Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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MENSAGENS DE BEZERRA DE MENEZES


(POR AZAMOR SERRÃO, FUNDADOR E ORIENTADOR-GERAL DE NOSSA CASA)


O EVANGELHO NO LAR

Foto de Bezerra de Menezes e Azamor SerrãoJesus nos abençõe.

Trabalhemos pela implantação do Evangelho no lar, quanto estiver ao alcance de nossas possibilidades.

A seara depende da sementeira. Se a gleba sofre o descuido de quem a lavra e prepara; se o arado jaz inerte e o cultlvador teme o serviço, a colheita será sempre desengano e necessidade, acentuando o desânimo e a aflição.

É imprescindível nos unamos todos no lançamento dos princípíos cristãos no santuário doméstico. Trazer as claridades da Boa-Nova ao templo da familia, é aprimorar todos os valores que a experiência terrestre nos pode oferecer.

Não bastará entronizar as relíquias materiais que se reportem ao Divino Mestre, entre os adornos da edificação de pedra e cal, onde as almas se reúnem sob os laços da consanguinidade ou da atração afetlva. É necessário plasmar o ensinamento de Jesus na própria vida, adaptando o sentimento à Sua beleza excelsa.

Evangelho no lar é Cristo falando ao coração. Sustentando semelhante luz nas igrejas vivas da família, teremos a existência transformada na direção do sumo bem.

O céu, naturalmente, não reclama a santificação de nosso espirito de um dia para o outro, nem exige de nós, de imediato, as atitudes espetaculares dos heróis amadurecidos no sofrimento renovador.

O trabalho da evangelização é gradativo, paciente e perseverante. Quem recebe na inteligência a gota de luz da revelação cristã, cada dia ou cada semana, transforma- se no entendimento e na ação, de maneira imperceptível. Apaga-se nas almas felicitadas por essa bênção o fogo das paixões e delas desaparecem os pruridos da inquietação inútil e da maledicência que lhes situam o pensamento nos escuros resvaladouros do tempo perdido. Enquanto isso ocorre, despertam para a edificação espiritual com serviço por norma constante de fé e caridade, nas devoluções a que se afeiçoam, de vez que compreendem por fim, no Senhor, não apenas o Amigo Sublime que salva e ajuda, mas também o Orientador que corrige e educa para a felicidade real e para o bem verdadeiro.

Auxiliemos assim a plantação do cristianismo no santuário familiar, se desejamos efetivamente a sociedade aperfeiçoada no amanhã sublime da Terra.

Em verdade, no campo vasto do mundo, as estradas se bifurcam, mas é no lar que começam os fios do destino e nós sabemos que o homem, na essência, é o legislador da própria existência. É o dispensador da paz ou da desesperação, da alegria ou da dor, a si mesmo.

Ajudar semelhante realização, estendendo-a aos círculos de nossa amizade, oferecendo-lhe o nosso concurso ativo na obra da regenerarão dos espíritos, na época atormentada que atravessamos, é sagrada obrigação que nos reaproximará do Mentor Divino, que iniciou o seu apostolado na Terra, não somente entre os doutores de Jerusalém, mas igualmente nos Júbilos domésticos da festa de Canã, quando simbolicamente transformou a água em vinho, na consagração da glória familiar.

Que a Providência celeste nos fortaleça para prosseguirmos na tarefa de reconstrução do lar sob os alicerces do Cristo, nosso Mestre e Senhor, dentro da qual cumpre colaborar com as nossas melhores forças são os votos sinceros do irmão e servo humilde" - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.01, a 29 de agosto de 1965)

A CASA DE DEUS

A casa de Deus, filhos, é o universo inteiro, porque Deus está em toda parte, a revelar-se para que as forças do mal não conduzam para as trevas os que buscam a luz, para orientar-lhes a caminhada pela estrada da vida, em roteiro seguro para perfeita união com o Pai, que é o supremo amor, a suprema alegria, tão bem representado pelo espelho sublime que sua imagem reflete - Jesus.

O nosso Mestre amado ensina-nos em seu Evangelho de amor o caminho da Verdade, fazendo de nossos corações um verdadeiro templo de Deus, pelas vibrações celestiais que deles emanam. Esses corações, alimentados por pensamentos puros de mentes já iluminadas para orientar as atitudes fraternas de paz e amor a serviço do Cristo de Deus, esclarecem as ovelhas a fim de que não se desviem do caminho verdadeiro, fazendo das casas de oração casas de comércio. Onde as almas se reúnem para o maravilhoso encontro com Deus, não se permite nem um só gesto que identifique qualquer transação comercial, porque o ouro traz a ambição e a ambição pelo ouro é que perde as almas, interrompendo a caminhada para Deus.

O Mestre Jesus nos adverte quanto a isso de forma bem concisa, que não deixa nem uma dúvida. Mas certos orientadores religiosos é que não querem entender a Divina Mensagem do Mestre.

Quando Jesus fez sua entrada triunfal em Jerusalém, o povo veio alegremente para as ruas para recebê-lo, bradando em vozes fortes e cheias de entusiasmo: "Viva Deus nas alturas e Jesus entre os homens!"

Jesus foi ao templo. Pelos pátios, pelos arredores e dentro do templo, se fazia mercado de animais, cereais e tudo quanto aquela gente possuía para vender, com o consentimento dos sacerdotes. Então, Jesus mandou que se retirassem dali com suas mercadorias, pois era sacrilégio fazer da casa de orações um covil de especulações e trapaças. O templo é lugar consagrado às súplicas das criaturas a seu Criador.

Foi para terem aquele recanto reservado, onde pudessem falar com Deus e seus anjos (ou Espiritos), que os homens construíram seus templos. É ali que as almas de abrem, cheias de fé, porque lá estão as vibrações puríssimas do Amor do Pai para as suas criaturas.

Ali é a famosa escada de Jacó, por onde sobem as preces, as súplicas, as manifestações de amor e gratidão, e por onde descem, em catadupas de amor, as bênçãos e as respostas que os céus enviam às almas da Terra. Profanar um templo é grande crime. Por isso, o Divino Senhor espantou daquele lugar sagrado os que o maculavam com sua cobiça e egoísmo. Naquele acumulado de vibrações de Amor, de Prece, de Perdão, na explosão da sua fé e confiança em Deus, as criaturas achavam-se em Jesus. Ele estava ali na manifestação da mais alcandorada efusão de amor para com Deus; e, por isso, Ele disse: "A minha casa é casa de oração". Sim, ali, e "onde quer se faça oração, está Ele", «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estarei". De qualquer forma que o homem se una com o seu Deus, estrá unido com o Cristo, porque Ele disse: "Eu e meu Pai somos Um". Assim, bem claro flcou seu pensamento quando disse a João: "Não proibais que curem em meu nome, esses não são contra mim". E para que estejamos com Cristo, necessário se faz cumpramos seus ensinamentos evangélicos, não desobedecendo as suas determinações e procurando estar com Ele tanto quanto Ele está conosco.

Deus nos guarde e Jesus nos abençõe.- BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.02, outubro de 1965)

SEMENTES

Jesus nos abençõe.

Foto de uma plantaçãoO pensamento é o verdadeiro arquiteto de nossa vida. Sendo a mente uma usina de alta potência, a energia que dela promana tem poder para realizar algo que pode ser bom ou mau, consoante a natureza do pensamento.

Tornemos simples nossa vida, vivendo-a com naturalidade, pensando com acerto, refletidamente, sempre dirigindo nossos pensamentos para o bem. São os pensamentos que determinam o futuro de cada individuo, que poderá ser feliz ou infeliz, com paz ou guerra, conforme a qualidade da semente lançada no curso da existência. Eis porque se faz conveniente selecionar as boas sementes, através da reflexão.

Semente lançada por um pensamento de ódio fará germinar a árvore da vingança, cujos frutos tendem a alimentar a perdição.

Semente lançada por pensamento de censura amarga fará germinar a árvore da indignação, cujos frutos ácidos induzirão à indisciplina.

Semente lançada por pensamento de ociosidade fará germinar a árvore da preguiça onde escasseiam alimentos. Seus frutos serão secos, como a indolência que causa a fome.

Semente lançada por pensamento de orgulho fará germinar a árvore da humilhação, que produz os frutos do ódio e da vingança.

Mas se o pensamento for de amor, nascerá a árvore da amizade pura e duradoura, que adoça a vida das criaturas, santificando-as.

Semente lançada por pensamento de perdão fará germinar a árvore da esperança, cujos frutos sazonados alimentam a alma, enchendo-a de luz.

Semente lançada por pensamento de trabalho fará germinar a árvore da compreensão, cujos frutos despertarão a vontade de servir, do amar ao próximo, sem esperar ser convidado e de entender a caridade como uma imposição do amor divino.

Aprendamos a purificar os nossos pensamentos como iniciação de um porvir promissor, porque é dando que recebemos, é servindo que seremos servidos pela graça de Deus. Como criaturas de Deus, todos necessitamos uns dos outros, do bem servir sem aguardar retribuição. Servir com dedicação e simplicidade; ajudar sem humilhação nem orgulho.

Jesus nos abençõe. - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, Ed. 03 - Dezembro de 1965 - Janeiro de 1966)

A ORAÇÃO E A VIDA VITORIOSA

Paz e amor em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ilustração de alguém em ato de preceFilhos: Quantas vezes perguntais: que relação existe entre a oração e a vida vitoriosa? ou seja: que relação há entre a oração e uma vida bem sucedida?

A oração é o aprofundamento, é a exaltação, é o alargameno da nossa fé. Oração é o reavivamento do nosso Espírito. Oração é elevar o nosso pensamento a Deus. Oração é a busca de mais luz e de maior entendimento. É despertar em nós mesmos uma capacidade maior para mais viver e dar. Trazer os nossos pensamentos e sentimentos sob o amoroso controle do Cristo. É nos tornar, a nós mesmos, canais pelos quais o amor divino se irradie em favor dos nossos semelhantes.

Vemos na Epístola de Paulo aos Colossenses, cap. 4, v. 2, a seguinte recomendação: "Perseverai na oração, vigiando com ações de graças". Quem ora, sentindo verdadeiramente a oração, passa a amar os seus semelhantes com tolerância e respeito, pois censurar os outros é somar negação à negação. O caminho da sabedoria é o do abandono da censura e da condenação dos outros por qualquer realidade ou fantasia. O caminho do crescimento é derramar uma benção sobre tudo, passado e presente. O caminho da alegria, da paz e da luz, é saber que vivemos em Deus e que Seu Espírito está em nós. O caminho da felicidade é fazer um esforço continuo, pensamento por pensamento, sentimento por sentimento, oração por oração de modo a dar oportunidade para brotar a semente do amor que mora dentro de nós, e de aprendermos o caminho apontado por Jesus.

Vigiai e orai, para assim prescrutardes a chegada do inimigo ou da inconsciência de seus atos, pela aproximação de um delinquente. São os desertores da casa do Pai, que não querem voltar ou perder a direção da estrada. Adormeceram na mata, esquecendo de seus deveres, como o mau estudante que retorna ao colégio até que aprenda direito suas lições. Assim, esses desviados terão que voltar à escola em que o Mestre é o nosso Pai, até que cumpram os mandamentos de amor, regressando tantas vezes à Terra, ou a outros lugares, a fim de tudo aprenderem pela doutrinação de seus Espíritos, os fulgores da caridade e do amor ao próximo, viandantes das mesmas estradas, para a aquisição de sua personalidade espiritual.

Somos todos irmãos perante Jesus, enlaçados pela fraternidade, como baluarte na defesa e difusão do Evangelho, riqueza deixada por Jesus, que é o nosso Mestre Divino, a quem foi entregue o Planeta Terra para a completa transformação do mesmo e a regeneração de seus habitantes, trazidos da raça adâmica.

Oremos para que aprendam a amar e servir com respeito e tolerância.

Jesus nos abençoe com paz e amor. - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.04, Fev/Mar de 1966)

DEUS E A NATUREZA

JESUS nos abençõe.

foto de paisagem - folhagem exuberanteFiihos: No meio deste mundo tão belo, cujas harmonias demonstram a sublime melodia tocada por anjos e regida por uma Divina Sabedoria, que dá o testemunho de tão grande artista, qual é precisamente a posição deixada ao homem? Pedimos desculpas aos queridos irmãos, pois o que afirmamos não leva a autoridade de um mestre e, sim, o resultado colhido por experiências de muitas lutas que a bondade do Pai nos concedeu em sucessivas reencarnações na grande escola terrena. Assim, com humildade, queremos lembrar-vos: Amai a Deus, amando a Natureza e toda sua criação.

Filhos: Basta um simples olhar sobre o homem para compreender o verdadeiro plano das coisas, para ver que Deus é o Senhor, e a que ponto, a despeito de suas adoráveis descobertas científicas, o homem continua humilde, frágil e dependente criatura. É verdade que temos descoberto as forças da Natureza, suas incalculáveis e misteriosas energias. Ei-las dominadas e postas a nosso serviço; porém, elas somente nos obedecem sob uma condição: a de lhes obedecermos em primeiro lugar.

A Natureza é o próprio Deus, e aqueles que a amam, adoram a Deus. Em tudo quanto palpita e vibra na Terra, dentro dessa harmonia de movimento e de ação, está a obra material que a humanidade observa no seu eterno percurso pela vida. Resta que o homem, admirando o explendor da Natureza, desde o reflexo coruscante de um raio do Sol ao brilho merencório de uma estrela no Céu, ame o Divino Autor de tudo isso que lhe encanta a vida, que lhe empolga o espírito, que lhe desperta as energias para o desejo de bem viver. Daí a concepção de que o mundo é bom e a vida é bela, até mesmo para os cegos, porque - Sábio, Perfeito, Bom e Justo - Deus só poderia ter criado um paraíso na Terra para que fosse habitado pelo homem bom, perfeito, sábio e justo.

Foi o homem que transformou o seu Éden de felicidade nesse inferno de angústia que é o mundo. Foi ele quem claudicou, envenenando a vida com os entorpecentes da ambição. Imperfeitas suas condições morais, seus preconceitos, sua vaidade, seu orgulho, tornaram imperfeito o ambiente da Terra. É que o homem, imaginando-se Rei da criação, iniciou sua jornada pelo mundo dentro dessa concepção de poder discricionário, absoluto e despótico, no qual fosse sua vontade obedecida, sob uma superioridade ilimitada, daí advindo seus sentimentos de orgulho e vaidade. Com ele, nas primitivas eras da criação do mundo, conviviam todos os animais grandes e pequenos, todas as aves de espécies diferentes, uns e outros. A Natureza, em plenos desertos e em imensas florestas, constítuia o grandioso palco da vida, onde se uniam todos os habitante da Terra. Os homens falavam o mesmo idioma e se compreendiam pelos mesmos sentimentos que os irmanavam. Foi o erro dessa vaidade e desse orgulho, a falsa noção desse poder de grandeza e de superioridale, os fatores que determinaram a confusão, da qual originou a Babel que dividiu a Humanidade em raças e povos, e o mundo em Países e Nações.

Os animais fugiram do homem. As feras procuraram seguros refúgios. Elas, porém, não deixaram suas tocas para invadir as cidades e ai atacarem o homem. O homem é que vai, pelo contrário, atacá-las nas florestas, em caravanas bem preparadas para emboscada.

Nada a Natureza modificou no mundo. O mesmo hino harmonioso das aves, o mesmo gorjeio sublime da passarada, tornam alegre a vida. O mesmo perfume das flores embalsama os bosques, enebriando a existência sobre a Terra.

Nada a natureza modificou. Só o homem se modificou a si mesmo. Seus instrumentos, seu arado, e sua charrua ele os transformou em armas mortíferas de ataque cruel!

Vieram à Terra os gênios inspirados. Séculos sobre séculos a humanidade progrediu. A ciência tudo transformou. Veio o domínio da e!etricidade assombrar o mundo. O avião alçou voo pelo espaço, graças ao gênio humano, mas, se esse gênio subsistisse à sua grande obra, como se entristeceria ao ver transformado o seu ideal de aproximação e união dos povos em instrumento ceifador de vidas humanas!

O progresso, como se vê, foi apenas de ordem material, porque a parte espiritual regrediu. Mas nem tudo foi perdido. Na vida dos povos, porém, sempre houve apóstolos e missionários. Um surge no cenário do mundo, pelo ano de 1182, na cidade de Assis, na Itália. É Francisco de Assis, o amigo da Natureza em todo o seu divino esplendor. Convencido de que a humanidade cada vez mais procurava as trevas em vez da luz; cada vez mais se deixava arrastar para o labirinto da vida material, entre as ambições e os ódios; cada vez mais se entregava à obra sinistra da impiedade - concebe o meio mais seguro de fugir dos homens. É quando o seu espírito compreende ser preferível viver dentro do palco imenso da Natureza, no seio das florestas, nos recantos mais afastados das cidades, longe de seu tumulto, da agitação febricitante das multidões açuladas umas contras as outras.

Embrenha-se pelos matagais, percorre florestas virgens, busca a solidão, isola-se da humanidade e vive assim entre os pássaros e os animais que povoavam aquelas regiões imensas, onde a civilização ainda não havia penetrado. Seu espírito transcende à incidência da luz que lhe vai esclarecendo a inteligência e o instinto da razão. Torna-se um amigo leal daqueles habitantes que o amam e respeitam, porque vêem nele o exemplo da bondade, o símbolo da afeição entre o homem, que é rei da Natureza, e os irracionais que poderiam ser seus vassalos humildes não tivesse aquele, pelo instinto do mal, o irrefreável impulso de exterminar os últimos.

Francisco de Assis amou a vida. Amou a vida porque soube, com a pureza de seus sentimentos humanos, com a grandeza de seu coração bem formado, com a superioridade do seu espírito muito evoluído, amar a todas os seres da criação divina. Amou os pássaros, admirando as melodias do seu gorjeio. Amou plantas, as árvores e as flores, cujo aroma embalsama a vida e perfuma os bosques. Amou profundamenta toda a obra grandiosa de Deus, desde o rugido assustador das feras do deserto, que não lhe faziam mal. porque tinham o instinto de respeitá-lo e amá-lo também. Amou a Natureza em festa, desde a epopéia divina do esplendor da luz do Sol iluminando a Terra, até ao negror sinistro das noites sem estrelas! Sua obra revelou os aspectos da sua vida, os sentimentos humanos de seu superior espírito. Ele personificou a bondade, exemplificando, pelo amor a tudo quanto revela ao mundo e à humanidade, a obra de Deus.

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Compreendam as gerações, concebam as multidões que se espalham pelos quadrantes dos mundos planetários, que tudo aí é obra suprema do Supremo Arquiteto: Deus. Compreendam todos que onde haja vibração, onde haja sintonia de vida existe sensibilidade, existe sensação, existe manifestação de dor.

Amai toda a Natureza, sede humanos, esquecendo a crueldade, olvidando o mal e não praticando tão abomináveis crimes contra vossos irmãos irracionais. Entregai-vos à obra aperfeiçoada de vosso espírito. Aproximai-vos de Deus, amando tudo que é de sua origem. Imitai o santo que, em sua vida terrena tanto bem espalhou, até ser cognominado, por sua humildade, sua renúncia, seu amor, sua justiça e bondade, de "o pobrezinho de Assis", que foi também o grande amigo da Natureza.

Que Deus vos ampare, Jesus vos guie e Francisco de Assis vos proteja.

Paz e Amor em Jesus. - BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed. 05, Abril/Maio de 1966))

O EGOÍSMO DO HOMEM

Paz e amor em Jesus.

Foto de homem admirando o pôr do solFilhos: O solo da Terra está cheio riquezas, em condições, portanto, de proporcionar ao homem os meios necessários para a sua manutenção, pois o Senhor abençoa o solo a fim de que este nos sustente, ampare em nossas necessidades, dando-nos forças físicas. Assim protegidos, ficamos mais aptos a aprender a lição de cada dia, que a divina escola da vida nos oferece. Todavia, a terra abençoada não prescinde dos cuidados que lhe devemos dedicar na medida dos nossos esforços, com a responsabilidade de prestarmos o testemunho devido, para, no fim, sermos aprovados ou reprovados, conforme guardarmos a lição. A seara depende da semeadura. Se a gleba sofre o descuido de quem a lavra e prepara ou se o cultivador teme o serviço, a colheita será sempre desengano e necessidade, acentuando o desânimo e a aflição que destroem a esperança. Até agora, nem todos compreenderam a lição de amor que nos identifica como verdadeiros cristãos.

Disse Jesus em seu Evangelho de amor: "Amai-vos uns aos outros, tanto quanto eu vos amei". No entanto, há homens que odeiam e perseguem, como se estivessem praticando boas ações a serviço de Deus. Dois mil anos quase são passados e nem todos os homens foram capazes de assimilar e praticar o divino ensino. Podemos mesmo afirmar que somente reduzido número de criaturas conduz seus passos na vida orientadas pelo Evangelho. No entanto, só unidos pelo desejo e a boa vontade de servir, auxiliando a criação, sentiremos vibrar a fraternidade que nos leve a entender os divinos ensinamentos de Jesus. Seria bem mais rápido o nosso progresso espiritual, porque Deus nos deu a terra para trabalhar, servir e progredir,aprendendo. É portanto, do nosso dever, procurar nela mesma todos os recursos de evolução. Infelizmente, os homens ainda guerreiam por um pedaço da terra que Deus nos empresta para que nela aprendamos a amar e a servir. O pior ainda é que muitos homens estão, por seu egoísmo, desejosos de se mostrarem mais sábios e poderosos do que seus irmãos. Não usam a inteligência em benefício do solo em que habitamos, e, gastando somas incalculáveis, procuram outros planetas, querendo saber o que neles existe. Se aínda não conseguiram conhecer o solo em que pisam e necessitam conhecer e amar, para dele melhor se servirem, de que valerá buscar em mundos distantes de nós outras preocupações, se ainda nem sequer conseguiram resolver os problemas do planeta em que vivem?

Se o Criador dos seres e das coisas, que é Sábio e Justo, nos deu a Terra como escola adequada ao aprendizado que necessitamos fazer, porque deixarmos o que está próximo de nós para buscar o que Deus pôs longe do nosso planeta? Não é isso egoísmo do homem? Se aqui podem os homens encontrar o que lhes é necessário e construir os degraus evolutivos através do aprimoramento íntimo pelas lições do Evangelho, porque lançar-se à aventura das conquistas no Cosmos?

O nosso solo íntimo, isto é, o nosso Espirito, necessita de cuidados para que as sementes evangélicas nele plantadas possam florescer e, à maneira da rosa que perfuma o vento que passa, beneficiando a quantos dela se aproximam e a muitos que passam mais longe, sem que lhe reconheçam o valor, ela deslumbra olhos dos que a contemplam. Dá sem pedir, mesmo àquele que lhe mutila as pétalas. Por que não imitamos a rosa, dando o pefume dos nossos bons pensamentos e a beleza dos nossos atos, compreendendo e servindo indistintamente aos nossos semelhantes?

Preocupemo-nos em cuidar do solo da Terra, lançando nele a semente do Evangelho, fazendo do mundo em que vivemos um jardim florido, para que o perfume do amor nos inspire o desejo de servir sem egoísmo, unindo-nos a todos no firme propósito de transformar o mundo num paraíso.

Na estrada do mal ainda existe o bem para despertar no homem os sentimentos elevados e divinos que se encontram adormecidos.

Entendamos o Evangelho como orientador seguro e infalível.

Jesus nos abençoe. - Bezerra de Menezes

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.06, Junho e Julho de 1966)

HOMENAGEM

Certa vez, ao aproximar-se a data do nascimento do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, o orientador da Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes, Azamor Serrão, animou-se do desejo de realizar uma homenagem festiva ao nobre mentor espiritual. Foi combinado que haveria muitos doces e bolos para distribuir com os presentes à sessão, na sede daquela Casa. Não tardou que o Dr. Bezerra fizesse ver ao médium a desnecessidade de uma homenagen dessa natureza, em que se premeditava misturar os prazeres da alma com os prazeres do estômago.

Se desejassem lembrar a data em que reencarnara (29 de Agosto de 1831, no Riacho do Sangue, Estado do Ceará), então procurassem satisfazer apenas os anseios espirituais de quantos comparecessem à reunião. Diante disso, os preparativos para uma festa nos moldes profanos foram imediatamente cancelados, prevalecendo a ideia de uma sessão unicamente espiritual, com base na Doutrina e no Evangelho.

Foto de criaça famintaLogo depois, o Espirito do Dr. Bezerra de Menezes deu ao médium a luminosa mensagem que abaixo reproduzimos, na qual se expande toda a sua ternura:

Paz e amor em Jesus.

Filhos: As homenagens que os vossos corações cheios de amor prestam a este humilde servo do Senhor, devem converter-se em sublime oportunidade para nos encontrarmos unidos, menos para reverenciar um Espírito que se esforça por alcançar a suprema glória de servir a Deus, nosso Pai, do que para cuidar da Doutrina que o Senhor nos concedeu através do Espírito Missionário de Allan Kardec. Nada ou pouco temos feito. Apenas procuramos colaborar na obra do Senhor,pondo em pauta os ensinos anotados no Evangelho. Estudemos, pois, para que o divino Médico, o Cristo de Deus, não diagnostique carência evangélica em nossas atitudes. Lembremos a recomendação do apóstolo Paulo numa de suas epístolas: "Homem, cuida de ti e da doutrina, segundo os exemplos do Cristo - Jesus".

Assim, perguntamos: "Que fizemos para merecer tantas homenagens?" Responderemos: "Nada". Na verdade, muito temos a fazer, pois o Cristo tudo fez por nós com o objetivo de nos ensinar o caminho que nos levará à eterna alegria. Portanto, filhos que tanto quero, peço que tais homenagens não visem a engrandecer este Espírito, que,com muito contentamento, serve ao Senhor, mas que se transformem em preces que iluminem a todos os Espíritos encarnados e desencarnados,envolvendo-os nas mais puras vibrações de amor. Que nasça nas expansões de bondade de cada coração uma rosa de ternura, para que cada coração irradie o perfume do amor e da esperança, modificando o mundo, transmudando-o num jardim de paz e trabalho benéfico, onde Maria Santíssima, Anjo tutelar da humanidade, nos ampare com o amor sacrossanto da Mãe sagrada e nele possa colher as mais belas flores do sentimento para continuar enfeitando o Céu.

Que as bênçãos de Deus caiam sobre toda a humanidade, são os votos deste humilde servo do Senhor!

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed. 07, Agosto/Setembro de 1966))

REENCARNAÇÃO

Paz e Amor em Jesus.

A reencarnação é a nova vestimenta que o Pai Celeste nos concede, como oportunidade de aproveitamento de que necessitamos para evoluir, ganhando a experiência que somente poderemos adquirir nas provas pelas quais passamos. Assim, podemos limpar as vestes que sujamos com os erros do passado, embora muitas vezes ainda as sujemos mais com os erros do presente. O corpo carnal é portanto, a nova roupa concedida pelo Pai, Sabio e Bom, Criador dos seres e das coisas. Permitiu Ele que, na Grande Oficina Universal, usemos a roupa adequada para o trabalho que nos é confiado.

Obedecemos às leis divinas que regem os três reinos da Natureza: Mineral. Vegetal e Animal, acatando, do mesmo modo, as leis da Física e da Química. A veste de carne que usamos nas provas terrenas para adquirirmos o grau de evolução a que fizemos jus, atende ao feitio determinado pelas leis das combinações fluídicas, as quais tornam os corpos densos de matéria. Muitas vezes, porém, vestimos roupas limpas e bem adequadas a determinado compromisso, sem termos, entretanto, o conteúdo desejado para satisfaze-lo. Se, no entanto, com elas nos apresentarmos em condições capazes à realização dos compromissos que nos aguardam não as sujamos e, quando as sujamos, logo percebemos, que apenas aparentávamos por fora, o que ainda não éramos por dentro.

Dessa forma, o Pai nos vai dando, pacientemente, novas roupas até que aprendamos a usá-las com amor e sabedoria, apurando as lições que poderão promover-nos a uma classe superior. Há roupas de todas as cores e feitios: roupas muito limpas por fora, mas sujas interiormente; roupas de tecidos finíssimos, que parecem de grande valor, representadas pela beleza física e pela riqueza da Terra, mas são roupas frágeis, que não resistem à lama nem ao pó das estradas, por serem vestes fracas, criadas pela ilusão, não possuindo o forro que protege e fortalece para o serviço de Deus no mundo, sem temor da lama ou do pó, nem receio do contato com os mais necessitados... Assim, faz-se mister que as vestes sejam humildes, para que a humildade nos ajude a aproveitar os ensinamentos e a adquirir a experiência que vêm das provas.

Vamos relatar a vida de um Espírito, que bem ilustra esta lição.

Nos meados do último século, em Roma, cidade próspera, onde a força do poder religioso e político - ou seja, de religiosos que buscavam exaltar-se, escorados pelo poder politico, nessa época - havia uma jovem de rara beleza, que reencarnara para que, possuidora de grande riqueza e poder, ajudasse a muitas almas aflitas, que a buscariam a fim de as abrigarem na sua proteção. Mas o coração endurecido da jovem não se compenetrou da missão que lhe fora atribuída ao assumir tal compromisso, antes de reencarnar. Por isso, fugiu a todas as oportunidades de ajudar o próximo. Quando os infelizes, aflitos, a procuravam, dizia, com altanaria e orguIho, que jamais se deixaria prender numa gaiola, pois queria liberdade de ação. Acrescentava mesmo: "quero ser livre, quero viver a minha vida..."

Só pensava em festas e prazeres e, como era linda, a todos fascinava. Gabava-se da maciez de sua pele e da perfeição de suas formas. Certa vez, entregaram-lhe trinta crianças famintas e friorentas, vítimas de uma catástrofe que destruíra a terra de suas famílias e as deixara na mais terrível situação. Dominadas pela extrema miséria, acicatadas pela fome, essas crianças foram entregues a alguém que delas cuidasse até levá-las à cidade, onde a jovem citada as deveria proteger e amparar, como se comprometera quando ainda no mundo espiritual. Ela, no entanto, esqueceu-se do compromisso assumido, envolvida que fora pelo ambiente de luxo e prazer que a cercava. Tornara-se dia a dia mais egoísta e vaidosa. Desse modo, a Bela Adormecida pelo luxo, orgulhosa de sua beleza, julgando que com ela poderia conquistar a eterna felicidade, seguiu imprevidentemente seu caminho, usando a delicada roupa de aspecto suntuoso - a sua formosura e elegância passou a enchê-la de lama e pó, sem dela tirar o proveito de galgar uma classe mais alta, pois não deu assistência às desditosas crianças, deixando-as em completo abandono. Perdeu assim a oportunidade de valorizar-se, servindo.

Noiva de belo patrício (membro da classe dos nobres romanos), a quem enganava e subjugava, apesar do grande carinho que a sua futura sogra lhe dedicava, pois tudo fazia para que ambos se casassem e fossem felizes, a jovem relutava, ciosa da sua liberdade. Duma feita, estavam ambas em luxuosa sala, diante duma lareira. A jovem tagarelava, alegre, contando as suas faceirices, e a matrona de quando em quando lhe dirigia conselhos, ditados pela experiência que tinha da vida. Em dado momento o fogo estalou e algumas brases saltaram, queimando a mão da moça, que gritou de dor. Ao ser socorrida pela futura sogra, observou que algumas brasas haviam atingido o colo da senhora, sem que esta se apercebesse disso. Deduziu daí, apressadamente, que a senhora não demonstrava sensibilidade por estar atacada do mal de Hansen, a lepra, a terrível moléstia que tanto temia, manifestando nojo e desprezo pelos que sofriam dessa enfermidade, passando por tão dura e dolorosa prova. Ao ter este pensamento, afastou-se depressa, abandonando a senhora sem piedade e nunca mais quis ver o noivo, que tanto a amava. Portanto, mais uma vz não soube aproveitar a veste carnal que recebera de Deus e somente quando o seu Espírito despiu essa roupa foi que ela pôde compreender que desperdiçara a grande oportunidade, não aproveitando a lição.

Depois de muitas provas, durante as quais adquiriu algum aprimoramento, seu Espírito reencarnou novamente na Terra trazendo,de início, traços de sua antiga beleza carnal quando vivera em Roma, mas agora em condições humildes, embora ainda conservasse algumas tendências do velho orgulho. Surge, então, o reverso da medalha: a mãe de seu ex-noivo dela recebia todo o carinho e dedicação,e o seu amor pelo rapaz era algo de sublime. Era, entretando, necessário que seu Espírito se engrandecesse, aprendendo a lição que a Divina Sabedoria lhe ministrava, para que pudesse alcançar e aprender as lições perdidas em outras eras. Estava-lhe ainda destinada uma provação terrível: contraiu a moléstia que tanto temera, perdendo completamente a beleza física. Conseguiu, porém, curar-se, recuperando-se relativamente quanto ao físico. Todavia mais se recuperou na iluminação de sua alma, pois, desprezada e suportando sua enorme dor, ainda nos ajudou a servir a Deus em sua grandiosa obra de amor e caridade.

Que esta impressionante lição inspire a todos na compreensão do Evangelho de Jesus, ajudando-nos a conhecer a Verdade que nos libertará, superando hoje com o bem o mal que ontem fizemos.

Desça sobre todos a Paz de Jesus.

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Azamor Serrão, transcrita de O Cristão Espírita, ed.08, Outubro-Novembro de 1966)

ONDE ESTÁ A TUA FÉ?

silhueta de criança se jogando confiante nos braços de seu paiFilhos, venho, como humilde peregrino, esmolar um pouco da vossa confiança e, assim, apelar para todos que já começaram a compreender o verdadeiro sentido da vida, para que não vacilem, pois a falta de fé em Deus é que dificulta a caminhada para o Alto, tomando-nos surdos ao chamado divino e impedindo-nos de aproveitar a oportunidade que Ele nós dá.

Lembrai-vos e que a obra é meritória, só dependendo de renúncia e muito esforço, manei- ra peja qual podemos evidenciar nossa confiança na Suprema Bondade, que sempre ampara as realizações de caridade sincera e pura, capazes de ajudar a transformar esse Planeta em evolução.

Para que o homem possa realizar qualquer obra, é necessário que ele tenha fé no resultado final do seu trabalho. Nenhum lavrador plantaria se não esperasse colher. Nenhum construtor ergueria uma casa se não contasse habitá-la. Nenhuma jornada seria iniciada, se não houvesse a esperança de ser atingido o destino colimado. Assim, igualmente, nenhum mandamento de Deus seria obedecido, se não houvesse a fé que nos dá a certeza daquilo que desejamos. Com essa ideia diante de nós, podemos repetir as palavras do Apóstolo Paulo aos Hebreus: «Ora, sem fé ê impossível agradar a Deus: porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam» (Hebreus Cap. 11, vv.6).

Encontramos também a aplicação positiva dos princípios de fé, nos vários casos de cura realizados por Jesus. “Tua fé te salvou” - era a invariável advertência que o Mestre estendia a todos, mesmo aos Apóstolos.

Ao perceber a falta desse princípio, Jesus fez recriminações em termos enérgicos. Disse certa vez, quando lhe perguntaram: “Por que não podemos nós expulsá-lo? E Jesus lhes respondeu: «Por causa da vossa pouca fé; porque, em verdade vos digo, se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a este monte: passa daqui para acolá e haveria de passa e nada vos seria impossível (Mateus, Cap. 17, vv. 19 e 20). E mais uma lemos: “E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles” (Mateus. Cap. 13, vv.58).

Ser espírita é ter certeza de vencer no cotejo entre o bem que semeia e o mal que espalha. Sua consciência não teme nem a análise mais rigorosa nem o julgamento mais perfeito por parte do juiz incorruptível que cada um tem dentro de si próprio.

placa de estrada apontando fé raciocinadaSer espírita é condicionar toda a beleza da vida à obra fraterna do amor ao próximo, tendo por apostolado a missão sublime de erguer os que caírem, amparar os desgraçados, ensinar os transviados. E, com ardorosa fé, com espírito de sacrifício e renúncia, trabalhar incessantemente por todas as formas possíveis para que a humanidade modifique, na hora presente, o triste cenário do mundo, deste mundo que se apresenta convulsionado pelas baixezas irrefreáveis, pelos ódios, pelas ambições, pelo egoísmo, pela inveja e pela mentira, daí resultando as angústias, as dores, os sofrimentos em que se debatem os homens, dentro das mais tormentosas paixões , que os escravizam à baixa atmosfera da Terra, destruindo todos os supremos ideais de evolução e aperfeiçoamento dos Espíritos.

Sede espíritas cheios de fé, conscientes de que tendes sobre os ombros pesada cruz, a qual conduzireis até o fim da vossa jornada pela Terra, pelo mundo a que viestes cumprir nova jornada em busca da perfectibilidade.

Sede criaturas de fé! Sede espíritas! Cumpri vosso dever; dever imposto à vossa consciência, à claridade do vosso Espírito. Trabalhai impulsionados pelas vibrações que hão de vos sacudir arrebatadoramente, despertando-vos as energias que jamais permitirão vos entregueis à inércia, mas, antes e acima de tudo, que vos conduzirão à glória e à eternidade futura. E que cintile sobre vós a luz irradiadora da fé, o calor do mais fervente entusiasmo pela obra do Bem, o bafejo cálido dos que vos há de levar ao triunfo e à vitória. Paz e amor em Jesus

Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida por Azamor Serrão - Transcrito de O Cristão Espírita No. 09 0 Dez 1966/Jan 1967)

PACIÊNCIA

Quadro de Egger-Lienz - Der Sämann - O semeador -1903

Jesus nos abençoe.

Filhos: semeando com calma e aguardando com paciência, boa colheita será conseguida. «Quem espera sempre alcança», diz velho adágio.

O pomicultor que deseja colher frutos magníficos sabe esperar seu amadurecimento na própria árvore, para recolhê-los no momento preciso. Não ignora que da boa semente nasce o broto e deste surge a árvore. Tudo tem seu tempo. O fruto não aparece da flor. Vem verde e a madureza completa o seu sabor, pois este é que lhe identifica a qualidade.

É necessário que o cultivador saiba ter paciência, porque verá amplamente retribuídos os seus desvelos com a semente lançada no seio generoso da terra. Boa semente e cuidados constantes garantem produtos bons.

Assim é também na vida humana. Sejamos sempre pacientes, pois somente com paciência poderemos obter boas colheitas na vida de relação. O seguidor de Jesus se assemelha ao cultivador da terra. Cada irmão deve ser para ele como uma semente, digna de todo cuidado, de todo carinho, para que, desenvolvendo-se, possa, no futuro produzir frutos excelentes, assegurando o êxito da colheita.

Bezerra de Menezes

Mensagem recebida por Azamor Serrão e publicada na edição 10 de O Cristão Espírita, em Fev/Março de 1967.

DENTRO DE NÓS

Todo site depende de muitos e muitos "pescadores de pérolas". Essa nos vem pelas mãos amigas de nossa irmã Mari Assad, que recuperou "do baú" essa preciosidade - uma mensagem de nosso Patrono, Bezerra de Menezes, recebida mediunicamente pelo fundador e Orientador Geral de nossa CASA, Azamor Serrão, há exatos 50 anos! Aproveitem ... é jóia rara!

ilustração de homem esculpindo a si mesmoDo fundo do nosso ser, bem do nosso intimo, da profundeza de nossa alma, é que rebentam as forças, explodem as energias, que constroem e alimentam a nossa felicidade, ou nutrem e organizam as nossas angústias.

É no laboratório profundo e maravilhoso da nossa personalidade, com as suas ânsias de perfeição e com as suas fraquezas de maus prazeres, que se arquitetam, e se erguem, e crescem e tomam corpo, e se desenvolvem, - a tranquilidade de consciência e o ranger de dentes dos martírios.

Não é de fora de nós, nem é dos outros,- que vem a realidade de nossa vida - só de nós, dos nossos pensamentos e das nossas ações, de nossas atitudes e de nossa conduta, de nossos sentimentos e de nossas inferioridades, é que se constituem a realidade de nosso mundo e a verdade de nosso destino.

A força de cada um está dentro de si mesmo, tanto maior, mais poderosa e mais sublime, quanto mais livre pelo amor e pela ânsia de fazer o bem, estiver a criatura dominada - penetrando-se pela certeza imperecível de que além do mundo que vemos, e das coisas que sentimos, e das criaturas que conhecemos, e de tudo que os olhos enxergam, que as mãos palpam, e os sentidos sentem - muito mais há, e que além da carne, além da vida deste mundo, na escala infinita da perfeição, continuaremos a viver na verdade de nosso espírito e na imortalidade do nosso eu.

Que cada um se convença, meditando. Cada qual na sua crença e na sua fé, que o ódio atrai o ódio - que a ilusão atrai a ilusão - que o mal atrai o mal - que a intolerância atrai a crueldade - e que só o amor, o bem querer, a boa vontade, a tolerância,a sinceridade, o desejo do melhor, a ânsia de perfeição, o entusiasmo pela renúncia, o sacrifício pelo próximo, é capaz de realizar a suprema magia da vida, a mais luminosa alegria da alma, a mais poderosa tranquilidade da consciência - a esplêndida felicidade dos que começaram a compreender o Mestre Solar, que é o Caminho, a Verdade e a Vida: Nosso Senhor Jesus Cristo, ensinando: - ama ao teu próximo como a ti mesmo.

Mas, como amar o próximo como a ti mesmo?

Será afirmando a fé?

Será dizendo que crê e que professa essa ou aquela religião?

Amar ao próximo, será jogo de palavras? Maneira de dizer?

Expressão cantada em discurso, ou murmurada em prece?

Será frequentando templos de orações, ou jejuando, ou dando esmolas do que nos sobra, ou lamentando os que sofrem que se amará ao próximo?

Não isto só, porque é muito mais que isto. Isto são só palavras que repercutem no vácuo ou atitudes ocas que não têm eco porque ressoam no vazio.

Amar ao próximo, é ato vivo da vida, é atitude traduzida por atividades reais, que fazem renascer esperanças, consolar desesperados, aliviar dores, enxugar as lágrimas, - é gesto do coração que brilha na luz dos olhos na ânsia de diminuir sofrimentos,é força do espirito que dá calor a voz que fala, ritmo ao pensamento, encanto a energia, que quer transformar pela magia soberana do amor - a desilusão em esperança dor em justiça, o desespero em resignação.

Mas..., sobretudo para amar ao próximo é preciso saber amar a si mesmo, e, porque,de regra, não se sabe amar a si mesmo, é que, muito pouco se poderá amar ao próximo.

Amar a si mesmo é tudo fazer,tudo realizar, tudo construir no sentido de bem fazer a si mesmo, mas, não na ordem passageira e temporária dos prazeres fugazes dos sentidos, mas, sim, no sentido eterno dos valores imortais da consciência - expressão pessoal do espirito imperecível.

Amar a si mesmo é aprimorar a personalidade, é perfectibilizar incansavelmente o caráter, é libertar sem desfalecimentos o seu próprio eu da escravidão do egoísmo, da vaidade, da luxúria, das mil e uma torpezas que fazem as delícias dos servos da carne.

Amar a si mesmo é em cada dia sentir-se melhor, e mais seguro, e mais forte, e mais pertinaz na conduta magnificamente reta de todos os deveres cumpridos, satisfeito, contente, com uma festa na alma, cada vez mais luminosa em cada noite, do dia ter escorrido e passado com menos erros, e mais tranquilidade, com menos imperfeições e mais pureza.

Amar a si mesmo é conduzir a vida de tal modo e com tal honestidade, que todas as vozes de aplausos ou de reprovações, se quebrem ante a realeza da voz única que é a da própria consciência que, tranquila, tem a própria presença de Deus.

Criatura humana, forja com a compreensão de tua inteligência e com a força do teu coração as armas inquebrantáveis da tua vitória sobre as inferioridades, vitória sobre o mal, vitória sobre as fraquezas da carne, vitória sobre os defeitos de todos os dias, e verás – criatura humana, que delícia esquisita, que prazer indescritível, que alegria nova - rebentará dentro de ti, enchendo-te a vida de forças e tornando-te em consequência um gigante de espírito.

Criatura humana - dentro de ti está o segredo poderoso com que poderás construir a tua própria felicidade, ou plasmar as tuas desgraças.

Abre o teu coração ao amor, que se estenda em todas os sentidos, que abarque todas as coisas, que alcance todas as criaturas – amor, vivo pela presença em todos os atos, pela demonstração em todos os instantes, pelo testemunho em todas as atitudes, - e sentirás então descer em tua alma o clarão de uma alvorada que será remédio para todos os males, e consolo para todos os desesperos e compreensão para todas as dores.

E, terás tranquilidade, serás um vencedor, senhor do segredo da vida eterna e Cristo-Jesus - a luz de nossas trevas - estará contigo.

Bezerra de Menezes (Mensagem psicografada por Azamor Serrão em 1967)

O MANDAMENTO DO CRISTO

Fotomontagem de mulher estendendo o braço para entregar um coração de papel a uma criançaPaz e amor em Jesus

Filhos: Tende fé e empunhai na mão direita a rosa do esperança, cujo perfume vos alimentará e cuja beleza fará vibrar as cordas celestiais de vossos corações, canteiro onde Jesus plantou essa rosa, que é o produto das sementes de amor, colhidas com os ensinamentos do seu Evangelho. Se a mão direita empunha a flor, a esquerda deve servir de amparo para que o Evangelho nela apoiado, mostre aos vossos olhos o caminho a seguir. Consultando-o, de quando em quando, sereis beneficiados e ganhareis forças para o sacrifício e coragem para a renúncia, ao assimilar os ensinos da Sabedoria Divina, deixados no Novo Testamento, como herdeiros que sois de seu escudo de fé e abnegação desinteressada.

Jesus é a porta do grande edifício do Espiritualidade. Para chegarmos ao Pai, temos que passar pelo Filho, Verbo de Deus, isto é: temos que ter amor ao próximo e renunciar às eventualidades mundanas. Quem não passar pela porta do aprisco, não será pastor e, sim, ladrão, que quer matar. São os falsos apóstolos e falsos profetas, que encobrem a verdade. São lobos vorazes do templo, empenhados em desviar as ovelhas, fingindo-se amigos. Mas aqueles que já foram tocados em seu coração pelas lições de Jesus, nada no mundo as seduzirá, pois conhecem a voz do Pastor e seguem sem medo a sua trilha, possuídas que já estão da verdade, portanto, em condições de renunciar às frivolidades terrenas. São simples e não orgulhosas; humildes, e não tímidas. “Com estes eu estou no Jardim das Oliveiras, apascentando os que ainda vacilam”.

Vejam em Lucas, cap. 9, versículos 1 a 6: “Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos demônios (obsessores) e para efetuarem curas. Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos. E disse lhes: Nada leveis para o caminho. Nem bordão, nem alforge, nem pão, nem dinheiro. Nem deveis ter duas túnicas. Na casa em que entrardes, ali permaneceis e dali saireis. E onde quer que não vos recebam, ao sair sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra eles. Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o Evangelho e efetuando curas por toda parte”.

Filhos: Pedimos perdão por tantas palavras, que não levam o intuito do nos colocar como conhecedores da Verdade. Levam, sim, o carinho de um pai que muito ama seus filhos... e deseja que iluminem seus espíritos à luz do Evangelho.

Jesus vos abençoe,

Bezerra de Menezes

(Mensagem de Bezerra de Menezes recebida pelo Fundador e Orientador de nossa Casa, Azamor Serrão, transcrita da edição No. 12 de O Cristão Espírita - Junho/Julho de 1967)

AMOR

foto de um arvoredoJesus nos abençoe:

O amor é como a árvore dadivosa cuja fronde, guarnecida de virentes folhas e de ótimo aspecto vital, convida o viajor faminto e sem forças para prosseguir na caminhada, a comer do seu fruto maduro e apetitoso para revigorar-se. A árvore dá tudo de si: frutos, sombra, abrigo, proteção, sem nada reclamar em seu favor.

O amor é uma árvore sublimada na sua missão de ternura: alimenta esperanças na caminhada para a luz que nos espera, unindo-nos num só foco de carinho, onde o Amor Eterno nos buscará para que também possamos irradiar em derredor de nós as puras vibrações nele concentradas.

Aprendemos, nas grades e sublimes lições de Jesus, o roteiro que devemos seguir para encontrar o Grande Amor que está, latente, dentro de nós, a fim de que sejamos capazes de irradiá-lo ao nos integrarmos no conhecimento da Verdade.

***

Regressava Jesus da Betânia, quando avistou à beira da estrada uma figueira adornada e belas folhas, supondo estivesse ela cheia de figos. Era natural que pensasse assim, pois, como sucede a muitas outras árvores, a figueira, quando está revestida de folhas verdes, costuma ostentar belos e adocicados frutos. Quando as folhas amarelecem e caem é porque a árvore já não tem mais frutos ou, se ainda os tem, não prestam, estão empestados, como comumente se diz. A árvore está doente. Ora, a figueira que atraiu a atenção de Jesus mostrava vigor nas suas folhas verdes e firmes. Parecia, portanto, ter frutos excelentes. Jesus sabia que a árvore não era culpada de tal anormalidade, mas como quase sempre aproveitava as oportunidades para deixar valiosos ensinamentos, transformou o episódio em soberba lição para mostrar que a criatura inútil, egoísta, imprestável. vaidosa, vale tanto quanto a figueira bonita, vistosa, mas incapaz de dar bons frutos. Por isso, depois de olhar a árvore alguns instantes, objetivando fixar no exemplo uma conclusão de natureza moraI, disse:

- Nunca mais de ti nascerão frutos!

Não será difícil compreender que essa valiosa lição encerra uma advertência para que saibamos cumprir nossos deveres de fraternidade e amor para com os nossos semelhantes. Se não temos frutos para dar na hora necessária em que os nossos irmãos necessitam de ajuda, de que servirá aparentarmos tardiamente a nossa colaboração, quando já não poderão ser úteis? Quantas aImas clamam pelos bons frutos da vida e vêm até nós esperançadas de que as poderemos atender! Ao se aproximarem, entretanto. ficam decepcionadas, porque, apesar da aparência que exibimos, tal como a figueira cheia de belas folhas verdes, nada temos para lhes dar, senão promessas, promessas, promessas – folhas, folhas, folhas , onde encontrarão apenas a estéril louçania da nossa vaidade!

Aquele que vinha cansado e faminto, seguiu seu destino, ávido por achar algo que lhe mitigasse a fome e lhe propiciasse repouso. Apenas achou quem, sem préstimo, ocupava o lugar de outro que poderia ser muito bem o servo fiel e útil nas miraculosas mãos da Natureza.

Assimilemos e exemplifiquemos o fecundo ensinamento de Jesus, que deu ao mundo os preciosos frutos do seu imenso amor, espalhando pela humanidade, ternura, bondade, justiça e paz interior, através da explanação da Verdade. Os que nele já colheram os frutos da remissão pelo amor, reconquistando a vitalidade necessária à multiplicação do bem na Terra, retomaram com fé e determinação o caminho de luz que levará ao Pai amantíssimo .

Que o amor de Jesus desça sobre os vossos corações, como sementes benditas, fazendo renascer em outros corações a árvore do Bem, na qual as folhas verdes indiquem com segurança a existência de saborosos frutos de devotamento ao próximo para a felicidade do mundo.

Jesus nos abençoe. – BEZERRA DE MENEZES

(Mensagem recebida pelo fundador e orientador de nossa Casa, Azamor Serrão, e publicada em O Cristão Espírita, em sua edição No. 13 – Agosto e Setembro de 1967)

ORAI SEMPRE

Jesus nos abençoe:

mãos postadas em preceFilhos: Lembremo-nos de orar para que Deus nos abençoe. É dom da oração o privilégio de nos comunicarmos com Ele, de nos voltarmos para Ele para termos coragem, vigor e orientação. Poderemos fazê-lo a qualquer momento, a fim de que a Sua amorosa presença felicite a nossa vida e a Sua sabedoria nos guie para procurarmos a perfeição em tudo quanto fizermos.

A oração nos traz, como resposta, as bênçãos do Pai, insuflando em nossa alma vigor, entusiasmo, alegria, entendimento, compreensão e fé. Ao término de cada tarefa, dirijamos a Deus uma oração de ação de graças. Ao iniciarmos qualquer trabalho, oremos, reconhecendo com humildade o poder e a habilidade do Pai em nós.

Terminemos cada dia com uma prece. Descansemos das atividades de cada dia nos braços eternos de Deus, seguros na paz que a oração nos traz, seguindo os divinos exemplos do Evangelho segundo as anotações de Lucas, cap. XVIII v.1: "Propôs-lhes Jesus uma parábola, para mostrar que deviam orar sempre". A oração e a vigilância são fatores essenciais para a conquista da vitória em todos os problemas da vida humana, principalmente sobre nós mesmos. A prece ungida de fé leva a criatura ao Criador. O pensamento é como que o mensageiro alado que transpõe as fronteiras da Espiritualidade.

A lei suprema da reencarnação movimenta o laboratório da vida terrena, prescrevendo o itinerário que o homem deve cumprir em seu destino, resgatando erros do passado nas provações que dinamizarão o progresso do seu espirito. Bastar-lhe-á compreender a necessidade da renúncia sincera e da humildade espontânea, para que sinta a consoladora virtude da resignação ao aceitar todas as dores, angústias e sofrimentos.

Na prece, todos os sentimentos do amor se expandem, buscando elevar-se ao encontro do Amor Máximo, que é Deus. Aqueles que a fazem eficientemente, com todas as veras de sua alma, como que dirigem ao Pai Amantíssimo e Amadissimo uma mensagem de profunda humildade, recolhendo dentro delas, qual abençoado óbulo divino, as puríssimas vibrações de supremo conforto espiritual. Dai as vibrações que impulsionam o Espírito, as fortes emoções que determinam a eclosão de sentimentos que dão à criatura a ideia perfeita de que Deus a ninguém abandona e que Jesus pode sempre estar asilado no âmago de cada coração que pulsa pela fé.

O homem sente que, ao orar com fervor, uma força interior o impele para o caminho da luz e da verdade, dando ao Cristo todo o seu amor, levando ao próximo a sua sinceridade, ofertando a Maria Santíssima toda a pureza dos seus mais elevados sentimentos. O instinto da razão indu-lo a compreender também que o orgulho e a vaidade são sentimentos negativos, que geram irrefreável ódio e açoitam a consciência, segregando este veneno sutil - o Egoísmo, espalhando-o pela Terra, na gama dos preconceitos sociais. Despido dessas vestes impuras, maculadas pelo pó negro das estradas terrenas, o homem compreenderá, por fim, que esse pó desaparecerá ao sopro de ventos renovadores, à medida que for evoluindo, simples e humilde, caridoso e bom. Então, chegará ao fim da jornada, depois de haver vencido ásperas sendas e encontrado caminhos perfeitos, cheio de fé, que é o bem, o maior fator para que vislumbremos mais amplos horizontes, aproximando-nos do Excelso Mestre - Jesus.

A Fé dá a Esperança; a Esperança une-se á Caridade e a Caridade se funde no Amor. Desse modo, o homem consegue a reforma espiritual para ingressar, feliz, numa das muitas moradas do Pai.

Sigamos o Divino Exemplo, estudando e vivendo na prática o Evangelho, é o desejo dêste humílimo servo do Senhor, que muito vos ama.

Paz e amor em Jesus - Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida pelo fundador e Orientador Geral de nossa CASA, Azamor Serrão, e publicada em O Cristão Espírita No. 15 - Dezembro de 1967 e Janeiro de 1968)

QUE QUERES?

Jesus nos abençoe.

ilustração de duas portas levando a destinos diversos, um bom outro ruimHoje, mais do que nunca, fazem-se necessários o amparo e as bençãos de Jesus, para fortalecer o ânimo das criaturas, no sentido do Incentivar a compreensão entre elas. Somente amparados por Ele, lendo o seu Evangelho e praticando os Seus ensinamentos é que poderemos lutar e vencer todos os obstáculos que habitualmente encontramos na estrada da vida, pois nem todos compreendem ainda que as dificuldades da caminhada provêm de erros do pretérito ou mesmo do presente, frutos da nossa imprudência ou desatenção. Quando pudermos entender a razão da vida e a sua legitima finalidade, poderemos melhormente superar os obstáculos que nos defrontam na rota iniciada. Então compreenderemos que eles foram criados por nós mesmos, pois são consequência de nossos atos e pensamentos. Dessa forma, a resignação, a humildade e a paciência nos fortalecerão a fé consciente, que é a mensageira da alegria e da esperança.

Se nos dispusermos a caminhar unidos, com o firme propósito de não nos deixarmos vencer pelo cansaço das lutas de nosso trabalho e dos esforços que despendemos, tão necessários para a edificação de nossa vida maior; se, simultaneamente, estudarmos e aplicarmos os ensinamentos do Mestre, que é o nosso sublime Orientador, compreenderemos que todas as dificuldades do caminho são experiências indispensáveis e úteis proporcionadas pela bondade divina, como que para verificar se estamos capacitados para avançar sozinhos e se já merecemos a confiança do Pai Celeste. Deus nos ampara e fortalece a todos os instantes, através da prece em que revelarmos o nosso amadurecimento sincero, porque Ele vê sempre o que sentimos, pois nem sempre o que dizemos é a realidade do nosso íntimo.

Quando lhe dirigimos uma súplica sincera, Deus nos perdoa, dando-nos oportunidades que nem sempre sabemos aproveitar. Mas quando sentimos nascer dentro de nós o Cristo de Deus - que é a luz que nos ilumina e orienta, qual farol amigo a indicar-nos o roteiro seguro, para, assim orientados, não encalharmos nos recifes, que são barreiras destinados a desviar-nos da rota certa, tropeços por nós mesmos colocados, mercê de atos e pensamentos indevidos - então novas perspectivas se abrem diante do nós e novas possibilidades se nos apresentam.

Multos embaraços que sentimos no curso da vida são resultados da imprevidência com que procedemos. Os obstáculos criados por nosso comportamento nem sempre estão visíveis nos nossos olhos, como nem sempre são imediatos. Quando, porém, nos inspiramos nos divinos conhecimentos do Evangelho, novas forças nos animam à tarefa de removê-los. É a luz de Jesus que nos desperta do sonho de ilusões em que nos situamos. É um despertar sublime, porque vale por um renascimento, mas cuja comprovação reside na resignação do nosso entendimento em face dos males que nos perseguem a todos os instantes.

Chegado o momento de despertarmos, a voz do Cristo que nos chama dirige-nos a pergunta amiga: "Que queres?" E complementa: "Aproveita todas as oportunidades de luta e não esperes que um anjo materializado venha pegar-te na mão para te conduzir até o reino Céu, carregado de glórias e facilidades, pois o merecimento é maior se maiores forem as dificuldades vencidas. Se queres verdadeiramente colaborar na obra divina, auxiliando a criação e o aprimoramento das criaturas, entrega-te à luta sem desânimo. Quanto mais sérios os obstáculos, mais valioso o merecimento ao superá-los.

Trabalhemos, portanto, com afinco e boa disposição, para que o dêsanimo não nos torne intolerantes. Busquemos no Evangelho a inspiração de cada dia, pois o Mestre disse: “Pega a tua cruz e segue-me.” Nesta indicação do Mestre para que o seguíssemos, encontramos uma advertência, porque ele é exemplo de quem soube vencer todas as incompreensões humanas, renunciando todas as facilidades.

Paz e amor em Jesus.

Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida mediunicamente pelo fundador e orientador-geral de nossa Casa, Azamor Serrão, e publicada originalmente em O Cristão Espírita No.16, janeiro-fevereiro-março de 1968)

TRABALHANDO COM JESUS

Filhos,

Imagem de estátua de Jesus na cena do lava-pésSilenciai a vossa fala sempre que não puderdes fazer o bem, sempre que vosso eu se manifeste antes que vossa vontade de progresso espiritual ou abafe o benefício alheio; deixai sempre que o vosso silêncio construa melhor por vós. Todavia, que este silêncio seja de segundos de reflexão, pois logo que consigais vencer a vós mesmos, voltai à carga, enfrentai os vossos erros e combatei-os, estendendo as mãos e o coração para socorrer aos que de vós necessitem.

Jesus não sentiu aversão por nós quando teve de lidar com nossa ignorância, a nossa incompreensão e os nossos preconceitos. Mesmo diante dos leprosos, sua expressão e o seu olhar não foram de repugnância, mas de meiguice, que se acentuava e deixava que a Ele se achegassem todos para receber, de acordo com o merecimento de cada um, as virtudes que de seu Espirito puríssimo continuamente partiam, a fim de curar a matéria pútrida.

Experimentai, de hoje em diante, sorrir diante dos necessitados e assim estareis assegurando algum alivio às suas dores. E com o vosso carinhoso amparo, se sentirão eles como que junto ao Mestre que vos indicou o caminho. Contai a todos, então, aonde aprendestes, e com quem, a servir com todo amor e fazei que, através de vós, possa Jesus penetrar o coração dos que sofrem. Vereis chuvas de bênçãos virem do Alto a vos ajudar e estareis, então, na estrada certa, pois, como nos disse o Cristo, “Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

Paz e amor em Jesus.

Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida pelo fundador e Orientador-Geral de nossa CASA, Azamor Serrão, e publicada em O Cristão Espírita No. 17, Ed. de abril – maio de 1968)

FLOR DO CÉU

Jesus nos abençoe.

Filhos, o Consolador prometido pelo meigo Rabi da Galileia, quando disse: “mas o Consolador- o Espirito da Verdade, que meu pai enviará em meu nome, ensinará todas as coisas e vos fará lembrar tudo o que eu vos lenho dito”, está plenamente identificado na Terra com o advento do Espiritismo. Surgem médiuns em todas as partes do mundo. Antes da Codificação os médiuns eram chamados Profetas pelos antigos. Esses Profetas anunciavam tudo a respeito do Salvador, das mais importantes às mínimas coisas. Eram homens a quem Deus concedia o privilégio de ver o futuro. Por isso eram também chamados Videntes. Gozavam de grande influência junto ao povo de Israel, porque através deles Deus enviava as Suas mensagens, falando acerca do Redentor, outras vezes revelando as Suas vontades, repreensões e provações que teriam de suportar. Os Profetas - ou médiuns - levavam vida pura e santa, para que o Espírito Santo deIes se servissem. Espírito Santo, segundo a compreensão de algumas tradições religiosas, é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, mas nós – Espiritas – sabemos que essa expressão designa uma plêiade de Espíritos puros, iluminados pelo amor de Jesus, os quais, através de médiuns, trazem Suas mensagens do Céu.

Apesar da grande autoridade dos Profetas sobre todos, pois até os reis lhes obedeciam, foram já naquele tempo perseguidos e sacrificados, porque lidavam contra os vícios e prediziam castigos que às vezes não tardavam. Vejamos as profecias relativas ao Cristo, reveladas pelo Profeta Miqueias, Cap. V. versículo 2: “E tu- Belém», chamada Efrata, és a mais pequenina das cidades de Judá, mas de ti é que há de sair aquele que há de reinar em Israel”. O Profeta Isaías revela no Cap. 7. vers. 14: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e seu nome será Emanuel (Deus conosco)”. Essa virgem, de que Deus fala aqui pelo Profeta, é Maria Santíssima, nosso Anjo Tutelar, Mãe simbólica de toda a Humanidade. Vivia ela na aldeia de Nazaré, na Galileia. Era uma jovem bela, virtuosa em seu espirito virginal pela pureza de seu caráter. Os seus contemporâneos sabiam que ela , embora pobre, descendia do Rei Davi e estava prometida em casamento ao carpinteiro José. Não sabiam, porém, que ela era anunciada pelo Profeta como a mulher por Deus predestinada para ser a Mãe do Salvador.

Quando oramos, mergulhamos no coração boníssimo de Deus e ali sentimos a ternura de Maria, que é a flor do Céu a espargir perfume de amor por toda a Humanidade. Que Jesus, nosso Mestre e Senhor, nos abençoe; que Maria Santíssima nos envolva com seu amor, para que, na estrada em que caminhamos, sejamos fiéis a Deus, nosso Pai.

Bezerra de Menezes

(Mensagem recebida pelo fundador e Orientador-Geral de nossa CASA, Azamor Serrão, e publicada em O Cristão Espírita No. 18, Ed. junho-julho de 1968)

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