Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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AVISO

Símbolo de avisoA partir de 04 DE ABRIL a CASA passará a ter passes presenciais nas Reuniões de Terças-feiras à tarde e de Sextas-feiras à noite.

Não teremos mais o passe coletivo nestes dias e encerraremos a transmissão dos trabalhos após a fluidificação das águas.

Os irmãos que participam via Internet serão envolvidos na prece de abertura e receberão a fluidificação das águas.

As Reuniões de Segundas-feiras à noite e Quintas-feiras à tarde continuarão sendo transmitidas via YouTube. Os horários de abertura dos portões e das Reuniões continuam os mesmos.


LANÇAMENTO DO VOLUME
"INÁCIO BITTENCOURT, APÓSTOLO DA CARIDADE"
AGENDADO PARA 18 DE MARÇO, às 15hs

Cartaz de lançamento do livro Inácio Bittencourt, Apóstolo da Caridade, de João Marcos WeguelinPronto, agora sim, já temos todos data e horário para participar da celebração dos 80 anos de desencarnação de Inácio Bittencourt, o mentor do Departamento Mediúnico de nossa CASA, um dos nossos heróis, um dos nossos campeões da caridade! Era português, vindo diretamente dos Açores, mais especialmente de ANGRA DO HEROÍSMO - não podia ser local mais apropriado! - mas veio ainda jovem para o Brasil e aqui brilhou como um dos grandes e valorosos exemplos da mediunidade cristã.

"Inácio Bittencourt, Apóstolo da Caridade" traz o mais completo estudo biográfico já feito sobre "Seu Inácio", como era carinhosamente chamado, resultando de muitos anos de cuidadosa e minuciosa pesquisa do escritor João Marcos Weguelin, que nos brindará com sua palestra, no terceiro sábado deste mês, a partir das 3 horas da tarde, apresentando-nos um panorama geral sobre sua vida e obra.

Alguns dos destaques do conteúdo do livro: Sua infância humilde - sua vinda para o Brasil, ainda jovem - sua profissão - seu casamento - sua adesão ao Espiritismo - seu contato com Bezerra de Menezes e Bittencourt Sampaio na FEB - seu papel como vice-presidente da FEB - os jornais e centros espíritas que fundou - as casas assistenciais que criou e manteve - seus artigos - suas palestras - a perseguição sofrida em razão de seu trabalho mediúnico - os problemas com a justiça - a absolvição pelo Supremo Tribunal Federal - a consagração ao final de uma vida inteira dedicada ao bem, como verdadeiro Bom Samaritano - as primorosas mensagens que nos têm dedicado a todos, já como desencarnado, por alguns dos maiores médiuns do Brasil e também, claro, por nossa "Antena Celeste", o Fundador e Orientador Geral de nossa CASA, Azamôr Serrão.

Impossível conhecer a vida e a obra de Inácio Bittencourt sem lembrar da valiosa citação do Apóstolo Tiago - "Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras" (Tiago 2:18). Como costumamos dizer, aqui, é ele verdadeiro SAL DA TERRA, exemplo vibrante, contagiante, exuberante da verdadeira Caridade, que nos cabe conhecer, estudar e seguir, na medida de nossas possibilidades.

Para os que são de fora do Rio de Janeiro, o evento será transmitido pelo Canal CRBBM no Youtube. Até lá!"

SIGNIFICADO EXISTENCIAL

Pessoa diante do nascer do solA existência humana tem como objetivo essencial a conquista dos valores que se encontram adormecidos no cerne do Espírito.

A tarefa inadiável consiste em buscar o sentido da vida e aplicá-lo de maneira consciente, de forma que as lutas contribuam eficazmente para a autorrealização.

Invariavelmente, em face da educação tradicional, acredita-se que a conquista da felicidade é o máximo a que se deve aspirar durante o périplo reencarnacionista. Felicidade, como sendo o prazer de possuir e de desfrutar, de alcançar o triunfo pessoal, que se traduz em forma de alto relevo, poder de qualquer espécie em algum dos vários segmentos sociais, políticos, religiosos, artísticos, culturais, causando inveja e despertando competição. [...]

Nem todos aqueles que possuem os recursos que projetam o indivíduo no ambiente em que se movimentam podem ser considerados como plenos ou felizes no seu sentido mais amplo. [...]

Fugaz é o tempo quando não utilizado de maneira lúcida em torno dos valores transcendentais. [...]

***

Quando são colocados os ideais na busca pelo ser profundo, em vez do tormento das aquisições materiais, algumas, sem dúvida, necessárias para uma existência harmônica, pacífica, a existência física adquire real significado, porquanto as questões secundárias, atendidas com o respeito que merecem, não perturbam o esforço para a real iluminação. [...]

Para que o indivíduo descubra o significado existencial que lhe diz respeito, é indispensável que se permita a reflexão, o hábito saudável da concentração e da prece, criando condições propiciatórias à viagem interior, onde se encontram registrados os prejuízos e as conquistas morais da longa viagem evolutiva...

O Espírito que se é tem a destinação do infinito, porquanto a sua jornada evolutiva nunca cessa, alcançando sempre estágios de realizações morais cada vez mais compensadoras e atraentes. [...]

Todo processo de crescimento intelecto-moral pode ser comparado a um parto natural, apresentando dores, mesmo quando tudo transcorre da melhor maneira possível. A mudança de uma para outra conduta relevante gera momentâneo sofrimento logo sucedido de imensa alegria de identificação com a vida. [...]

***

Jesus foi enfático ao abordar psicologicamente o significado existencial, propondo: - Buscai primeiro o reino dos Céus e sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado, deixando claro que a consumpção do corpo pelo fenômeno biológico da morte é inevitável, restando ao ser espiritual prosseguir na marcha pelos infinitos caminhos da imortalidade.

(Fonte: Trechos de mensagem de mensagem de mesmo título do livro “Entrega-te a Deus” (Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)

QUE DESPERTAS?

“De sorte que transportavam os enfermos para as ruas e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles.” – (ATOS, 5:15)

Pessoal diante do nascer do solO conquistador de glórias sanguinolentas espalha terror e ruínas por onde passa.

O político astucioso semeia a desconfiança e a dúvida.

O juiz parcial acorda o medo destrutivo.

O revoltado espalha nuvens de veneno sutil.

O maledicente injeta disposições malignas nos ouvintes, provocando o verbo desvairado.

O caluniador estende fios de treva na senda que trilha.

O preguiçoso adormece as energias daqueles que encontra, inoculando-lhes fluidos entorpecentes.

O mentiroso deixa perturbação e insegurança, ao redor dos próprios passos.

O galhofeiro com a simples presença, inspira e encoraja histórias hilariantes.

Todos nós, através dos pensamentos, das palavras e dos atos, criamos atmosfera particular, que nos identifica aos olhos alheios.

A sombra de Simão Pedro, que aceitara o Cristo e a Ele se consagrara, era disputada pelos sofredores e doentes que encontravam nela esperança e alívio, reconforto e alegria.

Examina os assuntos e as atitudes que a tua presença desperta nos outros. Com atenção, descobrirás a qualidade de tua sombra e, se te encontras interessado em aquisição de valores iluminativos com Jesus, será fácil descobrires as próprias deficiências e corrigi-las.

(Fonte: Pão Nosso – Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

TRABALHEMOS TAMBÉM

“E dizendo: Varões, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões.” – (ATOS, 14:15)

Pessoa diante do nascer do solO grito de Paulo e Barnabé ainda repercute entre os aprendizes fiéis.

A família cristã muita vez há desejado perpetuar a ilusão dos habitantes de Listra.

Os missionários da Revelação não possuem privilégios ante o espírito de testemunho pessoal no serviço. As realizações que poderíamos apontar por graça ou prerrogativa especial, nada mais exprimem senão o profundo esforço deles mesmos, no sentido de aprender e aplicar com Jesus.

O Cristo não fundou com a sua doutrina um sistema de deuses e devotos, separados entre si: criou vigoroso organismo de transformação espiritual para o bem supremo, destinado a todos os corações sedentos de luz, amor e verdade.

No Evangelho, vemos Madalena arrastando dolorosos enganos, Paulo perseguindo ideais salvadores, Pedro negando o Divino Amigo, Marcos em luta com as próprias hesitações; entretanto, ainda aí, contemplamos a filha de Magdala, renovada no caminho redentor, o grande perseguidor convertido em arauto da Boa Nova, o discípulo frágil conduzido à glória espiritual e o companheiro vacilante transformado em Evangelista da humanidade inteira.

O Cristianismo é fonte bendita de restauração da alma para Deus.

O mal de muitos aprendizes procede da idolatria a que se entregam, em derredor dos valorosos expoentes da fé viva, que aceitam no sacrifício a verdadeira fórmula de elevação; imaginam-nos em tronos de fantasia e rojam-se-lhes aos pés, sentindo-se confundidos, inaptos e miseráveis, esquecendo que o Pai concede a todos os filhos as energias necessárias à vitória.

Naturalmente, todos devemos amor e respeito aos grandes vultos do caminho cristão; todavia, por isto mesmo, não podemos olvidar que Paulo e Pedro, como tantos outros, saíram das fraquezas humanas para os dons celestiais e que o Planeta Terreno é uma escola de iluminação, poder e triunfo, sempre que buscamos entender-lhe a grandiosa missão.

(Fonte: Pão Nosso – Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

ESTUDOS FILOSÓFICOS: A MAIOR E MELHOR COLEÇÃO DE ARTIGOS ESPÍRITAS DA IMPRENSA BRASILEIRA ESTÁ DE VOLTA

Artigo CCCLVII - O PAIZ, 03.09.1894

Retrato de Bezerra de MenezesParece que alguns dos nossos amáveis leitores nos querem conferir título, que estamos muito longe de poder ter: o de mestre em ciência espírita.

O título de nossos artigos indica muito claramente nossa humilde posição: “Estudos do Espiritismo”.

Estudamos, e não nos vangloriamos de saber; não só porque a matéria é de uma vastidão e profundeza, que dão para muitas vidas, como porque, confessamos, sem falsa modéstia, não temos a inteligência aparelhada suficientemente para tão largas cogitações – largas de abrangerem o Universo.

E, pois, não a nós, mas às fontes a que recorremos, devem os que desejam conhecer a verdade, recorrer também, e por duas notáveis razões: primeira, porque, com quem estuda, só se pode colher o que ele sabe – e segunda, porque não faz merecimento, em bem de seu progresso, o que, em vez de tomar o arado e lavrar a terra, pede a outro que lhe faça o trabalho, para ele colher os frutos.

Não são pretexto para fugir ao trabalho, nem pouca vontade de fazê-lo, estas considerações, que aí deixamos; mas sim uma confissão e um conselho, a que nos julgamos obrigado.

“Desde que idade começa a criança a ser influenciada pelo Espírito, que recebeu ao nascer?

“Isto é, até onde vai a vida material e onde começa a espiritual?

“Isto é: quais são os fenômenos puramente da matéria?”

Eis a 1a. pergunta de Lucy, a que respondemos:

Não sabemos e acreditamos que ninguém sabe discriminar, em tese, o tempo da vida inconsciente do da consciente, que é exatamente o que nos pede.

Os filósofos discrepam, marcando uns menos e outros mais tempo para a vida inconsciente, concordando, porém, a maior parte em que é aos 2 anos de idade que a criança começa a ter consciência de seus atos – e, portanto, que começa a ter vida espiritual.

Muitos não marcam tempo – e propõe como sinal de função consciente o fato de dizer a criança – eu – de falar na primeira pessoa do singular.

Sendo fato experimental a encarnação de Espíritos em variadíssimos graus de progresso, é consequência forçada: serem muito variáveis as épocas das primeiras manifestações espirituais na criatura humana.

É intuitivo: que um Espírito mais adiantado deve agir mais depressa do que um mais atrasado – e isto se evidencia pela comparação das crianças de hoje com as dos tempos passados.

Essas eram tais que aos 4 e 5 anos não davam manifestações inteligentes e admiráveis, como dão aquelas em muito mais tenra idade.

E nós sabemos: que os Espíritos que vêm a reencarnar agora são muito mais adiantados do que os que reencarnavam nos tempos passados, por motivos que não vem a propósito expender.

Logo, parece que a lei é esta: o tempo de manifestação da vida espiritual é mais ou menos precoce, segundo o adiantamento maior ou menor dos Espíritos encarnados. É, portanto, variável.

Dissemos: o tempo de manifestação da vida espiritual para banir do espírito do nosso interrogante o erro de acreditar: que o ser humano recebe o espírito ao nascer.

Não; o Espírito prende-se à matéria de seu corpo, desde que este começa a organizar-se pela fecundação do óvulo. Seu perispírito vai-se ligando a cada molécula orgânica, que vai-se formando, de modo que, ao completar-se a organização, está completa a ligação da alma com o corpo para toda vida.

Um feto que morre, no ventre materno ou por aborto, seja qual for a sua idade, é um Espírito que desencarna, pelo mesmo modo como sucede a um adulto.

A criança traz, pois, do ventre materno os dois elementos constitutivos do seu ser hominal: corpo e alma ou Espírito ligados pelo perispírito.

“O Espírito participa das emoções da matéria?”

Se por sensação o nosso interrogante quis dizer: impressão, atuação de causas externas sobre o corpo, respondemos: não – e tanto que, muitas vezes o corpo recebe uma impressão, de que o Espírito não toma conhecimento.

Se, porém, por sensação quis dizer: sentimento, então responderemos: sim; porque só a alma sente – e tanto que, quando a alma está completamente presa na contemplação de um objeto, passam despercebidos ao ser humano todos os mais, até ferimentos graves, dando-se, por essa lei, o caso acima figurado: de impressões de que o Espírito ou alma não toma conhecimento.

É por esta lei que Espíritos elevados pelos progressos realizados, na ocasião da morte, a mais dolorosa, desprendem-se, sem nada sentirem, sendo meramente aparentes as manifestações de dor que vemos; e que os que só viveram para os gozos materiais, sofrem realmente as torturas da morte.

“Como o Espiritismo explica os sonhos?”

Explica-os pelo desprendimento da alma, enquanto o corpo repousa.

A parte imponderável – o ser pensante da criatura humana – o Espírito, que vitaliza a matgéria de seu corpo, desprende-se dele, como na morte, continuando, porém, preso a ele pelo perispírito, à laia de um balão cativo – cativo aqui por um cordão fluídico perispiritual.

Goza a vida espiritual durante aquelas horas; mas, quando volta ao seu cárcere, perde a memória do que viu – ouviu – praticou, como acontece quando encarna, para que se guarde o mistério de sua individualidade passada - e possa fazer suas provas presentes livremente, sem a coação que trar-lhe-ia o conhecimento de seu passado.

Do que se passou porém, naquele passivo, guarda uma incompleta reminiscência – e é isto o que chamamos “sonho”.

Sendo incompleta a reminiscência das cenas que foram presentes à alma, compreende-se: que o sonho pode chegar a parecer uma tolice e um absurdo.

Entretanto a verdade é: que muitas vezes eles nos denunciam fatos de que não podíamos ter ciência como homem, mas de que a tivemos como Espírito - e tais fatos se confirmam.

A melhor prova de que nosso Espírito se desprende durante o sono é a que nos dá o fato muito frequente de deitarmo-nos resolvidos a praticar um ato bem vezes importantíssimo – e acordarmos completamente dissuadidos – e dissuadidos por motivos e razões que não nos ocorreram quando tomamos a grave resolução.

Se o sono é o repouso do ser pensante, como explicar razoavelmente aquela transformação senão pela convivência de nossa alma com seus amigos do espaço, que lhe abriram os olhos?

E os sonhos proféticos? Como explicá-los?

A J.B., responderemos no seguinte artigo.

Max.

(Da União Espírita)

Fonte: Confira o original deste artigo no arquivo da Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Para conhecer os demais artigos dessa coleção e seus volumes publicados por nossa CASA visite por favor nossa Biblioteca Virtual.

OS EVANGELHOS EXPLICADOS

Jesus no Templo entre os Doutores
(Lucas, 2: 41 a 52)

Jesus entre os doutores, por Cesare FracanzanoV. 41. Seus pais iam todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. — 42. Quando Ele tinha a idade de doze anos, lá foram, como costumavam, no tempo da festa. — 43. Passados os dias desta, regressaram, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que eles dessem por isso. — 44. Pensando que o menino estivesse entre os que os acompanhavam, caminharam durante um dia e o procuraram no meio dos parentes e conhecidos. — 45. Não o achando, voltaram a Jerusalém para procurá-lo aí. — 46. Três dias depois o encontraram no templo, sentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os. — 47. Todos os que o ouviam ficavam surpreendidos da sua sabedoria e das suas respostas. — 48. Vendo-o, seus pais se encheram de espanto e sua mãe lhe disse: “Meu filho, porque procedeste assim conosco? Aqui estamos teu pai e eu que aflitos te procurávamos”. — 49. Jesus lhes disse: “Por que me procuráveis? Não sabeis ser preciso que me ocupe com o que respeita ao serviço de meu Pai”? — 50. José e Maria, porém, não compreenderam o que lhes Ele dizia. — 51. E Jesus partiu em seguida com ambos e veio para Nazaré; e lhes era submisso. Sua mãe guardava no coração todas estas palavras. — 52. E Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e diante dos homens.

1. Os fatos falam por si mesmos. Era preciso que Jesus ficasse em Jerusalém.

2. Sua existência tinha que se dividir, como se dividiu, em três fases distintas, que podeis apreciar: — o nascimento, comportando, pelos fatos e circunstâncias que o precedem, acompanham e seguem, até ao aparecimento no templo entre os doutores, as promessas de redenção, segundo a interpretação dada às profecias da Lei antiga; — o aparecimento no templo, preparando, para a época conveniente, a afirmação da sua existência, preparando a era do progresso, pela sua presença entre os doutores, sob a aparência de um menino de doze anos, no dia da solenidade da Páscoa, quando em Jerusalém se aglomeravam as multidões vindas de todas as partes; — a pregação, abrindo o caminho por onde os homens tinham e têm que enveredar.

3. Era necessário, dos pontos de vista do passado, do presente e do futuro, que a existência de Jesus assim se dividisse.

4. Era preciso que Ele ficasse em Jerusalém para assinalar a segunda fase dessa existência.

5. Já o dissemos: os fatos falam por si mesmos.

6. Aqueles que nada sabem, que confessam nada saber da infância de Jesus, encastelados numa presunçosa ignorância, tacham de inverossimilhança moral esses fatos, cujos motivo e fim, na grande obra preparatória da regeneração humana, não compreendem, nem logram explicar.

7. Ainda ninguém perscrutara a vida privada e ignorada de Jesus e os que, buscando humanizar-lhe todos os atos, hão tentado esquadrinhá- la, não explicaram como podia Ele, tão exposto aos olhares públicos, subtrair-se a esses olhares, nem porque, da sua vida humana, somente alguns fatos humanos se tenham perpetuado e os perpetuados sejam só aqueles que os Evangelistas, médiuns his- toriadores, registraram, cada um no quadro que lhe coube na narrativa, apropriada esta, sob a influência mediúnica, aos tempos e às inteligências, servindo ao presente e preparando o futuro.

8. Falando-se de Jesus na época em que apareceu no templo entre os doutores e desde o seu nascimento, foi-vos dito: “E o menino crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens”. Estas palavras refletem as impressões e apreciações humanas.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Item 47)

ANTOLOGIA UBALDIANA

MENSAGEM DO NATAL - Pietro Ubaldi (Natal de 1931)

Capa do volume Grandes MensagensNo silêncio da Noite Santa, escuta-me. Põe de lado todo o saber e tuas recordações; põe-te de parte e esquece tudo. Abandona-te à minha voz; inerte, vazio, no nada; no mais completo silêncio do espaço e do tempo. Neste vazio, ouve minha voz que te diz - ergue-te e fala: Sou eu.

Exulta pela minha presença: grande bem ela é para ti; grande prêmio que duramente mereceste. É aquele sinal que tanto invocaste deste mundo maior em que vivo e em que tu creste. Não perguntes meu nome; não procures individuar-me. Não poderias; ninguém o poderia. Não tentes uma inútil hipótese. Sabes que sou sempre o mesmo.

Minha voz, que para teus ouvidos é terna, como é amiga para todos os pequeninos que sofrem na sombra, sabe também ser vibrante e tonante, como jamais a sentiste. Não te preocupes; escreve. Minha palavra dirige-se às profundezas da consciência e toca, no mais íntimo, a alma de quem a escuta. Será somente ouvida por quem se tornou capaz de ouvi-la. Para os outros, perder-se-á no vozear imenso da vida. Não importa, porém: ela deve ser dita.

Falo hoje a todos os justos da Terra e os chamo de todas as partes do mundo, a fim de unificarem suas aspirações e preces numa oblata que se eleve ao Céu. Que nenhuma barreira de religião, de nacionalidade ou de raça os divida, porque não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos.

A divisão está no íntimo da consciência e não no vosso aspecto exterior, visível. Todos os que sinceramente querem compreender o compreendem. Cada um, intimamente, se conhece, sem que o próprio vizinho possa percebê-lo.

Minha palavra é universal, mas também é um apelo íntimo, pessoal, a cada um. Muitos a reconhecerão.

Uma grande transformação se aproxima para a vida do mundo. Minha voz é singular; porém, outras se elevarão, muito em breve, sempre mais fortes, fixando-se em todas as partes do mundo, para que o conselho a ninguém falte.

Não temas; escreve e olha. Contempla a trajetória dos acontecimentos humanos: ela se estende pelo futuro. Quem não está preso nas vossas férreas jaulas de espaço e tempo, vê, naturalmente, o futuro. Isso que te exponho à vista, é também coerente segundo vossa lógica humana e, portanto, vos é compreensível.

Os povos, tanto quanto os indivíduos, têm uma responsabilidade nas transformações históricas, que seguem um curso lógico; existe um encadeamento de causas históricas que, se são livres nas premissas, são necessárias nas consequências.

A lei da justiça, aspecto do equilíbrio universal, sob cujo governo tudo se realiza, inclusive em vosso mundo, quer que o equilíbrio seja restaurado e que as culpas e os erros sejam corrigidos pela dor. O que chamais de mal, de injustiça, é a natural e justa reação que neutraliza os efeitos de vossos atos. Tudo é desejado, tudo é merecido, embora não estejais preparados para recordar o "como" e o "quando". De dor está cheio o vosso mundo, porque é um mundo selvagem: lugar de sofrimento e de provas. Mas, não temais a dor, que é a única coisa verdadeiramente grande que possuís. É o instrumento que tendes para a conquista de vossa redenção e de vossa libertação. Bem Aventurados os que sofrem, Cristo vos disse.

O progresso científico, principal fruto de vossa época, ainda avançará no campo material. Está, entretanto, acumulando energias, riquezas, instrumentos para uma nova e grande explosão. Imaginai a que ponto chegará o progresso mecânico, ampliando-se ainda mais, se tanto já conseguiu em poucos anos! Não mais existirão, na verdade, distâncias: os diferentes povos de tal modo se comunicarão que haverá uma sociedade única.

A mente humana, porém, troca de direção de quando em quando, vive ciclos, períodos, e, nessas várias fases, deve defrontar diferentes problemas. O futuro contém não só continuações, mas transformações: consequências de um processo natural de saturação. O vosso progresso científico tende a tornar-se e tornar-se-á tão hipertrófico — porque não contrabalançado por um paralelo progresso moral —, que o equilíbrio não poderá ser mantido nos acontecimentos históricos. Tem crescido e, sem precedentes na história, crescerá cada vez mais o domínio humano sobre as forças da natureza. Um imenso poder terá o homem, mas ele para isso não está preparado moralmente, porque a vossa psicologia infelizmente é, em substância, a mesma da tenebrosa Idade Média. É um poder demasiadamente grande e novo para vossas mãos inexperientes.

O homem será dominado por uma tão alargada sensação de orgulho e de força, que se trairá. A desproporção entre o vosso poder e a altura ética de vossa vida far-se-á cada dia mais acentuada, porque cada dia que passa é irresistivelmente para vós, que vos lançastes nessa direção, um dia de progresso material.

Pietro UbaldiAs ideias são lançadas no tempo com massa que lhes é própria, como os bólidos no espaço. Eu percebo um aumentar de tensão, lento porém constante, que preludia o inevitável explodir do raio. Essa explosão é a última consequência, mesmo de acordo com a vossa lógica, de todo o movimento. Desproporção e desequilíbrio não podem durar; a Lei quer que se resolvam num novo equilíbrio. Assim como a última molécula de gelo faz desmoronar o iceberg gigantesco, assim também de uma centelha qualquer surgirá o incêndio. Antigamente os cataclismos históricos, por viverem isolados os povos, podiam manter-se circunscritos; agora não. Muitos que estão nascendo, vê-lo-ão.

A destruição, porém, é necessária. Haverá destruição somente do que é forma, incrustação, cristalização de tudo o que deve desaparecer, para que permaneça apenas a ideia que sintetiza o valor das coisas. Um grande batismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio livremente violado: grande mal, condição de um bem maior.

Depois disso a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio, retomando, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará; o espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro. Então, aprendereis a ver-nos e a escutar-nos; desceremos em multidão e conhecereis a Verdade.

Basta por agora; vai e repousa. Voltarei; porém recorda que minha palavra é feita de bondade e somente um objetivo de bondade pode atrair-me. Onde existir apenas a curiosidade, desejo de emoção, leviandade ou ainda céptica pesquisa científica, aí não estarei. Somente a bondade, o amor, a dor, me atraem.

Eu presido ao progresso espiritual do vosso planeta e para o progresso espiritual um ato de bondade tem mais valor que uma descoberta científica. Não invoqueis a prova do prodígio, quando podeis possuir a da razão e da fé. É vossa baixeza que vos leva a admirar como sinal de verdade e poder, a exceção que viola a ordem divina. Se isso pode assombrar-vos e convencer-vos, a vós, anarquistas e rebeldes, para nós, no Alto, ela constitui a mais estridente e ofensiva dissonância; é a mais repugnante violação da ordem suprema em que repousamos e em cuja harmonia vibramos, felizes. Não procureis semelhante prova; reconhecei-a, antes, na qualidade da minha palavra.

A todos digo: Paz!

(Pietro Ubaldi, “Grandes Mensagens”)