Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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o idioma universal da Paz!

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COMUNICADO

Comunicado do retorno da Casa às suas atividades presenciaisA CRBBM retornará às atividades presenciais, de forma gradual, começando pelas reuniões públicas. Inicialmente, as reuniões presenciais acontecerão às:

Para o cumprimento das exigências necessárias para a segurança de todos, as reuniões terão um número reduzido de freqüentadores e médiuns.

ATENÇÃO

Leiam atentamente as Informações abaixo para o cumprimento do protocolo de reabertura de nossa Casa.

  1. É indispensável o agendamento da presença, não podendo, no entanto, transferir a vaga reservada a outra pessoa. Deve ser feito previamente apenas pelo telefone fixo da CASA (2266-6567);

  2. É necessária a apresentação do comprovante de vacinação(mínimo de duas doses) junto com a carteira de Identidade;

  3. É obrigatório o uso de máscaras durante todo o tempo de permanência na CASA;

  4. Os pedidos de Prece (Saúde - Dr. Bezerra de Menezes -, Problemas Materiais e/ou Espirituais - Estrela Branca - ou Desencarnados) devem vir preenchidos de casa com nome e endereço (Dr. Bezerra ou Estrela Branca) ou nome (Desencarnados) para serem colocados pelo frequentador nas pastas que estarão sobre a mesa;

  5. A Biblioteca estará fechada;

  6. Não estarão disponíveis na CASA , nesta fase, lápis, caneta, papel e água para encher as garrafas, que deverão vir cheias e identificadas para fluidificação;

  7. Abertura do portão: Terça-Feira - 14:30h e Sexta-Feira - 20:00h;

  8. Todos os agendamentos serão previamente confirmados por telefone e, também, na entrada da CASA, no dia da reunião;

  9. Os lugares no salão serão indicados pelo Auxiliar de Supervisão.

OBSERVAÇÃO: Lembramos que os médiuns que desejarem comparecer, mesmo que na condição de frequentadores, deverão atender os itens descritos acima.

Comunicado válido de 17 de novembro de 2021 a 28 de dezembro de 2021

Muita paz para todos!

Atenciosamente,

À Direção.

REUNIÕES DE SEGUNDAS E QUINTAS-FEIRAS SEGUEM VIRTUAIS

Apenas as reuniões das terças e sextas retornarão, por enquanto, ao regime presencial. As de segundas e quintas seguem com transmissão virtual pela plataforma ZOOM, e para estas mantém-se as mesmas instruções de conexão e comportamento, conforme abaixo:

Ilustração indicando a segunda-feira no calendário A sala estará aberta às 20h15 e a reunião iniciará às 20h30 e será finalizado às 21h30. Após o início da reunião, às 20:30h, não será permitida a entrada de participantes. Este controle será feito para procurar garantir um bom andamento da reunião. Contamos com a compreensão de todos. Somente os condutores da reunião estarão com câmera e microfone ligados durante a reunião, os demais participantes mantenham câmera e microfone desligados. Veja abaixo como acessar a reunião:

Acesse o endereço:

https://us04web.zoom.us/j/768293218?pwd=Wk5iYWgzSTB3Y2xST1hIV0JqZWd4QT09

Digite o ID da reunião - 768 293 218 - e a senha: 077033


Ilustração indicando a quinta-feira no calendárioA sala estará aberta às 14h45 e a reunião iniciará às 15h00 e será finalizado às 16h00. Após o início da reunião, às 15:00h, não será permitida a entrada de participantes. Este controle será feito para procurar garantir um bom andamento da reunião. Contamos com a compreensão de todos. Somente os condutores da reunião estarão com câmera e microfone ligados durante a reunião, os demais participantes mantenham câmera e microfone desligados.Veja abaixo como acessar a reunião:

Acesse o endereço:

https://us02web.zoom.us/j/84616742257?pwd=VmFoc1czSjZKTEpRd2V5WFVqRWhTUT09

Digite o ID da reunião: - 846 1674 2257 - e a senha: 818369


RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PARTICIPAÇÃO EM NOSSAS REUNIÕES VIRTUAIS:


ANTES DA REUNIÃO

Ilustração sobre reuniões virtuais
  • Cadastre-se previamente com certa antecedência no Zoom (https://zoom.us/ ) e se familiarize com a plataforma e os controles;

  • Sugerimos baixar o app ( https://zoom.us/download );

  • Verifique previamente a sua conexão, microfone, câmera e busque um lugar confortável;

  • Teste seu equipamento fazendo uma reunião pessoal instantânea com amigos e familiares, enviando a eles o convite de sua reunião pessoal;

DURANTE A REUNIÃO

  • Procure manter seu áudio e vídeo desligados durante a reunião para evitar interferências e não sobrecarregar sua conexão;
  • Importante: Os microfones dos participantes devem permanecer desligados, somente as pessoas que estiverem conduzindo a reunião devem estar com câmera e microfone ativados no momento da sua fala, assim evitamos ruídos e perda de qualidade da transmissão;

AVISO LEGAL

O conteúdo digital das reuniões pertence exclusivamente a CRBBM, e portanto, qualquer divulgação deste material ou partes contidas nele, necessita de prévia autorização da direção, sujeitando o infrator às penas da lei.


NESTE NATAL, PENSE: VIOLÊNCIA NÃO É BRINQUEDO NÃO

Jesus e as criançasViolência não é brinquedo não. Mas tem arma na mão da criança, nos games, nas histórias em quadrinhos, nos desenhos animados... Afinal de contas, quem brinca com fogo, acaba se queimando mesmo?

A infância merece toda atenção e cuidado. Boa alimentação, educação e carinho podem ser traduzidos como formas assertivas para lidar com a saúde do corpo, o desenvolvimento das capacidades da razão para o bom convívio social e o despertamento de bons sentimentos. Contudo, as nossas escolhas têm provado que estamos ainda muito distante daquilo que pode ser considerado como atenção básica à infância. Diante da insegurança e da violência que permeiam todas as crianças, em todas as classes sociais, se nada fizermos, seremos reconhecidos como aqueles que se especializaram em... desatenção básica à infância!!!

A responsabilidade do adulto sobre a vida de uma criança é muito mais que tomar conta, levar para a escola, alimentar, vestir... Se por um lado a negligência e a omissão na educação podem levar tudo a perder, de outro jeito os exageros também promovem graves riscos. Deixar de prover adequadamente as necessidades para o desenvolvimento humano na infância ocasiona, oportunamente, verdadeiros obstáculos para a superação das muitas situações desafiadoras que a vida exige. Mas a falta de limites e ponderação propicia outros tantos problemas também.

Educação é um processo que possibilita o amadurecimento do indivíduo, portanto deve ser pensada como permanente e intransferível, donde se conclui que aquilo que orbita a percepção sensível, ou seja, tudo que a criança vê, toca e sente, pode despertar curiosidade e interesse, bem como acordar informações trazidas pelo espírito no seu arquivo de experiências pretéritas.

O uso da arma nas brincadeiras infantis favorece ao entendimento da criança de que uma das formas aceitáveis de conseguir vencer os obstáculos da vida é através do argumento imposto pelo poder da força. O brinquedo, quando se utiliza de qualquer tipo de arma para despertar fortes emoções, acaba introduzindo na vida da criança a violência como uma das formas de se resolver problemas. Daí em diante, a naturalidade com que a arma se torna presente, sobretudo no ambiente doméstico, contribui para o que temos visto, quer seja, uma escalada de violência sem precedentes na vida social.

As estatísticas não mentem. O crescimento da violência e de todas as mazelas trazidas como consequência deste mal que assalta o nosso tempo, nos faz afirmar, com todas as letras:

-Ferir, matar ou morrer, de verdade, não é um jogo, muito menos uma diversão!

A infância pede cuidados.

A vida pede caminho.

Nesse Natal, pense.

Arma não é brinquedo não!

ESPIRITISMO CRISTÃO

CÂNTICO DE ZACARIAS" - LUCAS, Cap. 1, v. 67-80

Detalhe de Zacarias anotando o nome de seu filho (Domenico Ghirlandaio, século 15, Capela Tornabuoni, Itália)V. 67. E Zacarias, seu pai, cheio do Espírito Santo, profetizou, dizendo: - 68. "Bendito seja o Senhor Deus de Israel, por ter visitado e resgatado o seu povo; - 69, por nos ter suscitado um poderoso salvador na casa do seu servo David, - 70, conforme prometera pela boca de seus santos profetas, que existiram em todos os séculos passados: - 71, para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam; - 72, para usar de misericórdia com os nossos pais, lembrando-se da sua santa aliança, - 73, conforme jurara a Abraão nosso pai, quando nos prometeu a graça - 74, de que, livres dos nossos inimigos, o serviríamos sem temor, - 75, na santidade e na Justiça em sua presença, por todos os dias da nossa vida. -76. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo; porquanto irás adiante do Senhor para lhe preparar os caminhos, 77, - para dar a seu povo o conhecimento da salvação pela remissão dos seus pecados; - 78, e pelas entranhas de misericórdia do nosso Deus, graças às quais este sol que vem do alto nos visitou, - 79, para iluminar todos aqueles que estão assentados nas trevas e na sombra da morte e dirigir nossos passos pelo caminho da paz." - 80. E o menino crescia e se fortificava no Espírito, permanecendo nos desertos até ao dia em que havia de aparecer diante do povo de Israel.

Podeis, como Zacarias, bendizer do Senhor pela graça que vos fez, de visitar e resgatar agora novamente o seu povo pelo advento da verdade, depois de o ter visitado e resgatado uma primeira vez pela vinda de Jesus.

Os Hebreus contavam que o prometido Messias fosse um libertador material. Atribuindo tudo ao presente, os homens não compreenderam que seus vícios eram os inimigos de cujas mãos deviam ser libertados.

Compreendei-o vós, espíritas, e empregai todos os esforços para facilitar essa libertação, como o devem fazer discípulos de Jesus, para os quais às verdades que ele ensinou foram tirados os mentirosos véus com que as tinham coberto. Os discípulos de Jesus, hoje, são aqueles que lhe seguem as pegadas e que, esclarecidos pelo facho do Espiritismo, isto é, assistidos pelos Espíritos do Senhor, por essas virtudes dos céus, que se abalaram de lá e vieram à terra, e por eles guiados, buscam a verdade nas suas palavras. Ainda uma vez o sol luziu para vós. O Senhor vos ilumina: não fecheis os olhos. Preparai as sendas, a fim de que ele possa caminhar e conduzir-vos ao seu reino, isto é: à perfeição moral e intelectual.

Acabamos de dizê-lo e repetimos: o Senhor, ainda uma vez, visita e resgata o seu povo pelo advento da verdade. Jesus disse a verdade, mas não toda a verdade, declarou-o ele próprio. Só deu aos homens o que estes podiam suportar e da maneira por que o podiam suportar. Se os homens se houvessem contentado com o que receberam, a verdade não teria de conquistar o seu reino que as tradições, os preconceitos, os dogmas, provocados, encorajados e conservados por espírito de dominação, de tirania mesmo e de cupidez, se conluiaram para destruir.

Estamos, pois, na época do advento da verdade. Ela se despoja de todas as mentiras que a furtavam aos olhos dos homens e a afogavam em trevas, quando é certo que a banham as ondas da luz divina.

Deus não abandonou seus filhos nas garras da mentira. Deixou seguissem o caminho que haviam escolhido, porque assim ganhariam experiência e verificariam a inutilidade dos seus esforços. Hoje, estais crescidos. Vossos olhos, fatigados de tatear nas sombras, pedem a luz e se voltam para ela. A luz, quem a sustém nas mãos é a verdade. Para tudo é preciso um começo. O Espírito da Verdade, como já vos foi dito, descera até vós e o seu advento marcará o fim do mundo, isto é, o fim da vossa fraqueza e da vossa ignorância. Mas, para todo advento é indispensável uma era preparatória. Nela entrais.

João, Precursor de Jesus, concitava os homens ao arrependimento e os batizou com água. Veio Jesus e lhes ensinou o modo de se arrependerem e os batizou com o Espírito Santo, isto é, fez que descessem sobre eles os Espíritos do Senhor, desenvolvendo-lhes as faculdades mediúnicas, que os punham em condições de receber a inspiração.

O batismo com o Espírito Santo é a comunhão com os Espíritos elevados que velam por vós; mas, para chegar a essa comunhão, era preciso, ao tempo da missão terrena de Jesus, e o é ainda, ser puro, cheio de zelo, de amor e de fé, como o eram os apóstolos fiéis.

Vem agora o Espiritismo, que vos convida ao estudo da verdade e vos ensina a distingui-la da mentira; vem estimular e desenvolver a vossa experiência, a vossa perspicácia, o vosso devotamento, clarear-vos as inteligências, iluminar-vos os corações, tornar-vos dignos da assistência dos Espíritos elevados e dignos de ser por eles conduzidos à verdade inteira.

Vem como precursor do estado de perfeição que deveis atingir.

Tem por objetivo preparar-vos para esse estado, abrindo-vos pouco a pouco os olhos à luz, desenvolvendo-vos gradualmente as inteligências e pondo-vos assim em condições de romper francamente e para sempre com todas as fraquezas da vossa humanidade, a fim de estardes prontos a receber o "Espírito da Verdade” quando começar o seu reinado, isto é, a fim de compreenderdes a verdade em toda a sua extensão.

Para alcançardes essa meta, necessário se faz que trabalheis sem cessar sobre vós mesmos, destruindo tudo o que pertence ao homem velho, repelindo as fraquezas e as faltas, couraçando-vos contra a carne, para não mais sucumbirdes às suas tentações (dentro em pouco, a fim de evitarmos exageros, explicaremos o que designamos por tentações da carne), trabalhando de contínuo pelo vosso progresso moral de modo a auxiliardes o progresso dos vossos irmãos, recebendo a luz que vos é dada e agitando-a por sobre as vossas cabeças, para que as suas centelhas iluminem ao longe, auxiliando por essa forma o advento do "Espírito da Verdade".

O Espiritismo tem, pois, este objetivo: a perfeição humana; e três meios a empregar para alcançá-lo: o amor, o estudo, a caridade.

(Continua na próxima edição - Transcrito e adaptado de "Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Tomo I, item 29)

BEZERRA DE MENEZES: ESTUDOS FILOSÓFICOS - O PAIZ, 04.06.1894

Capa do 3o. volume da Série Estudos Filosóficos, Ed. CRBBMTão perfunctória e superficialmente quanto mais que nossa deficiência intelectual, nos obriga o limitado número de linhas a que temos direito neste jornal, procurarmos dizer sobre as teses que vieram naturalmente à discussão provocadas pelo ilustrado autor das “Cartas Abertas”.

Nunca nos foi mais sensível aquela deficiência, enfrentando pela primeira vez, em sete anos destes pobres trabalhos, com um cavalheiro tão nobre pelo talento como pela fina têmpera da espada com que gladia nas discussões.

Temos porém uma satisfação que nos compensa daquele pezar: é que N., que disse ser crente embora vacilante na fé, fará pela verdade que sustentamos o que não temos capacidade de fazer com as toscas pedras que ajuntamos, arquitetará um belo edifício, o edifício da nova ciência, que já é motivo forçado de estudo para todos os sábios do mundo.

Não será a primeira vez que tenhamos de admirar este fenômeno: de, sobre pontos mal explicados por nós, construir a inteligência luminosa de um espírito, antes incrédulo, o deslumbrante edifício do Espiritismo.

Em nossos estudos experimentais, que fazemos à imitação dos sábios da Europa e da América, manifestou-se um dia alto Espírito, que repelia nossa Doutrina, susentanto a verdade de A. Conte.

Jogou, no debate, com seus profundos conhecimentos de ciências naturais, desprezando a prova da existência do Espírito que era a sua presença ali, depois de morto, com subterfúgios, que pareceriam dolosos a quem não conhece a obsessão, verdadeira loucura, do espírito de sistema, tanto como do fanatismo.

Batemo-nos em três sessões seguidas, sem vantagem de parte à parte - sem recuarmos uma linha.

Na terceira chegamos a um acordo: se provássemos a pluralidade de existências da alma, iria por terrra a fortaleza do Positivismo, e erguer-se-ia, triunfante, a do espiritualismo.

Separamo-nos, feito o pacto, para a sessão seguinte.

No intervalo, foi Deus servido que aquela grande alma, só amesquinhada e privada de subir ao alto destino dos Espíritos por aquele fatal erro, tivesse a prova da pluralidade de existências corpóreas dos Espíritos.

Foi conduzido por seus protetores a uma sessão de obsessão, onde o Espírito obsessor declarou perseguir a obsedada, por graves ofensas de uma existência, em que se relacionaram há cerca de trezentos anos.

E o nosso amigo pôde ver e reconhecer na obsedada um personagem histórico da Espanha, naquela época.

Quando nos encontramos, em nosso trabalho e no dia aprazado, foi ele quem nos dispensou da prova, dizendo que a tinha tido visual e palpável.

E, tomando a palavra, com uma lógica e eloquência de prender e de arrebatar, pulverizou o materialismo e o Positivismo, que sobre ele assenta, e desenvolveu, como nunca tínhamos ouvido alguém fazer, a verdade e a excelsa grandeza do Espiritismo.

Sua confissão a Jesus e ao Pai foi ungida de tão puros sentimentos, partidos de um coração contrito e humilhado, que todos os presentes, banhados em lágrimas, se edificaram nela.

O converso em tão boa hora que não tardará a volver à vida corpórea, mas já em missão de propagar a grande lei do progresso humano, chamou-se entre nós de Benjamim Constant.

Pois bem; N. fará de nossos pálidos artigos, o que fez Benjamin Constant de nossa débil argumentação. Assim o esperamos.

Seria o momento de dizermos ao nosso interpelante a palavra de despedida, repassada do sentido reconhecimento pelo modo gentil com que falou ao obscuro Max; não queremos, porém, deixar a arena, sem varrê-la de um equívoco que escapou à pena do amestrado literato.

Terminando seu artigo, com que nos temos ocupado, N. escreveu estas linhas: “Etiphas Levy combate o Espiritismo. A fé sem razão é loucura, diz ele; eis porque eu, querendo acreditar, hesito muitas vezes com medo da camisola de força”.

A fé sem razão é loucura. Quem o contesta?

Nós, os espíritas, têmo-lo por dogma, tanto que recusamos por herética, blasfema, irracional, e, por tudo isto, impossível, a fé passiva imposta nos fieis pela Igreja romana.

O Espiritismo prega a fé raciocinada, única que se conforma com a majestade do Criador e com a grandeza da sua mais distinta criatura.

E nem é por outra razão que o Espiritismo combate princípios impostos pela infabilidade de Roma.

Leia N. as obras fundamentais do Espiritismo - e verá, principalmente no Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que a base essencial da nova doutrina é: nada aceitar e nada repelir sem o mais severo e profundo exame.

Desde quando e onde descobriu Etiphas Levy que o Espiritismo prega a fé passiva ou fé sem razão?

Desafiamos a ele ou a quem quer que seja que publique um trecho das obras fundamentais, que autorize semelhante conceito.

Quando, em todos os recentes apologéticos católicos, somos classificados - livres-pensadores - exatamente porque não aceitamos autoridade sem exame em matéria de fé; é belo ver Etiphas Levy classificar-nos - escravos da fé passiva, da autoridade sem exame!

O próprio Allan Kardec impõe o preceito - de nada se admitir do que ensina o Espiritismo, sem o mais criterioso exame.

É que Etiphas Levy, como a maior parte dos que combatem o Espiritismo, nunca o estudou, e fez obra pelo que ouve dizer.

Se é, pois firmado na sentença lavrada contra o Espiritismo por Etiphas Levy, que o ilustre N., querendo acreditar, hesita muitas vezes com medo da camisola de força, pode perder este medo, porque entre nós não tem fôro de cidade a tal fé sem razão - e, portanto, essa loucura.

Podemos bem, parodiando o sublime autor dos Lusíadas, dizer, com o melhor fundamento: aos infieis, senhor - aos infieis; aos católicos - aos católicos, que creem, porque crê e manda crer a santa Igreja, com o seu infalível.

Feito este reparo, despede-se muito reventemente,

Max.

(Da União Espírita)

* Reproduzido conforme texto original. Confira na “Seção Livre” do Jornal “O Paiz”, edição de 04.06.1894. Para acessar os volumes desta série - a maior e melhor coleção de artigos de jornal já publicados em lingua portuguesa, sobre a Doutrina Espírita - editados por nossa CASA, consulte nossa Biblioteca Virtual ou o Museu Virtual Bezerra de Menezes.