Retrato de Bezerra de Menezes

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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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1. MISSÃO ESPIRITUAL

Ilustração sobre retrato de Bezerra de Menezes“Houve na alocução de Ismael uma breve pausa. Depois, encaminhando-se para um dos dedicados e fiéis discípulos, falou-lhe assim: Descerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração. Não precisamos encarecer aos teus olhos a delicadeza dessa missão; mas, com a plena observância do código de Jesus e com a nossa assistência espiritual, pulverizarás todos os obstáculos, à força de perseverança e de humildade, consolidando os primórdios de nossa obra, que é a de Jesus, no seio da pátria do seu Evangelho. Se a luta vai ser grande, considera que não será menor a compensação do Senhor, que é o caminho, a verdade e a vida. Havia em toda a assembleia espiritual um divino silêncio. O discípulo escolhido nada pudera responder, com o coração palpitante de doces e esperançosas emoções, mas as lágrimas de reconhecimento lhe caíam copiosamente dos olhos. Ismael desfraldara a sua bandeira à luz gloriosa do Infinito, salientando-se a sua inscrição divina, que parecia constituir-se de sóis infinitésimos. Urna vibração de esperança e de fé fazia pulsar todos os corações, quando uma voz, terna e compassiva, exclamou das cúpulas radiosas do Ilimitado: Glória a Deus nas Alturas e paz na terra aos trabalhadores de boa-vontade! Relâmpagos de luminosidade estranha e misericordiosa clareavam o pensamento de quantos assistiam ao maravilhoso espetáculo, enquanto uma chuva de aromas inundava a atmosfera de perfumes balsâmicos e suavíssimos. Sob aquela bênção maravilhosa, a grande assembleia dos operários do Bem se dissolveu. Daí a algum tempo, no dia 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, no Estado do Ceará, nascia Adolpho Bezerra de Menezes, o grande discípulo de Ismael, que vinha cumprir no Brasil uma elevada missão."(Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, cap. 22)

2. ORIGEM FAMILIAR

Certidão de Nascimento de Bezerra de MenezesAdolpho Bezerra de Menezes, nasceu em 29 de agosto de 1831, na Fazenda das Pedras, próximo ao Riacho das Pedras, na freguesia do Riacho do Sangue, hoje encravada no município de Jaguaretama, Ceará. Era filho de Antonio Bezerra de Menezes e de dona Fabiana Cavalcanti de Albuquerque. Foi batizado pouco mais de um mês após seu nascimento, na matriz de Nossa Senhora da Conceição, conforme se depreende de seu batistério, exarado nos seguintes termos:

Adolpho, nascido aos vinte e nove de agosto de mil oitocentos e trinta e um e batizado nesta matriz aos dois de outubro do mesmo ano, filho legítimo do capitão Antonio Bezerra de Menezes e de dona Fabiana de Jesus Maria, moradores nesta freguesia, neto paterno do tenente–coronel Antonio Bezerra de Souza e dona Maria da Costa, e materno do capitão José Roiz da Silva e dona Maria Ignacia Cavalcanti. Foram padrinhos: ajudante José Bernardo Bezerra, casado, e dona Joana Antônia Bezerra do Sacramento, solteira, todos moradores nesta freguesia, e para constar fiz este assento. O vigário Antônio Francisco Régis de Leão Saraiva.

Em cima das ruínas da casa da fazenda Santa Bárbara, de seu avô, coronel Antonio Bezerra de Souza, onde há 181 anos nasceu o Médico dos Pobres, funciona há alguns anos o Polo Bezerra de Menezes – PODEBEM -, lugar de assistência social e espiritual e caridade para a população pobre da região, coordenado por voluntários e mantido por meio de doações, inclusive com a escola Fabiano de Cristo.

3. FORMAÇÃO ESCOLAR:

Liceu do Ceará - FortalezaA vida estudantil de Bezerra iniciou-se no ano de 1838, na escola pública de Riacho do Sangue, onde em dez meses, aos sete anos de idade, aprontou-se em leitura, escrita e contas. Em 1842, na Serra do Martins (RN), matriculou-se na escola de latinidade, fundada em 1831 pelos padres jesuítas e, com apenas dois anos de estudos da língua de origem romana, foi capaz de ser monitor, auxiliando o professor.

Em 1846, de regresso ao Ceará, Bezerra de Menezes fixou-se na capital da província, provavelmente em virtude da terrível seca do ano anterior, que causou a perda quase total dos gados da província e determinou a migração de inúmeras famílias ao litoral. Assim, Adolpho continuou seus estudos em Fortaleza, no Liceu do Ceará.

Em 23 de fevereiro de 1851, meses antes do de falecimento de seu pai – em outubro -, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, em março do mesmo ano, iniciou os estudos de Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

No ano seguinte (1852), ingressou como praticante interno ("residente") no hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Além disso, dava aulas particulares de Filosofia e Matemática.

Obteve o diploma de graduação em 1856, com a defesa da tese: "Diagnóstico do cancro" (estudo teórico). Nesse ano, o Governo Imperial decretou a reforma do Corpo de Saúde do Exército Brasileiro e nomeou para chefiá-lo, como Cirurgião-mor, o Dr. Manuel Feliciano Pereira Carvalho, antigo professor de Bezerra de Menezes, e que o convidou para trabalhar como seu assistente.

4. MEDICINA E MATRIMÔNIO

Bezerra de Menezes e sua segunda esposa, Cândida Augusta Lacerda MachadoA 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina com a memória "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento". O acadêmico José Pereira Rego leu o parecer na sessão de 11 de maio, tendo a eleição transcorrido na de 18 de maio, e a posse, na de 1º de junho do mesmo ano.

Em 1858, candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Seção de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Nesse ano saiu a sua nomeação oficial como assistente do Corpo de Saúde do Exército, no posto de Capitão-tenente e, a 6 de novembro, desposou Maria Cândida de Lacerda, que viria a falecer de mal súbito em 24 de março de 1863, deixando-lhe dois filhos, um de três e outro de um ano de idade.

No período de 1859 a 1861, exerceu a função de redator dos Anais Brasilienses de Medicina, periódico da Academia Imperial de Medicina.

Em 1865 desposou, em segundas núpcias, Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã por parte de mãe de sua primeira esposa. Cândida cuidava de seus filhos até então. Com ela, teve mais 12 filhos.

Por sua atuação generosa e incansável, como médico, cedo tornou-se conhecido como "O Médico dos Pobres". Via na Medicina um sacerdócio, e deixou como um de seus maiores legados exemplos e conselhos inesquecíveis para os jovens médicos de todas as épocas:

"Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro; o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem o que pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro, esse não é um médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivens da vida".

5.CARREIRA POLÍTICA

Cãmara Municipal do Rio de Janeiro - 1856Nesse período, a Câmara Municipal do Município Neutro tinha como presidente o médico Roberto Jorge Haddock Lobo, do Partido Conservador. Ao mesmo tempo, Bezerra de Menezes já se notabilizara pela atuação profissional e pelo trabalho voltado à população. Desse modo, em 1860, em uma reunião política, alguns amigos levantaram sua candidatura à Câmara dos Vereadores, pelo Partido Liberal, como representante da paróquia de São Cristóvão, onde então residia.

Abertas as urnas e apurados os votos, Bezerra fora eleito. Seus adversários, liderados pelo dr. Haddock Lobo, impugnaram a posse sob o argumento de que militares não podiam exercer o cargo de vereador. Desse modo, para apoiar o Partido, que necessitava dele para obter a maioria na Câmara, decidiu requerer exoneração do Corpo de Saúde (26 de março de 1861). Desfeito o impedimento, foi empossado no mesmo ano.

Foi reeleito vereador da Câmara Municipal do Município Neutro para o período de 1864 a 1868, e depois, por várias legislaturas consecutivas, até a década de 1880.

Foi eleito deputado Provincial pelo Rio de Janeiro em 1866 e empossado em 1867. A Câmara dos Deputados foi dissolvida no ano seguinte (1868) por várias divergências políticas, assumindo a direção do governo o Partido Conservador.

Na política, atuava como deputado e vereador simultaneamente, o que, à época, era permitido. Ocupou várias vezes a presidência da Câmara Municipal, cargo que corresponderia atualmente ao de prefeito.

Foi eleito deputado pela Província do Rio de Janeiro para as legislaturas da década de 1880, nunca tendo encerrado sua carreira política, pois, por várias vezes, foi candidato, por exemplo, ao cargo de senador.

6. MILITÂNCIA INTELECTUAL:

Capa do romance O Evangelho do FuturoDurante a campanha abolicionista, publicou o ensaio "A escravidão no Brasil e as medidas que convêm tomar para extingui-la sem dano para a Nação" (1869), na qual não só defende a liberdade aos escravos, mas também a inserção e adaptação dos mesmos na sociedade por meio da educação. Nesta obra, Bezerra se auto intitula um liberal, e propõe que se imitasse os ingleses, que, na época, já haviam abolido a escravidão de seus domínios.

Expôs os problemas de sua região natal em outro ensaio publicado, "Breves considerações sobre as secas do Norte" (1877). Foi autor de biografias sobre o visconde do Uruguai, visconde de Caravelas e Pedro II, entre outras personalidades ilustres do Império do Brasil. Atuou no jornal A Reforma, órgão liberal no Município Neutro, e, de 1869 a 1870, redator do jornal Sentinela da Liberdade.

Escreveu também outras obras, como:

Sabe-se que Bezerra de Menezes era fluente em línguas como latim, espanhol e francês.

7. VIDA EMPRESARIAL

Vila Isabel no século XIXFoi sócio fundador da Companhia Estrada de Ferro Macaé e Campos. Empenhou-se na construção da Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua, pretendendo estendê-la até o Rio Doce, projeto que não conseguiu concretizar.

Foi também um dos diretores da Companhia Arquitetônica de Vila Isabel, fundada em Outubro de 1873 por João Batista Viana Drummond (depois barão de Drummond) para empreender a urbanização do bairro de Vila Isabel.

Presidiu igualmente a Companhia Ferro-Carril de São Cristóvão, no período em que os trilhos da empresa alcançavam os bairros do Caju e da Tijuca.

8. APÓSTOLO DO ESPIRITISMO:

Capa de O Livro dos EspíritosO Espiritismo, qual novo maná celeste, já vinha atraindo multidões de crentes, a todos saciando na sua missão de Consolador. Logo que apareceu a primeira tradução brasileira de "O Livro dos Espíritos", em 1875, foi oferecido a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos, seu amigo, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio e inclusive, em sua tese de formatura sobre queimaduras, escreveu-lhe uma dedicatória.

Foram palavras do próprio Bezerra de Menezes, ao proceder à leitura de monumental obra: "Lia, mas não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, entretanto tudo aquilo era novo para mim [...]. Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no Livro dos Espíritos [...]. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou mesmo, como se diz vulgarmente, de nascença".

Contribuíram também para torná-lo um adepto consciente as extraordinárias curas que ele conseguiu, no início dos anos 1880, do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento, através do espírito Dr. Dias da Cruz, antigo companheiro de Bezerra como vereador e como deputado – pai do famoso dr. homeopata Francisco Menezes Dias da Cruz. Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita.

Em 1883, recrudescia, de súbito, um movimento contrário ao Espiritismo e, naquele mesmo ano, fora lançado por Augusto Elias da Silva o "Reformador", órgão oficial da Federação Espírita Brasileira e periódico mais antigo do Brasil, ainda em circulação. Elias da Silva consultava Bezerra de Menezes sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas. O venerável médico aconselhava-o a contrapor-se ao ódio, a praticar o amor e a agir com discrição, paciência e harmonia. Elias também fundou a Federação Espírita Brasileira, em 1884.

Bezerra não ficou, porém, apenas no conselho teórico. Com as iniciais A. M., desde fevereiro de 1883, principiou a colaborar com o "Reformador", emitindo comentários judiciosos.

Embora sua participação tivesse sido marcante até então, somente em 16 de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, Bezerra de Menezes, perante grande público, em torno de 1.500 a 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda Velha, em longa alocução, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da consoladora doutrina.

Daí por diante, Bezerra de Menezes foi o catalisador de todo o movimento espírita na Pátria do Cruzeiro, exatamente como preconizara Ismael. Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem público e ao inexcedível amor ao próximo, conduziu o barco de nossa doutrina por sobre as águas atribuladas pelo iluminismo fátuo, pelo cientificismo presunçoso, que pretendia deslustrar o grande significado da Codificação Kardequiana.

Enquanto presidente da FEB em 1889, implantou o estudo metódico de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e foi reconduzido ao espinhoso cargo em 1895, quando implantou o estudo da obra Os Quatro Evangelhos de Jean Baptiste Roustaing, em uma época na qual se agigantava a maré da discórdia e das radicalizações no meio espírita. Permaneceu no cargo até 1900, ano em que desencarnou.

9. DEMAIS INFORMAÇÕES E VINCULAÇÕES

Sede do Jornal O PaizDr. Bezerra de Menezes foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, da Sociedade Físicoquímica, sócio e benfeitor da Sociedade Propagadora das Belas-Artes, membro do Conselho do Liceu de Artes e presidente da Sociedade Beneficente Cearense.

Escreveu em jornais como "O Paiz", “Jornal do Brasil”, “Gazeta de Notícias” e “Gazeta da Tarde”, de 1887 a 1898, e no "Reformador". Utilizava o pseudônimo de Max.

O dicionarista J. F. Velho Sobrinho alinha extensa bibliografia de Bezerra de Menezes, relacionando para mais de 40 obras escritas e publicadas, dentre as quais encontram-se teses, romances, biografias, artigos, estudos, relatórios, etc.

Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, às 11h30min, tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta (Dodoca). Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio da população mais simples. Foi preciso constituir-se uma comissão para angariar donativos visando a possibilitar a manutenção da família, comissão esta presidida por Quintino Bocayuva, príncipe dos jornalistas brasileiros. Por ocasião de sua morte, assim se pronunciou Leon Denis, um dos maiores discípulos de Kardec:"Quando tais homens deixam de existir, enluta-se não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo".

Fontes:

10. ENTREVISTA COM BEZERRA

O Reformador, órgão de divulgação da Federação Espírita Brasileira, publicou em 15 de outubro de 1892 um depoimento de Bezerra de Menezes sobre suas convicções religiosas trazidas do berço e sua conversão ao Espiritismo. O referido documento, que encontra-se no segundo capítulo da primeira parte do livro Bezerra de Menezes: Ontem e Hoje, da editora Feb, permitirá ao leitor sentir como se estivesse conversando com o inolvidável Apóstolo do Espiritismo no Brasil. Faça o download do livro clicando aqui.

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