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O PODER DA GRATIDÃO

Foto de menina em prece tendo ao fundo a luz do solPara sabermos o poder que a gratidão exerce sobre nós, devemos primeiro saber o que é gratidão.

No livro Psicologia da Gratidão, Joanna de Ângelis nos explica que “o verbete gratidão vem do latim gratia que significa literalmente graça, ou gratus, que se traduz como agradável. Por extensão, significa reconhecimento agradável por tudo quanto se recebe ou lhe é concedido”. Ou seja, gratidão é um forte sentimento que simboliza o sentir-se grato.

É muito diferente do termo “obrigado”, que deriva do latim obligare. Tem como significados ligar, amarrar e obrigar. Desta forma, o obrigado tem o intuito de criar laços e amarrações. Essa palavra não é uma forma de retribuição, mas sim uma obrigação à manutenção de laços.

Gratidão e obrigado são palavras com sentidos muito diferentes. A primeira tem o objetivo de agradecer, enquanto que a segunda, o de retribuir uma obrigação.

O sentimento de gratidão é tão forte que possibilita rápidas mudanças em nossa vida. A neurociência nos ajuda a entender a importância da gratidão. Pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais.

Quando temos pensamentos de gratidão, ativamos o “sistema de recompensa” do nosso cérebro. Esse sistema é a base neurológica da nossa satisfação e autoestima, e é responsável pela sensação de bem-estar e prazer do nosso corpo. Quando exercitamos a gratidão, estimulamos a ação desse sistema. Quando o cérebro entende que algo bom aconteceu, que algo deu certo, ele libera uma substância chamada dopamina, um neurotransmissor responsável – entre outras coisas – pela sensação de prazer e de recompensa.

Além da dopamina, o cérebro libera um hormônio chamado ocitocina, conhecido como o hormônio do amor – que estimula o afeto, traz tranquilidade, reduz a ansiedade, medo e fobias. Além da sensação de bem-estar, exercitar a gratidão ajuda também a dissolver nossos medos, angústias, raiva, ou seja, fica muito mais fácil controlarmos estados emocionais negativos.

A dopamina e a serotonina liberadas em nosso organismo têm efeitos semelhantes a alguns antidepressivos. E ao contribuir para diminuir sentimentos de medo, raiva e angústias, contribuirão também para o combate à ansiedade.

Foto de mão em gesto de gratidão, tendo acima de si a luz do solO Apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses, convida: “Em tudo dai graças porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. (Tessalonicenses 5, 18).

Se Deus quer que sejamos gratos é porque quer que sejamos felizes, mesmo quando as coisas não estão do jeito que gostaríamos porque cada fato que acontece em nossas vidas, mesmo que não percebamos no momento em que acontece, é para o nosso bem.

A gratidão é uma forma de atrair boas energias e de trazer abundância para nossa vida. Peça o que você deseja, faça orações e você receberá através da sua fé tudo o que está pedindo. “Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á.” - assim está escrito o ensinamento no nosso Mestre e Guia em o Evangelho Segundo O Espiritismo (Cap. XXV).

No livro a Psicologia da Gratidão, Joanna de Ângelis nos ensina que a gratidão deve ser vivenciada em todos os momentos da existência corporal. Filha do amadurecimento psicológico, enriquece de paz e de alegria todo aquele que a cultiva. Ensina também que a gratidão deve transformar-se em hábito natural no comportamento maduro de todos os seres humanos. E, para que seja conseguida, necessita de treinamento, de exercício diário.

Ao praticar a gratidão, tornamo-nos automaticamente mais humildes, mais empáticos, mais compreensivos, mais felizes, mais caridosos. A gratidão anda sempre de mãos dadas com a esperança, com a fé e com caridade; é uma das formas mais eficazes para percebermos, de fato, a presença constante de Deus em nossas vidas.

Experimente a gratidão. Não apenas o conceito gratidão, mas o sentimento, que nos preenche de alegria, nos faz sentir emoção por tudo de bom, de belo e grandioso que o Criador colocou em nossa vida. A gratidão é uma das maneiras mais simples - e diretas - para entrarmos em harmonia com as vibrações do alto.

Em tudo dai graças…

ESCRAVIDÃO NA LITERATURA ESPÍRITA

O Espiritismo tem a honra de ter entre suas fileiras grandes abolicionistas, com trabalhos publicados no século XIX trazendo sugestões para mais rápida abolição da escravatura e minimização de seus impactos sociais e econômicos. Entre estes, podemos destacar certamente o patrono de nossa CASA, Bezerra de Menezes, e Antônio da Silva Neto, outro valoroso pioneiro de nossa Doutrina no Brasil (vide "Grandes Espíritas do Brasil, de Zêus Wantuil, ed. FEB). No centenário da Abolição, em 1988, a Federação Espírita publicou em "O Reformador" uma série de 12 artigos sobre aquele grande momento de nossa história. Para marcar hoje mais um aniversário da libertação dos escravos, reproduzimos abaixo um desses artigos, na forma de singela homenagem ao maior movimento libertário, de todos os tempos, da história brasileira.

Foto da Princesa Isabel e dos principais abolicionistas a 13 de maio de 1888Não seria fácil afirmar, a rigor, quantas obras espíritas, especialmente aquelas romanceadas, históricas ou de ficção. – romances de época – registram passagens relacionadas com vidas terrenas de personagens na condição de escravos ou de senhores. Quantos, na realidade, teriam sido escritas por inspiração mediúnica!... É por isso difícil fazer-se de pronto uma visão geral. Poderemos, todavia, em simples amostragem, focalizar algumas. Vejamo-lo.

“Há 2000 anos”, autobiográfica, de Emmanuel, por F. C. Xavier, recorda o senador romano Publio Lentulos destacado para servir ao Império em Jerusalém. Mais que indiferente, é hostil, de início, aos rogos de André Gioras em benefício do filho Saul, preso e condenado ao cativeiro. Quando, sensibilizado, se dispunha a interceder por ele, foi informado que fugira. Na verdade, o jovem fora vendido clandestinamente em Roma. Em “50 anos depois”, ressurge o autor espiritual na personalidade de Nestório, escravo de origem judia, já aí o contraste, como acerto de contas. Em virtude de guerras cicis, seus antepassados tinham-se mudado para Jônia havia alguns decênios. Em Terebinto fora feito escravo. Mas a senhora recomendara às filhas a seu respeito.

“Nunca humilheis a liberdade deste homem, que terá toda a independência para cumprir os seus deveres!...”

Filho de Nestório, Ciro se fez também escravo e é libertado. Os dois irão encontrar-se em momentos supremos de doloroso testemunho, já agora cristãos.

Paulo de Tarso, na biografia de Emmanuel (F. C. Xavier), é uma das joias de fino lavor de nossa literatura. A obra, como se sabe, é “Paulo e Estevão”. Nela aparece logo de início a figura de Jesiel, judeu nascido livre e escravizado pelos conquistadores romanos. Outro não é que o grande mártir Estevão. Após a visão surpreendente de Saulo na estrada de Damasco, vê-lo-emos como guia espiritual do próprio verdugo do passado, transformado em Apóstolo dos Gentios, com o nome cristão de Paulo.

O Espírito escritor Conde de Rochester, por intermédio da Senhora Krijanowsky, é o romancista dos velhos tempos de Roma e do Egito e onde, por força disso, a presença de escravos em suas narrativas é uma constante, como a história de José do Egito em “O Chanceler de Ferro”, por exemplo. E não fica aí. Em “Herculanum”, Metela compra um menino de 12 anos, e Sempronius, muitos escravos para servi-lo em Roma. Mas o Egito dos faraós vai reviver em “O amor venceu”, de Lucius por Zilda Gaspareto (Edicel) quando Solimar, uma escrava, anjo bom de toda a narrativa, reconhecia:

Foto da missa campal que celebrou o fim da escravidão no Brasil“- Podemos escravizar o corpo pela força bruta, mas nunca pelo Espírito. Existem escravos que são mais livres que os seus senhores. Muitos são os escravos dedicados e resignados que podem estar em paz com sua consciência, poucos os senhores que possam fazê-lo.”

Passemos sem delongas a alguns casos pinçados ao momento brasileiro. Em “Nosso Lar”, de André Luiz, médium F. C. Xavier, Capítulo 34, encontramos um diálogo em que uma antiga escravagista desencarnada em grande sofrimento ainda exclama:

“(...) Escravo é escravo. Se assim não fora, a religião nos ensinaria o contrário. Pois se havia cativos em casa de bispos, quanto mais em nossas fazendas? Quem haveria de plantar a terra, senão eles? (...) os escravos são seres perversos, filhos de Satã!”

Em “Instruções Psicofônicas”, através de F.C. Xavier, há um “Depoimento” dos mais dramáticos, de um senhor de escravos da cidade de Vassouras. Descobrira ideias preparatórias de próxima emancipação da parte de um servo culto e inteligente a quem se afeiçoara. Tomado de rancor, impôs-lhe castigos mortais. Este, porém, em plena agonia, beijou-lhe os pés; daí o remorso que o acompanhou pelo restante de seus dias terrenos. Desencarnado, reconheceu no ex escravo seu próprio pai de outra encarnação. A Providência Divina permitiu-lhe o reconforto de palavras dulcificadas no Evangelho. Quer então o reencontro com a sua vítima e para isso se prepara com vistas a nova encarnação. E exclama:

“Louvo a liberdade que me permite agora pensar em receber o bem-aventurado cativeiro da prova, favorecendo-me por fim o galardão da cura!...”

Eis a Justiça Divina na sublimação do resgate.

Reprodução da Lei ÁureaJá a obra “Contos e Apólogos”, e com eles voltamos a Irmão X, no lápis de F. C. Xavier, no capítulo “Dívida e Resgate”, conta-nos a história de rica senhora de escravos do Vale do Paraíba, irritada com a mestiça que lhe dera netos com o Senhorzinho. Expulsa-a, mas de molde a que viesse a morrer tragada pelas águas. Cem anos depois está reencarnada e é esposa de um pobre operário. O casebre onde mora é violentamente tomado pela enxurrada que, finalmente, leva-lhe o corpo na caudal que se forma. É o resgate. Em “Ação e Reação” – André Luiz (F.C. Xavier) -, a trama insondável dos destinos faz de orgulhoso senhor de escravos a vítima de um crime passional. Os cúmplices tornam à escola do sofrimento e o pai, que fora assassinado, renasce filho adotivo que recebe a ternura e a proteção do próprio parricida do passado.

Curioso o que narra Hilário Silva em “Almas em Desfile”. Certo comendador, fazendeiro da região havia 80 anos, fora um homem terrível. Possuía legiões de escravos e, entre eles, era conhecido por flagelo de todos. Valia-se de capatazes cruéis e às vezes chicoteava ele próprio os escravos até a morte. Sabendo disso, nossos confrade Jorge Sales, dirigente da Casa Espírita nos arredores da antiga fazenda, tinha imensa tarefa à sua frente: doutrinar inúmeros Espíritos ainda presas da revolta. E reconhecia:

“Eu também pareço sofrer a influência dessa perigosa entidade (o antigo senhor)... As referências ao comendador desabam sobre mim como choques elétricos. Só em ouvir-lhe o nome, sinto-me mal.”

Indaga, um belo dia, ao orientador dos trabalhos, se não seria mais justo evocar esse Espírito. O orientador informava-lhe que não, pois que o comendador encontrava-se em provas. Com a insistência de Jorge, inconformado, o orientador teve de revelar-lhe:

“A evocação não deve ser feita, porque o ex comendador (...) é você mesmo... reencarnado.”

Para quem quer que tenha dirigido reuniões mediúnicas, o fato não é de estranhar, mas citemos o que se encontra em “Missionários da Luz”, médium F. C. Xavier, autor espiritual ainda uma vez André Luiz, Capítulo 18, quando se descreve um caso de subjugação por terrível vingador. Dizia ele:

“- Por simples capricho, ela (a obsidiada, atualmente) vendeu minha esposa e meus filhos! (...) Será crível que Jesus, o Salvador por excelência, aplaudisse o cativeiro?”

Coube ao doutrinador explicar que o Mestre Sublime não aprovaria a escravidão, ao tempo que convidava o interlocutor a considerar, de sua parte, os próprios erros: o “credor exigente, em geral, é cego para com os próprios compromissos”. E afinal de contas, um erro jamais justifica outros tantos.

“Libertação”, também de André Luiz e ainda através de Chico, Capítulo 7, conta a história de uma pobre mulher em drama dos mais pungentes. Fora tirânica senhora de escravos e perseguira desditosa jovem e os filhos desta com o seu marido, em uma união anterior ao próprio casamento. Separada e vendida a jovem cativa, acusados e flagelados os dois filhos, tornaram-se os três terríveis vingadores. Voltaria ela à vida física e os verdugos de agora seriam reencarnados como filhos. É o acerto de contas a desdobrar-se sob as bênçãos do tempo.

(Transcrito de "O Reformador" (FEB), artigo de autoria de Alberto de Souza Rocha - Ed. de Setembro de 1988, págs. 279 a 280)

INDALÍCIO MENDES

Indalício MendesEm Leopoldina, Minas Gerais, em 23 de maio de 1901, nascia Indalício Hildegárdio Mendes. Filho de Maria Lídia da Rocha Mendes e Cristóvão José Mendes, teve como irmãos Otília, Iremarco e Dulcina. Gêmeo de sete meses, foi criado nos primeiros dias de vida em uma caixa de sapatos, envolto por algodão, para que sobrevivesse. Seu irmão não teve a mesma sorte. Com aparência franzina, muito claro, de olhos muito azuis, sua saúde sempre inspirava cuidados, que eram tratados com desvelo, primeiro por sua mãe, depois por sua dedicada esposa.

Com um mês de vida, Indalício veio com sua família para o Rio de Janeiro. Foram morar no bairro de São Cristóvão.

Autodidata, cursou até o ginasial, quando começou a trabalhar para ajudar a família, empregando-se na firma White Martins, onde criou o logotipo "estrela verde", usado até hoje. Fez carreira, chegando à posição de Diretor da Seção de Propaganda, e de lá saiu apenas para se aposentar. Desde pequeno apresentava gosto pela leitura, que o acompanhou por toda a vida, resultando disso uma invejável ilustração e aprofundada cultura, abrangendo os mais variados ramos e temas do conhecimento humano. Versado em linguas estrangeiras, lia com facilidade obras em inglês, francês, italiano e espanhol.

Em sua biblioteca de centenas de livros, deixou nas margens dos mesmos preciosos comentários e observações, que enriquecem os textos. Indalício conheceu Nadir, sua esposa, no Rio de Janeiro. Foi em 1925, no dia 24 de dezembro, na igreja de São Salvador, em Campos, que receberam a benção nupcial. Desta união nasceram Myrian Neide e Spencer Luiz, que lhes deram sete netos e quatro bisnetos.

Capa do volume Rumos Doutrinários, de Indalício MendesFoi depois de uma pneumonia, na década de 40, que começou sua busca espiritual. Luís Fernandes da Silva Quadros, tio de sua esposa e membro da Federação Espírita Brasileira, convidou-o a conhecer a doutrina e a Casa de Ismael, despertando-o para o caminho novo que surgia. Indalício passara anteriormente pelas ideias materialistas, marxistas e simpáticas a Herbert Spencer, de que teve a inspiração para dar o nome a seu filho.

Na Casa Máter, dedicou-se principalmente ao estudo das obras da Codificação de Allan Kardec, e "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing. Em 1943, foi empossado como Secretário de "O Reformador", revista oficial da FEB. Foi com o Artigo de fundo "Libertação pelo Evangelho", publicado em março de 1944, que Indalício iniciou sua colaboração em "O Reformador". Mais de seiscentos artigos se sucederam ao longo de 32 anos(*).

Deu também sua colaboração durante quatro anos na Comissão de Assistência da FEB, sendo ali companheiro de trabalho de Luís Quadros. Em 1953 entrou para o Conselho Federativo Nacional, como representante da Federação Espírita Paraibana e em 1956 foi eleito membro efetivo do Conselho Superior da FEB.

Indalício Mendes foi autor do "árduo" estudo comparativo das obras literárias de Humberto de Campos - Homem - e Humberto de Campos - Espírito, conforme consta em "Duas Palavras", do livro "A Psicografia ante os Tribunais". Este trabalho reuniu toda a documentação necessária à defesa de Chico Xavier e da FEB, entregue a Miguel Timponi.

Em 1975 foi eleito Vice-Presidente da FEB mas, daí por diante, suas forças começaram a declinar e sua presença era solicitada ao lado de sua dedicada esposa. Deixou o Conselho Federativo Nacional, o qual servira por 23 anos. Foi desativando aos poucos, deixando a vice-presidência em 1978. Mas, até a sua desencarnação, permaneceu como redator de "O Reformador" e Assessor da Presidência.

De sua personalidade, lembramos a alegria. Tinha o humor incrível que caracteriza os homens de gênio. Gostava de ouvir música. Nas reuniões familiares, dançava e até sapateava, sempre sob o sorriso amigo da esposa Nadir, que o acompanhava, formando um casal exemplar.

Esportivo, na mocidade chegou a lutar box. Tinha o pescoço um pouco inclinado, dizia ele, por ter recebido um golpe desastrado. Admirava o futebol, e sobre esse assunto assinou durante muitos anos uma coluna intitulada "Pra ler no bonde", no "Diário de Notícias", utilizando o pseudônimo de "José Brígido". Foi membro da diretoria do Fluminense Futebol Clube, no cargo de 2º Secretário.

Voz fraca, quase inaudível, foi pela escrita que fez a divulgação de seu conhecimento. De sua pena saíram contos, alguns de inspiração oriental; versos; tinha sempre palavras escritas para lembrar alguma ocasião como aniversários, casamentos, etc... e gostava de presentear com livros que levavam sempre dedicatórias gentis e doutrinárias. Usou vários pseudônimos: "José Brígido", já citado; "Túlio Tupinambá", "Vinélius Di Marco", "Boanerges da Rocha", "Tasso Porciúncula", "I. Salústio", "Percival Antunes", "Tibúrcio Barreto", "Jesuíno Macedo Jr.", "A. Pereira", "Tobias Mirco", "Gonçalo Francoso", "Damasceno", "X.Z"e outros.

Trabalhou em vários jornais, dentre eles "A Gazeta de São Paulo", "A Tribuna da Imprensa", "O Rio Esportivo" e "O Diário de Notícias", do qual foi um dos fundadores ao lado do jornalista Orlando Dantas, em 1930. Tornou-se jornalista profissional, tendo ocupado na ABI, Associação Brasileira de Imprensa, o cargo de Diretor do Setor de Relações Sociais e Humanas, do Departamento de Assistência Social.

Somado a tantas atividades, exerceu o cargo de Assistente de Plenário do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Por volta de 1963, pouco depois de sua fundação, ingressou na "Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes". Fundou em 1965, junto com o seu Orientador Geral, Azamor Serrão, o seu órgão de divulgação doutrinária, "O Cristão Espírita", de distribuição gratuita, dirigindo-o até a sua desencarnação. Indalício Mendes foi também membro do Conselho Deliberativo da Casa desde a criação deste último, a 18 de novembro de 1967, exercendo essa função até o seu regresso à Pátria Espiritual.

Nos últimos anos de sua vida "O Cristão Espírita" já lhe custava extremado esforço. As forças diminuíam dia a dia, e não encontrava quem o pudesse substituir. Escrevia à mão, pois não conseguia mais usar a máquina de escrever. Muitas vezes pensava até em desistir, mas o estímulo de amigos levou-o a continuar.

Assinatura de Indalício MendesSeu último e precioso trabalho foi sobre "O Corpo Fluídico de Jesus", que não chegou a ser publicado. Sua vivência no Espiritismo foi cercada de inúmeros obstáculos. Acordava às quatro horas da madrugada para poder estudar e escrever, inclusive "O Cristão Espírita".

Em 1974 o casal comemorou 50 anos de casados, "Bodas de Ouro". Em 25 de agosto de 1984 desencarnou sua esposa Nadir. Ficou um grande vazio na vida de Indalício.

A 13 de maio de 1988, Indalício partiu para a espiritualidade. Frágil como uma luz de vela prestes a apagar, na Casa de Saúde Santa Lúcia, em Botafogo. Justo no dia 13 de maio, dia da libertação dos escravos, Indalício libertou-se do jugo carnal. A vibração na capela do São João Baptista, onde seus restos mortais repousavam, era amena, tranquila. Sentia-se a presença de seu espírito.

Indalício Mendes deixou um rastro de luminosidade na Terra, pela intensidade e dignidade da vida que viveu. Por isso, nós o chamamos, também, "Sal da Terra"...

(*) O blog "Aron, um Espírita" prestou relevante serviço à família e à causa espíritas publicando, na Internet, muitos dos artigos de Indalício Mendes no Reformador, sob alguns desses variados pseudônimos. Registramos aqui a nossa gratidão pela iniciativa, e convidamos a todos para conhecer e apreciar essa saborosa Coleção Indalício Mendes.