Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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NESTE NATAL, PENSE: VIOLÊNCIA NÃO É BRINQUEDO NÃO

Jesus e as criançasViolência não é brinquedo não. Mas tem arma na mão da criança, nos games, nas histórias em quadrinhos, nos desenhos animados... Afinal de contas, quem brinca com fogo, acaba se queimando mesmo?

A infância merece toda atenção e cuidado. Boa alimentação, educação e carinho podem ser traduzidos como formas assertivas para lidar com a saúde do corpo, o desenvolvimento das capacidades da razão para o bom convívio social e o despertamento de bons sentimentos. Contudo, as nossas escolhas têm provado que estamos ainda muito distante daquilo que pode ser considerado como atenção básica à infância. Diante da insegurança e da violência que permeiam todas as crianças, em todas as classes sociais, se nada fizermos, seremos reconhecidos como aqueles que se especializaram em... desatenção básica à infância!!!

A responsabilidade do adulto sobre a vida de uma criança é muito mais que tomar conta, levar para a escola, alimentar, vestir... Se por um lado a negligência e a omissão na educação podem levar tudo a perder, de outro jeito os exageros também promovem graves riscos. Deixar de prover adequadamente as necessidades para o desenvolvimento humano na infância ocasiona, oportunamente, verdadeiros obstáculos para a superação das muitas situações desafiadoras que a vida exige. Mas a falta de limites e ponderação propicia outros tantos problemas também.

Educação é um processo que possibilita o amadurecimento do indivíduo, portanto deve ser pensada como permanente e intransferível, donde se conclui que aquilo que orbita a percepção sensível, ou seja, tudo que a criança vê, toca e sente, pode despertar curiosidade e interesse, bem como acordar informações trazidas pelo espírito no seu arquivo de experiências pretéritas.

O uso da arma nas brincadeiras infantis favorece ao entendimento da criança de que uma das formas aceitáveis de conseguir vencer os obstáculos da vida é através do argumento imposto pelo poder da força. O brinquedo, quando se utiliza de qualquer tipo de arma para despertar fortes emoções, acaba introduzindo na vida da criança a violência como uma das formas de se resolver problemas. Daí em diante, a naturalidade com que a arma se torna presente, sobretudo no ambiente doméstico, contribui para o que temos visto, quer seja, uma escalada de violência sem precedentes na vida social.

As estatísticas não mentem. O crescimento da violência e de todas as mazelas trazidas como consequência deste mal que assalta o nosso tempo, nos faz afirmar, com todas as letras:Ferir, matar ou morrer, de verdade, não é um jogo, muito menos uma diversão!

A infância pede cuidados. A vida pede caminho.

Nesse Natal, pense. Arma não é brinquedo não!

(Campanha pela Paz de nossa CASA - Dezembro de 2022)

ROGATIVA DE NATAL

Estrela de BelémSenhor Jesus!

Quando chegaste à Terra, através dos panos da manjedoura, aguardava-te a Escritura como sendo a luz para os que jazem assentados nas trevas!...

E, em verdade, Senhor, as sombras dominavam o mundo inteiro...

Sombras no trabalho, em forma de escravidão...

Sombras na justiça, em forma de crueldade...

Sombras no templo, em forma de fanatismo...

Sombras na governança, em forma de tirania...

Sombras na mente do povo, em forma de ignorância e de miséria...

Pouco a pouco, no entanto, ao clarão de tua infinita bondade, quebraram-se as algemas da escravidão, transformou-se a crueldade em apreciáveis direitos humanos, transmudou-se o fanatismo em fé raciocinada, converteu-se a tirania em administração e, gradualmente, a ignorância e a miséria vão recebendo o socorro da escola e da solidariedade.

Entretanto, Senhor, ainda sobram trevas no amor, em forma de egoísmo!

Egoísmo no lar... Egoísmo no afeto... Egoísmo na caridade... Egoísmo na prestação de serviço... Egoísmo na devoção...

Mestre, dissipa o nevoeiro que nos obscurece ainda os horizontes e ensina-nos a amar como nos amaste, sem buscar vaidosamente naqueles que amamos o reflexo de nós mesmos, porque, somente em nos sentindo verdadeiros irmãos uns dos outros, é que atingiremos, com a pura fraternidade, a nossa ressurreição para sempre.

(Fonte: "Vozes do Grande Além", página de Emmanuel, psicog. Francisco Cândido Xavier, Ed. FEB)

XVIII CONGRESSO ROUSTAING TRAZ NOVA EDIÇÃO DE
“OS QUATRO EVANGELHOS” SOB A BENÇÃO DE ISMAEL

Nova Edição de Os Quatro Evangelhos, do IBBISNa reta final parecia que nada ia dar certo. As dificuldades se multiplicavam, até chegar ao ponto de inviabilizar de última hora o acesso ao local originalmente programado para o evento, devido a problemas no trânsito.

No final deu tudo muito certo! Transferiu-se o Congresso para as instalações do Educandário Eurípedes Barsanulfo, do Grupo Espírita Regeneração de Sobradinho - DF, sob a presidência do nosso muito estimado Guará. Ficou tudo pronto em 24hs. Resultado: Um show de luz, alegria e fraternidade! Afinal, foi sob as bençãos de Ismael que realizou-se a XVIII a edição do Congresso Jean Baptiste Roustaing, promovido pelo Instituto Brasileiro de Benemerência e Integração do Ser - IBBIS - e já sabemos todos que as trevas não prevalecem frente à luz…

A aula magna, na abertura, ministrada pelo nosso prezado amigo Jorge Damas Martins,na sexta, 04/11, foi um dos mais completos estudos já feitos, até hoje, sobre a missão espiritual do Brasil. Tendo por tema “O Anjo Ismael e a Porciúncula”, Jorge discorreu ao longo de quase duas horas sobre os mais variados aspectos de nossa história e tradições espirituais, salientando sempre a convergência de todos os fatos para a consagração de nosso destino comum: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.

Foi ainda sob o efeito das fortes emoções causadas pelo estudo do nosso Jorge, que Maurício, encerrando a noite, anunciou as duas grandes novidades assinaladas pelo evento: 1o - Lançamento de uma nova edição de “Os Quatro Evangelhos”, de Roustaing (vide foto), em um único exemplar, finamente encadernada e embalada; 2o. - A construção, na sede o IBBIS-DF, de uma réplica da Porciúncula, do mais sagrado símbolo da missão franciscana, da Igrejinha de Santa Maria dos Anjos!

Comoção geral! A noite termina em estado de graça! E foi neste estado de puro contentamento que seguiu o evento no sábado, dia 05, com as valorosas palestras feitas pelos nossos caros amigos Rodrigo Crispim (“Fluidos, o Fluxo da Vida”), Marcus Paulo Rodrigues Torres (“As Dimensões Fluídicas, Arquetípicas e Transcendentes do Reino de Deus” e do próprio Dr. Maurício Neiva Crispim, fechando com chave de ouro o encontro com um estudo disruptivo sobre o tempo e nossos condicionamentos mentais (“Levantando o véu do tempo”).

Aplausos! Hosanas! Louvado seja o Senhor!

Obrigado ao nosso Maurício e toda a equipe do Instituto IBBIS por essa festa espiritual! Para assistir às palestras do XIII Congresso Roustaing, acesse por favor o link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=V4Lbf_OpE8I

PROBLEMAS DO MUNDO

O mundo está repleto de ouro.Mundo de contrastes Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres. Mas o ouro não resolve o problema da miséria.

O mundo está repleto de espaço.Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos. Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.

O mundo está repleto de cultura. Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião. Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.

O mundo está repleto de teorias. Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas. Teorias nas religiões.Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.

O mundo está repleto de organizações. Organizações administrativas. Organizações econômicas. Organizações sociais. Mas as organizações não resolvem o problema do crime.

Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o monstro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.

Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Espírita que o desentranha da letra, na construção da Humanidade Nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela ideia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e, parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: “Fora do Cristo não há solução.”

Bezerra de Menezes

(Fonte: "O Espírito da Verdade" – Diversos Espíritos, psicog. Francisco Cândido Xavier, Ed. FEB)

TRISTES

Criança pedinteSão muitos os tristes
Que vivem sozinhos,
Sem lar, sem carinhos,
Sem afeto e calor
São muitos os tristes
Que dormem na rua,
Sofrendo a mais crua
Ausência de amor.



Jovem em depressãoSão muitos os tristes
Que lutam e que choram
E em silêncio deploram
Sua vida vazia.
São muitos os tristes
Que riem, que cantam
E os males espantam
Fingindo alegria.








Por isso é que os tristes,
Às vezes sozinhos,
Recebem carinhos
No pranto que acalma.
Não sabem, no entanto,
Que Jesus, com ternura,
Lhes afasta a amargura
E a tristeza da alma.


Ó tristes da vida!
Não esqueçam que um dia
Renovada alegria
Irão conhecer.
Após os tormentos
Procurem Jesus!
Ele é Fonte de Luz
Que os fará reviver!

Vera Lúcia Sartori

Mensagem recebida em nossa Casa em 15/07/20.



ESTUDOS FILOSÓFICOS: A MAIOR E MELHOR COLEÇÃO DE ARTIGOS ESPÍRITAS DA IMPRENSA BRASILEIRA ESTÁ DE VOLTA

Artigo CCCLIV - O PAIZ, 13.08.1894

Retrato de Bezerra de MenezesContinuemos o nosso estudo sobre a dualidade de forças que oferece a natureza, cujo conhecimento não pode ser completo, enquanto a ciência limitar-se a considerá-la somente por uma daquelas faces: a que se nos oferece por francas manifestações.

Vemos um fenômeno, estudamo-lo - estudam-no muitas gerações, pelos seus homens ilustres - e a humanidade forma sobre ele o seu juízo, que julga seguro.

Correm, porém, os tempos - o homem cresce em saber - obtém mais aperfeiçoados e novos instrumentos de observação - e o fenômeno se revela por outra face, ou antes: o homem surpreende-lhe esta face oculta - e o primitivo juízo, o que toda a humanidade tem por seguro, é reconhecido deficiente e mesmo falso - e o novo juízo, firmado sobre o estudo da face aparente e da oculta, adquire então o critério da verdade.

Seja-nos exemplo o fenômeno das relações do Sol com a Terra.

A antiguidade, não julgando senão pelo que lhe davam os sentidos, porque, em seu atraso, não dispunha de outros meios de observação - não julgando senão pela face ostensiva as coisass que lhe atraíam a atenção - vendo o Sol aparecer, de manhã, no Oriente, e desaparecer à tarde, no Ocidente, teve por evidente: que ele gira em torno da Terra - e por tão evidente, que louco seria julgado o que pusesse em dúvida semelhante fato.

Efetivamente, a Igreja romana condenou por herética a teoria de Galileu, que inverteu a ordem estabelecida no conceito universal, dando como fixo o Sol e como girando em torno dele a Terra.

É que o fenômeno só fora estudado por sua face aparente, sem que possuísse o homem capacidade e meios de apreciar-lhe a face oculta.

Quando pelo progresso humano, e maior aperfeiçoamento dos meios de observação, consequência daquele progresso, pôde-se penetrar a face oculta do fenômeno - e apreciá-lo conseguintemente, em toda a sua extensão e compreensão, compreendeu-se a falsidade do que julgava a antiguidade, apsar de basear-se no testemunho dos sentidos - compreendeu-se a verdade da teoria de Galileu, apesar de ir de encontro àquele testemunho - e hoje louco será considerado o que sustentar que o Sol gira em torno da Terra.

Com isto queremos provar: que, não tendo ainda o homem alcançado o maior grau de desenvolvimento de sua perfectibilidade, tanto que não há ciência que tenha dito sua última palavra, é mania pretender-se que se conhece a natureza por ambas as suas faces - em toda a sua extensão e compreensão.

Ora, compreendendo a natureza, em trodas as suas divisões genéricas, e em cada um dos seres que a constituem digamos: em toda a sua extensão, a parte ou face ostensiva, que se presta à mais fácil compreensão - e a face oculta, misteriosa, que reclama maior intensidade de compreensão e instrumentos de observação correspondentemente aperfeiçoados, é rigorosamente lógico: que qualquer teoria sobre uma ordem de fenômenos, que a venha revelar, se por ventura não é conhecida - ou que venha alterar o que a seu respeito se pensa, não pode, sem o crime de lesa ciência e de lesa razão humana, ser repelido, sem o mais severo estudo - sem a mais criteriosa observação - sem a mais rigorosa experiência.

Só os parvos, com pretensão a ilustrados, se julgarão com a precisa suficiência para fazerem, como a Igreja, com relação ao movimento da Terra, correndo o risco de passar por ridículo, em que incorreram o curioso sacro-crolégio, sob a bandeira da infalibidade papal.

Vem de plano todas estas toscas, porém, sensatas considerações, a ferir a questão que mais preocupa a ciência do nosso tempo: a do Espiritismo.

Esta Doutrina, cujo corpo não saiu inteiriço do cérebro de nenhum homem, como saiu da cabeça de Júpiter a deusa da sabedoria, mas que constituiu-se pela unificação de princípios, revelados de um modo surpreendente e ao mesmo tempo por todos os países do mundo civilizado;

Esta Doutrina, que apresenta uma harmonia lógica e filosófica - que explica, a sabor da razão, todos os fenômenos humanos, ligando o passado ao presente e o presente ao futuro - que não tem autor, e que, em meio século, já lançou raízes do Oriente ao Ocidente e do Norte ao Sul;

Esta Doutrina, que não pertence à ordem das expeculativas, sendo seu caráter essencial o das ciências experimentais.

Esta ciência, porque ataca, por sua base, uns - e por alguns de seus dogmas outros sistemas filosóficos, científicos e morais, tem sido, e por muito tempo será, alvo da guerra dos sistemáticos e dos fanáticos - e todos os que só encaram a natureza por uma de suas faces, e conhecendo-a, bem ou mal. por este lado, presumem que estão na posse da infalibidade científica.

O Espiritismo veio provar, experimentalmente, a existência do mundo espiritual, donde a guerra dos sistemáticos adoradores da matéria.

O Espiritismo veio provar, experimentalmente, a evolução do Espírito através dos séculos e medidante vidas sucessivas, dondea guerra dos fanáticos adoradores do Inferno com suas penas eternas.

O Espiritismo veio revelar estas e outras verdades pertencentes à face oculta da natureza; e daí a guerra de toda a gente que só crê no que vê - e que, coerente com esta crença, deve ir com a de girar o Sol em torno da Terra.

Coitados! As coisas são como são e não como eles entendem que devem ser.

Basta que reflitam no fato: da generalização rápida, surpreendente, do Espiritismo por todos os países das cinco partes do mundo - e pelos mais recônditos e ínvios lugares de cada país.

Devem, também, refletir sobre o fato: de serem os homens mais ilustres de todos os países os que primeiro abraçaram a nova ciência.

Ainda no dia 02 de julho, n’um estudo que fazíamos sobre sonambulismo, comunicou-se o eminente Charcot, explicando como hoje, à luz do Espiritismo, compreende o hipnotismo, que sempre em vida reputou como efeito da matéria.

E após ele - e por ele apresentado, comunicou-se Sadi Carnot, que nos disse, depois de um breve - conciso - e brilhante discurso sobre o modo como compreendeu seus deveres de chefe de um povo ameaçado pelo anarquismo, que não estudou o Espiritismo, mas que, vendo-o abraçado por Charcot, uma das maiores glórias da França - e por Victor Hugo, uma das maiores do mundo (textual), sentia-se atraído para seu estudo, agora que felizmente se achava onde com segurança maior pode-se distinguir as ideias verdadeiras das falsas.

Por que os homens de letras não há de fazer como Carnot, que julga digno de estudo o que é abraçado pelos grandes vultos do saber?

Isto depende do nível em que se acha a instrução das sociedades.

Onde, para conquistar-se a fama de literato, basta escrever-se para jornais, em estilo rendilhado, que necessidade há de gastar-se tempo com estudos experimentais de coisas que não dão proveito imediato?

A prova está no simples fato: de ter o ilustre autor das “Cartas Parisienses” desdenhado nosso respeitoso pedido de verificar, na Salpetriere, o que há de verdade na revelação de Charcot sobre a morte, de uma sua doente, que ali se finara.

Para que? Que mais fama gaharia com isto?

http://memoria.bn.br/docreader/178691_02/10434

Max.

(Da União Espírita)

Fonte: Confira o original deste artigo no arquivo da Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Para conhecer os demais artigos dessa coleção e seus volumes publicados por nossa CASA visite por favor nossa Biblioteca Virtual.

ANTOLOGIA UBALDIANA

APRESENTACÃO

Capa do volume Fragmentos de Pensamento e de PaixãoApresento-me como homem.

A Entidade que me inspira mediunicamente e sobre mim exerce autoridade, no pensamento e na ação deve ter um representante terreno, alguém que assuma todo o peso da luta e da responsabilidade; que totalmente se exponha, moral e fisicamente, aos perigos de uma realização novíssima, ao trabalho que toda grande conquista e todo progresso impõem, os necessária tensão para ultrapassar todos os obstáculos.

Tal sou e assim me coloco hoje, ao ingressar na vida pública.

Nada possuo além do meu trabalho para viver e da minha obra para triunfar no bem. Dentro de mim e acima de mim, porém, vibra uma Voz que infunde respeito, que me arrasta e a todos irresistivelmente arrastará, voz que eu escuto e a que devo obedecer.

Já não é mais o momento de dizer — o tempo virá, mas, sim, de afirmar — o tempo chegou. Chegou a hora da grande ressurreição espiritual do mundo.

Eis o que sou: o servo desta Potência, o servo de todos, a serviço de todos, para o bem de todos. Nada mais me pertence, nem alma nem corpo: pertenço ao bem da humanidade. Deverei ser o primeiro no trabalho, na dor, na fadiga e no perigo; e o primeiro serei nesse caminho e me esgotarei até a última dose de minha energia, até o último espasmo de meu lamento, até a última explosão de minha paixão.

Sou fraco, culpado e indigno; não tenho, porém, mais força para sufocar esta Voz que deseja explodir e falar ao mundo, arrastar os povos, abalar os poderosos, convencer os doutos e todos conduzir a uma vida de bem e de felicidade. Serei considerado louco, bem o sei. Mas, Sua Voz tem um poder ao qual não mais sei resistir. E eu, o último dos homens, falarei ao mundo com palavras novas, num tom altíssimo, de coisas grandes e tremendas, em nome de Deus.

Estremeço e choro, ao escrever estas palavras. E o sinal positivo de que Ele, o Espírito que me assiste, está junto de mim e me faz escrever coisas que são incríveis.

Não obstante, as almas simples sentem, com um sentido que a ciência não tem e nunca terá, sentem por intuição de afetos e por penetração de amor, a completa naturalidade e a perfeita credibilidade destas coisas incríveis.

Tão intensamente profunda é essa intuição que a alma juvenil dos povos do outro hemisfério a sentiu, rápida, vibrante, espontânea, num reconhecimento que dizia: eu sei, em face da demorada, duvidosa e sofística análise científica da velha Europa. É que a ciência analisa, toca e mede, mas não tem alma e somente com o cérebro nada se pode "sentir".

Brasil, terra prometida da nova revelação, terra escolhida para a primeira compreensão, terra abençoada por Deus para a primeira expansão de luz no mundo! Já um incêndio lá se levanta; instantânea e profunda foi a compreensão. Foi um reconhecimento sem análise, de quem sabe porque sente, de quem tem certeza porque vê. Os humildes, não solicitados, compreenderam e se afirmaram os primeiros, sem provas, sem discussões, no terreno em que a ciência que tudo sabe nunca cessa de exigi-las.

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do EvangelhoA profunda emoção que me invade ao falar-vos, o espasmo de paixão que me arrebata, o rasgar-se de meu coração a cada palavra não se podem medir nem calcular; mas, vós o sentis, embora a tão grande distância de tempo e de espaço! As lágrimas que me comovem enquanto escrevo, e caem sobre este papel, destas palavras ressurgirão e cobrirão vossos olhos quando as lerdes. E direis, irresistivelmente: "É verdade". E através dos anos convencerão e arrastarão outras almas que as vão ler e que, como vós, também dirão, irresistivelmente: "É verdade".

Porque a força que me arrebata também vos arrasta, a paixão que me inflama também vos incendeia e nos une a todos, num só esforço, numa tensão e num trabalho comuns, em favor do Bem. Como é grande e bela esta felicidade ilimitada de nos sentirmos todos irmãos, profundamente irmãos, diante dessa maravilhosa Voz que do Infinito a todos nos alimenta! Como é doce, diante Dela, ensarilhar as tristes armas da rivalidade e da competição que pesam sobre nós e nos amarguram a vida. Que grandioso e sentirmo-nos todos unidos, numa só Humanidade, num compacto organismo; não mais como pobres seres solitários num mundo inimigo, mas cidadãos de um grande universo, onde cada ato tem um alvo, onde toda vida constitui missão.

A Voz me arrebata neste momento e senhoreia-se de minha mão, como o faz sempre que deseja falar por meu intermédio. Eu A sigo, pequenino, confuso maravilhado por imensas visões.

Agora Ela me apresenta o planeta envolto numa faixa de luz e me faz ver uma humanidade mais feliz e mais sábia, ressurgindo das ruínas da geração de hoje; mas, também a ela pertenceremos e, quem houver semeado, colherá. Acima de nós que, lutando e sofrendo, semeamos, uma falange de Espíritos Puros estende-nos os braços, encorajando-nos e ajudando-nos. Somos os operários de um grande trabalho, do maior trabalho que o mundo jamais realizou: a fundação da nova civilização do terceiro milênio.

Mãos à obra! Levantai-vos É chegado o momento. A palavra de Sua Voz encerra uma força misteriosa, intrínseca, invisível, mas poderosa; imponderável, mas irresistível, e por ela sozinha avança, sabendo por si mesma escolher os meios humanos, solicitando-os a todos, convidando à colaboração todos os homens de boa vontade. Ela avança e atinge os corações; persuade e convence, possuindo e ofertando a cada momento, de si mesma, uma prova evidente, o fato inegável de sua automática divulgação.

Mãos à obra! Espera-me, espera-nos um tremendo trabalho, mas também uma imensa vitória. Somente sob a direção de um Chefe sobre-humano o mundo poderia empreender uma obra tão gigantesca. Temos um Chefe no céu. Ele não traz senão a paz, o amor, o respeito a todas as crenças. Nada tem Ele a destruir do que seja terreno; a ninguém Ele agride; não toca a forma, que não é o essencial: encara a substância. Nada tem Ele a modificar do que seja terreno neste mundo; tudo quer vivificar com uma chama de fé, quer tudo aquecer com uma nova paixão de amor puro — o amor de Cristo esquecido.

Nada tem a temer as autoridades nem o organismos humanos. É tão velho e inútil o expediente de modificar as organizações! Não mais criações de sistemas sempre novos e sempre velhos, mas criação do homem novo, que tem origem, no íntimo, onde está a alma e não no exterior. Toda organização e boa quando o homem é bom; é má quando mau é o homem.

O novo Reino não é deste mundo e jamais se tocará no que lhe pertence. Não está surgindo um novo organismo humano, com chefes e subordinados, com cargos e funções, com propriedades e direitos. Não. Absolutamente nada disso. Trata-se, eu vos digo do Reino de Deus, do Reino que o mundo ainda espera, que o mundo ainda invoca: “Veniat Regnum tuum”. É um reino de almas, de amor e de paz; não possui sedes, não tem riquezas, nada possui; não tem senão a tarefa do dever, o amor do bem, a paixão do sacrifício, a grandeza do martírio. E quem for o primeiro nesse caminho será o maior nesse Reino de Deus.

Almas distantes, que no Brasil tudo compreendestes, distantes pelo espaço, mas tão perto do coração, que o meu abraço vos chegue forte, profundo, imenso, como eu o sinto agora, nesta solidão montanhosa de Gúbio, no mais alto silêncio da noite, com minha alma nua diante de Cristo, cujo olhar me penetra, me envolve e me vence.

Humildemente, como o último dos homens que sou, eu vos suplico, pela compaixão que pode inclinar-vos para o mais frágil e abatido dos seres: ajudai-me a compreender este mistério tremendo que em mim se processa, ajudai-me a cumprir esta obra imensa cujos limites não alcanço.

(Pietro Ubaldi, Gúbio (Itália), na noite de 6 de fevereiro de 1934 - “Fragmentos de Pensamento e de Paixão”, 1a. Parte)