Retrato de Bezerra de Menezes

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e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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Aviso: Seguiremos com a interrupção de nossas atividades presenciais até 31 de janeiro. Agradecemos a compreensão. A direção.

CRBBM SEGUE COM SUAS ATIVIDADES
ATRAVÉS DE REUNIÕES VIRTUAIS

Com as atividades presenciais interrompidas desde março último, devido aos cuidados necessários para profilaxia da atual pandemia, decidimos experimentar o uso da plataforma ZOOM para poder dar prosseguimento, ainda que parcialmente, aos nossos estudos e preces em conjunto, promovendo então, a partir dessa semana, as nossas reuniões virtuais. Estão todos convidados, vejam por favor abaixo as instruções necessárias:



RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PARTICIPAÇÃO EM NOSSAS REUNIÕES VIRTUAIS:

ANTES DA REUNIÃO

Ilustração sobre reuniões virtuais

DURANTE A REUNIÃO

AVISO LEGAL

O conteúdo digital das reuniões pertence exclusivamente a CRBBM, e portanto, qualquer divulgação deste material ou partes contidas nele, necessita de prévia autorização da direção, sujeitando o infrator às penas da lei.

TESE DO ANO 2021:
"A VIDA, NO ANO QUE PASSOU NOS IMPÔS:
É TEMPO DE DAR UM TEMPO A UM NOVO TEMPO".

Cartaz Tese do Ano Crbbm 2021"Assim será no dia em que o filho do homem aparecer: Nesse dia, aquele que se achar no eirado e tiver dentro de casa seus haveres não desça para os tirar de lá e do mesmo modo não volte atrás aquele que estiver no campo.”(Lucas Cap. XVII vv.30-31)

Condenados a calceta em inúmeras reencarnações, permanecemos atrofiados aos imperativos do mundo, mesmo após termos sido razoavelmente esclarecidos pelos tesouros da fé raciocinada no espiritismo cristão.

São muitos séculos de avisos quanto ao porvir de uma nova era, onde não faltaram recomendações da espiritualidade e sacudidelas da lei que nos rege a vida. Porém, insistimos nas ilusões distraídos pelos desejos, apegados ao ganho imediato, assustados com as carências, fugindo do que julgamos sacrifício ou apavorados com a dor, nos entregando, enfim, às ambições da posse descomedida.

O "Bom Senso”, como característica primordial da codificação espírita, sempre expressado nas orientações da Espiritualidade atuante, constantemente afirma que o processo da transformação planetária é gradativo, já foi iniciado há dezenas de décadas e levará, ainda, algumas outras décadas para efetivar-se como o despertar do reino de Deus no interior de nosso ser.

A tônica da lei da evolução é o passo a passo e, mesmo com os tropeços nada casuais, que somam-se ao crescimento constante e gradativo do espírito humano, a caminhada não cessa.

Assim, o progresso tecnológico dos últimos tempos, colocou-nos numa correnteza que impulsiona vertiginosamente os acontecimentos, acelerando ao máximo as etapas da produção material.

Logo verifica-se o quanto a vida moderna nos afastou da feliz tranquilidade almejada para o nosso dia a dia, pois, para a grande maioria, o tempo para reflexões mais profundas que levam à meditação de bens espirituais, tornou-se escasso ou inexistente.

A providência divina, como sempre oportuna, age no momento certo, o que para nós humanos, tanto ainda nos surpreende.

Nada de bombas devastadoras ou de cataclismas aterradores. Simplesmente, um diminuto e invisível vírus passa a dominar as condições da vida em todo o planeta, alterando rotinas aparentemente inalteráveis, sacudindo a humanidade inteira e obrigando-a a travar o alucinante vício do corre corre da vida.

A reclusão imposta pela pandemia começa a acordar o nosso espírito para realidades de valores mais amplos e permanentes, tais como os sensíveis versos trazidos pela inspirada oração de Francisco de Assis, um verdadeiro tratado sobre a necessária e intransferível comunicação entre os humanos, que começa por:

"Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;" …( E que culmina no) "Onde houver trevas, que eu leve a luz. / Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar, que ser consolado;/ Compreender, que ser compreendido; / Amar, que ser amado; / Pois é dando que se recebe;/ É perdoando, que se é perdoado;/ E é morrendo que se vive para a vida eterna.”

Que possamos ser, no tempo do Pai Maior, os instrumentos da Sua paz, como trabalhadores de amar e servir.

É, portanto, inadiável dar um tempo para o novo tempo. Afastados na presença, mas conectados por sentimentos de real valor.

Cabe agora, a cada um de nós, decidir se segue o novo fluxo transformador ou se vai permanecer nadando contra a correnteza.

REVERENCIANDO ROUSTAING

pedra angular"Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras:
A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular;
isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos."
(Mt.21:42)

Jean Baptiste Roustaing, o Apóstolo de Bordeaux, desencarnou a 02 de janeiro de 1879. Prestamos aqui a nossa singela homenagem à sua memória, reproduzindo um belo artigo do fundador do boletim de nossa Casa - "O Cristão Espírita" - Indalício Mendes, cuja lembrança sempre revenciamos, também, com muito carinho. Deus os abençoe a ambos.

O artigo de Indalício foi publicado em "o Reformador" em Março de 1973, e como verdadeira preciosidade foi recuperado recentemente pelo blog Aron, Um Espírita", a quem publicamente agradecemos o bom trabalho realizado. Esperamos que apreciem!

Abs a todos e feliz 2021!

***

Jean Baptiste Roustaing é uma das personalidades mais fascinantes do Espiritismo. Coube-lhe a importante tarefa de, através da médium Collignon, trazer esclarecimentos valiosos sobre Jesus-Cristo e a doutrina evangélica. Sua obra "Os Quatro Evangelhos", pelo que encerra de transcendente, deve ser lida, relida e meditada, porque seu texto exige bastante atenção e discernimento. Contestar o valor da contribuição de Roustaing para o esclarecimento da verdade espírita, será limitar a amplitude da conceituação kardequiana relativa à pluralidade dos conhecimentos humanos, assim como às revelações progressivas. Roustaing não contestou Kardec nem estabeleceu fronteiras para o pensamento kardecista. Negar a magnitude da missão de Allan Kardec seria um contra senso, nem isto preocupou por um só instante o pensamento de Roustaing. Não há contradição entre o fundamental da obra kardequiana e o fundamental de "Os Quatro Evangelhos". Por isto, Roustaing consolidou seu prestigioso conceito dos homens iluminados pelos trabalhos do Codificador.

Indalício Mendes"Admirador de Allan Kardec, cujos, méritos enaltecia e respeitava, Roustaing veio trazer, por misericórdia de acréscimo do Pai, um precioso adendo à obra kardecista. Ao tratar da delicada questão do corpo de Jesus, não se desviou das verdades evangélicas, porque a Revelação da Revelação nos tem ensinado muita coisa que se distingue da letra, porque, como disse Paulo na I Epístola aos Coríntios, não a anunciou com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, combinando coisas espirituais com espirituais. Se o espírito sopra onde quer... por que razão não poderia Roustaing receber, por intermédio de Collignon, o que consta em "Os Quatro Evangelhos"? Basta considerar o imenso valor espiritual de Jesus para se aceitar de boamente que ele, senhor de toda a gama de fluidos que enchem o universo, não teria necessidade, para se mostrar aos homens, como tantas vezes, depois, o demonstrou, de se apequenar na carne, subordinado aos efeitos da comum ação biofisiológica indispensável à reprodução dos seres carnais. Já na Epístola aos Romanos, o valoroso Paulo afirmara, com a sua incontestável autoridade: " ... Deus, enviando a seu próprio Filho em semelhança de carne de pecado e por causa do pecado, condenou o pecado na carne", tanto mais quanto acrescenta ele aos Coríntios, “nem toda carne é a mesma carne”, etc. O que é preciso, a fim de se interpretar devidamente "Os Quatro Evangelhos" e situar Roustaing no lugar distinto em que deve figurar entre os espíritas, é compreender essas coisas em espírito, porquanto "a letra mata, mas o espírito vivifica", consoante a palavra de Paulo na II Epístola aos Coríntios.

O grande e nobre espírito de Guillon Ribeiro tratou do melindroso assunto com maestria. Homem culto e probo, lidimamente cristão porque lidimamente espírita, devotava a Jesus, quando na vida terrena, um preito de admiração esclarecida. Sua autoridade moral e intelectual, por conseguinte, constituíram escudo para a defesa de Jean Baptiste Roustaing, cuja passagem por este planeta se assinalou por uma vida simples, laboriosa e austera. A probidade de Guillon Ribeiro e a sua indiscutível capacidade cultural foram motivos que muito influíram para que eu e outros obscuros estudiosos do Espiritismo buscássemos compreender a essência de "Os Quatro Evangelhos" e pudéssemos, depois, extasiar-nos ainda mais no respeito ao Codificador, pelo trabalho gigantesco e extraordinariamente valioso que nos deixou, e a Roustaing, pela serenidade e humildade com que se dispôs a trazer também a sua contribuição importante, recebida, como a de Kardec, dos nossos nobres e bondosos irmãos do plano invisível.

Lendo-se o Evangelho segundo Mateus, 1-18 :25, onde se alude ao nascimento de Jesus, a questão se apresenta meridianamente clara e compreensível. E Jesus chegou mesmo a dizer aos discípulos que "não tem aparecido entre os nascidos de mulher outro maior que João Batista", o que é expressivo e significativo. Como, na Terra, geralmente se consideram irmãos os filhos dos mesmos pais, Jesus respondeu quando lhe falaram na família: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? Estendendo a mão para seus discípulos, exclamou: Eis minha mãe e meus irmãos! Pois aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe" (Mateus. 12 :48-50}. Este pormenor constitui mais uma evidência de que o conteúdo de "0s Quatro Evangelhos", no que concerne também ao corpo do Mestre, não discrepou da verdade.

Capa de Os Quatro Evangelhos, de Jean Baptiste RoustaingNeste artigo, inspirado apenas pelo desejo de uma homenagem ao espírito de Roustaing, portanto, sem qualquer intenção de polêmica, vai também um pouco do muito de gratidão à sua obra, que concorreu para eliminar algumas das inumeráveis arestas do meu espírito rebelde. Mas é curioso que os que se recusam a aceitar Roustaing, negando a natureza fluídica do corpo com que Jesus baixou à Terra, aceitem, de outro lado, o simbolismo desta passagem do Evangelho segundo João: "Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este homem dar-nos a comer a sua carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes à vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna". A carne e o sangue de Jesus, neste caso, são a sua Doutrina, o amor a Deus, a exemplificação do bem. Quem comer a sua carne e beber o seu sangue, quem seguir a sua Doutrina, assimilando-lhe as lições - terão vida eterna, porque estarão na conformidade dos desejos de Deus. O mesmo simbolismo dessa passagem evangélica é encontrado em outras expressões, como esta: "o Filho do homem", "pensais que vim trazer paz à Terra?", "deixai que os mortos enterrem seus mortos", "o que não tem dinheiro, venda a sua capa e compre espada.", etc. Por que, então, aceitar-se, num caso, a letra como simbolismo a ocultar um pensamento que o Espiritismo pode, afinal, compreender em espírito e verdade e, em outro caso, recusá-lo?

Jean Baptiste Roustaíng foi um cristão respeitável e sua memória deve ser reverenciada pelos espíritas, porquanto ele trabalhou com fé e honestidade pela grande causa. Merece e terá, sem dúvida, entre os espíritas verdadeiramente compenetrados dos deveres evangélicos, a homenagem a que fazem jus todos quantos enfrentaram o ultramontanismo ferrenho e lograram, sem temor a processos violentos, colaborar para a. difusão e a vitória dos princípios espíritas codificados por Allan Kardec, o Pioneiro excelso.

ESTUDOS FILOSÓFICOS

Bezerra de MenezesIniciemos o estudo comparativo da cosmogonia católica com a espírita.

Para isso é preciso, antes de tudo, que levantemos o edifício de uma e de outra, sobre suas respectivas bases: a vida única seguida do juízo definitivo - e as vidas múltiplas seguidas, cada uma, do julgamento das obras que nelas praticamos.

I. No princípio, antes que houvesse alguma coisa, existia o Infinito.

II. O Infinito era Deus - e Deus tirou do nada o Universo, em seis dias ou épocas.

III. Tendo completado sua obra, Deus entrou em repouso, pelo que a Igreja consagra o domingo à comemoração do descanso do Senhor.

IV. O Senhor, depois de ter preparado o mundo material e de ter dado à Terra luz, movimento e vida, que não há nos outros astros, criou o mundo moral, tirando o homem do barro - e inspirando-lhe seu sopro divino.

V. O homem foi criado – único -; porém, Adão pediu a Deus uma companheira – e foi atendido em sua súplica.

VI. Deus mandou-lhe um sono profundo, durante o qual extraiu-lhe uma costela, a que deu a forma e o Espírito humanos, com o nome de Eva.

VII. Adão e Eva foram colocados em um paraíso de delícias, no qual tudo lhes era permitido, exceto comerem o fruto da árvore da ciência do Bem.

VIII. O demônio, invejoso da felicidade daqueles Espíritos e desejoso de contrariar as divinas volições, tomou a forma de serESTUDOS pente e induziu a mulher a comer o fruto proibido, que ela deu também ao homem.

IX. Desta desobediência resultou a queda do primeiro par humano, que teve por castigo o desterro para o mundo - amassar o pão com o suor de seu rosto - e a morte do corpo.

X. A culpa de Adão e de Eva, chamada - o pecado original - contaminou toda a sua descendência, a quem foi fechado o Céu, com a sua culpa própria.

XI. Foi preciso que viesse à Terra o Divino Jesus tomar sobre seus ombros os pecados do mundo - e ensinar, pela palavra e pelo exemplo, o caminho da salvação, para se correrem os ferrolhos que trancavam as portas da morada dos bem-aventurados.

XII. O batismo foi o antídoto contra o pecado original - e só por ele pode-se chegar à Bem-aventurança: porque – fora da Igreja não há salvação.

XIII. Os batizados, porém, podem cair da graça - e, post mortem15, são condenados a eternos sofrimentos, no cárcere do Inferno, onde os demônios saciam sua raiva torturando-os por todos os modos imagináveis e inimagináveis.

XIV. As almas, desde que deixam o corpo, são julgadas - e seguem seu destino duplo absoluto que chamamos Céu e Inferno; porém, no fim do mundo, haverá o julgamento final, que separará para sempre os bons e os maus.

XV. Depois desse ato, tudo está acabado, menos a felicidade dos justos - e o sofrimento dos réprobos.

A síntese dessa cosmogonia, que prometemos analisar em cada uma de suas partes, é simplesmente esta: O homem é criado para fazer suas provas em uma vida - e, acabada esta, dure muito ou dure pouco, está definido seu destino por toda a eternidade.

***

Figura abstrata sobre a multiplicidade de perspectivasA cosmogonia espírita segue direção diversa e mais conforme com a ideia que devemos fazer da Perfeição Infinita.

I. Deus criou, de toda a eternidade, a matéria cósmica, da qual se originam, sem cessar, mundos, que se evolucionam para a maior perfeição, do mesmo modo que toda a criação.

II. Não é só a Terra, pequeno ponto perdido no espaço, que é habitável e habitada; mas sim todos os planetas, qualquer que seja o grau do seu desenvolvimento.

III. Assim como dá-se com a matéria dá-se com o Espírito, que foi – é - e será criado por toda a eternidade.

IV. Os Espíritos saem das mãos de Deus em identidade de condições, em inocência e ignorância completas.

V. Todos foram criados para idêntico destino - a máxima perfeição pelo saber e pela virtude.

VI. Idênticos são os meios que lhes são concedidos para realizar seu destino - as faculdades precisas para a sublime evolução, sendo que existem talentos e vão-se apresentando à medida do progresso de cada um.

VII. A par da identidade de origem - da identidade de fins - e da identidade de meios, figura, na criação humana, a liberdade que nos foi dada, plena para todos, de aperfeiçoar nossos meios perfectíveis - e acelerar ou retardar nossa evolução, desde a condição de - larva - até à condição de - anjo.

VIII. O homem, pois, é o árbitro do seu destino, ou antes, do seu pronto ou lento aperfeiçoamento; donde a diversidade de condições humanas, a despeito da identidade de seu princípio, meio e fim.

IX. Sendo quase infinita a perfectibilidade humana, não é no curto espaço de uma vida que podemos realizá-la; donde a necessidade de tempo, à vontade de cada um, para fazer-se a prodigiosa transformação.

X. As múltiplas existências corpóreas, destinadas a lavar n’umas as manchas de outras e a fazermos em cada uma, além daquela expiação do passado, provas de merecimento para o futuro, preenchem perfeitamente o vasto plano da evolução humana.

XI. No fim de cada jornada da longa viagem prestamos contas - e recebemos o prêmio ou o castigo de nossa diligência ou de nossa desídia; mas num e noutro caso não paramos na viagem - e procuramos resgatar o mal que fizemos, acrescentar o Bem que praticamos, diligenciando mais nas seguintes jornadas.

XII. Enquanto há atraso, há mal no Espírito - e enquanto há mal, não há felicidade.

A síntese dessa cosmogonia é que fomos criados para fazer nossas provas no tempo que bem quisermos, sendo sempre punido o retardatário- e sempre galardoado o diligente.

Max.

(Da União Espírita do Brasil)

* Reproduzido conforme texto original. Confira na “Seção Livre” do Jornal “O Paiz”, edição de 01-01-1888. Para baixar gratuitamente o 1o. volume desta abençoada coleção de artigos visite nosso Museu Virtual Bezerra de Menenezes.

ESPIRITISMO CRISTÃO

ANUNCIAÇÃO (LUCAS: Cap. I, v. 26-38) - CONTINUAÇÃO

O Corpo fluídico de Jesus

Que o homem não se insurja contra a possibilidade desses fatos, por não poder ainda compreender e explicar uma composição que se efetua fora das leis materiais da sua natureza.

Não diremos, como os que, por estas palavras: "Tudo é possível a Deus", explicam o que não compreendem. Dizemos ao contrário: o que o homem, na sua ignorância, considera uma derrogação das leis imutáveis não é, sequer, um deslocamento das leis universais; é, sim, uma aplicação delas. Quando ele tenha vencido as dificuldades que o impedem de se elevar no espaço, quando tiver chegado a decompor as camadas de ar superpostas nas alturas que um dia atingirá, quando compreender as propriedades e os efeitos dos fluidos, o uso que deles pode fazer, verá que o que hoje provoca a zombaria da ignorância e da incredulidade se tornará um fato patente, analisado, decomposto pela ciência, que se admirará de que tão poderosos agentes não hajam estado sempre submetidos ao seu império, como se admira de não ter empregado sempre a eletricidade, cujos efeitos visíveis admite, mas cujas causas ainda não determinou. A cada dia basta o seu labor.

Repetimos: o que o homem considera uma derrogação das leis imutáveis da natureza não chega mesmo a ser uma deslocação das leis universais; é, ao contrário, uma aplicação dessas leis. Não acrediteis seja impossível a produção no vosso planeta, de efeitos semelhantes aos que são próprios dos planetas superiores, atendendo a que tais efeitos, subordinados todos aos mesmos princípios, se encontram modificados, de acordo com a esfera onde se produzem.

Certamente as encarnações fluídicas, idênticas às que se verificam em mundos tais como Júpiter e outros planetas superiores, mais ou menos elevados, seriam uma deslocação das leis estabelecidas, e nada há que jamais derrogue essas leis. Mas, uma tal encarnação, modificada pela aplicação dos fluidos terrenos, se torna uma aproximação, um laço entre os dois graus da escala. E uma adaptação e não uma derrogação. Entramos em tantas minúcias, a fim de suprimir qualquer escrúpulo, de afastar todas as dúvidas. Não censuramos a desconfiança que inspirem estas palavras, tão novas para o homem. Queremos apenas tranqüilizar aqueles a quem elas inquietam.

Assim, pois, compreendei-o bem: houve modificação. Os fluidos, que servem para a encarnação ou incorporação nos mundos superiores e que vos são in-visíveis, foram materializados, tornados opacos às vossas vistas pela associação dos fluidos animalizados que vos cercam, isto é, dos vossos fluidos ambientes, próprios para a formação dos seres terrenos. Houve, portanto, apropriação dos fluidos superiores ao planeta inferior que ocupais.

Que há nisto que vos possa repugnar, quando admitis os fatos de tangibilidade acidental ocorridos em todas as épocas no vosso planeta e que ainda se produzem sob as vossas vistas, com todas as aparências de forma corporal humana e, em casos raros, mas verificados, com as aparências de vida e de palavra humanas?

Ora, se Espíritos da vossa categoria podem operar essa combinação fluídica, onde a impossibilidade de ser ela operada, com mais latitude, pela vontade poderosa de um Espírito superior?

(Continua na próxima edição - Transcrito e adaptado de "Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Tomo I, item 14)

É PELA FALTA DE FÉ

Pessoa andando no escuroÉ pela falta de fé que muitos espíritos deixam de produz ir o bem q ue poderia ser feito na sua romagem terrena.

É pela falta de fé que, quase sempre, o homem se torna ocioso.

É pela falta de fé que os erros não são vencidos, embora haja vontade de vencê-los.

É pela falta de fé que grandes obras não são realizadas.

É pela falta de fé que o homem não consegue a auto-disciplina para debelar os seus vícios.

Jesus, conhecedor da admirável força que esta virtude nos dá, exaltou-a várias vezes em seu Evangelho.

Considerou que a fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de transportar montanhas (de dificuldades, de dúvidas, de ansiedades ... )

Ao realizar algumas curas, engrandeceu a fé dos que a solicitaram.

Quando os discípulos não conseguiram expulsar o obsessor de um jovem, Ele afirmou que lhes faltou a fé necessária.

Assistindo aos sofrimentos humanos, constatamos, todos os dias, que em maior número, eles existem por falta de fé.

Filas e mais filas de seres humanos aflitos passam pelos consultórios de psiquiatras e de psicanalistas, quando lhes bastaria a fé no Criador de Todas as Coisas para a solução dos seus problemas angustiantes.

***

É preciso não esquecermos que nossa falta de fé dificulta nosso progresso espiritual. Portanto, aconselhamos que, em qualquer bom empreendimento, seja espiritual ou mesmo material, haja a fé que desperta a energia latente de todos nós.

Ignácio Bittencourt

(Mensagem originalmente publicada na Edição 78 de “O Cristão Espírita”, de Janeiro / Abril de 1986)