à pregação do Evangelho, não só na Capital Federal, como no interior do País. Era médium inspirado e receitista. Como médium receitista, conquistou tal popularidade em todo o País pelas curas operadas, que atendia, diariamente, em seu modesto consultório, à Rua Voluntário da Pátria 20, entre 500 e 600 pessoas". Acrescenta ainda a matéria: "Ao tempo em que Leopoldo Cirne, outro Apóstolo do Espiritismo, era presidente da Federação Espírita Brasileira, Ignacio Bittencourt exercia, nessa entidade, o cargo de vicepresidente e estava sempre em contato com os luminares do Espiritismo dessa época, Bezerra de Menezes, Sayão, Bittencourt Sampaio, etc. Dando cumprimento ao seu programa de ação no campo da Doutrina, Ignacio Bittencourt fundou em 1919, o Abrigo Teresa de Jesus, destinado a abrigar a infância desválida. Como presidente perpétuo dessa instituição, dirigiu-a até os seus últimos momentos de vida terrena. Fundou, há trinta anos, o "Aurora", que é um dos baluartes da imprensa espírita, com ampla circulação por todo o país." E, ao final da longa matéria, diz que Ignácio Bittencourt foi "amigo dos humildes, amparo dos necessitados, médico da alma e do corpo e paladino das verdades crísticas".

E não eram só os órgãos ou os livros espíritas que enalteciam a personalidade desse grande benfeitor. O Correio da Manhã , de 19 de fevereiro de 1943 escreveu, por ocasião de seu falecimento: "Os que professam a doutrina de Kardec diziam haver na sua personalidade um médium de extraordinários dons. Era curador. Fazia diagnósticos como se fosse médico e dava receitas, em geral pelo sistema de Hahnemann, com o que foi ganhando fama, através das curas que ia realizando. Mas o mais curioso, o que atraia para Ignácio Bittencourt as simpatias gerais, era a sua caridade, o seu devotamento ao próximo. Em cima de sua barbearia, ficava a residência do dono. Os doentes subiam uma pequena escada e entravam para a sala de visitas - muito modesta, bem pobre, de móveis baratos e comuns. O espírita chegava e apenas indagava o nome, a idade e a profissão do candidato a consulta. Às vezes, nem isso. Ignácio Bittencourt sentava-se a uma mesa, concentrava-se e escrevia a lápis uma receita. Dentro de poucos minutos, dava consultas a cinco, dez, vinte pessoas. Todo o dia se passava assim. À noite, havia o mesmo movimento. Nunca aceitou remuneração em dinheiro, ao menos para si."

Detalhe da fachada do Abrigo Teresa de JesusDescoberta inédita é uma matéria do imortal e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, Austregesilo de Athayde, estampada com destaque na primeira página do "Diário da Noite", de 19 de fevereiro de 1943, e que comunicava a morte do nosso benfeitor. O título da matéria era: "A Morte do Apóstolo". Eis o texto na íntegra: "Seja qual for o ponto de vista religioso em que nos coloquemos, a figura de Ignácio Bittencourt, ontem, sepultado, adquire inconfundíveis relevos de apóstolo cristão. Era o patriarca do Espiritismo, seu propagandista incansável e devotado sacerdote. Pregava pelo jornal, pela palavra nas reuniões do culto, pelo exemplo de uma vida sem mácula de interesse, no cumprimento estrito dos deveres vocacionais. Foi um santo. Milhares de pessoas levaram-no à beira do túmulo, testemunhando-lhe o agradecimento da pobreza. Para ele o que principalmente ligava o homem a Deus era o espírito de Caridade. O Cristo era o amor do próximo. Não havia sacrifício que não fizesse para servir os seus irmãos, nas tristes condições da humildade. Não sei se curava. Não sei se como médium conversava com os espíritos. Sei, no entanto, que foi um grande consolador de sofrimentos e nunca ninguém se aproximou dele que não saísse aliviado das suas penas morais. Assim cumpriu a missão sagrada do pastor e Deus, na sua misericórdia, tê-lo-á recebido com as dignidades reservadas aos seus justos." O jornal "A Noite", que deu a notícia do falecimento de Ignácio Bittencourt em primeira mão (no próprio dia 18 de fevereiro) escreveu: "Modesto como sempre foi, não vendo a felicidade nos bens terrenos, como soi acontecer entre os viventes em geral, Ignácio Bittencourt era homem que tinha as vistas voltadas para o alto. Compreendia em toda a sua extensão a vaidade humana e daí o seu último pedido, o seu último desejo - um enterro de última classe. Não obstante, inúmeras coroas enchem o pequeno jardim da residência da família do saudoso extinto."

Assim o "Jornal do Commercio" escreveu sobre o grande benfeitor: "No sobejamente conhecido na nossa Capital, o morto de ontem, tornou-se um elemento de projeção pelo seu espírito de bondade e desprendimento pelos laços materiais, só se importando com os benefícios que podia prestar aos que dele se acercavam, sem distinção, de classes, fortuna ou posições sociais. Foi um homem que viveu acolhendo os pobres, servindo aos ricos, mitigando dores, levando esperanças aos enfermos e confortando muitos outros às portas da morte."

Nessa enorme matéria do "Jornal do Commercio" há outro trecho que merece destaque. Depois de afirmar que Ignácio Bittencourt atendera aos doentes até o final de sua vida, o jornal escreve: "Há cinco anos sofreu um derrame cerebral, ficando parcialmente paralítico e cego de um dos olhos. Com os seus próprios recursos venceu a grave crise. Há dois anos, entretanto, seu estado de saúde sofreu uma grande queda, e ele conseguiu manter-se entre alternativas de melhoras e pioras até a manhã de ontem quando foi fulminado por um colapso cardíaco."

Também o Jornal do Brasil se manifestou da mesma maneira em relação ao nosso benfeitor, considerando-o "uma das individualidades mais populares em todos os círculos sociais, que lhe admiravam o ardente espírito de caridade, o devotamento de todos quantos o procuravam e nele encontravam uma palavra de conforto moral, um gesto de alívio ao sofrimento".

Outro jornal que registrou o falecimento de Ignácio Bittencourt foi o Diário de Notícias, que num trecho escreveu: "Foi fundador da Federação Espírita Brasileira, do Abrigo Teresa de Jesus, da Legião do Bem, instituições de assistência aos necessitados. Fundou, também, há cerca de 30 anos, o jornal "Aurora", que ainda circula como órgão da doutrina de Allan Kardec. O Sr. Ignácio Bittencourt, que faleceu aos 80 anos, era português de nascimento e brasileiro naturalizado, tendo chegado ao Brasil com a idade de 12 anos". A primeira informação do trecho acima não é verdade: Ignácio Bittencourt não fundou a Federação Espírita Brasileira. O Reformador de março de 1943 tratou de corrigir esse equívoco do diário carioca. E mais O Jornal escreveu sobre Ignácio Bittencourt, dizendo que o nosso benfeitor era um "nome largamente conhecido através da atuação que, durante muitos anos exerceu nos domínios da teoria espírita". "Português de nascimento, veio para o Brasil havia mais de 60 anos, dedicando-se a princípio ao comércio, para depois, conhecedor profundo da doutrina que abraçara, se tornar um verdadeiro batalhador da causa. Dotado das qualidades de "médium" receitista, grangeou, com isso, um vasto círculo de relações e de simpatias, por um grande número de curas apregoadas como devidas àquele se estranho poder".

Detalhe do Túmulo de Ignácio BittencourtNo livro "Seareiros da Primeira Hora", de Ramiro Gama encontramos muitas informações valiosas sobre Ignácio Bittencourt: "Foi um verdadeiro Apóstolo da Caridade. Médium receitista, inspirado, vidente, clarividente, possibilitou milhares de curas. Foi chamado várias vezes a processo criminal por realizar a medicina ilegal, mas graças à proteção do Alto, foi sempre absolvido, possibilitando que fosse criado, com seus casos, uma jurisprudência favorável ao Espiritismo consolador e curador de corpos e almas. Desencarnou, bastante idoso, e sempre trabalhando pelos pobres e doentes, famintos da luz e do amor, em 18 de fevereiro de 1943. Foi um dos fundadores do Abrigo Tereza de Jesus e fundador, organizador e estimulador de vários Centros Espíritas na Guanabara. Orador inspirado e conhecedor profundo do Espiritismo fez milhares de maravilhosas conferências aqui e pelo Brasil afora. Fundou o ótimo jornal Aurora, que realizou um serviço inestimável no jornalismo espírita."

No precioso trabalho do Dr. José Carlos Moreira Guimarães, publicado em outro livro de Ramiro Gama, "Os Mortos Estão de Pé", novos dados são apresentados, o mais importante dizendo respeito ao escritor e imortal Coelho Neto, também um estudioso da vida de Ignácio Bittencourt. É apresentado texto do artigo "O Bom Samaritano" em que Coelho Neto defende o nosso benfeitor das acusações de exercício ilegal da medicina. Num determinado trecho, escreve o imortal: "E esse homem, que se chama Ignácio Bittencourt - nome constantemente invocado por milhares de sofredores - é intimado a comparecer perante o Tribunal para responder por crimes que, se fossem citados no Código Penal, seriam esplendores, como são as estrelas dentro da noite. E são eles: sarar enfermos, valendo-lhes com a medicina, com a dieta e com o desvelo; mitigar desesperos; reconciliar desavindos, restaurando lares destruídos; promover os meios de legitimar ligações; reconhecer transviados; amparar crianças órfãs; agasalhar anciãos; pregar o amor ao próximo, o respeito e prestígio à Lei, e levantar as corações combalidos com a força suprema da Fé. (...)"

Ignácio Bittencourt e Dona Rosa tiveram 14 filhos, dos quais cinco já haviam falecido. Naquele ano, a 23 de abril, completariam o sexagésimo aniversário de casamento. Entre os filhos, Ignácio Bittencourt Filho foi jornalista e Ismael Bittencourt diretor do Café Globo. O casal morava na Rua Rodrigo de Brito, 24, Botafogo. Hoje não existe mais a sua casa - o local é apenas um estacionamento, mantendo ainda o número 24 na entrada. Já no local onde era o Centro Cáritas, na Rua Voluntário da Pátria, 20, Botafogo, hoje funciona a Homeopatia Nóbrega, com móveis em madeira e vidros antigos - na parede está escrito "Pharmacia". Na sobreloja, onde era localizado o Centro hoje existem escritórios de médicos homeopatas.

Que possamos sempre nos inspirar nos exemplos de Ignácio Bittencourt, verdadeiro SAL DA TERRA!

INDALÍCIO MENDES

Indalício MendesEm Leopoldina, Minas Gerais, em 23 de maio de 1901, nascia Indalício Hildegárdio Mendes. Filho de Maria Lídia da Rocha Mendes e Cristóvão José Mendes, teve como irmãos Otília, Iremarco e Dulcina. Gêmeo de sete meses, foi criado nos primeiros dias de vida em uma caixa de sapatos, envolto por algodão, para que sobrevivesse. Seu irmão não teve a mesma sorte. Com aparência franzina, muito claro, de olhos muito azuis, sua saúde sempre inspirava cuidados, que eram tratados com desvelo, primeiro por sua mãe, depois por sua dedicada esposa.

Com um mês de vida, Indalício veio com sua família para o Rio de Janeiro. Foram morar no bairro de São Cristóvão.

Autodidata, cursou até o ginasial, quando começou a trabalhar para ajudar a família, empregando-se na firma White Martins, onde criou o logotipo "estrela verde", usado até hoje. Fez carreira, chegando à posição de Diretor da Seção de Propaganda, e de lá saiu apenas para se aposentar. Desde pequeno apresentava gosto pela leitura, que o acompanhou por toda a vida, resultando disso uma invejável ilustração e aprofundada cultura, abrangendo os mais variados ramos e temas do conhecimento humano. Versado em linguas estrangeiras, lia com facilidade obras em inglês, francês, italiano e espanhol.

Em sua biblioteca de centenas de livros, deixou nas margens dos mesmos preciosos comentários e observações, que enriquecem os textos. Indalício conheceu Nadir, sua esposa, no Rio de Janeiro. Foi em 1925, no dia 24 de dezembro, na igreja de São Salvador, em Campos, que receberam a benção nupcial. Desta união nasceram Myrian Neide e Spencer Luiz, que lhes deram sete netos e quatro bisnetos.

Capa do volume Rumos Doutrinários, de Indalício MendesFoi depois de uma pneumonia, na década de 40, que começou sua busca espiritual. Luís Fernandes da Silva Quadros, tio de sua esposa e membro da Federação Espírita Brasileira, convidou-o a conhecer a doutrina e a Casa de Ismael, despertando-o para o caminho novo que surgia. Indalício passara anteriormente pelas ideias materialistas, marxistas e simpáticas a Herbert Spencer, de que teve a inspiração para dar o nome a seu filho.

Na Casa Máter, dedicou-se principalmente ao estudo das obras da Codificação de Allan Kardec, e "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing. Em 1943, foi empossado como Secretário de "O Reformador", revista oficial da FEB. Foi com o Artigo de fundo "Libertação pelo Evangelho", publicado em março de 1944, que Indalício iniciou sua colaboração em "O Reformador". Mais de seiscentos artigos se sucederam ao longo de 32 anos(*).

Deu também sua colaboração durante quatro anos na Comissão de Assistência da FEB, sendo ali companheiro de trabalho de Luís Quadros. Em 1953 entrou para o Conselho Federativo Nacional, como representante da Federação Espírita Paraibana e em 1956 foi eleito membro efetivo do Conselho Superior da FEB.

Indalício Mendes foi autor do "árduo" estudo comparativo das obras literárias de Humberto de Campos - Homem - e Humberto de Campos - Espírito, conforme consta em "Duas Palavras", do livro "A Psicografia ante os Tribunais". Este trabalho reuniu toda a documentação necessária à defesa de Chico Xavier e da FEB, entregue a Miguel Timponi.

Em 1975 foi eleito Vice-Presidente da FEB mas, daí por diante, suas forças começaram a declinar e sua presença era solicitada ao lado de sua dedicada esposa. Deixou o Conselho Federativo Nacional, o qual servira por 23 anos. Foi desativando aos poucos, deixando a vice-presidência em 1978. Mas, até a sua desencarnação, permaneceu como redator de "O Reformador" e Assessor da Presidência.

De sua personalidade, lembramos a alegria. Tinha o humor incrível que caracteriza os homens de gênio. Gostava de ouvir música. Nas reuniões familiares, dançava e até sapateava, sempre sob o sorriso amigo da esposa Nadir, que o acompanhava, formando um casal exemplar.

Esportivo, na mocidade chegou a lutar box. Tinha o pescoço um pouco inclinado, dizia ele, por ter recebido um golpe desastrado. Admirava o futebol, e sobre esse assunto assinou durante muitos anos uma coluna intitulada "Pra ler no bonde", no "Diário de Notícias", utilizando o pseudônimo de "José Brígido". Foi membro da diretoria do Fluminense Futebol Clube, no cargo de 2º Secretário.

Voz fraca, quase inaudível, foi pela escrita que fez a divulgação de seu conhecimento. De sua pena saíram contos, alguns de inspiração oriental; versos; tinha sempre palavras escritas para lembrar alguma ocasião como aniversários, casamentos, etc... e gostava de presentear com livros que levavam sempre dedicatórias gentis e doutrinárias. Usou vários pseudônimos: "José Brígido", já citado; "Túlio Tupinambá", "Vinélius Di Marco", "Boanerges da Rocha", "Tasso Porciúncula", "I. Salústio", "Percival Antunes", "Tibúrcio Barreto", "Jesuíno Macedo Jr.", "A. Pereira", "Tobias Mirco", "Gonçalo Francoso", "Damasceno", "X.Z"e outros.

Trabalhou em vários jornais, dentre eles "A Gazeta de São Paulo", "A Tribuna da Imprensa", "O Rio Esportivo" e "O Diário de Notícias", do qual foi um dos fundadores ao lado do jornalista Orlando Dantas, em 1930. Tornou-se jornalista profissional, tendo ocupado na ABI, Associação Brasileira de Imprensa, o cargo de Diretor do Setor de Relações Sociais e Humanas, do Departamento de Assistência Social.

Somado a tantas atividades, exerceu o cargo de Assistente de Plenário do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Por volta de 1963, pouco depois de sua fundação, ingressou na "Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes". Fundou em 1965, junto com o seu Orientador Geral, Azamor Serrão, o seu órgão de divulgação doutrinária, "O Cristão Espírita", de distribuição gratuita, dirigindo-o até a sua desencarnação. Indalício Mendes foi também membro do Conselho Deliberativo da Casa desde a criação deste último, a 18 de novembro de 1967, exercendo essa função até o seu regresso à Pátria Espiritual.

Nos últimos anos de sua vida "O Cristão Espírita" já lhe custava extremado esforço. As forças diminuíam dia a dia, e não encontrava quem o pudesse substituir. Escrevia à mão, pois não conseguia mais usar a máquina de escrever. Muitas vezes pensava até em desistir, mas o estímulo de amigos levou-o a continuar.

Assinatura de Indalício MendesSeu último e precioso trabalho foi sobre "O Corpo Fluídico de Jesus", que não chegou a ser publicado. Sua vivência no Espiritismo foi cercada de inúmeros obstáculos. Acordava às quatro horas da madrugada para poder estudar e escrever, inclusive "O Cristão Espírita".

Em 1974 o casal comemorou 50 anos de casados, "Bodas de Ouro". Em 25 de agosto de 1984 desencarnou sua esposa Nadir. Ficou um grande vazio na vida de Indalício.

A 13 de maio de 1988, Indalício partiu para a espiritualidade. Frágil como uma luz de vela prestes a apagar, na Casa de Saúde Santa Lúcia, em Botafogo. Justo no dia 13 de maio, dia da libertação dos escravos, Indalício libertou-se do jugo carnal. A vibração na capela do São João Baptista, onde seus restos mortais repousavam, era amena, tranquila. Sentia-se a presença de seu espírito.

Indalício Mendes deixou um rastro de luminosidade na Terra, pela intensidade e dignidade da vida que viveu. Por isso, nós o chamamos, também, "Sal da Terra"...

(*) O blog "Aron, um Espírita" prestou relevante serviço à família e à causa espíritas publicando, na Internet, muitos dos artigos de Indalício Mendes no Reformador, sob alguns desses variados pseudônimos. Registramos aqui a nossa gratidão pela iniciativa, e convidamos a todos para conhecer e apreciar essa saborosa Coleção Indalício Mendes.

JOSÉ LUIZ DE MAGALHÃES

(Rio de Janeiro, 06.05.1871 a 22.11.1948)

José Luiz de MagalhãesPai do inesquecível conselheiro, secretário-geral de nossa Casa Ivo Magalhães, foi escolhido como Patrono de nosso Departamento de Estudo e Divulgação Doutrinária.

Durante a vida física teve o despertamento para o Espiritismo provocado pela doença de um de seus sete filhos - a menina Lídia, que aos cinco aninhos ficou gravemente enferma e foi desenganada pelos médicos. Procurou, a conselho de amigos, o famoso médium Ignácio Bittencourt, que confirmou o diagnóstico dos médicos e, para consolá-lo, deu-lhe um exemplar do "Evangelho Segundo o Espiritismo".

Com a leitura dessa obra, tornou-se ávido estudioso da Codificação e logo Espírita convicto, trabalhando infatigavelmente na seara. Ao freqüentar a Federação Espírita Brasileira, sob a presidência de Leopoldo Cirne, chegou a ser eleito para a diretoria em 1912, até assumir a direção da Assistência aos Necessitados, a qual dedicou-se de corpo e alma.

Participou da fundação do Abrigo Tereza de Jesus, na rua Ibituruna (Rio de Janeiro), tendo como companheiro Ignácio Bittencourt e Ernestina Ferreira dos Santos. Poeta nato, escreveu inúmeras poesias espíritas, todas publicadas em "O Reformador", merecendo de Indalício Mendes (também conselheiro de nossa Casa) - na publicação de setembro de 1966 daquele periódico - o seguinte perfil biográfico:

"Espírita inato, sempre se manteve humilde nas atitudes e precavido nas manifestações verbais. Sabia ouvir com serenidade todas as opiniões, principalmente as que eram contrárias ao seu ponto de vista (...). Alma sensível, tinha de ser poeta, tinha de ser poeta, e o foi no melhor sentido do vocábulo (...). Era José Luiz de Magalhães espírita nos menores atos, nas mais simples e despreocupadas atitudes, demonstrando a evangelização de sua alma terna e boa."

O relato de Indalício nos deixa a plena certeza de ser José Luiz de Magalhães, entre nós, Espíritas, "Sal da Terra"... Nós o homenageamos, de maneira singela, reproduzindo abaixo o poema que cunhou quando da inauguração do edifício-sede da Federação Espírita Brasileira, a 10 de dezembro de 1911.

VOZES DE FESTA

I

Deus, Cristo e Caridade! Horas secretas
Da gênese insondável do infinito,
Cataclismo de mundos de granito, Nebulosas de sóis - errantes setas;

Almas da noite lúgubre inquietas,
Almas cruzando pelo azul bendito,
Às cismas do filósofo precito,
Aos encantados sonhos dos poetas;

"Sarças de fogo da solidão divina,
Caniço do deserto posto ao vento,
Parábolas de luz da Palestina;

Água lustral dos mártires da terra,
óleo santo de vida e pensamento:
Deus, Cristo e Caridade - tudo encerra.

II

Desta casa - hospital, templo e oficina,
Prá rôtos e famintos saciar,
E a multidão qu'evoca peregina
Dos sedentos da luz desalterar;

Na fachada, bem alto a s'ostentar,
Da casa (que o trabalho, lei divina,
Propiciatório a todos vem lembrar):
Fé e amor e humildade o lema ensina.

Basta! E agora este voto dirijamos
Aqueles cujos nomes veneramos:
Que tu, bom guia - ó Ismael! assim

Em novas forças nosso empenho mudes,
A Deus rogando na amplidão sem fim
Do estelífero sólio das virtudes.

José Luiz de Magalhães.

JULIETA MARCONDES VERÍSSIMO DE MELO

(02.02.1914 a 09.05.1997)

FloresDe esmerada educação, postura elegante, cultura elevada, chegou à Casa de Recuperação em meados de 1969. Discreta e silenciosamente, altiva e ao mesmo tempo simples e de fala mansa, logo a todos cativou.

Seu privilegiado intelecto não teve dificuldade em assimilar os princípios da fé raciocinada, base dos postulados espíritas, que logo a colocaram em intensa atividade em nossa Casa. Sua mediunidade ficou limitada ao passe, mas os sentimentos cristãos potencializados pela concepção espírita, fizeram-na participar de vários setores e atendimentos, tais como a higiene mental preparatória das sessões, tendo na sua voz, macia e lúcida, uma marca registrada por muitos anos.

O estudo de Roustaing, feito às segunda feiras, recebeu sua colaboração por muitos anos, bem como o estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, das terças ou quintas feiras à tarde, ambos inteligentemente comentados com ilustrativa sensibilidade. A tarefa do aconselhamento, como também de passes especiais, foram por ela pacientemente coordenados por anos a fio com minuciosa atenção pelos que sofrem.

Mas o ponto alto do seu carinho e espírito fraterno realizou-se na organização das bolsas de especiarias de Natal, distribuídas às trezentas famílias assistidas pelo Departamento Ali Omar por ocasião das festas natalinas.

Por quase duas décadas, estas famílias humildes conheceram também a alegria de se reunirem no lar, tendo à mesa as iguarias somente encontradas em lares mais abastados. Nozes, castanhas, avelãs e muitas outras guloseimas bem adornadas levavam a mensagem de solidariedade carinhosa, capitaneada por Julieta em nome da equipe de médiuns da Casa, dizendo aos menos afortunados: "somos todos iguais diante de nosso Pai, portanto na noite em que nossos lares devem se alegrar na festividade natalina, que sejam idênticos nossos prazeres à mesa em que nos confraternizamos pela presença do Cristo entre nós."

Seu espírito deixou o corpo alquebrado pelos 83 anos, suportando resignada e valentemente nos últimos anos assédio constante de doenças que minaram pouco a pouco sua resistência. Mas, em instante algum deixou-se abater em sua fé e na firme disposição de ser útil; sempre que conseguia reunir forças, fazia-se presente às reuniões, privilegiando-nos com a firmeza e doçura da sua higiene mental.

Tudo em Julieta era organização, definição, confiança no que fazia, sempre em respeito a si mesma e ao sentimento alheio. Na passagem para o outro lado da vida, deixou tudo programado, o que queria e não queria em seu enterro, até mesmo a mensagem antecedendo a prece, foi por ela determinada sabiamente: "A quem me ama", de G. Perico, S.J.. Assim se despediu:

A Quem me ama

"Se você me ama, não chore; se você conhecesse o mistério insondável do céu onde agora me encontro, se você pudesse ver e sentir o que eu sinto e vejo nestes horizontes sem fim e nesta luz que tudo alcança e penetra, você jamais choraria por mim. "Estou agora absorvido pelo encanto de Deus, pelas suas expressões de infinita beleza: em confronto com esta nova vida as coisas do passado são pequenas e insignificantes.

"Conservo ainda todo o meu afeto por você, uma ternura que jamais lhe pude revelar: amamo-nos ternamente em vida, mas tudo era então muito passageiro e limitado.

"Vivo na serena e alegre expectativa da sua chegada entre nós e sempre que se lembrar de mim pense assim - "com muita alegria"...

"Ao sentir-se envolvido em suas lutas, pense nesta maravilhosa moradia onde não existe a morte e onde juntos viveremos no encantamento mais puro e mais intenso junto a uma fonte inesgotável de amor e de alegria.

"Se você verdadeiramente me ama, não chore por mim."

Conosco, fica a certeza de que Julieta Veríssimo de Mello foi entre nós ... Sal da Terra!

LEDA BORGES DO AMARAL

(13/02/1922 - 26/10/1985)

Foto de Leda Borges do AmaralNo mês de outubro lembramos sempre um dos maiores símbolos de espiritualidade e caridade cristã de nossa Casa, de todos os tempos. Sua figura, especial e admirável, deixou para todos os que com ela conviveram o exemplo de permanente dedicação aos que sofrem.

Ledinha - como carinhosamente a chamamos - vivenciou nos mínimos detalhes a máxima de Ali-Omar, mentor do Departamento de Assistência aos Necessitados, por ela dirigido durante tantos anos: "alivia as chagas dos que padecem e terás o esquecimento da própria dor."

A dor de Ledinha começou cedo. Era jovem, bonita e bem formada, de pais espíritas, quando terrível doença a assaltou: lepra. Só ficou curada após ter o rosto deformado, assim com as mãos e os pés, dificultando sua movimentação. Os ouvidos, afetados, permitiam apenas audição bem reduzida; extinguira-se também a luz em seus olhos, resultando em irremediável cegueira em pleno alvorecer de seus 17 anos. Não saiu mais de casa. Porém, a concepção cristã-espírita logo a ergueu do vale da sombra e da dor com um remédio todo especial, chamado - caridade!

Sua voz - tão fraca, tão prejudicada - passou a fazer permanentes apelos telefônicos para alívio do sofrimento dos infelizes que a ela recorriam. Arranjava também alimentos, internações, socorro assistencial, cadeiras de rodas, muletas, empregos, bolsas de estudos, tudo em benefício dos outros. Logo percebeu que seu "prestígio" provinha da forte impressão que seu sofrimento despertava na sensibilidade alheia...

Foi nesse afã de caridade plena que veio a conhecer Azamôr Serrão, o "Ceguinho", fundador de nossa Casa. Grande afinidade surgiu entre os dois campeões da caridade, e logo Azamôr a convenceu a sair de casa e vir para a linha de frente, assumindo a direção do então nascente Departamento de Assistência aos Necessitados da Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes, que recebeu o nome de Ali-Omar.

Além da distribuição mensal de alimentos aos mais carentes, aulas de moral cristã e higiene passaram a ser administradas a centenas de famílias pobres. Logo o setor cresceu, graças à grande facilidade de Ledinha em ter seus pedidos atendidos. Diante daquela figura alquebrada pela doença, mas dinâmica e determinada no amor ao próximo, não havia quem resistisse ao seu convite para participar na caridade pura.

Exemplo a ser seguido por todos, resta a certeza de saber que Ledinha foi - de fato - "Sal da Terra".

MEIMEI

Retrato de MeimeiA abnegada trabalhadora da Espiritualidade Maior MEIMEI é a aniversariante do mês de outubro. Seu verdadeiro nome era Irma Castro, nascida a 22 de outubro de 1922, em Mateus Leme, Minas Gerais. Viveu ainda em Itaúna e Belo Horizonte, no mesmo Estado.

Extremamente bela e de uma inteligência invulgar, Irma era sempre a primeira aluna da turma. Tinha grande facilidade para os estudos e era ávida por novos conhecimentos. Quando cursava o Segundo Ano Normal, a enfermidade que acabaria por tirar a sua vida terrena - nefrite - se manifestou pela primeira vez, fazendo com que, até o final de sua curta vida terrena, tivesse seu estado de saúde oscilando entre momentos de saúde e de enfermidade.

Era uma mulher extremamente caridosa, sempre disposta a levar uma esmola ou uma palavra de conforto aos mais necessitados. Casou-se aos 22 anos, com Arnaldo Rocha, e seu matrimônio durou apenas dois anos, porque, então, adoeceu definitivamente. Desencarnou em primeiro de outubro de 1946, depois de três meses acamada, vítima de nefrite crônica.

Meio que contrariado, Arnaldo Rocha, que não acreditava em Deus, foi chamado pelo irmão, Geraldo Benício Rocha, naquele mesmo mês, para ir à sua casa. Avesso às manifestações espíritas, chegou lá e encontrou o ambiente pronto para uma reunião. Saiu de lá com informações de Irma e transtornado com a mensagem de uma médium sexagenária, que falava muito mau o português, mas cuja voz não deixou qualquer dúvida de que se tratava de Irma.

Já em novembro, numa reunião em que Arnaldo estava presente, o médium Francisco Cândido Xavier, através de uma psicofonia sonambúlica, transmitiu uma mensagem de Meimei. Desde então, vários livros foram ditados ao médium por Meimei, entre eles: "Pai Nosso", "Amizade", "Palavras do Coração", "Cartilha do Bem", "Evangelho em Casa", "Deus Aguarda" e "Mãe". Na Espiritualidade Maior, Meimei é Blandina (seu nome teria sido mudado por André Luiz).

O livro "Entre A Terra e o Céu", de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, mostra, nos capítulos nove e dez, o seu abnegado trabalho no Lar da Bênção.

A palavra "Meimei" foi escolhida pelo seu esposo, quanto juntos assistiram a um filme. Trata-se de uma expressão chinesa que significa "amor puro".

Por toda a sua caridade, pela sua bondade, abnegação e reto proceder, pelas suas preciosas mensagens e ensinamentos e pelo belíssimo trabalho que desenvolve na Espiritualidade Maior, Meimei é o perfeito exemplo de SAL DA TERRA.

MIGUEL COUTO

Rio de Janeiro, 01/05/1864 -Rio de Janeiro, 06/06/1934)

Miguel CoutoMiguel Couto nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 1º de maio de 1864. Era filho de Francisco de Oliveira Couto e de Maria Rosa do Espírito Santo. Faleceu no Rio de Janeiro, a 6 de junho de 1934.

Frequentou o Colégio Briggs ingressando, a seguir, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, da qual se tornaria lente, por concurso, no ano de 1898. Na cadeira de Clínica Médica substituíra Francisco de Castro, notável expressão da cultura médica no início do século atual.

O professor Miguel Couto era poliglota e profundo conhecedor da língua portuguesa. Participou de vários congressos de Medicina nos quais se destacou pela sua competência profissional, sendo considerado um dos mais notáveis clínicos de sua época.

Apóstolo da educação nacional combateu, também, a imigração japonesa, que considerava poder vir a constituir sério perigo para o Brasil, em oposição ao pensamento do seu colega de Medicina, o professor Bruno Lobo.

Em 1916 entrou para a Academia Brasileira de Letras e em 1933 foi Deputado Constituinte, tendo conseguido a aprovação do projeto que destinava 10% das rendas federais para a instrução pública. Miguel Couto teria publicado 14 livros entre 1901 e

Ainda antes da Revolução de outubro de 1930, proferira Miguel Couto, na Associação Brasileira de Educação, o mais conceituado clínico do Rio de Janeiro, proferira na Associação Brasileira de Educação, a 2 de julho de 1927, uma conferência em que apresentava um projeto sobre educação, largamente distribuído em todas as escolas normais e institutos profissionais da então Capital Federal. Era sugerida, nesse documento, a criação do Ministério da Educação, com "dois departamentos: o do ensino e o da higiene".

A 14 de novembro de 1930, um decreto do Chefe do Governo Provisório da República criava "uma Secretaria de Estado, com a denominação de Ministério da Educação e Saúde Pública, sem aumento de despesa". Praticamente, o apelo de Miguel Couto na Associação Brasileira de Educação começara a dar os seus frutos.

O famoso "Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova", lançado em 1932, reproduziu o que já pregara Miguel Couto cinco anos antes: "Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobleva em importância e gravidade o da educação".

Eleito deputado federal na Constituinte que elaboraria a Constituição de 16 de julho de 1933, continuou o eminente clínico a defender suas ideias sobre educação e problemas da imigração japonesa.

Presidiu Miguel Couto a Academia Nacional de Medicina durante 21 anos consecutivos.

O "Jornal do Commercio" lhe rendeu merecidas homenagens, na ocasião de seu desencarne em 1934: "um grande sábio que honrou a ciência brasileira e cuja celebridade teve forte e justa projeção no estrangeiro"; [...] "nunca abandonou a clínica civil, porque foi sempre para ele, antes de tudo, uma obra de caridade que sempre fez vibrar a sua alma cristã e a sua inteligência profundamente religiosa"; [...] "Depois de Tavares Bastos, Liberato Barrosos e Rui Barbosa, o Professor Miguel Couto foi o grande apóstolo da educação nacional, o propagandista insígne da necessidade da reforma dos nossos costumes políticos e de uma política intensa de instrução apropriada e de salvação do trabalhador nacional".i>

Miguel Couto é hoje um dos mentores de nossa Casa e, sem qualquer dúvida, é também "Sal da Terra".

NEWTON BOECHAT

Retrato deNewton BoechatPartiu para a pátria espiritual, em 22 de agosto de 1990, este grande amigo de nossa Casa e em particular de nosso fundador e orientador geral Azamôr Serrão.

Newton Boechat nasceu na cidade de Apiacá, no interior do Espírito Santo, a 25.07.1928. Alfabetizou-se em sua cidade, mas aos dez anos passou a estudar na cidade de Santo Antônio de Pádua, no Estado do Rio de Janeiro, onde concluiu o curso secundário. A essa altura também iniciava-se sua formação espírita, pois seu avô, Júlio Boechat, era médium de cura e dirigente de reuniões espíritas.

Aos 17 anos transferiu-se para Belo Horizonte, para estudos superiores das línguas neolatinas. Ao mesmo tempo permaneceu atuante no Movimento Espírita Mineiro, logo iniciando visitas constantes a Pedro Leopoldo, relacionando-se com Chico Xavier e o Dr. Rômulo Joviano. Nesta época, foi convidado pelo famoso médium mineiro a falar nas reuniões públicas do Centro Espírita Luiz Gonzaga, enquanto Chico psicografava. Newton revezava-se neste mister com Henrique Rodrigues, que veio se tornar um dos mais conceituados pesquisadores e conferencistas espíritas. Da mesma forma, quem poderia afiançar que o jovem Newton tornar-se-ia um dos mais brilhantes, inspirados e produtivos oradores. Só mesmo um médium seguro como César Burnier o faria, como o fez, prevendo a trajetória de Newton Boechat como excepcional tribuno até mesmo além das fronteiras nacionais.

Realizou cerca de 7 mil palestras em todo Brasil; na América do Sul fez conferências no Paraguai, Uruguai e Argentina. Também na Europa, na década de 70, falou em Portugal, Espanha, Itália e França.

Escreveu diversas obras, muitas das quais em parceria com o prezado amigo, Dr. Gilberto Perez Cardoso: "Ide e Pregai", "O Espinho de Insatisfação", "Do Átomo ao arcanjo" e "Na Madureza dos Tempos".

O Orientador Geral de nossa Casa, Azamôr Serrão, era admirador empolgado do verbo escorreito, da conceituação objetiva, imagens vivas e profundas, carregadas de intensa força magnética contidas nas palestras de Newton. Tanto que, a seu convite, foram inúmeras as palestras que deleitaram os frequentadores da rua Dezenove de Fevereiro e, por ocasião da inauguração de nossa sede própria, em 29 de agosto de 1973, foi ele o palestrante escolhido, proferindo o edificante tema: "Aspectos da Crucificação e Ressurreição de Jesus".(Ouça abaixo)

Para nós, Newton Boechat é e será sempre SAL DA TERRA!

(Arquivos gentilmente cedidos pelos amigos Jorge Damas Martins e Pedro Silveira Martins, autores da obra "Paulo e Herodes - A palavra vibrante de Newton Boechat")


Veja também:



NORMANDA DE CARVALHO RIBEIRO

(21-03-1916 a 14-12-2003)

Rio de Janeiro, 01/05/1864 -Rio de Janeiro, 06/06/1934)

Normanda de Carvalho RibeiroNormanda de Carvalho Ribeiro nasceu em João Pessoa, Paraíba, no dia 21 de março de 1916, filha de Matheus Gomes Ribeiro e Maria Arminda de Carvalho Ribeiro. Teve mais 4 irmãos: João Américo, Evalda, Evandro e Maria Arminda. Perdeu a mãe aos 7 anos, logo após o nascimento da irmã Maria Arminda. Matheus Ribeiro era contador e funcionário público estadual. Foi Secretário de Fazenda do Governo João Pessoa.

Normanda herdou de seu pai a honestidade, a integridade moral e a coragem para lutar pelos seus direitos. Durante a revolução de 1930, foi uma das lideres na passeata dos estudantes. Apaixonada por aviões, quis ser aviadora, mas seu pai foi contra. Após a morte do pai, em 1942, fez o curso de pilotos no Aeroclube da Paraíba e se brevetou em 1943. Foi a primeira aviadora da Paraíba e sua intenção era ser útil ao Brasil. Fez curso de enfermagem na Cruz Vermelha Brasileira, em 1940. Era funcionária concursada da Delegacia Regional do Trabalho.

Veio para o Rio de Janeiro em 1944 e foi morar em Niterói. Conseguiu transferência para o Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro, onde se aposentou com Menção Honrosa.

Casou-se em 1946 com Nilo Antunes de Figueiredo Filho. Tiveram 2 filhos, Rubem e Nilo. Separou-se em 1949. No lar, foi uma heroína - com garra e determinação criou sozinha os 2 filhos pequenos. Em 1954, nas vésperas do Dias das Mães, perdeu o filho caçula, Nilo, vítima de atropelamento. Apesar da dor da perda de um filho, teve forças para seguir em frente, pois tinha outro para criar.

Teve sua primeira experiência mediúnica quando junto a uma tia e uma amiga sentou-se ao redor de uma mesa para fazer uma “brincadeira” com os Espíritos. Minutos após a invocação, uma entidade incorporou na amiga de sua tia, dizendo-se chamar Arariboia. Deu uma linda mensagem. Minutos depois uma outra entidade incorporou na Normanda. Chamava-se Catarina. Tinha sido escrava e apresentou-se como sua guia espiritual. Iniciou sua mensagem dizendo que elas procederam errado fazendo essa experiência, que era necessário um preparo do ambiente. Tempos depois, já frequentando a Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes, veio a saber, através do Irmão Azamor Serrão, que se tratava da Vovó Catarina, Espírito com o qual trabalhou muitos anos transmitindo milhares de conselhos psicofônicos.

Em 1974 seu filho Rubem foi fazer faculdade em Campos dos Goytacazes.

Estava agora sozinha. Na Casa de Recuperação encontrou o conforto espiritual que tanto precisava, pois tinha a oportunidade de ajudar os enfermos e os necessitados. Para preencher a solidão resolveu adotar uma menina, Edilene, embora seu filho viesse visitá-la com frequência. Seus últimos anos foram de provações. Começou perdendo a visão, gradualmente. Tentou uma cirurgia de catarata, sem sucesso. Fez também transplante de córnea, igualmente sem resultado, e acabou por perder definitivamente a visão do olho esquerdo. Uma isquemia cerebral lhe paralizou todo o lado esquerdo. Meses depois, recuperada, levou uma queda na rua e fraturou o fêmur. Pouco antes de falecer sofreu ainda uma queimadura séria no fogão. Apesar de tantas agruras, em momento algum afastou-se do trabalho mediúnico e da caridade cristã. Com o corpo cansado de tantas aventuras e tanto trabalho, faleceu às 5:30 da manhã de 14 de dezembro de 2002.

Normanda era Sal da Terra. Deixou o mundo mais insosso...

(Homenagem dos filhos Rubens e Edilene)

PEDRO RICHARD

Pedro RichardPedro Richard deixou imortalizado uma frase que certamente deveria ser compreendida e posta em prática por todos: "A verdadeira caridade é aquela que não humilha, que é feita às escondidas, em peregrinação silenciosa e se possível à noite, indo em busca do necessitado no próprio reduto de seu sofrimento".

Quanta profundidade e beleza estão contidas nessas palavras! Pedro Richard trabalhou na Federação Espírita Brasileira durante 35 anos. Primeiro, como Tesoureiro. Depois, ele criou a Assistência aos Necessitados da FEB, da qual foi Diretor, até o final de sua vida. Para Manuel Quintão, que o tinha como mestre, Pedro Richard foi a coluna de luz da Assistência aos Necessitados da Federação Espírita Brasileira, departamento para o qual ele dedicou todo o seu amor e a sua abnegação.

Nascido em família humilde, na cidade de Macaé, aqui no nosso Estado, em 9 de setembro de 1853, e desencarnado no Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1918, Pedro Richard sequer chegou a completar o curso primário, mas na Federação Espírita Brasileira ele prescrevia remédios e, mais importante do que isso, aplicava o remédio que curava a alma: a exortação meiga, o conceito profundo e o verbo veemente.

No "Reformador", ele foi um "repositório de ensinamentos preciosos", conforme escreveu esse Órgão em novembro de 1918. Como Discípulo de Max (Bezerra de Menezes), prestou valiosos serviços na "Casa de Ismael", engrossando as fileiras dos doutrinadores, ao lado de Bezerra de Menezes, Antônio Luís Saião, Maia Lacerda e outros. Conforme escreveu Ramiro Gama, Pedro Richard herdou de Bezerra de Menezes o bom senso, a bondade sem reclamos, a humildade sem servilismos, a abnegação expontânea, a sinceridade e pureza nas atitudes, o clima espiritual da serenidade, o amor imenso, verdadeiro, elevado pela Mãe Maria Santíssima: "Sua prece era, por isso, quando dirigida à Virgem, feita na linguagem do sentimento, na fala da alma, na música do pranto. E produzia milagres".

Em vida, Pedro Richard organizou o livro "Grupos Espíritas - Sua Organização e Fins, de Acordo com a Orientação Seguida pela Assistência aos Necessitados, da Federação Espírita Brasileira", publicado pela FEB em 1933. Já desencarnado, em 16 de janeiro de 1922 apareceram os seus primeiros "ditados" (como eram chamados na época), publicados no Reformador. Entre julho e setembro de 1951, enviou 22 mensagens, psicografadas por Armando Gonçalves, e que foram publicadas no livro "Noite Escura", prefaciado por Deolindo Amorim.

Pelo exemplo de humildade e por toda a vida que dedicou em benefício dos mais necessitados, Pedro Richard é o SAL DA TERRA.

PIETRO UBALDI

Pietro UbaldiÀs oito horas e trinta minutos da noite de 18 de agosto de 1886, nasceu Pietro Ubaldi, em Foligno, pequena cidade italiana, perto de Assis; na Úmbria. Foi nessa região, impregnada de espiritualidade de S. Francisco, que ele teve o seu primeiro contato com este mundo, mundo que sempre lhe pareceu muito estranho pelo jogo desesperado de egoísmos que percebeu, ainda jovem, ser apenas o fruto da ignorância geral das leis que regem a vida. Essas leis, Ubaldi procurou estudá-las nos livros. Logo descobriu, no entanto, quão pouco eles forneciam da substância que, em vão, procurava. A escola secundária e a escola superior (Ubaldi formou-se em Direito, pela Universidade de Roma) não lhe trouxeram o auxílio desejado para a sua sede angustiada de conhecimento.

Começou, então, um período de intenso sofrimento, que foi o seu contato com a vida de todos os dias, com os homens de toda parte, o que constituiu grande preparação para o seu espírito. Havia herdado de seu pai uma grande fortuna, que não quis considerar como sua, por não ter sido produto do seu esforço pessoal, e a ela renunciou. Foi trabalhando modestamente, como professor de inglês, num colégio estadual em Módica, nos confins da Sicília, após ser aprovado em concurso público, que Ubaldi encontrou solução para o seu sustento mais conforme com os ditames de sua consciência.

Em 1931, aos quarenta e cinco anos, inicia seu gigantesco trabalho. Sua inspiração atinge alturas jamais sonhadas, dando explicação genérica, sintética e profundíssima de toda a fenomenologia universal, analisando, ao mesmo tempo, a sua própria evolução e a de toda a humanidade, através de 24 obras escritas. A princípio seus livros se espalham bem pela Itália e por outros países (inclusive o Brasil) mas, pouco a pouco, a guerra por um lado, e por outro a mentalidade europeia, com a sua conhecida tendência à cristalização (saturada de culturas seculares), não se mostra ser o terreno apropriado para esta novíssima semente, a frutificar no espírito humano através dos tempos.

Assim, em 1951, Pietro Ubaldi, Apóstolo do Cristo, fez a sua primeira viagem ao Brasil, convidado a proferir uma série de conferências por todo o país. Finalmente, em dezembro de 1952, instala-se definitivamente em terras brasileiras, vindo a escolher o seu domicílio em S. Vicente, "célula máter" do Brasil, no Estado de São Paulo.

Ali desencarnou aos 30 minutos de 29 de fevereiro de 1972, depois de concluir o seu último livro: "Cristo". [...]

Ubaldi considera que o Brasil é realmente o país mais propício ao grande movimento de transformação da Terra, rumo à nova civilização do 3º milênio. [...] Analisada sua Obra, pode-se constatar a magnitude e o interesse palpitante que ela encerra para a Humanidade de nossos dias.

Por sua vida, por seus exemplos, e pela maravilhosa Obra que nos deixou de legado, eis aí um verdadeiro "Sal da Terra", do mais apurado sabor.

(Resumo biográfico fornecido pelo Instituto Pietro Ubaldi)

RAJAH NAJHAN

Paisagem de Bihar, ÍndiaNasceu na cidade de Bihar, no leste da Índia, casta dos vaixiás, em 5 de fevereiro de 1890.

Mudou-se, no início do século XX, para Manchester, na Inglaterra. Lá iniciou os seus estudos, graduando-se m Medicina na Universidade de Oxford. Tendo atuado durante a guerra como médico do Exército Real, chegou ao cargo de Major.

Retornou à Índia em 1948 para trabalhar junto das autoridades locais no combate da peste bubônica e outras epidemias, que faziam grande número de vítimas, principalmente nas aldeias pobres e sem higiene no conturbado país.

Rajha Najhan retornou à Pátria Espiritual em 19 de agosto de 1964 e hoje é um dos mentores de nossa Casa, merecendo também, de nossa gratidão pelo bem que nos traz, o título de "Sal da Terra".

RENATO GALDÊNCIO RAMOS

Foto do Edifício-Sede da CRBBM(30.08.1910 a 08.04.1999)

Retornou à pátria espiritual o nosso querido "irmão Renato" que, durante várias décadas, militou entre nós como fiel servidor desta Casa de Bezerra de Menezes.

Natural desta cidade, nascido no tradicional bairro da Tijuca, teve um princípio de vida difícil, criado por mãe viúva, costureira. O menino Renato completava o orçamento familiar trabalhando como baleiro, na porta do educandário em que estudava. Após completar o curso ginasial, o jovem Renato empregou-se no comércio, até surgir a possibilidade de ingressar no Loyd Brasileiro, onde adquiriu experiência no comércio internacional, permitindo-lhe o arrojo de investir suas economias na importação e exportação de minérios. Fundando a empresa R.G.Ramos, alcançou grande sucesso comercial.

A esta altura, sua companheira, Celina Cecca, acometida de terrível doença na coluna e cansada das investidas nos consultórios médicos, iniciou a busca de alívio através de atendimento mediúnico. Após passagem por algumas casas (espíritas e meio espíritas) foi-lhes indicado o atendimento de Bezerra de Menezes pela mediunidade de Azamôr Serrão, na recémfundada Casa de Recuperação ainda em sua sede provisória, à rua Dezenove de Fevereiro no. 19, pois corria o ano de 1963.

A gratidão de Renato e Celina pela cura obtida externou-se pelo fiel engajamento à nossa Casa, colaborando nas atividades de atendimento fraterno e na dedicação ao estudo e vivência dos preceitos espíritas. Celina, como médium eficiente e firme. Renato, operando em quase todos os setores, era o que se pode chamar de "pau para toda obra", mas durante várias décadas assumiu a portaria com inigualável dedicação, revelando extremo prazer em recepcionar os que freqüentavam nossas reuniões, e grande carinho e paciência com os que aqui chegavam perturbados e aflitos. Apesar do status na vida material de bem sucedido empresário, assumia com extrema naturalidade a função de servo humilde nesta seara, ao ponto de exigir dos seus dirigentes que nunca revelassem publicamente o fato de ser o principal responsável pela aquisição de nossa sede própria. Vontade que foi respeitada enquanto encarnado.

Fidelidade, humildade, paciência e constância, foram os atributos doados pelo nosso irmão Renato nos quase trinta anos de sua participação no Conselho Administrativo, portanto o consideramos SAL DA TERRA!