Retrato de Bezerra de Menezes

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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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Aviso: Seguiremos com a interrupção de nossas atividades presenciais até 31 de julho. Agradecemos a compreensão. A direção.

CRBBM convida para suas reuniões virtuais

Com as atividades presenciais interrompidas desde março último, devido aos cuidados necessários para profilaxia da atual pandemia, decidimos experimentar o uso da plataforma ZOOM para poder dar prosseguimento, ainda que parcialmente, aos nossos estudos e preces em conjunto, promovendo então, a partir dessa semana, as nossas reuniões virtuais. Estão todos convidados, vejam por favor abaixo as instruções necessárias:



RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PARTICIPAÇÃO EM NOSSAS REUNIÕES VIRTUAIS:

ANTES DA REUNIÃO

Ilustração sobre reuniões virtuais

DURANTE A REUNIÃO

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O conteúdo digital das reuniões pertence exclusivamente a CRBBM, e portanto, qualquer divulgação deste material ou partes contidas nele, necessita de prévia autorização da direção, sujeitando o infrator às penas da lei.

COLEÇÃO INDALÍCIO MENDES

Retrato de Indalício MendesO jornalista e escritor Indalício Mendes foi o fundador do jornal de nossa CASA, "O Cristão Espírita", mas foi também e principalmente um dos grandes redatores de "O Reformador" - a admirável revista da Federação Espírita Brasileira -, onde mais de 600 artigos se sucederam ao longo de 32 anos de trabalho, constituindo, em seu conjunto, uma das maiores e mais valiosas coleções do gênero produzidas no Brasil, pela diversidade de temas abordados e pela riqueza de conteúdo doutrinário que reúne.

Recentemente descobrimos que o Blog "Aron, um Espírita", de São Paulo, tem feito um maravilhoso trabalho de divulgação da obra de Indalício, publicando tanto artigos inteiros - centenas deles - quanto separatas de pensamentos e trechos relevantes, em destaque. "Admirável ideia e que belo trabalho", pensamos, com os nossos botões, ao mesmo que sentimo-nos constrangidos por, de nossa parte, não ter pensado em algo parecido, justo nós, da Casa de Recuperação, que tanto devemos ao prezado e admirado amigo.

Para compensar o atraso, decidimos fazer-lhe também a nossa homenagem, relacionando em págica especialmente criada para essa finalidade - COLEÇÃO INDALÍCIO MENDES - a lista das postagens já disponíveis no referido blog, organizados pelas datas dos artigos a que se referem, facilitando assim o acesso a essas páginas de luz maravilhosa, que tanto abrilhantam a bibliografia do Espiritismo Brasileiro. Para oferecer aos amigos uma pequena "degustação", do valor desse acervo, trascrevemos abaixo o seu primeiro artigo em "O Reformador", de agosto de 1947, sobre a importância do estudo conjunto de Kardec e Roustaing, entitulado "COM KARDEC E COM ROUSTAING". Esperamos que apreciem...

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COM KARDEC E COM ROUSTAING

por José Brígido (Indalício Mendes)

A grita que pequena minoria de aceitantes do Espiritismo faz contra “Os Quatro Evangelhos”, não poupando sequer a memória do nobre J. B. Roustaing, nem sempre é fruto de sincera incompreensão. Pela natureza de certos comentários, percebe-se quão afastados se encontram, muitas vezes, da ética espiritista, os mais empenhados em contestar a “Revelação da Revelação”. Entretanto, “Os Quatro Evangelhos” não impõem restrição alguma à Doutrina codificada por Allan Kardec, antes a completa de modo perfeitamente racional e, digamos assim, doutrinariamente lógico. Aliás, tratando “Dos Cismas” Kardec não se furtou à feliz oportunidade de afirmar que muitas divergências têm desaparecido, “À MEDIDA QUE A DOUTRINA SE VAI COMPLETANDO PELA OBSERVAÇÃO E PELO RACIONALISMO" acrescentando que "as últimas divergências se dissiparão com a completa elucidação de TODAS as partes da doutrina”. E o mesmo Kardec avança que “haverá sempre os dissidentes por sistema, interessados por esta ou aquela causa”.

A verdade é que Roustaing continua cada vez mais firme. Em seu caso especial, é preciso levar em conta a superior orientação espiritual que tem recebido a Federação Espírita Brasileira, em mais de seis decênios de trabalho silencioso, profícuo e persistente, preservando a Doutrina de Kardec de errôneas interpretações e de deturpações numerosas. Ninguém pode, sem se alhear da verdade, desmerecer o gigantesco esforço que ela desenvolve na defesa e manutenção dos princípios básicos da Doutrina. Negá-lo não seria somente cometer grave injustiça, porque significaria, de outro lado, pôr em dúvida a capacidade espiritual do Guia Ismael, ao qual estão entregues os destinos da causa espírita no Brasil. Ora, se “Os Quatro Evangelhos” - numa palavra: Roustaing - antes mesmo de fundada a Federação, já eram estudados e aceitos por aqueles que, em seguida, integraram o corpo diretivo material da Casa de Ismael, e os que os sucederam, sem que houvesse havido até hoje a menor manifestação contrária do iluminado Guia e de outros Espíritos de superior categoria, de Kardec inclusive, é sinal evidente de que todos os que aceitamos Roustaing, considerando-o valioso colaborador da obra kardeciana, continuamos fiéis à Doutrina. Demais, não se deve esquecer o que disse Kardec com sua grande autoridade: “Assimilando todas as ideias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, ela (a Doutrina) nunca será posta à margem, e é esta uma das principais garantias da sua perpetuidade”.

Fita de MoebiusA Federação Espírita Brasileira, indissoluvelmente ligada ao kardecismo, jamais faltou a qualquer de seus deveres doutrinários. Estuda e divulga os ensinos de Kardec, e justamente por compreender o sentido superior da obra do Mestre é que também estuda Roustaing, sem o impor a quem quer que seja, certa de que está fiel ao objetivo de progressividade da Doutrina. Kardec jamais aprovaria a estagnação por falta de estudo sério do Espiritismo, estagnação que leva ao dogmatismo e, através deste, à intolerância e à obnubilação do raciocínio. O Codificador predisse estar a segurança da perpetuidade da Doutrina na “tolerância, consequência da caridade, que é a base da moral espírita”. Justamente esse espírito de tolerância no exame de “Os Quatro Evangelhos” é que tem faltado à maioria dos negadores de Roustaing. Argumentando com Kardec, para defender Roustaing, diremos que “o programa da Doutrina não é invariável senão quanto aos princípios reconhecidos novamente por verdades. No estado de atraso dos nossos conhecimentos, o que hoje nos parece falso, pode amanhã ser reconhecido como verdade, por efeito de novas leis descobertas. Isto na ordem moral, como na ordem física. É contra esta eventualidade que a Doutrina deve estar sempre aparelhada. O princípio progressivo que ela inscreveu em seu código será a salvaguarda da sua perpetuidade; a sua unidade será mantida precisamente porque não repousa sobre o princípio da imobilidade. A imobilidade, em lugar de ser uma força, é causa de fraqueza e de ruína". E como se tal não bastasse, Kardec reforça a sua advertência deste modo: “Ela (a imobilidade) rompe a unidade, porque aqueles que querem ir adiante separam-se dos que se obstinam em ficar atrás.”

Vimos argumentando com Kardec para justificar Roustaing. Não subestimamos os que não aceitam, por qualquer motivo, o "corpo fluídico". Uns não seguem Roustaing por não haverem atingido ainda o momento de bem compreendê-lo, mas não o atacam. São sinceros, honestos em sua atitude. Dignos, portanto; do respeito geral. Outros, porém, sem haverem lido e meditado acerca das lições prodigiosas de "Os Quatro Evangelhos", ou as leram e não as assimilaram, se exaltam no combate feroz a Roustaing e à sua notável obra. São os apriorísticos negadores de todos os tempos, as pedras de escândalo de todas as épocas, os "kardecistas" que não são fiéis à Doutrina e, portanto, não são fiéis a Kardec. Nós aceitamos Roustaing, depois de havermos recusado também, ao primeiro exame da questão, quanto se encontra no monumental trabalho. Agradecemos a Deus a compreensão que desceu sobre o nosso espírito, graças à palavra esclarecedora do inesquecível amigo Guillon Ribeiro. Ninguém é espírita por se dogmatizar com Kardec ou Roustaing, uma vez que o espírita consciencioso não se apaixona a ponto de perder a serenidade; não se curva a dogmas; não se fanatiza; não se prevalece de argumentações cavilosas para defender pontos de vista meramente pessoais. Não. Ninguém nos mostrará em Kardec algo que signifique aprovação a semelhante critério. O dever do homem, seja qual for a sua crença, é estudar, refletir, analisar e, então, concluir, aceitando ou recusando o tema que lhe foi proposto ou que despertou sua atenção. Criticar sem conhecimento de causa, contestar ideias aceitas por outrem sem as haver previamente estudado, não é conduta que se concilie com os princípios consubstanciados na Doutrina que nos legou Allan Kardec.

É curioso, senão lamentável, que a preocupação de combater Roustaing faça, não raro, esquecer a Doutrina, muito mais importante para o futuro espiritual do homem do que saber com rigor qual a natureza real do corpo de Jesus. Desde, porém, que possamos dedicar-nos a esse estudo sem quebra da nossa orientação doutrinária, porque não fazê-lo? Por aceitarmos Roustaing, nem por isso somos menos kardecistas do que aqueles que o negam ortodoxamente. A Doutrina Espírita trouxe ao homem uma concepção mais liberal da vida, porque não o escraviza a regras estreitas. Pelo contrário, dá-lhe liberdade de pensar e de julgar, permitindo-lhe usar de seu livre arbítrio como melhor lhe aprouver. A par dessa ampla liberdade, deu-lhe também o dever de respeitar a liberdade alheia, comportando-se o mais possível de acordo com os princípios deixados por Allan Kardec, os quais se encontram sintetizados no lema por ele adotado: “Trabalho, solidariedade e tolerância”. O trabalho por princípio, a solidariedade como objetivo fraterno do esforço comum e a tolerância como coroamento de tudo.

Se atentarmos para uma velha comunicação espírita de Kardec, a respeito do estudo dum trecho dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, veremos que o Codificador, já desencarnado, aproveitou a oportunidade de um esclarecimento necessário e reconheceu ter vindo Jesus à Terra com a formação corpórea a que aludem os Evangelistas em Roustaing: “Jesus ainda não entrara em ação decisiva contra os prejuízos e os crimes do mundo. Logo que ele baixou e tomou a sua forma corpórea aparente, para as lutas pela verdade”, etc.

Se restringir o alto valor da obra de Kardec é tarefa de insanos, descobrir em Roustaing antagonismo real com a Doutrina Espírita, codificada por aquele, pode ser qualificado como esforço insincero: é trabalho das trevas. Kardec e Roustaing foram dois grandes trabalhadores da causa, embora àquele houvesse sido cometida missão de maior envergadura. Assim como não se pode destruir a Doutrina por ele concatenada, também não se aniquilará jamais J. B. Roustaing porque as obras subscritas por ambos não foram obras humanas, mas obras dos Espíritos.

Estamos com Kardec quando, prudentemente, nos adverte: “Todas as doutrinas têm tido o seu Judas e o Espiritismo não havia de ser a exceção..."

Já citamos uma vez este pequeno trecho de “Le Spiritualisme dans I'histoire”, de Giustianiani, aparecida em 1879, em Paris: “Parmi Ies grandes et belles oeuvres inspirées médianimiquement, on doit mettre au premier rang les “Quatre Evangiles”, suivis des commandements, expliquès en esprit et en vérité par les Evangélistes assistés des Apôtres. Toutes les communications de cet important ouvrage ont été requeillies et mises en ordre par J. B. Roustaing, avocat à Ia Cour Impériale de Bordeaux, ancien bâtonnier” (Entre as grandes e belas obras inspiradas medianimicamente, devem figurar em primeiro plano “Os Quatro Evangelhos”, seguidos dos mandamentos, explicados em espírito e em verdade pelos Evangelistas assistidos pelos Apóstolos. Todas as comunicações dessa importante obra foram recolhidas e postas em ordem por J. B. Roustaing, advogado da Corte imperial de Bordéus, antigo bastonário).

Ressalta desse trecho que a obra dita de Roustaing, por haver sido por ele recolhida e concatenada, foi produzida medianimicamente, isto é, transmitida por Espíritos, tal como já sucedera também com as obras ditas de Allan Kardec.

Para que não se julgue seja desvaliosa a opinião de Giustiniani (Rossi de Giustiniani), esclarecemos que ele foi professor de filosofia em Esmirna, laureado com o Prêmio Guérin, membro da Société Scientifique d'Êtudes Psychologiques, de Paris. Homem de cultura e de indiscutivel idoneidade intelectual, que considerou também “Os Quatro Evangelhos” - de Roustaing - uma das “grandes e belas obras inspiradas medianimicamente", e que, entre outras de valor, “deve figurar em primeira plana”. Para ele também “Os Quatro Evangelhos” são uma “importante obra”.

ESTUDOS FILOSÓFICOS

Bezerra de MenezesNão é em artigos de jornal que se pode dar a prova da falsidade das ideias que fazem os católicos sobre a existência do demônio, do Inferno e das penas eternas, verdadeira trindade, que se consubstancia em um só pensamento: a punição dos que não seguem a lei de Deus.

Dá para um livro este assunto; mas, como prometemos juntar mais alguma consideração às que ligeiramente fizemos em nosso passado artigo, voltamos à matéria.

Não dissertaremos. Oferecemos somente ao leitor uma apreciação que nos parece irrefutável.

A caridade é a sublime virtude recomendada pelo Cristo - e a caridade unifica individualmente o amor de Deus e o amor do próximo.

Não tem caridade quem amar a Deus sobre todas as coisas - e não amar também ao próximo.

Está no mesmo caso aquele que se dedicar a seu semelhante até à morte; mas não reconhecer – adorar - e amar sobre tudo e sobre todos a seu Criador.

A excelsa virtude não pode existir onde não existir aquele duplo amor.

Se é assim na Terra, porque ensina a lei de Deus, explicada e recomendada por Jesus Cristo, não pode ser de outro modo no Céu, onde habitam as almas puras e bem aventuradas, que conquistaram a palma do triunfo, principalmente exercitando aquela virtude.

Seria incompreensível que Jesus Cristo recomendasse a caridade aos habitantes da Terra - e que entretanto, ela não habitasse no Céu!

É pelo contrário coisa de simples intuição: que o duplo amor, de que se ela nutre, não pode deixar de ser mais sublimado - purificado no máximo grau, no reino dos puros Espíritos.

Com efeito, mesmo cá no mundo, vemos como a sublimação do amor acompanha o aperfeiçoamento do Espírito.

O homem carnal ama como o animal, com pequena diferença.

O homem espiritual ama quase como o anjo, se nos é lícito aproveitar aqui a ideia católica.

Nesta progressão, os bem-aventurados devem sentir o mais puro amor, que o mais adiantado dos homens na Terra.

A caridade é filha do Céu - e é de lá que ela deve ostentar seu maior fulgor.

Sendo assim - e nenhum católico será capaz de nos contrariar, os justos sofrem no paraíso as maiores torturas morais, vendo uma parte dos objetos do seu acrisolado amor estorcendo-se em convulsões de dores e padecimentos imagináveis e sem fim.

A caridade na parte que toca ao amor ao próximo, atiça-lhes com energia incomparável a humana compaixão, o ardente desejo de correr em socorro de seus amados irmãos, que estão em tão duras penas; mas esse sentimento instintivo e recomendado por Deus quebra-se contra a vontade de Deus, que não lhes permite a pura satisfação.

Para que então dotarem-nos de um sentimento, que nos mandam cultivar, se, na melhor ocasião, obrigam-nos a sopitá-lo?

É principalmente pela caridade que se conquista o Céu; mas no Céu não é permitido cultivar a excelsa virtude!

O justo deve gozar as delícias do paraíso, sem lhe causar dor, à vista dos sofrimentos atrozes e eternos de seus irmãos, a quem teve por preceito amar como a si mesmo!

Isto pode entrar na consciência e na razão do homem?!

Isto não é a maior blasfêmia que se pode atirar à Suprema Perfeição?

Só um fanático pode ter por verdade divina um princípio que conduz a tão repugnantes e irreverentes consequências!

Por esse princípio, se no Céu não se perverte a natureza humana, o justo não pode ter um momento de satisfação, porque não é dado a uma alma boa gozar prazer diante do quadro da maior desgraça dos seus semelhantes.

Um tal princípio arrasta fatalmente o homem a preferir compartilhar a vida dos desgraçados, no Inferno, à que se possa ter em comunhão com os duros de coração, no paraíso!

E, pensando assim, não pode haver ofensa a Deus, que nos recomenda a compaixão pelos desgraçados!

Repetimos. Se a natureza humana não se corrompe no Céu, deve ser horrorosa a posição dos justos!

Nós, cá embaixo, com todas as nossas imperfeições, temos mais puros sentimentos, que nossa consciência - a consciência que Deus nos deu, diz que são bons e conforme com a vontade de Deus.

Se vemos em nosso semelhante ameaçado de grave perigo, deixamos instintivamente - o baile, o teatro - o divertimento em que nos acharmos - e corremos em socorro do desventurado.

Lá, no reino do Bem - na glória de Deus, os que se dizem santos em relação a nós, nem se abalam diante da maior miséria de seus semelhantes!

E, se se comovem, sua posição é a do paralítico que vê o filho - o pai - a mulher - o ente querido, envolto em chamas a dois passos da cadeira a que está colocado!

Eis o que é o Céu dos católicos, mantido o seu Inferno, com os demônios e as penas eternas.

Quem o quiser, que o tenha. Nós o repelimos, em nome de Jesus Cristo, que nos trouxe a luz do verdadeiro Céu - do Céu de Deus, que é amor e justiça.

Felizmente a prova que vamos dar, e que todo homem hoje pode colher por si mesmo, da pluralidade das existências, serve igualmente para demonstrar experimentalmente o erro dos católicos.

Se o Espírito tem muitas vidas corpóreas, o Espírito não sofre senão penas temporárias; e, pois, lá vai o Inferno pelo ar, com o seu apêndice, os anjos rebeldes, que têm tanto poder como Deus, embora se afirme o contrário.

Voltemos agora à prova experimental das vidas sucessivas da alma.

(DA UNIÃO ESPÍRITA DO BRASIL)

Max.

* Reproduzido conforme texto original. Confira na “Seção Livre” do Jornal “O Paiz”, edição de 11-12-1887. Para baixar gratuitamente o 1o. volume desta abençoada coleção de artigos visite nosso Museu Virtual Bezerra de Menenezes.

ESPIRITISMO CRISTÃO

ANUNCIAÇÃO (LUCAS: Cap. I, v. 26-38) - CONTINUAÇÃO

Gabriel anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista

Maria era um Espírito muito puro, Espírito superior, que descera à terra com a missão sagrada de cooperar no preparo da regeneração humana.

Em comunhão espiritual com os Espíritos do Senhor, mas submetida à lei da encarnação material humana tal qual a sofreis, médium inconsciente, ela recebeu, como médium vidente, audiente e intuitivo, no sentido de ter consciência do ser que se lhe apresentava, a predição que lhe era feita.

Sua inteligência, entorpecida pelo invólucro material, não se achava em estado de lembrar-se. É o que explica tenha feito sentir ao anjo, ou Espírito, a impossibilidade de conceber durante a virgindade. Cumpria que, tanto quanto os homens, a Virgem desconhecesse a origem espírita do filho que se lhe anunciava. A explicação que daremos da concepção, da gravidez e, consegüintemente, do parto de Maria, como obra do Espírito Santo, vos fará compreender que, não devendo conhecer aquela origem, ela de fato não a tenha conhecido e haja acreditado na sua maternidade.

Os Judeus, de acordo com as suas tradições e com as interpretações dadas ao Antigo Testamento, criam que o próprio Deus se comunicava diretamente com os homens; que o Espírito Santo era a inteligência mesma de Deus manifestando-se por um ato qualquer. Isso explica a resposta do anjo ou Espírito ao anunciar a Maria, depois a José, a concepção no seio de uma virgem, a gravidez e o parto - como obras do Espírito Santo. A resposta era adequada, segundo as vontades do Senhor, ao estado das inteligências, de modo a poder ser compreendida e escutada, apropriada às necessidades da época, tendo-se em vista os acontecimentos que iam ocorrer, preparando a hu-manidade para o que teria de saber mais tarde, mediante uma nova revelação, quando fossem chegados os tempos em que a pudesse suportar.

Para homens que esperavam um chefe temporal capaz de lhes reanimar a nacionalidade, de lhes reavivar as glórias e de os constituir em povo livre, preciso era um chefe que, afastando-se do programa humano, os fizesse compreender não ser deste mundo o seu reino. Tinham necessidade de oferecer um sacrifício ao Deus terrível que, segundo eles, se deleitava com o fumo dos holocaustos. E, para que o sacrifício fosse bastante grande, aqueles a quem era defeso sacrificar homens a Deus, sacrificaram Deus a si mesmo. O valor do homem precisava ser realçado; seus deveres tinham que lhe parecer maiores. Depois de haver tido Jesus, durante todo o tempo da sua missão, na conta de um homem igual aos outros, de um profeta revestido da libré material humana, como os profetas da antiga lei, os homens não o tomaram pelo próprio Deus senão após o sacrifício do Gólgota, à vista desse sacrifício, senão após o seu reaparecimento conhecido pelo nome de "ressurreição", senão em presença e por efeito dos atos que ele praticara e aos quais os mesmos homens deram o nome de "milagres”, senão quando se divulgou a revelação que o anjo fizera a Maria e a José.

Dar-lhes a conhecer os segredos de além-túmulo fora atraí-los para um terreno perigoso. Não estavam ainda bastante fortes para se preservarem do perigo das relações com o mundo invisível, para receberem e aceitarem a revelação da lei natural da reencarnação, com seus princípios e suas conseqüências. Por tanto tempo tinham tremido sob o bastão de ferro de Moisés, que o Deus paternal e sempre pronto a lhes perdoar houvera inspirado uma confiança tal, que nenhum esforço tentariam. O redentor Espírito não lhes teria falado aos sentidos. Materiais, eles precisavam da matéria, mas de matéria idealizada, que os pudesse preparar para a compreensão da vida espiritual e, assim, para serem mais tarde conduzidos, pouco a pouco, à vida espírita.

O tempo, cerca de vinte séculos, e as reencarnações sucessivas, trazendo consigo a expiação, a reparação, o progresso, vos prepararam para a com-preensão da vida espiritual; deveis achar-vos agora preparados e sereis conduzidos pouco a pouco à vida espírita.

À matéria - a letra; à inteligência - o espírito.

São chegados os tempos de se vos revelar a origem espírita de Jesus.

(Continua na próxima edição - Transcrito e adaptado de "Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Tomo I, item 14)

VIGILÂNCIA

Olho humano com o Universo em seu interiorConstantemente, nos dias de hoje, os homens são exortados à fraternidade por religiosos, políticos e diversos ideologistas. Entretanto, em muitas ocasiões em que os atos fraternos devem manifestar-se, tal não ocorre. Por que? - Perguntarão muitos. A resposta é simples: falta vigilância.

Os espíritos que reencarnam na Terra têm passado faltoso e vícios milenares que acompanham mesmo os que já se conscientizaram da necessidade de praticar o amor como nos ensinou o Nosso Mestre Jesus. Por isto, verificamos sempre, nos atos dos homens, intolerância, vingança e maledicência, que são sentimentos contrários à fraternidade.

Se você deseja que a fraternidade viva entre os homens, comece por si mesmo - mantenha-se vigilante. Encare os seus irmãos que erram como doentes morais que precisam da sua prece, da sua palavra esclarecedora como o doente do corpo necessita de remédios. Não veja os castigos que recebem os criminosos, como uma vingança quase pessoal, uma vez que é comum ouvir-se alguém dizer que se sentiu aliviado por constatar o castigo ou sofrimento do que se marginalizou no crime.

Fraternidade não significa somente união entre irmãos que professam os mesmos ideais. No sentido amplo, fraternidade é o mesmo que amor por todos os seres hominais, abraçando os que acertam e julgando os que erram como filhos de Deus que encontrarão, um dia, o seu caminho. Vigilância contra os nossos pensamentos maledicentes, vingativos, temerosos e intolerantes, eis o que se faz necessário para sermos fraternos e candidatos a um mundo melhor.

Ignácio Bittencourt

(Mensagem recebida em nossa Casa a 26/05/1982 e publicada originalmente na Edição 71 de “O Cristão Espírita”, de Maio/Agosto de 1983)