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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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DIA DE REIS

Nos evangelhos não há indicação de que os magos seriam "reis", nem que seriam "três". Citados apenas por Mateus (2,1-12), conforme abaixo, coube à tradição cristã a construção desses personagens a partir de uma variedade de referências históricas, algumas verdadeiras, outras falsas, compondo aos poucos a estória desses três reis que, seguindo uma estranha estrela, teriam localizado a sagrada família ainda no estábulo onde Jesus surgira entre os homens. Decidimos aproveitar o ensejo da celebração dos Dias de Reis no último dia 06, para trazer um pouco do que sobre eles se diz na obra "Os Quatro Evangelhos", de Roustaing, a fim de que conheçamos as revelações dos Espíritos sobre os magos e sobre a "estrela" que os guiou até o Cristo...

*

(Mateus, 2, 1-12)Reprodução do quadro de Rembrandt sobre a Adoração dos Magos, de 1632"V.1. Tendo Jesus nascido em Belém de Judá, ao tempo do rei Herodes, eis que do Oriente vieram alguns magos a Jerusalém,- 2, dizendo: "Onde está aquele que nasceu rei dos Judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". 3. Sabendo disso, o rei Herodes ficou sobressaltado e com ele toda a cidade de Jerusalém; - 4. e, tendo reunido em assembléia todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, inquiriu deles onde devia nascer o Cristo. - 5. Disseram-lhe: "Em Belém de Judá, conforme ao que foi escrito pelo profeta: - 6. E tu, Belém, terra de Judá, tu não és a ultima entre as principais cidades de Judá; pois que de ti sairá o chefe que há de conduzir meu povo de Israel." - 7. Então Herodes, mandando chamar em segredo os magos, lhes perguntou em que tempo precisamente a estrela lhes aparecera; - 8, e, enviando-os a Belém, lhes disse: "Ide, informai-vos exatamente acerca desse menino e, quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, a fim de que eu também o vá adorar." - 9. Depois de ouvirem do rei essas palavras, os magos partiram e logo a estrela que tinham visto no Oriente lhes tomou a dianteira e só se deteve quando chegaram ao lugar onde estava o menino. - 10. Quando viram a estrela, eles se sentiram transportados de extrema alegria; - 11, e, entrando na casa, aí encontraram o menino com Maria, sua mãe, e, prosternando-se, o adoraram; depois, abrindo seus tesouros, lhe ofereceram, por presentes, ouro, incenso e mirra. - 12. Avisados, enquanto dormiam, para que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho às suas terras".

A visita dos magos a Jesus em Belém não foi feita no estábulo. Já o "menino" não estava mais na manjedoura quando eles o adoraram. Também não foi antes, mas depois da circuncisão e da puri-ficação que a visita e a adoração se verificaram. Tendes um critério para vos orientardes a esse respeito: é a ordem de morticínio das crianças até à idade de dois anos. Se os magos tivessem vindo antes da circuncisão e da purificação, a ordem não atingiria as crianças de mais de um ano. Notai, com efeito, que aquela ordem Herodes a deu de conformidade com as informações exatas que obtivera dos mesmos magos acerca do tempo em que lhes aparecera a estrela.

Maria tinha que estar em Belém, com o menino, na ocasião em que eles chegassem para o visitar e adorar.

Os fatos tinham que ocorrer como ocorreram, sob a influência e a ação espíritas, tanto no que se refere a Maria e a José, quanto no que diz respeito aos magos.

Quadro de Peter Paul Rubens sobre a Adoração dos Magos - 1634Esses encontros, essas ocorrências, que supondes ser o que chamais - obra do acaso, por lhes ignorardes a causa, muitas vezes se produzem entre vós sob a influência e ação espíritas.

José e Maria iam freqüentemente a Belém, a casa de Matias, irmão do primeiro. Os Espíritos seus protetores lhes inspiraram a idéia e o desejo de lá irem na ocasião em que ali deviam achar-se para serem, com o menino, encontrados pelos magos. Foi, pois, na casa de Matias que estes adoraram "o menino" Jesus e lhe ofereceram, por presentes, ouro, incenso e mirra.

Mas, como foram os magos induzidos a vir do Oriente a Jerusalém, para indagar onde estava aquele que nascera "rei dos Judeus"? Como puderam saber que a "estrela" que viram no Oriente era a daquele que nascera "rei dos JuDeus"? Como foram levados a seguir essa "estrela", a fim de o irem adorar? E que era essa "estrela"?

Uma revelação espírita os instruiu a tal respeito. Em sonho, receberam dos Espíritos seus protetores o aviso de que - um enviado do Grande Ser descera à terra para ser o rei dos JuDeus, a fim de regenerar a raça humana; de que seriam guiados até junto do "menino" pela sua estrela, que veriam no céu; de que não lhes cumpria mais do que segui-la a fim de chegarem ao enviado celeste. Para cada um a linguagem que lhe convém.

Os magos subordinavam a existência de cada homem à influência de um planeta. Para eles, portanto, aquela "estrela" era um planeta criado para presidir aos destinos de Jesus e lhes fora enviado expressamente para os advertir e guiar. Quanto aos outros homens, esses, segundo as crenças que os magos professavam, nasciam e morriam sob a influência dos planetas já existentes, cada um dos quais podia presidir aos destinos de milhares de indivíduos.

Como sabeis - pois essa crença sobreviveu por muito tempo - os antigos acreditavam que o homem nascia sob uma boa ou má estrela. A idéia que, para os eruditos da época, servia de base a semelhante crença era que tal planeta, sob cuja influência o homem nascera, desprendia fluidos propícios ou contrários, os quais, ou lhe facilitavam a concepção do bem, o estudo das ciências, a aquisição das riquezas terrenas, a realização dos desejos, a saúde, o prolongamento da vida, ou acumulavam desgraças sobre desgraças, conforme a influência era boa ou má. Abri qualquer dos velhos tratados de alquimia, de necromancia, de astrologia e vereis o papel ativo que, por vezes, seus autores atribuem, de muito boa fé, aos planetas, que, entretanto, marcham ascensionalmente pela via do progresso, como tudo o que foi e é criado, pois tudo que é criado é perfectível.

Reprodução do quadro de Diego Velasquez sobre a Adoração dos Magos, de 1619Não vos espanteis da idéia que, apoiados nas suas crenças, os magos fizeram da "estrela" que os havia de guiar, tomando-a por um planeta capaz de executar um ato inteligente, qual o de os conduzir a determinado lugar. A confiança que depositavam na poderosa vontade do Senhor lhes dominava completamente o raciocínio. Para eles, a estrela obedecia a uma ordem dada, como o servo obedece ao amo.

Não dizemos que isso foi real, pois, ao contrário, vamos explicar-vos a natureza da luz que eles tomaram pela de uma estrela.

Alguns "espíritos fortes" que, cheios de orgulho, pensam tudo saber e que, no entanto, ainda são muito ignorantes, pretenderam, negando a ação e os efeitos espíritas, a ação e os efeitos da mediunidade, que tal "estrela" não passava de uma fábula astrológica. Certo, assim devem falar os que só compreendem os efeitos matemáticos e que tudo pesam com o peso que tem à mão.

A luz que, sob a forma de estrela, cintilava aos olhos dos magos nada tinha de comum com os astros que povoam a imensidade. Não pode o anjo de guarda mostrar-se ao homem sob a forma luminosa que julgue conveniente? O olhar escurecido da matéria será capaz de distinguir a luz emitida por um centro fluídico da que envolve os mundos que brilham sobre as vossas cabeças?

Vós espíritas deveis compreender que o perispírito, sobretudo o de um Espírito superior, pode tornar-se luminoso para olhos humanos, mediante uma agregação, uma condensação de fluidos e uma modificação que lhes dê forma estelar. O que os magos viram não era uma estrela. Tudo na imensidade está submetido à lei da harmonia universal: portanto, uma estrela, o que quer dizer - um mundo, não se afastaria do centro de gravitação que lhe fora imposto, para vagamundear pelo espaço, como lanterna em mãos de um guia.

Todo e qualquer efeito inteligente, vós o sabeis, decorre de uma causa inteligente. Os magos eram guiados por um Espírito superior encarregado de os levar a render homenagem ao Salvador da humanidade. Esse Espírito se manifestou fluidicamente, de modo luminoso, sob a forma de estrela, tal como os magos o designaram.

A estrela lhes brilhava aos olhos, mas estes eram óptica no caso de carne. Não vos dais conta dos efeitos de óptica? A distância em que se encontram, vedes, porventura, os mundos que vos circundam tais como realmente são? O afastamento, a luz a cintilar, sob o aspecto de estrela, atravessando o ar ambiente que os envolvia, a forma e as dimensões tomadas não podiam bastar para iludir a homens que, embora sábios relativamente ao século em que viviam, estavam muito longe de possuir os conhecimentos atuais e não dispunham de nenhum dos vossos instrumentos tão aperfeiçoados e que ainda se hão de aperfeiçoar tanto?

Outros "espíritos fortes" pretenderam também, ironicamente, que "os magos só viajavam à noite, pois que, à luz do sol, não se vêem as estrelas".

Não é exato. De preferência viajavam durante o dia, porquanto, como vós, repousavam à noite, reservando ao sono o tempo necessário.

Acaso os sábios, que hão inventado e empregam lunetas próprias para serem usadas de dia, ignoram que, em certas condições de irradiação, as estrelas podem ser vistas tão bem quando o sol brilha, como à noite?

A esses poderíamos perguntar: Fora impossível apropriar a vista dos magos de maneira a que pudessem perceber um pálido clarão, mau grado à claridade do dia? Por prodígios tão extraordinários quanto este e que admitis, sem que entretanto os compreendais bem, os olhos humanos não são apropriados a desempenhar as funções de microscópio?

Foto de uma estrela em meio à escuridãoPonhamos, porém, a questão nos seus verdadeiros termos: a "estrela" de que se trata não era, repetimo-lo, um dos mundos que povoam o firmamento e sim, como acabamos de explicar, uma concentração de fluidos luminosos, sob o aspecto de estrela brilhante, cuja claridade se modificava de modo a poderem os magos, médiuns videntes, distinguir-lhe a luz. Era efeito de óptica produzido para lhes fazer cintilar à vista, como as estrelas em noite límpida, um clarão movediço.

Vimos a vós para vos auxiliar na explicação do que, em linguagem humana, se designa pelo nome de "mistério", mas apenas para vos auxiliar e só com relação ao que vos seja verdadeiramente incompreensível. Utilizai-vos da vossa ciência e da vossa razão para a solução das questões que uma e outra podem resolver.

Os magos foram primeiramente conduzidos a Visita dos Jerusalém, porque cumpria seguissem o itinerário que magos.

Herodes tinha que ser informado do "nascimento” do "rei dos Judeus", tinha que reunir em assembléia os príncipes dos sacerdotes, os escribas ou doutores do povo, os quais, consultando as profecias, tinham que indicar, como local destinado ao nascimento do Cristo, chefe que, segundo fora anunciado, haveria de guiar o povo de Israel, a cidade Belém de Judá, onde precisamente “nascera” o “menino” que os magos procuravam.

Tudo tem a sua razão de ser: o "nascimento" isolado do "menino" Jesus, no seio de uma classe pobre, devia ter uma repercussão que preparasse o seu aparecimento entre os homens e dispusesse os acontecimentos que se haviam de dar, em conseqüência dessa passagem dos magos por Jerusalém e da visita deles a Belém.

("Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, Tomo I, item 43)

O VERDADEIRO RECOLHIMENTO

Foto de pessoa meditando em lago placidoSe pudésseis ver o recolhimento dos Espíritos de todas as ordens que assistem às vossas sessões, durante a leitura de vossas preces, não só ficaríeis tocados, mas envergonhados de ver que o vosso recolhimento, que apenas qualifico de silêncio, está bem longe de aproximar-se do dos Espíritos, um bom número dos quais vos são inferiores. O que chamais vos recolherdes durante a leitura de vossas belas preces, é observar um silêncio que ninguém perturba; mas se os vossos lábios não se mexem, se o vosso corpo está imóvel, vosso Espírito vagueia e deixa de lado as sublimes palavras que deveríeis pronunciar do mais profundo do vosso coração, a elas vos assimilando pelo pensamento.

Vossa matéria observa o silêncio; certamente, dizer o contrário, seria vos injuriar; mas o vosso Espírito tagarela não o observa e perturba, neste instante, por vossos pensamentos diversos, o recolhimento dos Espíritos que vos rodeiam. Ah! se os vísseis prosternados diante do Eterno, pedindo a realização de cada uma das palavras que ledes, vossa alma ficaria comovida e, lamentando sua pouca atenção passada, faria um exame de consciência e pediria a Deus, de todo coração, a realização dessas mesmas palavras, que apenas pronunciava com os lábios. Pediríeis aos Espíritos que vos tornasse dóceis aos seus conselhos; e eu, Espírito que vos falo, após a leitura de vossas preces, e das palavras que acabo de repetir, poderia assinalar mais de um que daqui sairá muito pouco dócil aos conselhos que acabo de dar e com sentimentos muito pouco caridosos para com o próximo.

Talvez eu seja um pouco duro; mas creio não o ser senão para os que o merecem, e cujos mais secretos pensamentos não podem ser ocultos aos Espíritos. Assim, só me dirijo aos que aqui vêm pensando em qualquer outra coisa senão nas lições que aqui devem buscar e nos sentimentos que aqui devem trazer. Mas os que oram do fundo da alma orarão também, após a leitura de minha comunicação, por aqueles que vêm aqui e daqui partem sem terem orado.

Seja como for, peço aos que tiverem a bondade de me escutar, que continuem a pôr em prática os ensinamentos e os conselhos dos Espíritos; a isto vos convido no seu interesse, pois não sabem tudo o que podem perder não o fazendo.

(Revista Espírita, ED. FEB - Novembro de 1868 - Págs. 477/479 – Médium: Sr. Bertrand / Esp.: De Courson)

AJUDA-NOS A TE SERVIR

Mãos que oferecem ao outro um coraçãoQuando tu te achegares, querido Irmão, a estas casas de amor e caridade que o Cristo, mísericórdiamente, distribui pelo mundo, iembra-te de que são fccos de luz que, do Alto, o Pai permite, amorosamente, ao Mestre excelso, colocar a nosso alcance, para encontrarmos o equilíbrio espiritual e a saúde dos corpos, no resgate de débitos reencarnatórios.

Acautela teus pensamentos dentro destes templos do bem. Não permitas jamais que tuas dúvidas mundanas te sigam, pois é a oportunidade divina que em nós renova células e mente para um progresso maior na estrada.

Almeja acertar, do fundo do teu coração. Renova-te. Dá aos que, como nós, humildemente, labutam no trabalho da caridade do Cristo, maior campo de ação, sobre cabeças concentradas em fervoroso louvor a Jesus.

Creia: facilitarás muito, para ti mesmo, o que, aqui ou em outra Casa do Cordeiro, fores buscar.

Paz e amor.

IGNÁCIO BITTENCOURT

(Mensagem recebida por Azamôr Serrão e originalmente publicada em "O Cristão Espírita", Ed. 11, de abril/maio de 1967)

O GRITO

Foto de criança soprando florUma boa palavra auxilia sempre. Às vezes, supomo-nos sozinhos e proferimos inconveniências. Desajudamos quando podíamos ajudar. É preciso aproveitar oportunidades. Falar é um dom de Deus. Se abrirmos a boca para dizer algo, saibamos dizer o melhor.

A pequena assembléia ouvia atenta a palavra de Sálus, o instrutor espiritual que falava pelo médium.

- Não adianta repetir frases inúteis. E é sempre falta grave conferir saliência ao mal. Comentemos o bem. Destaquemos o bem.

Dentre todos os presentes, Belmiro Arruda, escutava em silêncio.

***

Decorridos alguns dias, Arruda, nas funções de pedreiro-chefe, orientava o término da construção de grande recinto. O enorme salão parecia completo. Tudo pronto. Acabamento esmerado. Pintura primorosa.

- Experimentemos a acústica – disse o engenheiro superior. E virando-se para Belmiro:

- Grite algo.

Arruda, recordando a lição, bradou:

- Confia em Jesus!... Confia em Jesus!...

O som estava admiravelmente distribuído. Os operários continuavam na sua faina, quando triste homem penetra o recinto. Cabeleira revolta. Semblante transtornado.

- Quem mandou confiar em Jesus? – perguntou.

Alguém aponta Belmiro, para quem ele se dirige, abrindo os braços.

- Obrigado, amigo! – exclamou.

E mostrando um revólver:

- Ia encostar o cano no ouvido, entretanto, escutei seu apelo e sustei o tiro... Queria morrer no terreno baldio da construção, mas sua voz acordou-me... Estou desempregado, há muito tempo, e sou pai de oito filhos... Jesus, sim! Confiarei em Jesus!...

Arruda abraçou-o, de olhos úmidos. O caso foi conduzido ao conhecimento do diretor do serviço. E o diretor, visivelmente emocionado, estendeu a mão ao desconhecido e falou:

- Venha amanhã. Pode vir trabalhar amanhã.

(Hilário Silva, A Vida Escreve, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Cap.2)