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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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Aviso: Seguiremos com a interrupção de nossas atividades presenciais até 30 de novembro. Agradecemos a compreensão. A direção.

CRBBM convida para suas reuniões virtuais

Com as atividades presenciais interrompidas desde março último, devido aos cuidados necessários para profilaxia da atual pandemia, decidimos experimentar o uso da plataforma ZOOM para poder dar prosseguimento, ainda que parcialmente, aos nossos estudos e preces em conjunto, promovendo então, a partir dessa semana, as nossas reuniões virtuais. Estão todos convidados, vejam por favor abaixo as instruções necessárias:



RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PARTICIPAÇÃO EM NOSSAS REUNIÕES VIRTUAIS:

ANTES DA REUNIÃO

Ilustração sobre reuniões virtuais

DURANTE A REUNIÃO

AVISO LEGAL

O conteúdo digital das reuniões pertence exclusivamente a CRBBM, e portanto, qualquer divulgação deste material ou partes contidas nele, necessita de prévia autorização da direção, sujeitando o infrator às penas da lei.

MENSAGEM DE NATAL

Pietro Ubaldi, Natal de 1931

Bolas de natalNo silêncio da Noite Santa, escuta-me. Põe de lado todo o saber e tuas recordações; põe-te de parte e esquece tudo. Abandona-te à minha voz; inerte, vazio, no nada; no mais completo silêncio do espaço e do tempo. Neste vazio, ouve minha voz que te diz - ergue-te e fala: Sou eu.

Exulta pela minha presença: grande bem ela é para ti; grande prêmio que duramente mereceste. É aquele sinal que tanto invocaste deste mundo maior em que vivo e em que tu creste. Não perguntes meu nome; não procures individuar-me. Não poderias; ninguém o poderia. Não tentes uma inútil hipótese. Sabes que sou sempre o mesmo.

Minha voz, que para teus ouvidos é terna, como é amiga para todos os pequeninos que sofrem na sombra, sabe também ser vibrante e tonante, como jamais a sentiste. Não te preocupes; escreve. Minha palavra dirige-se às profundezas da consciência e toca, no mais íntimo, a alma de quem a escuta. Será somente ouvida por quem se tornou capaz de ouvi-la. Para os outros, perder-se-á no vozear imenso da vida. Não importa, porém: ela deve ser dita.

Falo hoje a todos os justos da Terra e os chamo de todas as partes do mundo, a fim de unificarem suas aspirações e preces numa oblata que se eleve ao Céu. Que nenhuma barreira de religião, de nacionalidade ou de raça os divida, porque não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos.

A divisão está no íntimo da consciência e não no vosso aspecto exterior, visível. Todos os que sinceramente querem compreender o compreendem. Cada um, intimamente, se conhece, sem que o próprio vizinho possa percebê-lo.

Minha palavra é universal, mas também é um apelo íntimo, pessoal, a cada um. Muitos a reconhecerão.

Uma grande transformação se aproxima para a vida do mundo. Minha voz é singular; porém, outras se elevarão, muito em breve, sempre mais fortes, fixando-se em todas as partes do mundo, para que o conselho a ninguém falte.

Não temas; escreve e olha. Contempla a trajetória dos acontecimentos humanos: ela se estende pelo futuro. Quem não está preso nas vossas férreas jaulas de espaço e tempo, vê, naturalmente, o futuro. Isso que te exponho à vista, é também coerente segundo vossa lógica humana e, portanto, vos é compreensível.

Rosto de CristoOs povos, tanto quanto os indivíduos, têm uma responsabilidade nas transformações históricas, que seguem um curso lógico; existe um encadeamento de causas históricas que, se são livres nas premissas, são necessárias nas conseqüências.

A lei da justiça, aspecto do equilíbrio universal, sob cujo governo tudo se realiza, inclusive em vosso mundo, quer que o equilíbrio seja restaurado e que as culpas e os erros sejam corrigidos pela dor. O que chamais de mal, de injustiça, é a natural e justa reação que neutraliza os efeitos de vossos atos. Tudo é desejado, tudo é merecido, embora não estejais preparados para recordar o "como" e o "quando". De dor está cheio o vosso mundo, porque é um mundo selvagem: lugar de sofrimento e de provas. Mas, não temais a dor, que é a única coisa verdadeiramente grande que possuís. É o instrumento que tendes para a conquista de vossa redenção e de vossa libertação. Bem-aventurados os que sofrem, Cristo vos disse.

O progresso científico, principal fruto de vossa época, ainda avançará no campo material. Está, entretanto, acumulando energias, riquezas, instrumentos para uma nova e grande explosão. Imaginai a que ponto chegará o progresso mecânico, ampliando-se ainda mais, se tanto já conseguiu em poucos anos! Não mais existirão, na verdade, distâncias: os diferentes povos de tal modo se comunicarão que haverá uma sociedade única.

A mente humana, porém, troca de direção de quando em quando, vive ciclos, períodos, e, nessas várias fases, deve defrontar diferentes problemas. O futuro contém não só continuações, mas transformações: conseqüências de um processo natural de saturação. O vosso progresso científico tende a tornar-se e tornar-se-á tão hipertrófico – porque não contrabalançado por um paralelo progresso moral –, que o equilíbrio não poderá ser mantido nos acontecimentos históricos. Tem crescido e, sem precedentes na história, crescerá cada vez mais o domínio humano sobre as forças da natureza. Um imenso poder terá o homem, mas ele para isso não está preparado moralmente, porque a vossa psicologia infelizmente é, em substância, a mesma da tenebrosa Idade Média. É um poder demasiadamente grande e novo para vossas mãos inexperientes.

O homem será dominado por uma tão alargada sensação de orgulho e de força, que se trairá. A desproporção entre o vosso poder e a altura ética de vossa vida far-se-á cada dia mais acentuada, porque cada dia que passa é irresistivelmente para vós, que vos lançastes nessa direção, um dia de progresso material.

As idéias são lançadas no tempo com massa que lhes é própria, como os bólidos no espaço. Eu percebo um aumentar de tensão, lento porém constante, que preludia o inevitável explodir do raio. Essa explosão é a última conseqüência, mesmo de acordo com a vossa lógica, de todo o movimento. Desproporção e desequilíbrio não podem durar; a Lei quer que se resolvam num novo equilíbrio. Assim como a última molécula de gelo faz desmoronar o iceberg gigantesco, assim também de uma centelha qualquer surgirá o incêndio. Antigamente os cataclismos históricos, por viverem isolados os povos, podiam manter-se circunscritos; agora não. Muitos que estão nascendo, vê-lo-ão.

Capa do volume As Grandes MensagensA destruição, porém, é necessária. Haverá destruição somente do que é forma, incrustação, cristalização de tudo o que deve desaparecer, para que permaneça apenas a idéia que sintetiza o valor das coisas. Um grande batismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio livremente violado: grande mal, condição de um bem maior.

Depois disso a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio, retomando, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará; o espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro. Então, aprendereis a ver-nos e a escutar-nos; desceremos em multidão e conhecereis a Verdade.

Basta por agora; vai e repousa. Voltarei; porém recorda que minha palavra é feita de bondade e somente um objetivo de bondade pode atrair-me. Onde existir apenas a curiosidade, desejo de emoção, leviandade ou ainda céptica pesquisa científica, aí não estarei. Somente a bondade, o amor, a dor, me atraem.

Eu presido ao progresso espiritual do vosso planeta e para o progresso espiritual um ato de bondade tem mais valor que uma descoberta científica. Não invoqueis a prova do prodígio, quando podeis possuir a da razão e da fé. É vossa baixeza que vos leva a admirar como sinal de verdade e poder, a exceção que viola a ordem divina. Se isso pode assombrar-vos e convencer-vos, a vós, anarquistas e rebeldes, para nós, no Alto, ela constitui a mais estridente e ofensiva dissonância; é a mais repugnante violação da ordem suprema em que repousamos e em cuja harmonia vibramos, felizes. Não procureis semelhante prova; reconhecei-a, antes, na qualidade da minha palavra.

A todos digo: Paz!

ESTUDOS FILOSÓFICOS

Bezerra de MenezesRequiem eternam dona ei, Domine1, eis a fórmula de suplicar pelos mortos, adotada pela Igreja.

Repouso eterno para o Espírito é o mesmo que o nirvana, que faz a suprema aspiração dos budistas.

A Igreja não vê que a morte é o prelúdio de uma vida nova, em que o Espírito tem mais que progredir?

Ficaremos no pé de desenvolvimento intelectual e moral, em que acabamos na Terra, se, após a morte, vem o juiz definitivo.

Mas o que somos ao sair desta vida, num e noutro daqueles sentidos? Somos uma escala infinita, cujo mais alto grau não dá para nos lisonjearmos, nem do saber, nem da virtude que nos adornam.

Pode-se crer que o Onipotente nos tirasse do nada e nos desse aspirações infinitas, para nos encerrar em tão estreitos limites?

E os que apenas têm esboçado os delineamentos de sua evolução – esses Espíritos envoltos nas trevas da razão e da consciência!...

Se o Criador lhes corta o fio do progresso no ponto em que acabam na vida, o plano da criação humana é repugnante à própria natureza humana.

Será admissível que nossa natureza nos minta - que nos dê instintos ilusórios e falsas aspirações?

O homem, mesmo em relação às coisas da vida, manifesta invariavelmente uma tendência irresistível para subir – subir - subir, sem nunca chegar a uma altura, que lhe satisfaça a ambição.

Isso prova que recebemos uma impulsão original que nos projeta muito além para além dos limites da nossa curta existência terrestre; - e que foi bem compreendida nestas eloquentes palavras do poeta filósofo: sors tua mortalis, non est mortale quod optas2.

Sobre a base da vida única – do juízo definitivo depois da morte – da definição do nosso destino após aquele juízo, a cosmogonia que se arquitetar é triste - enfezada, repulsiva à razão e à consciência.

Sobre a base das vidas sucessivas e solidárias levanta-se uma cosmogonia sublime, rica de luz, orgulho da criatura e prova da infinita grandeza do Criador.

Admitamos, por um momento, que o leitor ainda não está convencido da verdade espírita; que recusa fé ao que lhe diz a lógica e ao que lhe mostrou a experiência.

Continuemos nossa missão; construamos fielmente o edifício da cosmogonia assente no princípio da vida única, defronte do que assenta no princípio das vidas sucessivas.

Um defronte do outro, para que a distância não amorteça as impressões que produz em nossa alma a contemplação de um e de outro.

Infelizmente o espaço não dá para erguermos ao mesmo tempo os dois quadros que devem ser presentes à nossa vista interna.

Um deve subir, quando o outro tiver descido.

A sucessão, porém, será rápida - tão rápida quanto é permitido a quem só tem licença de expor aos domingos.

Suprirá, entretanto, o leitor essa dificuldade que não podemos remover.

Começaremos pela que tem a prioridade cronológica - pela cosmogonia de Moisés, que a Igreja adotou e ensina.

Antes, porém, de começarmos este trabalho, que reclama todo o nosso fôlego, permitir-nos-ão que concluamos este artigo, dizendo algumas palavras sobre a diferença de meios de propaganda adotados pelo Catolicismo e pelo Espiritismo.

Escada de Jacó em visão modernaA Igreja, convencida da origem divina de tudo o que constitui seu repertório doutrinário, exige da fraca humanidade o que é contrário à sua natureza tanto como superior às suas forças - uma fé cega e passiva - para tudo que ela crê e manda crer.

O Espiritismo, também convencido da origem divina dos princípios que veio revelar à humanidade, não exige entretanto desta senão que acredite no que vê - ouve - e apalpa, empregando sua razão na discriminação do erro e da verdade, que inquinam a fonte, onde bebe todas as suas crenças.

Será possível que Deus dê olhos para vermos objetos físicos; - dê a razão para vermos o que não é material, e, ao passo que nos permite usar daqueles sem restrições, nos imponha a obrigação de trancarmos as portas desta quando se trata do que há de mais essencial para nós, o que entende com o destino que nos foi dado?

Será possível que tenhamos liberdade de usar nossa razão em tudo o que só interessa indiretamente, ou nada interessa à alma, e que nos seja vedado recorrer a essa fonte de luz, desde que se trata do que tem influência sobre o que nos deve ser bem ou mal, em relação a nosso destino?

Que merecimento pode ter quem não tem o livre-arbítrio?

E pode dizer que o tem, em relação aos princípios religiosos, quem é obrigado a crer?

E que obra é essa da Infinita Perfeição que precisa evitar o livre exame da imperfeição humana?

Não compreendemos, talvez porque não recebemos o dom da graça, privilégio que se atribui ao Deus de justiça e de amor; não compreendemos o valor moral que reveste a alma do que é cristão, porque lhe dizem - crê ou morre.

Nós acreditamos que o único Espírito que pode chegar a Deus e alegar os merecimentos de sua fé cristã é aquele que, estudando a sublime doutrina de Jesus, recebeu pela razão e pela consciência a crença – a convicção, de que nela se contém a verdade emanada do Céu.

Deus não pode querer uma fé passiva da parte da criatura, que Ele mesmo fez racional.

Seria isso uma contradição inadmissível em nossa humanidade, quanto mais em o Ser Perfeito, que pôs em jogo o infinito número de forças que mantém a harmonia do Universo, sem que jamais uma se choque contra outra.

Ser-se racional - e, ao mesmo tempo, ser-se obrigado a receber crenças sem a intervenção da razão, é um monstro moral, que é até blasfêmia atribuir a Deus.

O Espiritismo dá à criatura o direito de crer segundo sua razão - e demonstra que essa é a lei de Deus, tanto que o ensino revelado tem-nos vindo progressivamente.

Max.

(Da União Espírita do Brasil)

Notas:

  1. (Nota do Organizador) “Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso”, in DOMINGUES, Agostinho de Jesus. OS CLÁSSICOS LATINOS NAS ANTOLOGIAS ESCOLARES DOS JESUÍTAS NOS PRIMEIROS CICLOS DE ESTUDOS PÓS-ELEMENTARES NO SÉCULO XVI EM PORTUGAL. Porto, 2002. Dissertação para Doutoramento em História Moderna, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
  2. (Nota do Organizador) Dr. Bezerra refere-se aqui ao poeta romano Ovídio (43aC – 17/18dc) e à sua obra Metamorfoses, Livro 15. A frase acima é atribuída ao deus Apolo, pai de Faetonte, que diz ao filho: “Dum mortal é a tua condição; próprio dum imortal, aquilo que pedes”. (Idem anterior)

* Reproduzido conforme texto original. Confira na “Seção Livre” do Jornal “O Paiz”, edição de 25-12-1897. Para baixar gratuitamente o 1o. volume desta abençoada coleção de artigos visite nosso Museu Virtual Bezerra de Menenezes.

ESPIRITISMO CRISTÃO

ANUNCIAÇÃO (LUCAS: Cap. I, v. 26-38) - CONTINUAÇÃO

O Corpo fluídico de Jesus

Jesus houvera podido, unicamente por ato exclusivo da sua vontade, atraindo a si os fluidos ambientes necessários, constituir o perispírito ou corpo fluídico tangível que vestiu para surgir no vosso mundo sob o aspecto de uma criancinha. Maria, porém, antes da sua encarnação, pedira, por devotamento e por amor, a graça de participar da obra de Jesus, atraindo, pela emanação de seus fluidos perispiríticos, os fluidos ambientes necessários a constituição daquele perispírito. Dessa maneira se tinha que verificar a sua cooperação, mas de forma para ela inconsciente, porquanto o estado de encarnação humana lhe não permitia lembrar-se. Assim, ao aproximar-se o momento final da sua gravidez aos olhos dos homens, ela, inconscientemente, mas ardendo no desejo de cumprir a missão que o Senhor lhe revelara por intermédio do anjo ou Espírito superior que lhe fora enviado, estabeleceu, pela emanação dos fluidos do seu perispírito, uma irradiação simpática, que atraiu os fluidos necessários à formação do corpo fluídico de Jesus. Nenhum efeito, entretanto, teria produzido a ação inconsciente de Maria, sem a intervenção da vontade daquele que ia descer ao vosso mundo. Jesus, pois, constituiu, ele próprio, pela ação da sua vontade, o perispírito tangível e quase material, que se tornou, tendo-se em vista o planeta em que habitais, um corpo relativamente semelhante ao vosso.

Falando desse invólucro fluídico, a que chamamos, para sermos percebidos pelo vosso entendimento humano, perispírito tangível, dissemos: e quase material. Era quase material, no sentido de que Jesus assimilara, para formá-lo, os fluidos ambientes que servem à formação dos vossos seres.

Não esqueçais que o Espírito assimila seu perispírito às regiões que percorre; que a terra é um dos mundos inferiores e que, por conseguinte, os elementos de tangibilidade podem aí reunir-se tanto mais facilmente, quanto mais poderosa seja a vontade do Espírito. A ciência humana acha cômodo rir toda vez que é incapaz de compreender. Sim, o perispírito do homem, sobretudo no estado de tangibilidade, é semi-material. A ciência já encontrou porventura meio de comparar o ambiente que vos cerca com os dos outros planetas? Já pôde acaso o sábio descer aos planetas inferiores, para sentir que o ar que os envolve o sufocaria pelo seu peso, lhe toldaria a vista pela sua espessura e se lhe afiguraria um véu estendido por sobre tudo o que em torno dele se encontrasse? Já subiu às regiões superiores, a fim de experimentar a vertigem que lhe causaria a sutileza do ar? Já sentiu seus olhos se dilatarem com o auxílio das camadas de ar superpostas e, varando distâncias para ele incomensuráveis, ir a sua vista perceber objetos em dimensões tais, que os vossos telescópios não lograriam divisar? Qual a razão dessas diferenças? É que as camadas de fluidos são apropriadas às vossas necessidades. Vós o sabeis e dizeis, mas não compreendeis as causas e não procurais compreender os efeitos. O perispírito humano, como perispírito tangível, com relação a vós, é semimaterial, assim como o vapor é semilíquido e a fumaça semi-aérea.

Relativamente à natureza que vos é peculiar, o corpo dos habitantes dos mundos superiores, bem como o perispírito humano do vosso planeta, é um corpo fluídico. Quando vos é dado vê-lo, tem toda a aparência de material.

O corpo perispirítico de Jesus era mais material do que o corpo perispirítico do Espírito superior, nenhuma comparação podendo, entretanto, ser estabelecida a esse respeito. Maior ainda era a diferença entre esse corpo de Jesus e os vossos corpos de lama. Aquele participava em grande escala do corpo do homem nos mundos superiores, por isso que se compunha dos mesmos elementos, mas modificado, solidificado por meio dos fluidos humanos ou animalizados, de modo a manter-se, segundo a vontade do Mestre e as necessidades da sua missão terrena, visível e tangível para os homens, com todas as humanas aparências corporais do vosso planeta.

(Continua na próxima edição - Transcrito e adaptado de "Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Tomo I, item 14)

VISÃO NOVA

Panorama do UniversoAs ilusões da vida comum são demasiado espessas para que o raio da verdade consiga varar, de pronto, a grossa camada de véus que envolvem a mente humana.

A intimidade com outros mundos, tão celebrada por nós - os espiritistas - continua, como sempre, um grande e abençoado sonho: de quando em quando, o obreiro prestimoso, na posição do aprendiz necessitado de estímulo, é agraciado com uma ou outra excursão de mais largo voo, mas sempre condicionado a horário curto e possibilidades restritas de permanência fora do seu habitat; o que também ocorre aos investigadores da estratosfera, que vocês conhecem na Terra - viagens rápidas e apressadas, com limitações de ausência e reduzidos recursos de sustentação.

Vocês já imaginaram o que seja o Espaço, esse domínio imenso povoado de forças espirituais que ainda não conseguimos compreender em seus simples rudimentos? E já calcularam o que venha a ser esse plano infinito, onde a luz viaja com a velocidade de 300 mil quilômetros por segundo?

Francamente, hoje creio que um ser humano, dentro do nosso sistema solar, é comparativamente muito menor que uma formiga no corpo ciclópico da montanha onde se oculta.

Sentindo-nos assim quase na condição de ameba pensante, somos, depois do transe carnal, naturalmente constrangidos a singulares metamorfoses do senso íntimo. Sempre nos supomos figuras centrais do universo, e acreditamos ingênuamente que o nosso desaparecimento há de perturbar o curso dos seres e das coisas... Contudo, no dia imediato ao de nossa partida - quando nos é poss(vel observar - reparamos que os corações mais afins do nosso providenciam medidas urgentes para a solução de quaisquer problemas nascidos da nossa ausência.

Se deixamos débitos sob resgate, pensamentos pungentes desfecham-se daí sobre nós, cercando-nos de aflições purgatoriais; e se algum bem material legamos aos descendentes, é preciso invocar a serenidade para podermos contemplar sem angústia os tristes aspectos mentais que se desenham em torno do espólio...

A vida prossegue imperturbável, porém, e nós precisamos acompanhar-lhe o ritmo na ação renovadora e constante. Somos, assim atribulados por enormes problemas.

Não temos mais como prosseguir com as ilusões a que nos agarrávamos entre conceitos provisórios e títulos convencionais, e nem podemos de imediato penetrar nos serviços da Espiritualidade Superior - por nos faltarem credenciais de luz íntima, com o amor e a sabedoria por bases.

Resta-nos, pois, diante das transformações inelutáveis da morte física, recomeçar humildemente aqui o velho curso de aperfeiçoamento moral, reaprendendo antigas lições de simplicidade e serviço.

E quando nos comunicamos entre as pessoas de boa-vontade, é natural que não sejamos os espíritos iludidos de ontem, mas os discípulos da verdade no presente imperecível, edificados na integração mais perfeita com os prindpios de Jesus, não obstante a nossa demora multi-secular em pleno jardim-da-infância.

Ignácio Bittencourt

(Mensagem originalmente publicada em "O Cristão Espírita", ed.73, de janeiro-junho de 1984)