Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

Conheça também e inscreva-se
em nosso Canal de vídeo

Logo do Youtube

VEM AÍ O XV CONGRESSO ROUSTAING

Cartaz do XV Congresso RoustaingAtenção! Preparem os corações! Já está no ar o site oficial da décima-quinta edição do Congresso Jean Baptiste Roustaing, a se realizar em Uberlândia, Minas Gerais, nos dias 07 e 08 de junho próximo. O endereço é https://www.roustaing.com.br, e já traz todos os detalhes da programação, cujo tema principal, esse ano, é "A Evolução da Vida no Universo".

Está de volta o Cristianismo do Cristo. O Cristianismo na sua versão original, livre dos acréscimos e pesos humanos. Sentimento puro. Amor. Compaixão. Caridade. Solidariedade. Pertencimento. União. Operosidade no Bem.

A iniciativa pela organização do evento é, esse ano, do Grupo Espírita Paulo do Tarso, à Rua Mario Nunes, 174 - Roosevelt - Uberlândia, sob a batuta de nosso prezado irmão Rodrigo Filho.

Estão todos convidados. Nas próximas semanas traremos mais detalhes.As inscrições para o evento são GRATUITAS.

Até lá! Paz e Bem!


DESPERTAR

fotomontagem de olho feminino observando esferas terrestres ao seu redorIrmão: Quando a prece já houver penetrado o teu coração, terás despertado para a Verdade e sobre a tua cabeça descerá a luz da misericórdia do Cristo.

Na escuridão do sono profundo da ignorância vivem seres infelizes, que lutam com a voracidade de feras, estimulados por inimigos que em torno deles se aglomeram agitados, explorando-lhes os sentimentos inferiores e prolongando-lhes o sofrimento e a desorientação. Entretanto, quando no íntimo da criatura rebelde e recalcitrante nasce a força da compreensão esclarecedora, que pode levar à renovação íntima, se opera a eliminação do pesadelo em que o Espírito se acomodara, abrindo-se para ele um horizonte de esperanças confortantes.

Os que persistem na treva da ignorância das leis divinas, perdem precioso tempo para a recuperação e o reajuste que Deus concede a cada um através da reencarnação. A criatura humana é como a semente que jaz adormecida, fora do seio da Terra, à espera da água fecundante. Se permanece fora do seio de Deus, recusando o cumprimento da Lei, um dia, quando a Dor a vier regar, com as lágrimas do arrependimento, o germe do bem, esquecido em seu coração, brotará, e se dará então o milagre da transformação - da criatura recuperada em ser útil, tal como sucede à semente que se muda em planta e à planta que se torna árvore rica de seiva e de frutos abençoados.

Quando nosso Espírito desperta, descobrimos a compreensão, a paz, a necessidade de servir, e aceitamos a dor, não como um mal, mas como medicação heroica para a alma. E reencontramos a esperança.

O Mestre amado deixa que cada um encontre o seu momento de despertar. Todavia, preciso se torna que esse despertar seja o princípio de um grande trabalho de redenção cristã, trabalho que se pode traduzir em ajuda aos mais necessitados, em busca do reajuste em face dos próprios erros e em boa-vontade em se colocar ao serviço do Senhor, quer pela palavra e pelos atos, quer pelo sorriso convidativo ao exercício do bem, a fim de amparar com humildade e dedicação, tal como Aquele que passou pela Terra sereno, bondoso, prestativo, ensinando principalmente com o exemplo como podemos mudar para melhor o ritmo de nossas existências.

Irmãos: Jesus é o Caminho!

Ignácio Bittencourt

(Mensagem originalmente publicada em O Cristão Espírita, ed. 29, maio-junho de 1970)


AUTOBIOGRAFIA DE ERNESTO BOZZANO

Ernesto Bozzano (09-01-1862 / 24-06-1943) é um dos grandes nomes da ciência espírita, de todos os tempos. Precisa ser mais lembrado e estudado, em todos os centros, como parte integrante do desenvolvimento da fé raciocinada, aquela com potencial para realmente transformar o ser e seu comportamento a partir da solidez de novas convicções. Em 1930 produziu a autobiografia que reproduzimos abaixo, inserida no volume "Materializações de Espíritos", redigida em parceria com Paul Gibier - outro nome memorável, de nossas fileiras. O texto é muito interessante. Conta um pouco sobre Bozzano e muito da história do espiritismo nascente, ao final do século XIX e início do século XX. A tradução que apresentamos a seguir se encontra na edição da Editora Lachatre. Esperamos que apreciem, e que sua leitura os motive a conhecer um pouco mais da vida e obra desse grande missionário do conhecimento e da espiritualização da ciência. Paz e Bem!

*****

Retrato de Ernesto Bozzano"No interesse de seus leitores, a International Psychic Gazette, de Londres, pediu-me um estudo autobiográfico, no qual, acima de tudo, relate as circunstâncias que me levaram a interessar-me pelas pesquisas psíquicas. Acedo de boa vontade ao pedido, reconhecendo que a história das conversões filosóficas contém sempre ensinos valiosos para os que a lêem.

Digo “conversões filosóficas” muito de intento, porque a minha o foi na mais ampla expressão do termo.

Nasci em Gênova, Itália, em 1862 e a minha vida carece literalmente de episódios biográficos, pois tem sido a de um ermitão.

Nunca fiz outra coisa senão estudar. Na mocidade, todos os ramos do conhecimento, atinentes às artes e ciências, exerceram igualmente irresistível fascinação sobre mim, tornando-me até difícil seguir um caminho na vida. Decidi-me, finalmente, pela Filosofia e Herbert Spencer foi o meu ídolo.

Tornei-me um positivista-materialista convicto a tal ponto que me parecia incrível existissem pessoas de cultura intelectual, dotadas normalmente de senso comum, que pudessem crer na existência ou na sobrevivência do espírito. Não somente pensava assim como até escrevia audaciosos artigos em apoio de minhas convicções. A lembrança de tal proceder me faz indulgente e tolerante para com uma classe particular de antagonistas que, de boa fé, sustentam ser capazes de refutar as rigorosas conclusões experimentais a que tem chegado o neo-espiritualismo, opondome às induções e deduções da Psicofisiologia, nas quais eu acreditava há 40 anos passados.

É preciso que se compreenda que, nos tempos a que me refiro, eu nada conhecia das investigações mediúnicas ou do Espiritismo, com exceção de breves artigos que eu lia nos jornais, sem lhes prestar maior atenção e nos quais se apontavam estratagemas de médiuns e se comentava piedosamente a credulidade dos espíritas.

Aconteceu, porém, que no ano de 1891 o professor Th. Ribot, diretor da Revue Philosophique, me escreveu comunicando a próxima publicação de uma nova revista sob o título de Annales des Sciences Psychiques, tendo como diretor o Dr. Darieux, antecessor do professor Charles Richet. Era uma revista que se propunha principalmente a colher e investigar certos casos curiosos de transmissão de pensamentos à distância, compreendidos sob a denominação de “fenômenos telepáticos”.

A misteriosa psicologia, oculta nestas frases, me atraiu a curiosidade, do mesmo modo que o nome do prof. Richet bastava para garantir a seriedade científica do empreendimento. Respondi ao prof. Ribot, agradecendo-lhe a atenção e incluindome entre os assinantes da revista.

Devo sinceramente declarar que a leitura dos seus primeiros números produziu desastrosa impressão sobre o meu irreconciliável criterium positivista. Parecia-me escandaloso que certos representantes da ciência oficial quisessem discutir seriamente a transmissão de pensamento de um continente a outro, as aparições de fantasmas telepáticos, como entidades reais, e casos atuais de assombração. O inibitivo poder das preconcepções tornara a minha faculdade de raciocinar inteiramente inacessível a tais idéias novas, ou, melhor, a tais fatos novos, pois realmente se tratava de fatos demonstrados cientificamente e rigorosamente documentados, embora eu não estivesse habilitado a assimilá-los. Quando ainda era esse o meu estado mental, apareceu na Revue Philosophique um longo artigo do prof. Rosenbach, de São Petersburgo, Rússia, atacando com violência a “sacrílega intromissão deste novo misticismo” nos recintos da Psicologia oficial e explicando os novos casos pelas hipóteses da “alucinação”, das “coincidências fortuitas” e mais algumas de que não me lembro.

Retrato de Charles RichetTais refutações me pareceram tão deficientes e inábeis a produzir efeito contrário ao que me repugnava à mente, como o autor pretendia, que me convenci de que a questão era realmente de fatos. Em conseqüência, julguei o prof. Rosenbach incapaz de combatê-las simplesmente com idéias preconcebidas.

Aconteceu assim que refutações desastradas de um dos meus correligionários, aferrado à sua crença positivista, me fizeram dar o primeiro passo para a nova Ciência da Alma, à qual viria depois a consagrar a minha vida.

No número seguinte da Revue Philosophique apareceu, felizmente, um artigo do prof. Richet, no qual as argumentações superficiais do prof. Rosenbach foram refutadas ponto por ponto. Esse artigo aumentou extraordinariamente as minhas convicções quanto à realidade dos fatos e quanto ao mistério em que a explicação deles estava envolta. Nesse mesmo ano, da lavra do Sr. Marillier, apareceu uma versão em francês do famoso livro Phantasms of the Living (por Myers, Gurney e Podmore) sob o título de Hallucinations Telepathiques, tradução que adquiri incontinenti e que serviu definitivamente para me convencer da realidade dos fenômenos telepáticos. Faço notar que esse convencimento meu em nada alterou a minha crença positivista, porque a explicação científica, então em voga, dos fenômenos, explicação segundo a qual eles derivam do pensamento a caminhar pelo infinito em ondas concêntricas, satisfazia inteiramente ao meu juízo científico.

Não obstante, eu havia dado, com segurança, sem o saber, um grande passo na estrada de Damasco, porque essa primeira concessão a respeito das manifestações supranormais me colocara irrevogavelmente num novo campo de pesquisas, que iriam conduzir-me em direção oposta à do Positivismo materialista que eu professava. De fato, não tardei a chegar a um período de crise na minha consciência científica. Foi a obra de Alexander Aksakof Animismo e Espiritismo a causa dessa crise, abalando profundamente os alicerces de minha crença positivista.

Seguiu-se para mim uma época de perturbação moral, pois que, embora o novo caminho se orientasse no sentido de uma fé científica mais confortadora, não é sem desalento que assistimos à demolição do sistema completo de nossas convicções filosóficas, adquiridas à custa de meditações acuradas e de perseverantes esforços intelectuais.

No aludido período, li várias obras metapsíquicas, de autores então afamados, as de Kardec, Delanne, Denis, d’Assier, Nus, Crookes, Brofferio, do Prel, porém não custei a verificar que quem desejasse realizar trabalhos científicos úteis nesse novo campo de pesquisas teria de remontar às origens do movimento espírita. Conseqüentemente, escrevi para Londres e New York a fim de obter as principais publicações datando do começo do movimento até 1870 e, à chegada dos livros pedidos, abriu-se para mim o período realmente frutuoso das investigações sistemáticas no vasto terreno do metapsiquismo.

Catalogava cada obra que lia, anotando os respectivos assuntos por ordem alfabética adequada, com a intenção de os utilizar para a classificação comparativa e a análise dos fatos e casos. A excelência de semelhante método de investigação ficou de tal modo provada, que continuo a empregá-lo até à presente data. Guardo imorredoura lembrança desse período de fervorosas e perseverantes pesquisas, porque por meio delas me tornei capaz de assentar as minhas novas convicções espíritas sobre uma base cientificamente inabalável.

Entre as obras que mais me influenciaram para a adoção de meu novo ponto de vista, mencionarei as seguintes:

Retrato de Emma Hardinge Britten, escritora espírita inglesaÉ verdadeiramente deplorável que tais obras, há muito impressas, não fossem reeditadas na Inglaterra e na América, desde que conservam intactos seu frescor e seu valor. Quanto à história do movimento espírita, o livro da Sra. Ema Hardinge Britten, Modern American Spiritualism, me foi de grande ajuda. Pelo que concerne à história dos precursores nesse mesmo campo, colhi grande resultado da obra em dois volumes de William Howitt, History of Supernatural.

Do ponto de vista da fenomenologia mediúnica e de efeitos físicos, as atas, redigidas pela Sra. Speer, das sessões experimentais com William Stainton Moses foram as que produziram maior efeito persuasivo sobre as minhas convicções, em virtude da intervenção do espírito na fenomenologia, demonstradas nos comentários da Light de 1892 a 1893.

Fiquei assim apto a formar para mim mesmo um sólido conhecimento científico, tirado dos argumentos. Entendi, porém, que chegara o momento em que deveria confirmar os meus conhecimentos teóricos com investigações experimentais.

Entrementes, por aquela misteriosa lei que une uma pessoa a outra pela afinidade das aspirações e tendências, encontrei várias pessoas que se ocupavam a sério com pesquisas mediúnicas, entre as quais menciono o Dr. Giuseppe Venzano, Carlo Peretti e Luigi Arnaldo Vassallo, editor do Século XIV.

Tivemos a boa sorte de descobrir, no nosso próprio grupo, dois médiuns poderosos de efeitos físicos e mentais, com o auxílio dos quais obtivemos manifestações de todos os gêneros: fortes pancadas a distância, luzes, transportes de objetos pesados e provas de identidade dos espíritos.

Realizaram-se então as experiências com Eusápia Paladino, nas quais o prof. Enrico Morselli tomou parte e maravilhosos resultados foram conseguidos. Vimos materializações completas de espíritos, observados à luz de um bico de gás Auer, enquanto o médium jazia no gabinete, atado pelos braços, pernas e cintura a uma cama de campanha. As experiências anteriores foram por mim relatadas em meu livro Ipotesi Spiritica e Teorie Scientifiche e o prof. Morselli fez outro tanto em sua obra Psicologia e Spiritismo.

Aqui termino as minhas memórias, lembrando que o que se me pediu foi que esboçasse a narrativa dos primeiros passos por mim dados no caminho que me conduziu às convicções espíritas que atualmente possuo.

Termino fazendo notar que as minhas convicções amadureceram lentamente, no curso, não pequeno, de 40 anos de pesquisas em que perseverei, empreendidas que foram sem idéias preconcebidas de qualquer espécie, daí o me sentir no direito de manifestar abertamente a minha crença na significação e importância de tais investigações a que devotei grande parte de minha vida.

Aquele que, em vez de se perder em discussões ociosas, empreende sistemáticas e aprofundadas pesquisas dos fenômenos metapsíquicos e nelas persevera por muitos anos, acumulando imenso material de casos e aplicando-lhe os métodos das investigações científicas, há de infalivelmente ficar convencido de que os fenômenos metapsíquicos constituem admirável coletânea de provas, todas convergindo para um centro: a demonstração rigorosamente científica da existência e da sobrevivência do espírito. Esta é a minha convicção inabalável e nutro a esperança de que o tempo se encarregará de demonstrar que tenho razão".