Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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o idioma universal da Paz!

Estrela verde que simboliza o Esperanto
Comunicado de realização do XXII Congresso Roustaing em nossa CASA.

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COISAS INVISÍVEIS

“ Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade se estendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas.” – Paulo (Romanos 1:20)

O espetáculo da Criação Universal é a mais forte de todas as manifestações contra o materialismo negativista, filho da ignorância ou da insensatez.

São as coisas criadas que falam mais justamente da natureza invisível.

Onde a atividade que se desdobre sem base?

Toda forma inteligente nasceu de uma disposição inteligente.

Ilustração de diferentes mãos superpostas suportando corações.O homem conhece apenas as causas de suas realizações transitórias, ignorando, contudo, os motivos complexos de cada ângulo do caminho. A paisagem exterior que lhe afeta o sensório é uma parte minúscula do acervo de criações divinas, que lhe sustentam o habitat, condicionado às suas possibilidades de aproveitamento. O olho humano não verá além do limite da sua capacidade de suportação. A criatura conviverá com os seres de que necessita no trabalho de elevação e receberá ambiente adequado aos seus imperativos de aperfeiçoamento e progresso, mas que ninguém resuma a expressão vital da esfera em que respira no que os dedos mortais são suscetíveis de apalpar.

Os objetos visíveis no campo de formas efêmeras constituem breve e transitória resultante das forças invisíveis no plano eterno.

Cumpre os deveres que te cabem e receberás os direitos que te esperam. Faze corretamente o que te pede o dia de hoje e não precisarás repetir a experiência amanhã.

( Pão Nosso – Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)


UM SÓ REBANHO, UM SÓ PASTOR

Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.(JOÃO, 10:16)

*

As palavras de Jesus, registradas unicamente no Evangelho segundo João, alimentam a esperança de que, no futuro, haja maior entendimento entre os habitantes do planeta. Na atualidade, já identificamos alguns ensaios relacionados à tentativa de maior entendimento entre os povos, que extrapolam as barreiras histórico-culturais construídas até então. [...] O esclarecimento de Jesus, como Messias da comunidade terráquea, tem uma abrangência muito mais ampla que, no tempo e no espaço, saberá superar todas as dificuldades que criam empecilhos à união fraternal entre os humanos.

Allan Kardec pondera a respeito:

[...] Jesus anuncia claramente que os homens um dia se unirão por uma crença única [...] A tarefa parece difícil, tendo-se em vista as diferenças que existem entre as religiões, os antagonismos que elas alimentam entre seus respectivos adeptos e a obstinação que manifestam em se acreditarem na posse exclusiva da verdade. [...].

[...] O acelerado desenvolvimento tecnológico vem rompendo as fronteiras geográficas e culturais, favorecendo a aproximação humana, como até então nunca acontecera. Os desafios existentes para a construção de pontes de entendimentos não são, a rigor, oriundos da Ciência e, sim, das interpretações religiosas, em geral mantidas por opiniões que refletem mais as políticas clericais do que a vivência, pura e simples, da Lei de Amor. Contudo, por força da Lei do Progresso os laços de fraternidade irão superar todas as dificuldades ao verdadeiro entendimento humano, como analisa o Codificador:

A fim de chegarem à unidade, as religiões terão que se encontrar num terreno neutro, se bem que comum a todas; para isso, todas terão que fazer concessões e sacrifícios maiores ou menores, conforme a multiplicidade de seus dogmas particulares.

Pintura de Jesus descendo dos céus circulado por anjos.[...] O nosso estudo tem como foco Jesus, o Pastor Divino, que cuida e apascenta a humanidade terrestre, segundo a vontade de Deus. O seu trabalho é encaminhar a Deus, ao aprisco divino, as ovelhas do seu rebanho – simbolicamente representadas como os habitantes, encarnados e desencarnados, da Terra. [...] Assim, o Messias de Deus não deve ser confundido como um simples guardador de ovelhas humanas, de um pregador ou dirigente de uma igreja. Ao contrário, como assevera Emmanuel:

Cristo é a linha central de nossas cogitações.

Ele é o Senhor único, depois de Deus, para os filhos da Terra, com direitos inalienáveis, porquanto é a nossa luz do primeiro dia evolutivo e adquiriu-nos para a redenção com os sacrifícios de seu amor. Somos servos d’Ele. Precisamos atender-lhe aos interesses sublimes, com humildade. [...].

Merece destaque a seguinte afirmativa de Jesus, assinalada no texto de João ora em estudo: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: devo conduzi-las também; elas ouvirão minha voz [...]”.

Possivelmente, à época em que tais palavras foram pronunciadas, “as ovelhas de outros rebanhos” abrangiam, em primeiro lugar, os povos gentílicos, nos quais a ideia de Deus único, Criador Supremo do Universo era, praticamente, inexistente. [...] Atualmente, o politeísmo não é tão expressivo, considerando-se o efetivo estabelecimento das revelações monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Contudo, o Cristo enfatiza que Ele atenderá, também, às ovelhas de outro redil, que ainda desconhecem os seus ensinamentos.

É possível que esse anúncio profético de Jesus seja estabelecido na era da regeneração, tão acalentada atualmente, em especial pelos espíritas. Nesse período, marcado pela união fraterna de povos e indivíduos, as divergências, religiosas ou não, serão amenizadas, e um maior entendimento ocorrerá entre as pessoas:

[...] Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada pode querer de injusto; que o mal vem dos homens e não d’Ele, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros.

Com a vivência da verdadeira fraternidade na Terra, a profecia do Cristo será, então, cumprida integralmente: “[...] então haverá um só rebanho e um só pastor”. Nessa ocasião, uma geração nova, solidária e amiga, espiritualmente mais amadurecida, viverá no planeta que, unida, caminhará firmemente, a despeito dos obstáculos do caminho, para alcançar a plenitude espiritual. E as ideias espíritas florescerão por toda a parte:

A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado. Avançando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará com ela no mesmo terreno. Os homens progressistas descobrirão, nas ideias espíritas, uma poderosa alavanca, e o Espiritismo achará, nos novos homens, espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo [...].

MARTA ANTUNES MOURA

(Trechos de artigo com mesmo título, publicado em Reformador, Agosto de 2021.)


A TIRA DE PAPEL

A sessão terminara.

Armindo pensava, enquanto as pessoas deixavam o salão. Ali viera pela primeira vez por insistência de amigos que lhe indicaram o Espiritismo como recurso para asserenar-lhe a angústia.

Ecoavam nele, ainda, as palavras do orador, moço a brandir verbo firme e brilhante:

– A fé em Deus traz a alegria de viver. É sol na alma. Tenhamos confiança e, sobretudo, ajudemos àqueles que não a possuem, confortando os desesperados. Ajudar a alguém é ajudar-nos. Servir é servir-nos.

E Armindo sismava:

– O pregador diz essas coisas, mas não creio que as faça. É muito moço ainda. Cheio de vida. Quero ver quando chegar na minha idade... Cinquenta e seis anos... Quanta decepção!... Quanta dor!...

E, meditando, não percebeu que quase todos os circunstantes já se haviam retirado, deixando-o quase só...

Ilustração com tiras de papel bem antigo e gasto sobre uma mesa tendo uma delas uma mensagem edificante.Armindo levanta-se e vê um montículo de papel sobre a mesa.

São pequenas tiras indicando os nomes de doentes que haviam recorrido às orações daquela noite no templo espírita.

Brota-lhe uma ideia de súbito.

Apanharia um nome e aplicaria os conselhos ouvidos. Consolaria a alguém necessitado, tentando melhorar a sua própria mente.

Colhe um pedacinho de papel e lê nele um nome de mulher, com o endereço respectivo.

– Amanhã é domingo – refletiu. – Visitarei essa pessoa pela manhã.

Realmente, às oito horas batia à porta de pequena casa a desmoronar-se, em um bairro distante.

Mocinha triste atende.

Armínio pergunta pela mulher indicada. E a jovem fala baixinho:

– Meu senhor, Conceição acaba de desencarnar. Entre, faça o favor.

Emocionado, Armínio vê junto a catre paupérrimo duas senhoras humildes compondo o corpo inerte de mulher moça, observadas por duas crianças de olhar agoniado.

Depois das saudações, uma das senhoras assinala, discreta:

– Era câncer. Descansou, coitada. Há três meses vinha sofrendo horrivelmente.

Armindo, consternado, escutou o esclarecimento.

Nisso um homem penetra no quarto penumbroso.

– É o marido da morta e pai dos meninos – esclarece a senhora, falando de novo.

Armindo dirige-se para ele, fazendo menção de cumprimentá-lo, e, extremamente surpreendido, reconhece nele o orador da noite precedente, de olhos molhados, mas de fisionomia tranquila.

(Almas em Desfile – Hilário Silva/Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier)


OS EVANGELHOS EXPLICADOS

Origem e Evolução do Espírito

(Mateus, 1: 1 a 17 - Lucas, 3: 23 a 38 - continuação)

Imagem mostrando vários animais reunidos em uma estrada ante um pôr do sol.Sob a direção e a vigilância dos Espíritos prepostos, o Espírito em formação efetua assim, sempre numa progressão contínua, o seu desenvolvimento com relação à matéria que o envolve e chega a adquirir a consciência de ser.

Preparado para a vida ativa, exterior, para a vida de relação, passa ele ao reino animal.

Torna-se então princípio inteligente de uma inteligência relativa, a que chamais — instinto; de uma inteligência relativa às necessidades físicas, à conservação, a tudo o que a vida material exige, dispondo de vontade e de faculdades, mas limitadas àquelas necessidades, àquela conservação, à vida material, à função que lhe é atribuída, à utilidade que deve ter, ao fim a que é destinado em a natureza, sob os pontos de vista da conservação, da reprodução e da destruição, na medida em que haja de concorrer para a vida e para a harmonia universais.

Sempre em estado de formação, pois que não possui ainda livre-arbítrio, inteligência independente capaz de raciocínio, consciência de suas faculdades e de seus atos, o Espírito, sem sair do reino animal, seguindo sempre uma marcha progressiva contínua e de acordo com os progressos realizados e com a necessidade dos progressos a realizar, passa por todas as fases de existência, sucessivas e necessárias ao seu desenvolvimento e por meio das quais chega às formas e espécies intermediárias, que participam do animal e do homem. Passa depois por essas espécies intermediárias, que, pouco a pouco, insensivelmente, o aproximam cada vez mais do reino humano, porquanto, se é certo que o Espírito sustenta a matéria, não menos certo é que a matéria lhe auxilia o desenvolvimento.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 56, parágrafos 33 a 36)



ESTUDOS FILOSÓFICOS:
A maior e melhor série de artigos
da literatura espírita brasileira está de volta!

Artigo CDXXXV - Gazeta de Notícias, 12-04-1896

Imagem das capas da coleção Estudos Filosóficos editada pela CRBBM.Releve o Apóstolo a nossa impertinência de querermos à fina força curá-lo da demomania.

Já lhe demos as experiências do sábio e virtuoso Almignana, sobre as manifestações por médiuns sonambúlicos. Passaremos, agora, às que o ilustre padre doutor fez sobre as que se dão pelas mesas giratórias e falantes. Ouçamo-lo:

“Tenho feito grande número de experiências com as mesas, em companhia de leigos piedosos e de eclesiásticos, pessoas devotas e circunspectas e até de um venerável bispo, e sempre com a maior seriedade.

“Querendo saber, no interesse da religião e das nossas almas, se com efeito era o demônio que comunicava movimento e linguagem às mesas, empregamos, à exceção do exorcismo, todos os meios que a doutrina católica nos oferece para expulsar o demônio – e não podemos alcançar resultado algum naquele sentido.

“De fato, nem a prece, nem os sagrados nomes de Deus e de Jesus, nem o sinal da cruz feito sobre a mesa, nem o crucifixo, nem o rosário, nem os Evangelhos, nem a Imitação de Jesus Cristo, postos em cima da mesa, nem a água benta, puderam obstar que girassem, batessem e respondessem às nossas perguntas.

“Pelo contrário, temos visto muitas vezes a mesa inclinar-se diante da imagem do crucificado.

“Acrescento mais: n’uma experiência que fiz com o mencionado bispo, foi este quem fez o sinal da cruz sobre o velador, sem que, apesar disso, interrompesse o movelzinho seus movimentos. Em seguida perguntou S. Ex. Revd. ao velador se amava a cruz, e, como este respondesse pela afirmativa, não foi sem grande surpresa que S. Ex. Revd. viu inclinar-se o velador diante de sua cruz pastoral e falar-lhe da vida futura com ortodoxia.

“Se, depois do que acabo de expor, fosse necessário raciocinar de conformidade com a pneumatologia do Sr. de Mirville, eis qual devia ser o raciocínio:

“A doutrina católica, no tocante às obsessões diabólicas, dá à prece, aos santos nomes de Deus e de Jesus, ao sinal da cruz, à água benta, aos exorcismos, a virtude de expulsar os demônios dos possessos. Ora, a prece, os nomes sagrados de Deus e de Jesus, o signal da cruz etc., não têm conseguido expulsar o demônio dos sonâmbulos, nem das mesas que, na opinião do Sr. de Mirville, são verdadeiros possessos; logo, a doutrina católica, quando confere à prece, aos santos nomes de Deus e de Jesus etc. a virtude de expulsar o demônio, está em erro – logo a Escritura, os SS. PP. e a Igreja, autoridades em que se firma a doutrina católica acerca das obsessões e da maneira de livrar os possessos do demônio, estão em erro.

“Mas qual será o verdadeiro católico que sustente semelhante linguagem?

“Não faltará quem objete que, se os meios que a doutrina católica oferece, para expulsar o demônio, nem sempre surtem efeito, é isso devido à falta de fé dos que os empregam.

“A esses responderei que os pagãos não primavam por sua fé e, no entanto, Orígenes diz que o nome de Deus proferido por eles expulsa os demônios.

“Há um grande número de pessoas, entre as quais eclesiásticos e leigos que não se arredam dos sacramentos, que comigo fizeram experiências; oraram e invocaram os santos nomes de Deus e de Jesus, etc. Seria razoável admitir que no meio delas não houvesse uma ao menos que tivesse tanta fé como um pagão? Não posso crer.

“Pois que! o amável bispo, que comigo fez experiências e que durante quarenta anos sacrificou-se pela propaganda da verdade, em remotas paragens, não teria tanta fé como um pagão, para expulsar o demônio com o nome de Deus? Afirmá-lo seria insultar a obra santa da propagação da fé, na pessoa de um dos melhores apóstolos”.

Ainda isto não é tudo.

“S. João nos ensina a conhecer se um Espírito é ou não de Deus.

“Meus muito amados, diz na Ep. 1a., cap. IX, eis como conhecereis quando um Espírito é de Deus: todo o Espírito que confessa que Jesus veio em carne é de Deus, e todo o que não confessa, não é de Deus.

“Instruído por S. João e desejando conhecer a natureza dos Espíritos ou forças que atuam na rotação e na linguagem das mesas, servi-me também do meio indicado.

“Com este fim, estando minha mesinha em movimento, dirigi-lhe a seguinte pergunta:

– Confessais que Jesus veio em carne?

– Sim, respondeu.

“A mesma resposta à pergunta feita por diversas vezes.

“Depois destas experiências, poderei conscientemente crer na intervenção do demônio nas mesas giratórias e falantes, sem reconhecer como errôneo o ensino de S. João?”

Graças a Deus é um padre, assistido por um bispo, ambos venerandos e ambos firmados nas Escrituras, nos SS. PP. e na Igreja e em S. João, quem varre do campo do Espiritismo a influência do demônio, rival de Deus, segundo a Igreja.

Ou tudo o que ensinam estes luzeiros da verdade, para expulsar o demônio, é pura e prova da falsidade – ou o tal demônio tem poder para desbaratar as hostes divinas – ou as comunicações espíritas, pelos médiuns e pelas mesas não são obra de tremebunda potência.

Isto é tão rigoroso como dizer-se: – não há efeito sem causa.

Escolha, pois, o Apóstolo, entre as três hipóteses, a que lhe parecer mais racional e mais conforme com o critério da verdade absoluta.

Ou é falso o ensino sagrado – ou Satanás pode mais do que os que agem em nome do Senhor – ou as comunicações espíritas não são as coisas do demônio!

E notem bem os padres do Apóstolo: não são possessos que fizeram as experiências, de que resulta o claro dilema: foram padres – virtuosos ministros do altar do Deus Vivo.

E notem mais que nem o Arcebispo de Paris nem o Santo Padre condenaram as experiências e dedicações do respeitável abade Almignana.

Deus se compadeça dos pobres cegos d’alma.

Max.

Reproduzido conforme texto original. Confira na edição da Gazeta de Notícias de 12-04-1896 Hemeroteca da Biblioteca Nacional.
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