Retrato de Bezerra de Menezes

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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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Aviso: Seguiremos com a interrupção de nossas atividades presenciais até 31 de janeiro. Agradecemos a compreensão. A direção.

CRBBM SEGUE COM SUAS ATIVIDADES
ATRAVÉS DE REUNIÕES VIRTUAIS

Com as atividades presenciais interrompidas desde março último, devido aos cuidados necessários para profilaxia da atual pandemia, decidimos experimentar o uso da plataforma ZOOM para poder dar prosseguimento, ainda que parcialmente, aos nossos estudos e preces em conjunto, promovendo então, a partir dessa semana, as nossas reuniões virtuais. Estão todos convidados, vejam por favor abaixo as instruções necessárias:



RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PARTICIPAÇÃO EM NOSSAS REUNIÕES VIRTUAIS:

ANTES DA REUNIÃO

Ilustração sobre reuniões virtuais

DURANTE A REUNIÃO

AVISO LEGAL

O conteúdo digital das reuniões pertence exclusivamente a CRBBM, e portanto, qualquer divulgação deste material ou partes contidas nele, necessita de prévia autorização da direção, sujeitando o infrator às penas da lei.

GRATIDÃO A KARDEC

Retrato de Allan KardecAs exuberantes claridades do Século das Luzes não foram suficientes para arrancar a criatura humana do materialismo e do pessimismo. Enquanto as Escolas de pensamento se debatiam nas rudes procelas do cepticismo e da negação, apoiadas sobre os alicerces do mecanicismo científico, afirmando a morte do ser no momento da anóxia cerebral, igualmente alargavam-se os horizontes da investigação em torno da personalidade e do comportamento, da psique e da saúde mental, tentando-se compreender a estrutura profunda do inconsciente e da sua constituição neurológica.

Teorias grandiosas apareciam com entusiasmo e emurcheciam dominadas por outras não menos esdrúxulas, que deslumbravam as mentes aturdidas e cansadas do Deus teológico e arbitrário, que atemorizava e punia sem compaixão em nome do amor que preconizava em Seu nome. Pensadores cristãos sinceros, não obstante, proclamavam a necessidade de uma releitura do Evangelho baseados na necessidade de uma renovação moral fundamentada em Deus e liberdade. Espíritos notáveis reencarnados, quais Lamennais, Lacordaire e outros lídimos servidores do Bem, após iniciarem a nova era do pensamento cristão através do seu periódico L'Avenir, convidando os teólogos e estudiosos católicos a uma revisão dos textos evangélicos e aplicação mais consentânea com os dias de então, viram o seu órgão ser fechado pela intolerância clerical, em tentativa cruel de silenciar-lhes a voz, mas não desistindo de dar prosseguimento à luta em favor de uma sociedade feliz e realmente cristã conforme os postulados enunciados e vividos por Jesus.

Dessa forma, pairava na psicosfera cultural da França e do mundo, algo de extraordinário que deveria acontecer para alterar completamente e por definitivo a conduta religiosa que se debatia nos estertores da obstinação medieval, sobrevivente a todos os avançados passos do conhecimento existente. Eram os prenúncios da chegada do Espiritismo, cujos missionários responsáveis pelo ministério já se encontravam reencarnados uns, enquanto os outros preparavam a instalação da Nova Era.

O materialismo vigoroso era a resposta das conquistas logradas nos laboratórios e da reação filosófica de homens e mulheres que não mais se submetiam aos ditames escravocratas das paixões que produziam o fanatismo religioso, sempre distante da realidade, porém, dominante e perverso.

A razão, naqueles dias, libertava-se dos grilhões do magister dixit e a severa vigilância na literatura que somente podia proclamar aquilo que estivesse sob os ditames da revisão religiosa autorizada pelo Imprimatur da Igreja começava a perder força e poder. O panfletismo e as impressões desautorizadas sacudiam as mentes e os corações que aspiravam por liberdade abrindo os horizontes da fé para novas conceituações e procedimentos.

Foi nesse báratro que surgiu O Livro dos Espíritos, publicado pela coragem moral e cultural de Allan Kardec, graças ao compromisso estabelecido com o Sr. Dentu e mantido pela sua viúva Sra. Mélanie, que lhe honrou a memória, ensejando a impostergável revisão e reestudo da doutrina de Jesus sob a óptica da Razão e da Ciência, confirmando a indestrutibilidade do Espírito, a sua comunicabilidade com os seres humanos, a reencarnação, e apresentando a ética-moral que ressuma do Seu Evangelho, e que se encontrava mergulhada no abismo da ignorância e dos interesses subalternos.

Com as novas propostas espíritas, os camartelos do bom senso e da investigação abriram as carcomidas bases das religiões dominantes, facultando novas incursões filosóficas na interpretação dos textos de Jesus e dos Seus discípulos, que trouxeram coragem e alegria de viver aos milhões de sofredores aquartelados nos sombrios redutos da ignorância, do medo ou do desespero e da revolta...

O Espiritismo veio confirmar a promessa de O Consolador proposta por Jesus antes de despedir-se dos amigos, com os notáveis instrumentos da investigação científica e do pensamento ético, ensejando a religião do amor e da razão, únicos requisitos que podem oferecer resistência contra o mal e a perversidade histórica sempre presente nos comportamentos humanos.

Inesperadamente, face ao cinismo e à vulgaridade que o materialismo propunha ao comportamento com expressões hedonistas desgastantes, sentindo-se aturdido e desestruturado, levantou-se para exterminar o Espiritismo utilizando-se do ridículo que antes dirigia aos clérigos e religiosos outros para atingir os médiuns, que eram acusados de charlatães ou de psicopatas, não ocultando os estertores agônicos em que se estorcegava.

Enquanto os religiosos levantavam bandeiras de nova caça às bruxas, repetindo os desgastados refrões medievais, de intervenção demoníaca na sua conduta, o cepticismo orgulhoso e vão ridicularizava a mediunidade e os espíritas utilizando-se de epítetos chulos e mesquinhos, para subestimarem a nova revolução que ignoravam, não tendo a coragem cultural de se dedicarem ao seu estudo e análise. É sempre mais fácil combater o que se ignora, mantendo-se na presunçosa figuração de sapiente do que reconhecer os próprios limites, avançando sempre no rumo de enobrecida erudição. Isto porque, o conhecimento que realmente liberta, impõe conduta compatível com as informações constatadas exigindo radical mudança dos hábitos doentios e primários com os quais se encontra acostumado o indivíduo, para galgar um patamar mais elevado de comportamento, que exige esforço, porém compensa pela plenitude que propicia.

O Espiritismo é uma ciência de profundas consequências ético-morais por estruturar-se na compreensão de uma filosofia existencial estribada no comportamento saudável. De nada adiantaria o conhecimento da imortalidade da alma e os efeitos da sua conduta terrestre, se não proporcionasse uma alteração real na maneira de ser do indivíduo que lhe assimila os paradigmas. Exige, portanto, expressivo esforço do seu adepto para se adequar aos seus impositivos doutrinários.

Sobrevivendo ao Século das Luzes que pôde mais clarear com as estrelas fulgurantes das suas propostas, venceu sobranceiro o Século da Ciência e da Tecnologia, sem que qualquer um dos seus postulados sofresse alteração ou fosse superado, antes confirmados pelas diferentes áreas da investigação científica, seja na Física Quântica, quanto na Biologia Molecular, na Psicologia Transpessoal, quanto na Embriogenia, havendo enfrentado as mais avançadas conquistas revolucionárias dos últimos tempos quais os transplantes de órgãos, a criogenia, a clonagem, a fecundação in vitro, a virusterapia... É o maior adversário da eutanásia, do aborto criminoso, da pena de morte, do suicídio, das guerras, sempre de pé contra o direito humano de matar, avançando estoico pelos caminhos do Terceiro Milênio com as suas propostas libertadoras e nobres, construindo o homem mais saudável, integral e a sociedade feliz por todos anelados.

Dessa forma, recordando o ínclito Codificador Allan Kardec, que abriu a cortina da Nova Era com o seu caráter invulgar de homem de bem, de erudição e de dignidade, nós, os Espíritos-espíritas agradecemos a sua contribuição e valor, por haver sido o excelente instrumento do Mundo espiritual para a Humanidade no momento mais grave do pensamento histórico de todos os tempos.

(Vianna de Carvalho – Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, na noite de 4 de junho de 2001, em Paris, França.)

BEZERRA DE MENEZES: ESTUDOS FILOSÓFICOS - O PAIZ, 14.05.1894

Capa do 3o. volume da Série Estudos Filosóficos, Ed. CRBBMEm nosso passado artigo convidamos N. a caminhar do Ortodoxismo para o Espiritismo, assegurando-lhe: que viriam claro tudo o que entende com a evolução dos Espíritos, desde sua criação até seu destino.(*)

Não deixa-lo-emos caminhar só, por caminhos que ainda lhe são desconhecidos; e, pois, pedimos-lhe vênia para acompanhá-lo na jornada.

Para convencê-lo da verdade do nosso conceito, não faremos a exposição das fases por que passa o Espírito, desde que recebe o ser pensante até que se transforma em estrela humana, cujas irradiações vão progressiva e eternamente se essencializando.

Isto, encontrará o nosso ilustrado companheiro de explorações, na vasta cosmogonia espírita, já hoje desenvolvida por um grande número de autores, cujos nomes são acatados no mundo científico.

Propomo-nos hoje, simplesmente, a um estudo comparativo do materialismo - do Catolicismo - e do Espiritismo sobre os três pontos culminantes da vida humana: o nascer - o viver - e o morrer.

Veremos qual das três doutrinas pode manter suas ideias, a juízo da razão e da consciência, sem fanastismo ou espírito de sistema, diante das verdades verdadeiras, que emergem daqueles pontos.

Examinemos o nascimento - esta fase em que o Espírito apresenta-se tal qual é segundo sua natureza, e não tal qual o faz a educação.

Tomemos um fato que nos sirva de objeto de estudo.

Este fato será a de nascer uma criança: cega, muda, surda e idiota, com infração da lei eterna e imutável: de serem todas as criaturas racionais dotadas, naturalmente, de entendimento e dos cinco sentidos.

Diante desse fato, o materialista estaca: porque lhe é impossível, a ele que só vê no homem um produto da sua força e matéria, explicar como, pelo mesmo processo, uniforme e constante, saem milhões de seres perfeitos - sai um imperfeito - e volve a máquina a trabalhar regularmente, sem contudo deixar de dar, de vez em quando, novos saltos, que produzem novas aberrações.

Pode ele imaginar hipóteses para encobrir sua deficiência, pois que tudo se pode explicar por argúcias; mas o julgador imparcial, isendo de preconceitos e de espírito de sistema, há de se deixar levar por sofismas, que chocam a razão e até o senso comum?

Se se admitir falhas no funcionamento da máquina do Universo, considerado pelo prisma materialista, será fatal esta consequência: um dia pode uma delas produzir a desordem no sistema sideral e, conseguintemente uma convulsão universal, um esboroamento de toda a natureza.

Haverá quem, só para dar razão aos materialistas, queira aceitar estas e quejandas deduções lógicas da doutrina daqueles senhores, posta em confronto com os fatos?

E, mesmo quando estas deduções não fossem lógicas, haverá quem aceite a explicação do fato em estudos, não firmada em princípios sólidos, mas simplesmente em hipóteses gratuitas?

A tal força e matéria comete ou não a observação acima acentuada? Ninguém o pode contestar.

Eis o fato que o materialista não pode explicar senão pondo em risco o universo em peso!

Assim, portanto, o materialismo não dá luz sobre o fato, que nos serve de objeto de estudo; não explica as leis morais do nascimento dos seres humanos!

Consultemos o católico romano.

Este não faz o homem matéria vitalizada; mas sim e essencialmente alma imortal - Espírito.

Não é produto da força e matéria, mas sim de Deus.

O Criador lhe deu esta vida, para ele conquistar, nela e por ela, a vida eterna.

O que mais sofre aqui, mais merecimento faz para o Reino do Céu.

Estes, pois, que trazem do seio materno, quer dizer: das mãos de Deus, o estigma, segundo o mundo, são os predestinados à glória eterna.

Se foram privados dos gozos deste mundo, serão fartamente compensados no outro.

Eis como Roma explica aqueles aleijões da espécie!

Deste ensino colhemos: a verdade da existência da alma, da sua imortalidade e a da existência de Deus onipotente e o onisciente Criador de todas as coisas.

De envolta porém com estas verdades, dá-nos Roma: o ensino de que somos criados para esta vida, e só para ela - e de que o fato que nos serve de objeto de estudo, em vez do mal, é sinal de predestinação.

Como se vê, o cego, o surdo, o mudo e o idiota não dão escândalo quanto à lei eterna da criação dos homens; são tais, por obra da lei, que é a vontade soberana, a qual quer que uns tantos filhos lutem por conquistar a palma do triunfo, enquanto que outros durmam à sombra da bandeira protetora, sem necessidade de lutarem para alcançarem o triunfo!

Deus tem, pois, em relação a seus filhos, preferências e exclusões!

É tão blasfemo tudo isto, que saímos do romanismo quase como saímos do materialismo.

O que diz o Espiritismo?

Diz que nascer não é começar a viver, mas sim passar por uma nova fase na ascensão, que já vem de longas eras, e que se dirige ao infinito, na duração do tempo; que, portanto, esta vida é apenas uma estação na longa via que tomamos para pagarmos a despesa da viagem feita, e prepararmo-nos de forças para continuá-la; que, finalmente, cada um chega à estação com um passivo, maior ou menor, conforme tiver sido perdulário ou econômico.

Deste exposto resultam: que a si, à sua liberdade, deve cada um vir à vida (nascer), mais ou menos sobrecarregado de dívidas a resgatar.

Ora, sendo o sofrimento a moeda do resgate, segue-se que a si, ao uso que fez da sua liberdade, no passado (existências anteriores) deve cada um o maior ou menor sofrimento desta vida de expiação (Purgatório).

A lei é igual para todos: cada um segundo suas obras; e, pois, não há em Deus preferências e exclusões, o que afetaria sua justiça e seu amor paternal.

A criança que nasce privada das faculdades ou dos sentidos, nem sofre os efeitos da preferência, nem os da exclusão da parte de seu Criador; sofre, sim, por obra de uma lei geral, eterna e imutável, as consequências de suas próprias faltas; tanto que, se levar essa dolorosa expiação com resignação, louvando a Deus, lavar-se-á daquelas faltas; e se não o fizr, continuará sob o peso delas. E, pois, não é um predestinado, nem um condenado.

Por este sucinto confronto, que N. com sua brilhante e bem cultivada inteligência pode desenvolver largamente, parece-nos fora de contestação que o materialismo achata-se diante do fato que estudamos - que o romanismo explica-o blasfemando - e que só o Espiritismo lhe dá a razão, harmonizando a justiça com o amor do Pai.

Max.

(Da União Espírita)

* Reproduzido conforme texto original. Confira na “Seção Livre” do Jornal “O Paiz”, edição de 14.05.1894. Para acessar os volumes desta série - a maior e melhor coleção de artigos de jornal já publicados em lingua portuguesa, sobre a Doutrina Espírita - editados por nossa CASA, consulte nossa Biblioteca Virtual ou o Museu Virtual Bezerra de Menezes.

ESPIRITISMO CRISTÃO

NASCIMENTO DE JOÃO" - LUCAS, Cap. 1, v. 57-66

Visita, por Domenico Ghirlandaio (1491)V. 57. Entrementes, chegou a época em que Isabel havia de parir e ela deu à luz um filho. 58. Seus vizinhos e parentes, tendo sabido que o Senhor usara para com ela de misericórdia, a felicitavam. - 59. No oitavo dia, como trouxesse o menino para a circuncisão, todos lhe chamavam Zacarias, dando-lhe o nome do pai. - 60. A mãe, porém, disse: "Não, ele se chamará João." 61. Responderam-lhe: "Não há na vossa família quem tenha esse nome. - 62. E ao mesmo tempo perguntavam ao pai do menino como queria que este se chamasse. - 63. Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: "João é o seu nome"; o que encheu de espanto a toda gente. - 64. No mesmo instante se lhe abriu a boca, soltou-se-lhe a língua e ele entrou a falar bendizendo de Deus. - 65. Todos os que habitavam nas vizinhanças se encheram de temor; e a noticia dessas maravilhas se espalhou por toda a região e montanhas da Judéia; - 66, e todos os que as ouviram narrar guardaram delas lembrança e diziam entre si


Tudo, nos desígnios do Senhor, se encadeia. Todos os acontecimentos estavam preparados e haviam de concorrer para a execução da obra.

A resposta de Isabel aos vizinhos e parentes: "Não, ele se chamará João", não foi efeito de mediunidade audiente, ou de inspiração espírita. Por meio da escrita em tábuas, Zacarias cientificara a Isabel das palavras proferidas pelo anjo ou Espírito que lhe aparecera no templo.

Pelo que já vos dissemos, explicando como se produzira a mudez de Zacarias, deveis compreender por que modo se lhe soltou a língua, isto é, por que modo cessou para ele a mudez e lhe foi restituída a palavra. Pela ação espírita, por efeito do magnetismo espiritual, houve dispersão dos fluidos que tinham servido para tornar pesada a língua e provocar uma paralisia aparente.

(Continua na próxima edição - Transcrito e adaptado de "Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Tomo I, item 28)