Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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AZAMOR SERRÃO, NOSSA "ANTENA CELESTE"

Azamôr durante a primeira visita ao Brasil, entre 2 e 4 anos.Azamôr Serrão nasceu em Portugal, na freguesia de Jou, Concelho de Murça, na região de Trás-os-Montes, a 23 de Janeiro de 1915. Visitou o Brasil aos 2 anos. Voltou para ficar definitivamente em nosso país aos seis anos.

Revelou tendências artísticas ainda em tenra idade: canto, artes dramáticas (chegou a participar de grupos de teatro amador), desenho e pintura.

Profissionalmente, firmou-se no comércio de roupas masculinas. Começou a trabalhar cedo, e logo tornou-se destacado balconista pela eficiência em vendas e extrema facilidade em conquistar a amizade dos clientes, como também por seu perfil sincero, prestativo e solidário. Sua empolgação com a moda masculina o dispôs a participar em varias atividades operacionais do ramo, passando por áreas como alfaiataria e camisaria. Destacou-se na estética expositiva como vitrinista e, ainda jovem, gerenciou lojas de grande evidência em sua época.

Sua mediunidade foi também precoce. Fez-se presente desde a infância mas, por ser de família católica e muito tradicional, teve que desenvolvê-la por conta própria, em plena puberdade. Seu primeiro núcleo de atividade espírita foi o Grupo Antônio de Pádua. Ficava no centro da cidade (RJ), próximo à loja em que trabalhava, e ainda pôde contar com o apoio do chefe: o proprietário da loja, Sr.Agostinho, era também o dirigente dessa casa espírita...

O jovem Azamôr Serrão, como gerente da conceituada loja de moda masculina, Soares & Maia.Aos 21, casou-se com jovem de família também católica, conservadora, Innocência Gonçalvês Pereira. Interrompeu, por isso, suas atividades mediúnicas. Só voltou a um centro espírita aos 35 anos, sofrendo intenso assédio de espíritos perturbados. Com o reinício das atividades mediúnicas, cessaram as periódicas reaçõ es estranhas e desconexas que culminavam com perda de consciência e que tanto intrigavam os médicos que tratavam sua diabetes, fazendo-os supor ser reação à insulina aplicada no seu tratamento. Azamôr viu confirmar-se, então, o que já sabia desde a pré-adolescência: os incômodos provinham do assédio de Espíritos sofredores atraídos pelas radiações magnéticas de sua intensa mediunidade já amadurecida. Foi nesta época que começou a receber as orientações de seu guia Ali-Omar, preparando-o para a recepçãção de nosso venerável Patrono - Bezerra de Menezes.

Não foram necessários mais que quatro anos de atividades regulares no centro espírita Tenda dos Irmãos do Oriente (Botafogo/RJ), para que atingisse toda a plenitude mediúnica, passando a transmitir com regularidade receituários de Bezerra de Menezes e conselhos com orientações filosóficas de Ali-Omar. Em pouco tempo o atendimento semanal já beneficiava centena de aflitos.

Um acidente estranho, inusitado mesmo, marca esse período. Dizem que a vida, por expressar a vontade de Deus, “escreve certo por linhas tortas”, mas Azamôr sabia que é miopia nossa - espiritual - que nos leva a entender assim, e que os traços da Sabedoria Divina são sempre da mais perfeita exatidão...

Azamôr Serrão, já cego, acompanhado de sua esposa Innocência.Azamôr controlava bem sua diabetes, com segurança, há mais de 40 anos. Nunca se descuidara. Inexplicavelmente, nesse momento de sua vida, relaxara nos cuidados, entrando repentinamente em perigoso e repentino coma. O médico que o assistia, diante da crise crescente e fora de controle, retirou-se do caso, alegando viagem urgente. Esposa e filhos, atônitos, apelavam para os socorros de emergência, e justo naquele transe difícil, descomunal temporal desabava sobre a cidade do Rio de Janeiro, com ruas inundadas e comunicações interrompidas.

O primeiro pedido de socorro fora dirigido à Casa de Saúde São Victor, que ficava na praia de Botafogo. Mas, a rua São Clemente, onde residia a família, alagada, estava inviabilizada para o trânsito de veículos. Tudo apontava para trágico desfecho e a iminente desencarnação de Azamôr Serrão.

Toca então a campainha e, ao atender-se à porta, encontrava-se diante dela um homem com maleta na mão, encharcado dos pés a cabeça. Era o Dr. Pinkuas Fishman, que tivera de deixar seu carro enguiçado e seguira a pé, com água na cintura, determinado a chegar até ali pela consciência da gravidade da emergência em andamento.

A situação era crítica. Para salvá-lo, Dr. Fishman serviu-se de um recurso extremo - cloreto de potássio dissolvido em suco de laranja - deglutido mecanicamente, estimulado com massagens na garganta. Surgiram a partir daí as primeiras reações positivas, mas o dedicado médico alertava que possivelmente sérias sequelas deveriam advir, após lenta e gradativa recuperação.

Azamôr Serrão, antena celeste, na antiga sede da CRBBM, à rua 19 de fevereiro (Botafogo / RJ), ao final de longo e intenso trabalho de receituário.Superada toda essa dramática e aflitiva situação, Azamôr encontrou providencial repouso em aprazível sítio, em Barão de Javari, estadia oferecida pelo amigo e compadre Raimundo Petindá. Foi aí que, através de comunicação psicofônica de Ali-Omar, recebeu, junto à família, informações esclarecedoras sobre o que ocorrera durante o coma.

Azamôr perdera tempo precioso na existência atual, e não conseguira completar a importante missão mediúnica a que viera destinado. Seu tempo esgotara-se, e o coma poderia ter sido fatal, mas Dr. Bezerra contava com a sua colaboração para importantíssima tarefa, para a qual, pela sua firme dedicação aos compromissos mediúnicos nos últimos anos, tornara-se plenamente qualificado. O excelso, operoso e amorável trabalhador da Seara do Cristo, solicitara a Jesus uma pequena prorrogação, para que não se comprometesse a oportunidade de serviço, e logo recebera a aquiescência para o seu seu pedido de tempo adicional - 10 anos. Nessa extensão de vida física que lhe fora concedida, Azamôr deveria cumprir a missão assumida, acrescentada da prova da cegueira.

Na bucólica paisagem do sertão fluminense, Azamôr e os Espíritos responsáveis pela nova empreitada encontraram então a paz que desejavam para alinhavarem os planos fundamentais para a criação da Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes. Desfrutando durante quase 30 dias de uma atmosfera privilegiada, e tendo ao lado a “sua Innocência”1, sentia-se novamente revigorado, pronto para o início da nova e decisiva etapa de sua vida...

Estávamos então em meados de 1959. Azamôr Serrão só desencarnou de fato dez anos mais tarde, por um novo coma diabético, a 1º de agosto de 1969.

Retornara da crise, portanto, consciente do valor da concessão recebida. Levantou-se do coma mais firme, dedicado e eficiente do que nunca, na operosa tarefa mediúnica de receituário e aconselhamentos. Feliz, sentia-se recuperando o tempo perdido. Confirmara-se, igualmente, o acréscimo de suas provas, com o surgimento de uma retinopatia, que progressivamente o deixaria totalmente cego2.

Azamôr SerrãoPara ter mais independência para seguir, fiel e firmemente, as orientações de seu mentor, Ali-Omar, e do irmão Bezerra, deixou o grupo a que originalmente se filiara, para exercício da mediunidade receitista, junto a outros 18 companheiros de trabalhos, criando, primeiro, a “Iniciação Espírita "Bezerra de Menezes”, voltada ao estudo das obras de Kardec e, depois, fundando a “Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes”, a 03 de junho de 1961.

A nascente oficina de Bezerra estaria permanentemente aberta a todos os aflitos, doentes do corpo ou do Espírito, como também a todos que dela se aproximassem em busca da fé raciocinada oferecida pelo Espiritismo. O profundo sentimento cristão do Excelso Mentor, Bezerra de Menezes, deveria se refletir nos padrões de conduta fraterna e tolerante de seus colaboradores, sob a determinada liderança de Azamôr Serrão, “antena celeste” - médium cristão - dotado de plena segurança mediúnica em variadas faculdades: vidência, desdobramento, psicofonia e psicografia.

Esta última tinha como expressão maior o intenso e efetivo receituário de Bezerra de Menezes, realizando inúmeras e impressionantes curas, além de muitas comunicações esclarecedoras, incentivando o despertar da consciência cristã vivenciada, algumas das quais apresentamos a seguir.

Azamôr conseguiu aproveitar bem a oportunidade que lhe foi concedida. Seus testemunhos, sua dedicação ao bem, sua energia na busca de todas as oportunidades possíveis de serviço ao próximo, foram bastantes para iluminar os dias que obteve de acréscimo com uma luz nova, forte, viva, que acabou por despertar e iluminar também os que com ele conviviam.

Deixou saudades. Admiradores. Histórias mil. Os que não tiveram a honra de conhecê-lo encarnado adoram ouvir os muitos “causos” a seu respeito; e os que foram seus amigos adoram contá-los, para minorar as saudades. Foi também um grande contador de histórias, a maioria de sabor oriental, até hoje presentes em suas comunicações.

Azamôr conseguiu. Deixou de legado o exemplo de sua humanidade intensa, melhor, muito melhor e mais inspiradora que uma santidade prematura ou artificial. A estrofe que cunhou e que adotou como lema, como também para inspiração de muitos de seus artigos no boletim de nossa Casa - O Cristão Espírita - fundado em parceria com o amigo Indalício Mendes, outra figura querida, de saudosa memória, serve aqui como um perfeito resumo biográfico, talvez a mais exata tradução das duas grandes fases de sua vida - antes e depois de sua “estrada de Damasco”: “Evangelho meditado / Fala sempre ao coração. / Evangelho praticado / É permanente oração”.

Azamôr conseguiu. Deus o abençoe.

NOTAS:

  1. Nosso homenageado costumava brincar, entre amigos, dizendo ser o único capaz de apresentar aos demais a “sua Innocência” - nome de sua esposa, como já vimos, dedicada companheira de boas obras...

  2. Aliás, ainda jovem, no inicio de sua convivência espírita, lhe fora anunciada a possível expiação da cegueira, complementando suas provas. Por isso, devidamente prevenido, em lugar de se desesperar ou se revoltar, correu para aprender o alfabeto Braille, enquanto ainda lhe restava alguma visão, para melhor conviver com a nova limitação que se apresentava inevitável. Teve como companhia, no Instituto Benjamim Constant, sua fiel discípula, Dona Armanda, que terminou virando professora de Braille. Acalmava a todos que se penalizavam ao vê-lo cego: “Eu amo a oportunidade da minha cegueira, mas peço que Deus preserve a visão de vocês.

Fonte: "Antena Celeste - Mensagens de Bezerra de Menezes em torno da Mediunidade Cristã", Ed. CRBBM

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Conheça mais sobre Azamor Serrão e a história da CRBBM na página Nossa História.

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OS ÚLTIMOS MOMENTOS DE AZAMÔR SERRÃO

Azamôr Serrão e D. Inocência, sua esposaA última reunião presidida pelo irmão Azamôr Serrão, na Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes, foi a 25 de julho de 1969, sexta-feira. No dia seguinte, 26, sábado, haveria a reunião de médiuns, à qual não compareceu por ordem do Dr. Bezerra de Menezes, a fim de que descansasse e pudesse fazer uma palestra no domingo, dia 27, na Casa de Detenção. De fato, esta parte foi integralmente cumprida por ele, embora, ao regressar à sua residência, sentisse muita dor e solicitasse um medicamento que pudesse aliviá-lo. Depois da prece das 18 horas, ainda no mesmo dia, disse ele que iria providenciar a operação, pois não estava mais suportando o sofrimento. Procurou então um médico amigo, Dr. Hugo Piregeira, que indicou para operá-lo o Dr. Sílvio Campos.

Consultou na segunda-feira o Dr. Sívio Campos, que mostrou-se preocupado, declarando ser necessária a operação de emergência e lamentando não haver vagas no hospital, naquele exato momento. Todavia, prontificou-se a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para que a operação não fosse retardada.

Irmão Azamôr voltou para o seu lar convencido de que somente seria chamado no fim do mês, em vista das dificuldades encontradas. Com surpresa, porém, foi chamado ainda no mesmo dia e se internou no dia imediato, às 8,30h. Na quarta-feira, 30, no mesmo horário, foi feita a operação, e uma hora depois ele já estava de volta à sua residência. É que, graças à intervenção do Dr. Bezerra, nada mais havia a fazer, exceto extrair o olho doente. O médico cirurgião ficou surpreso com o fato.

Tudo correu bem até às 13 horas. Daí em diante ele começou a passar mal. Na quinta-feira, dia 31, das 8 às 11 horas, os médicos lançaram mão de todos os recursos que podiam, mas o estado do irmão Azamôr se agravava minuto a minuto. Às 11 foi levado para a sala de recuperação, de onde as notícias somente podiam ser transmitidas pelo telefone. Continuava o irmão Azamôr inconsciente, apresentando leve melhora à noitinha. Foi então permitido ao irmão Joaquim aproximar-se dele e foi reconhecido, estabelecendo-se entre ambos o seguinte brevíssimo diálogo:

“- Sabe quem está falando?”...“- É o Quincas.” ...Mais nada...

As informações sobre a marcha do seu estado continuaram a ser dadas pelo telefone, até quando se verificou a desencarnação. Eram 11 horas e 45 minutos, justamente quando a irmã Inocência, sua esposa, e seu filho Paulo experimentaram uma sensação muito forte e estranha, como se seus corações houvessem caído. Foi imediata a intuição de que o fato se relacionava com a despedida do querido esposo e pai. Somente se encontravam ali os irmãos Inocência, Paulo e Luzia, sua esposa. A seguir estes dois se retiraram e a irmã Inocência continuou sem poder dormir, trabalhando.

Às 4,50h ela ouviu um ruído de discagem do telefone e admitiu que alguém estivesse pretendendo falar para fora, mas não deu importância à ocorrência. Mas, tratava-se de seu filho, Paulo, que, ansioso, desejava notícias do pai, pois, esclareceu posteriormente, havia sonhado com ele e despertara, vendo-o, em companhia do Dr. Bezerra, na pôpa de um navio, de partindo, dando adeus a pessoas que se achavam no cais. Ao mesmo tempo em que Paulo tinha esse sonho, a irmã Inocência, em casa, sentiu que alguém abria a geladeira, tal como era hábito fazer o irmão Azamôr. Poderia ser simples impressão mas, ao olhar para o lado, viu refletirem-se na vidraça da janela duas imagens: a sua e a do irmão Azamôr. Diante disto, não teve mais dúvidas de que o ruído da geladeira que se abria não era uma alucinação, mas um expediente para despertar a sua atenção para o que a seguir ocorreria.

Emocionada ao extremo, perturbou-se, julgando achar-se com febre e sujeita a enganar-se. Foi quando, para dissipar definitivamente todas as dúvidas, ouviu com grande nitidez a voz de seu marido, Azamôr, dizendo-lhe ternamente:

“- Cencinha, quando lá chegares, não me encontrarás mais. Já parti...”

(Relato feito pela irmã Inocência Serrão, de acordo com os esclarecimentos de todos os envolvidos, na terça-feira, 9 de junho de 1970, à irmã Myriam Neide Mendes de Oliveira, filha do nosso irmão Indalício Mendes) - Texto extraído do volume "Antena Celeste", Ed. CRBBM 2018.