Retrato de Bezerra de Menezes

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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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NATAL DE SABINA

foto de menina pobre A cidade vibra.
Desde muito anoiteceu.
Ouvem-se vozes cantando:
"Hosanas!!... Jesus nasceu!..."

Rodam carros apressados,
Muitos grupos vão a pé...
A alegria, em toda parte,
Traduz esperança e fé.

Enfeites! Guirlandas! Lojas!...
Cores de todo matiz...
Quantas mães falando em Deus!...
Quanta criança feliz!...

Estrelas lembram na Altura
Alampadários em flor,
Descendo em bandos à Terra
Para um festa de AMOR.

Em meio de tanto brilho,
Quase de rastros no solo,
Sabina passa na rua
Com trapos a tiracolo.

Andrajos cobrem-lhe o corpo;
Na face desconsolada
Traz ainda o pó viscoso
Do leito sobre a calçada.

Abeira-se de uma casa,foto de menina pobre
Pede pão, diz que tem fome,
Afirma-se fatigada,
Há dois dias que não come...

Um senhor enraivecido
Ataca de rosto em brasa:
- "O hospício fica mais longe,
Afaste-se desta casa..."

Sabina toma outro rumo,
Pede bolo à padaria,
Vem um rapaz e responde
Com manifesta ironia:

"Não vê que está na cachaça?
Não nota que cambaleia?
Saia daqui, saia agora!...
Peça bolo na cadeia"....

Sabina Ouve....
A pobrezinha se arranca,
Procura, em travessa ao lado,
Antiga caixa de esgoto
Num recanto abandonado.

Em torno, a cidade brilha,
Toda envolvida de luz!...
Deitada no chão de pedra,
Sabina pensa em JESUS

Onde nascera Sabina?foto de menina pobre
Vivia, afinal, com quem?
Era inútil perguntar,
Ninguém sabia,
Ninguém...

Lavava roupa em fazendas,
Capinava milharais;
Depois, ficara doente...
Ninguém a queria mais.

Tivera um filho, o Antoninho,
Que lhe fora apoio à vida...
Morrera aos oito de idade,
Com febre e tosse comprida.

Desde a morte do menino,
Fazia em tudo supor,
Abatida e desgrenhada,
Que enlouquecera de dor...

Era triste, desleixada,
Andava, de déu em déu,
Se parava, era somente
A fim de fitar o Céu.

Nessa noite de alegria,
Embora sem entendê-las,
Enfraquecida e cansada,
Sabina olhava as estrelas.

Parecia o firmamentofoto de criança pobre
Um campo da primavera...
Onde estaria no alto
O filho que Deus lhe dera?

Em lágrimas, recordava
O Natal de antigamente,
O barraco improvisado,
O bule de café quente...

Revia, a fel de saudade,
Os sorriso de Antoninho,
Ao despejar-lhe nas mãos
As dádivas do vizinho...

Restava-lhe, unicamente,
Depois do filhinho morto,
Doença, frio, abandono,
Sofrimento, desconforto...

Nisso, alguém lhe surge à frente,
Homem moço em largo manto,
Por tudo e em tudo irradia
Incomparável encanto.

"Sabina - falou o estranho -
Em que pensa, triste assim?
Não vê que a cidade inteira
É um luminoso jardim?

Ela explica: - "Não, senhor,foto de menina pobre
Nada vejo, em derredor,
Quando é noite de Natal,
Meu sofrimento é maior..."

"Que quer você? - Disse o jovem -
Dinheiro? Roupas de renda?
Um tanque para lavar,
Um milharal de fazenda?!..."

"Ah! senhor
- clamou a pobre,
Tremendo na ventania -
Se o Céu me escutasse agora,
Nada disso pediria...

Como sempre, rogo em prece,
Enferma e só como estou,
O filho que Deus me deu
E a morte me arrebatou..."

"Sua oração foi ouvida..."
Ele informa, face em luz.
"Quem ouço?..." indaga Sabina.
Ele diz: - "Eu sou Jesus!..."

Do manto dele um pequeno
Sai envolto em doce brilho...
Clama o garoto:
- "Mamãe!..."
Sabina grita: - "Ah! Meu filho!..."

Encontro, surpresa, bênção,foto de menina pobre
júbilo imenso depois...
Sabina beijava o filho,
Jesus abraçava os dois!...

Naquelas pedras de rua,
Que a luz do Céu banha e doura
Clarões pintavam em prata
Lembranças da Manjedoura.

Logo após, os três partiam
Ouvindo canções ditosas,
Em nave feita de estrelas
Emolduradas de rosas.

Em toda parte, as legendas
Que o mundo nunca esqueceu:
"Glória a Deus!... Paz sobre a Terra!...
Hosanas!... Jesus nasceu!..."

No outro dia, cedo ainda,
Uma senhora na estrada,
De longe, enxerga Sabina
Como a dormir, recostada...

A dama quase supõe
Na pobre que conhecera
Um retrato da alegria
Numa escultura de cera.

Volta à casa... Traz um caldo,
Quer saber se a reconforta.
Chama Sabina, de leve,
Mas Sabina... estava morta.
FIM


("Natal de Sabina, de Francisca Clotilde, psicografia de Francisco Cândido Xavier)

O NATAL DE JESUS À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA - Continuação

Quadro da transfiguração de Jesus

"Não, Jesus não nasceu do homem. A matéria perecível não entrou por coisa alguma no conjunto das suas perfeições.

Que os que têm ouvidos de ouvir ouçam, que os que negam procurem compreender. Jesus, Espírito perfeito, que nunca faliu, pertencente ao pequeno número daqueles que trabalharam afanosamente por progredir sem se desviarem do caminho reto que seus guias lhes mostraram e que assim atingiram a perfeição; Jesus, cuja perfeição se perde na noite das eternidades, protetor e governador do planeta onde cresceis e passais pelas vossas provas, tendo presidido à sua formação, desceu à terra para vos dar um exemplo de amor, de caridade, de devotamento.

Mas, não o esqueçais: todo aquele que reveste a carne e sofre, como vós, a encarnação material humana é falível. Jesus era demasiadamente puro para vestir a libré do culpado. Sua natureza espiritual era incompatível com a encarnação material, tal como a sofreis. Sua encarnação foi qual vos temos anunciado. Ele não esperou, sepultado no seio de uma mulher, a hora do nascimento. Tudo, conforme vo-lo explicaremos, como obra do Espírito Santo, isto é, dos Espíritos do Senhor, foi aparência, imagem, no “nascimento" do Mestre, na "gravidez” e no parto de Maria.

O aparecimento de Jesus na terra foi uma aparição espírita tangível. O Espírito tomou - segundo as leis naturais que vos acabamos de explicar - todas as aparências do corpo. O perispírito que o envolvia foi feito mais tangível, de maneira a produzir a ilusão, na medida do que o reclamavam as necessidades. Mas, Jesus, Espírito puro entre os mais puros de quantos trabalham pelo progresso do vosso planeta e da sua humanidade e pela realização dos seus destinos, era sempre Espírito. Notai que, contrariamente a todas as leis a que se acha submetido o Espírito encarnado, ele tinha consciência exata da sua origem e a certeza do seu futuro. Isto por si só, espíritas, devia e deve fazer-vos compreender que seu Espírito não fora submetido às leis da encarnação, tal como a suportais.

Ele não estava sujeito a nenhuma das necessidades da existência material humana. Só na aparência, exteriormente, para exemplo, as experimentava, conforme vos explicaremos quando chegar o momento de falarmos da figura emblemática do Jejum e da Transfiguração. Conforme também vos explicaremos então, a natureza do corpo que Jesus tomou não foi mais do que um espécime precoce do organismo humano, tal como será daqui a muitos séculos, em certos centros do vosso planeta, e tal como é em planetas mais elevados; mas, sem a ação da vontade para decompor ou reconstituir o perispírito tangível ou corpo de natureza perispirítica. Esse poder só o tem o Espírito Puro.

Deixai que os materialistas envolvam o Mestre numa veste de carne igual à vossa. Por mais que façam, não conseguirão nunca igualá-lo, nesta desgraçada era. Deixai que os deístas recusem a divindade a Jesus. Eles se aproximam de vós outros, espíritas.

Sim, é tempo de ser arvorado o estandarte da verdade e da fé simples, raciocinada e racional. Sim, Deus é a única potência criadora que reina sobre todos os universos. Deus é o único princípio universal, mas não divisível, que cria, mas não pela divisibilidade de sua essência. Deus é UNO. Jesus, a quem podeis e deveis chamar seu filho bem-amado, de quem podeis e deveis dizer: nosso divino modelo, divino por ser o órgão do Senhor todo poderoso e estar em relação direta com ele; Jesus é a maior essência depois de Deus, porém não é a única essência espiritual desse grau. Cada planeta tem o seu Espírito fundador, protetor e governador, infalível, por se achar constantemente em relação direta com Deus, recebendo diretamente a inspiração divina, e que nunca faliu. Explicar-vos-emos mais tarde o sentido e o alcance destas últimas palavras.

Nenhum de vós, nenhum de nós, que vos dirigimos na vossa marcha, pode dizer que jamais faliu; mas todos podemos alimentar a esperança de participar da pureza de Jesus, da sua felicidade, pela nossa perseverança na prática do bem e no estudo constante das verdades eternas.

Nosso pai é justo e bom. Todos somos filhos pródigos; voltemos à casa paterna. Apressemo-nos, apressemo-nos, irmãos bem-amados. O divino modelo reacende o facho, cuja luz os vapores deletérios do vosso globo tinham ensombrado. Ele arde com mais vivo brilho. Fixai nele os olhos; acelerai o passo, que se faz tarde. Vosso pai está no limiar, esperando-vos de braços abertos".

Mateus, Marcos, Lucas e João, Assistidos pelos Apóstolos.

("Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, Tomo I, item 14).

TRÊS PROFECIAS SOBRE O ADVENTO DA TRANSCOMUNICAÇÃO

ilustração de duas pessoas frente a frente se comunicando por ondas

Entende-se por transcomunicação o estabelecimento de contato entre os habitantes dos planos espiritual e físico através de meio eletrônico. No final dos anos 90 e nos primeiros anos desse século esse assunto esteve bastante em evidência, aqui no Brasil principalmente devido aos esforços da incansável Sônia Rinaldi, fundadora do IPATI - Instituto de Pesquisas Avançadas de Transcomunicação e até hoje uma das grandes estudiosas do assunto, no mundo.

Desejosos de ter notícias dos progressos dessa área de pesquisa, visitamos o site do IPATI e também o da Associação Internacional de Transcomunicação, e acabamos lembrando de três "profecias" da literatura espírita sobre o futuro da comunicação entre os dois planos da vida, que transcrevemos abaixo. A primeira consta no próprio Livro dos Espíritos, de 1857. A segunda surge quase cem anos depois, no volume Ascenções Humanas, de Pietro Ubaldi, em 1950. a terceira, em 1963, na obra Devassando o Invisível, de Yvone Pereira, trazendo uma mensagem do Dr. Bezerra sobre esse assunto de 1915... As três se confirmam, reciprocamente, à perfeição. Confiram abaixo:

“934. A perda dos entes que nos são caros não constitui para nós legítima causa de dor, tanto mais legítima quanto é irreparável e independente da nossa vontade? “Essa causa de dor atinge assim o rico, como o pobre: representa uma prova, ou expiação, e comum é a lei. Tendes, porém, uma consolação em poderdes comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios que vos estão ao alcance, enquanto não dispondes de outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos.” ( O Livro dos Espíritos, 1857)

“No ano de 1915, no correr de memorável sessão a que assistiram nossos pais, em seu próprio domicílio, na cidade de São João Del-Rei, em Minas Gerais, e na qual servia o médium Silvestre Lobato, já falecido - o melhor médium de incorporação por nós conhecido até hoje e Deus -, o Espírito do Dr. Bezerra de Menezes anunciou o advento do Rádio e da Televisão, asseverando que este último invento (ou descoberta) facultaria ao homem, mais tarde, captar panoramas e detalhes da própria vida no Mundo Invisível, antecipando, assim, que a Ciência, mais do que a própria Religião, levaria os espíritos muito positivos a admitir o mundo dos Espíritos, encaminhando-os para Deus. A revelação foi rejeitada pelos componentes da mesa. O médium viu-se acoimado de invigilante, convidado a orar e vigiar, e o Espírito comunicante "doutrinado" como mistificador e perturbador da ordem e do bom-senso. No entanto, parte da profecia já foi cumprida. E não será difícil que a segunda parte o seja também, quando o homem se tornar merecedor da graça de entrever o Além-Túmulo através do seu aparelho televisor...”(Yvone A. Pereira, em “Devassando o Invisível” (1963), Cap. VIII Sutilezas da Mediunidade, item 1)

“Quando se houver experimentalmente provado [...] que o espírito é um organismo de forças individualizáveis por onda, frequência e potencial, e que a sua vida se exprime em oscilações dinâmicas ou vibrações de um comprimento de onda que se situa além dos raios ultravioletas, então se poderão construir aparelhos radio-receptores de tais ondas, que revelarão o pensamento incorpóreo humano e super-humano. Então se poderá fazer mecanicamente tudo aquilo que hoje poucos sensitivos o fazem, sós e incompreendidos. Para penetrar-se cientificamente no mundo do espírito, é necessário atingi-lo através da decomposição do sistema dinâmico nas zonas de máxima frequência, assim como para atingir o mundo da energia se decompôs o sistema atômico da matéria nas zonas mais evoluídas, mais velhas e mais complexas. No fundo da matéria, além da energia que já encontramos nela, encontraremos o espírito. Isto é lógico e análogo no físio-dínamo-psiquismo, trino-monismo do universo. As descobertas já feitas serão comparadas, com as do amanhã, a coisas pueris. Eis o imenso futuro”.(Pietro Ubaldi, em “Ascensões Humanas” (1950), Cap. XVII)

LEMBRANDO KARDEC

Capa da Revista Espírita, de Allan Kardec - 1867Celebramos os 150 anos da Revista Espírita trazendo a cada semana algumas passagens selecionadas de seus 12 substanciosos volumes. Os destaques de hoje estão nas edições de 1867. Confiram, são verdadeiras preciosidades, degustadas em poucos minutos de leitura...