Retrato de Bezerra de Menezes

Casa de Recuperação
e Benefícios
Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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CRBBM AMPLIA SUAS REUNIÕES PRESENCIAIS
E ALTERA OS HORÁRIOS DAS SESSÕES NOTURNAS

relógio de parede mostrando 20hsPor determinação do Conselho da CASA, são retomadas as reuniões de desenvolvimento mediúnico, às quartas-feiras e sextas-feiras (tarde), somando-se, assim, às reuniões das segundas, terças, quintas, sextas e sábados (Evangelização), em modo presencial.

Embora haja desobrigação do uso de máscaras, reiteramos que, em decorrência do aumento recente do número de casos de covid e gripe e visando a segurança dos envolvidos, a Casa enfatiza a necessidade de seu uso por todos os frequentadores.

A CRBBM preconiza a manutenção dos cuidados preventivos à contaminação e disponibilizará álcool gel e fornecerá máscaras para aqueles que o desejarem.

ALTERAÇÕES NO HORÁRIO DAS REUNIÕES NOTURNAS

Devido a novos comportamentos e necessidades, intensificados com as alterações impostas pela COVID, o Conselho Deliberativo da CRBBM decidiu antecipar em meia hora o início de suas reuniões noturnas.

Assim, em decorrência desta modificação, a partir de JULHO, passa-se a cumprir o seguinte horário:

AZAMÔR SERRÃO, A NOSSA "ANTENA CELESTE"

O mês de agosto é sempre especial para nossa Casa. No primeiro dia desse mês celebramos a memória de seu Fundador e Orientador-Geral, Azamôr Serrão, desencarnado exatamente nesta data, em 1969. No dia 29 temos também a comemoração da data natalícia de nosso Patrono, Bezerra de Menezes, que em 1831 voltou às plagas terrenas, sob indicação de Ismael para, como o Médico dos Pobres, como o Kardec Brasileiro, deixar-nos a todos como legado o exemplo de uma vida bem vivida, a de um verdadeiro "Homem de Bem". A cada domingo, deste mês, teremos aqui em nosso site um conteúdo especial, relativo a essas celebrações. Começamos hoje com a reprodução do mais completo Painel Biográfico que temos do nosso prezado, querido e admirado... Azamôr Serrão!".

AZAMÔR SERRÃO - PAINEL BIOGRÁFICO

Azamôr durante a primeira visita ao Brasil, entre 2 e 4 anos.Azamôr Serrão nasceu em Portugal, na freguesia de Jou, Concelho de Murça, na região de Trás-os-Montes, a 23 de Janeiro de 1915. Visitou o Brasil aos 2 anos. Voltou para ficar definitivamente em nosso país aos seis anos.

Revelou tendências artísticas ainda em tenra idade: canto, artes dramáticas (chegou a participar de grupos de teatro amador), desenho e pintura.

Profissionalmente, firmou-se no comércio de roupas masculinas. Começou a trabalhar cedo, e logo tornou-se destacado balconista pela eficiência em vendas e extrema facilidade em conquistar a amizade dos clientes, como também por seu perfil sincero, prestativo e solidário. Sua empolgação com a moda masculina o dispôs a participar em varias atividades operacionais do ramo, passando por áreas como alfaiataria e camisaria. Destacou-se na estética expositiva como vitrinista e, ainda jovem, gerenciou lojas de grande evidência em sua época.

Sua mediunidade foi também precoce. Fez-se presente desde a infância mas, por ser de família católica e muito tradicional, teve que desenvolvê-la por conta própria, em plena puberdade. Seu primeiro núcleo de atividade espírita foi o Grupo Antônio de Pádua. Ficava no centro da cidade (RJ), próximo à loja em que trabalhava, e ainda pôde contar com o apoio do chefe: o proprietário da loja, Sr.Agostinho, era também o dirigente dessa casa espírita...

O jovem Azamôr Serrão, como gerente da conceituada loja de moda masculina, Soares & Maia.Aos 21, casou-se com jovem de família também católica, conservadora, Innocência Gonçalvês Pereira. Interrompeu, por isso, suas atividades mediúnicas. Só voltou a um centro espírita aos 35 anos, sofrendo intenso assédio de espíritos perturbados. Com o reinício das atividades mediúnicas, cessaram as periódicas reaçõ es estranhas e desconexas que culminavam com perda de consciência e que tanto intrigavam os médicos que tratavam sua diabetes, fazendo-os supor ser reação à insulina aplicada no seu tratamento. Azamôr viu confirmar-se, então, o que já sabia desde a pré-adolescência: os incômodos provinham do assédio de Espíritos sofredores atraídos pelas radiações magnéticas de sua intensa mediunidade já amadurecida. Foi nesta época que começou a receber as orientações de seu guia Ali-Omar, preparando-o para a recepçãção de nosso venerável Patrono - Bezerra de Menezes.

Não foram necessários mais que quatro anos de atividades regulares no centro espírita Tenda dos Irmãos do Oriente (Botafogo/RJ), para que atingisse toda a plenitude mediúnica, passando a transmitir com regularidade receituários de Bezerra de Menezes e conselhos com orientações filosóficas de Ali-Omar. Em pouco tempo o atendimento semanal já beneficiava centena de aflitos.

Um acidente estranho, inusitado mesmo, marca esse período. Dizem que a vida, por expressar a vontade de Deus, “escreve certo por linhas tortas”, mas Azamôr sabia que é miopia nossa - espiritual - que nos leva a entender assim, e que os traços da Sabedoria Divina são sempre da mais perfeita exatidão...

Azamôr Serrão, já cego, acompanhado de sua esposa Innocência.Azamôr controlava bem sua diabetes, com segurança, há mais de 40 anos. Nunca se descuidara. Inexplicavelmente, nesse momento de sua vida, relaxara nos cuidados, entrando repentinamente em perigoso e repentino coma. O médico que o assistia, diante da crise crescente e fora de controle, retirou-se do caso, alegando viagem urgente. Esposa e filhos, atônitos, apelavam para os socorros de emergência, e justo naquele transe difícil, descomunal temporal desabava sobre a cidade do Rio de Janeiro, com ruas inundadas e comunicações interrompidas.

O primeiro pedido de socorro fora dirigido à Casa de Saúde São Victor, que ficava na praia de Botafogo. Mas, a rua São Clemente, onde residia a família, alagada, estava inviabilizada para o trânsito de veículos. Tudo apontava para trágico desfecho e a iminente desencarnação de Azamôr Serrão.

Toca então a campainha e, ao atender-se à porta, encontrava-se diante dela um homem com maleta na mão, encharcado dos pés a cabeça. Era o Dr. Pinkuas Fishman, que tivera de deixar seu carro enguiçado e seguira a pé, com água na cintura, determinado a chegar até ali pela consciência da gravidade da emergência em andamento.

A situação era crítica. Para salvá-lo, Dr. Fishman serviu-se de um recurso extremo - cloreto de potássio dissolvido em suco de laranja - deglutido mecanicamente, estimulado com massagens na garganta. Surgiram a partir daí as primeiras reações positivas, mas o dedicado médico alertava que possivelmente sérias sequelas deveriam advir, após lenta e gradativa recuperação.

Azamôr Serrão, antena celeste, na antiga sede da CRBBM, à rua 19 de fevereiro (Botafogo / RJ), ao final de longo e intenso trabalho de receituário.Superada toda essa dramática e aflitiva situação, Azamôr encontrou providencial repouso em aprazível sítio, em Barão de Javari, estadia oferecida pelo amigo e compadre Raimundo Petindá. Foi aí que, através de comunicação psicofônica de Ali-Omar, recebeu, junto à família, informações esclarecedoras sobre o que ocorrera durante o coma.

Azamôr perdera tempo precioso na existência atual, e não conseguira completar a importante missão mediúnica a que viera destinado. Seu tempo esgotara-se, e o coma poderia ter sido fatal, mas Dr. Bezerra contava com a sua colaboração para importantíssima tarefa, para a qual, pela sua firme dedicação aos compromissos mediúnicos nos últimos anos, tornara-se plenamente qualificado. O excelso, operoso e amorável trabalhador da Seara do Cristo, solicitara a Jesus uma pequena prorrogação, para que não se comprometesse a oportunidade de serviço, e logo recebera a aquiescência para o seu seu pedido de tempo adicional - 10 anos. Nessa extensão de vida física que lhe fora concedida, Azamôr deveria cumprir a missão assumida, acrescentada da prova da cegueira.

Na bucólica paisagem do sertão fluminense, Azamôr e os Espíritos responsáveis pela nova empreitada encontraram então a paz que desejavam para alinhavarem os planos fundamentais para a criação da Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes. Desfrutando durante quase 30 dias de uma atmosfera privilegiada, e tendo ao lado a “sua Innocência”1, sentia-se novamente revigorado, pronto para o início da nova e decisiva etapa de sua vida...

Estávamos então em meados de 1959. Azamôr Serrão só desencarnou de fato dez anos mais tarde, por um novo coma diabético, a 1º de agosto de 1969.

Retornara da crise, portanto, consciente do valor da concessão recebida. Levantou-se do coma mais firme, dedicado e eficiente do que nunca, na operosa tarefa mediúnica de receituário e aconselhamentos. Feliz, sentia-se recuperando o tempo perdido. Confirmara-se, igualmente, o acréscimo de suas provas, com o surgimento de uma retinopatia, que progressivamente o deixaria totalmente cego2.

Azamôr SerrãoPara ter mais independência para seguir, fiel e firmemente, as orientações de seu mentor, Ali-Omar, e do irmão Bezerra, deixou o grupo a que originalmente se filiara, para exercício da mediunidade receitista, junto a outros 18 companheiros de trabalhos, criando, primeiro, a “Iniciação Espírita "Bezerra de Menezes”, voltada ao estudo das obras de Kardec e, depois, fundando a “Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes”, a 03 de junho de 1961.

A nascente oficina de Bezerra estaria permanentemente aberta a todos os aflitos, doentes do corpo ou do Espírito, como também a todos que dela se aproximassem em busca da fé raciocinada oferecida pelo Espiritismo. O profundo sentimento cristão do Excelso Mentor, Bezerra de Menezes, deveria se refletir nos padrões de conduta fraterna e tolerante de seus colaboradores, sob a determinada liderança de Azamôr Serrão, “antena celeste” - médium cristão - dotado de plena segurança mediúnica em variadas faculdades: vidência, desdobramento, psicofonia e psicografia.

Esta última tinha como expressão maior o intenso e efetivo receituário de Bezerra de Menezes, realizando inúmeras e impressionantes curas, além de muitas comunicações esclarecedoras, incentivando o despertar da consciência cristã vivenciada, algumas das quais apresentamos a seguir.

Azamôr conseguiu aproveitar bem a oportunidade que lhe foi concedida. Seus testemunhos, sua dedicação ao bem, sua energia na busca de todas as oportunidades possíveis de serviço ao próximo, foram bastantes para iluminar os dias que obteve de acréscimo com uma luz nova, forte, viva, que acabou por despertar e iluminar também os que com ele conviviam.

Deixou saudades. Admiradores. Histórias mil. Os que não tiveram a honra de conhecê-lo encarnado adoram ouvir os muitos “causos” a seu respeito; e os que foram seus amigos adoram contá-los, para minorar as saudades. Foi também um grande contador de histórias, a maioria de sabor oriental, até hoje presentes em suas comunicações.

Azamôr conseguiu. Deixou de legado o exemplo de sua humanidade intensa, melhor, muito melhor e mais inspiradora que uma santidade prematura ou artificial. A estrofe que cunhou e que adotou como lema, como também para inspiração de muitos de seus artigos no boletim de nossa Casa - O Cristão Espírita - fundado em parceria com o amigo Indalício Mendes, outra figura querida, de saudosa memória, serve aqui como um perfeito resumo biográfico, talvez a mais exata tradução das duas grandes fases de sua vida - antes e depois de sua “estrada de Damasco”: “Evangelho meditado / Fala sempre ao coração. / Evangelho praticado / É permanente oração”.

Azamôr conseguiu. Deus o abençoe.

NOTAS:

  1. Nosso homenageado costumava brincar, entre amigos, dizendo ser o único capaz de apresentar aos demais a “sua Innocência” - nome de sua esposa, como já vimos, dedicada companheira de boas obras...

  2. Aliás, ainda jovem, no inicio de sua convivência espírita, lhe fora anunciada a possível expiação da cegueira, complementando suas provas. Por isso, devidamente prevenido, em lugar de se desesperar ou se revoltar, correu para aprender o alfabeto Braille, enquanto ainda lhe restava alguma visão, para melhor conviver com a nova limitação que se apresentava inevitável. Teve como companhia, no Instituto Benjamim Constant, sua fiel discípula, Dona Armanda, que terminou virando professora de Braille. Acalmava a todos que se penalizavam ao vê-lo cego: “Eu amo a oportunidade da minha cegueira, mas peço que Deus preserve a visão de vocês.

Fonte: "Antena Celeste - Mensagens de Bezerra de Menezes em torno da Mediunidade Cristã", Ed. CRBBM

ESMAGAMENTO DO MAL

“E o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” – Paulo, (Romanos, 16:20.)

Pegadas de JesusEm toda parte do Planeta se poderá reconhecer a luta sem tréguas, entre o bem e o mal.

Manifesta-se o grande conflito, sob as mais diversas formas, e, no turbilhão de seus movimentos, muitas almas sensíveis, de modo invariável, conservam-se na atitude de invocação aos gênios tutelares para que estes venham à arena combater os inimigos que as atordoam, prostrando-os de vez.

Solicitar auxílio ou recorrer à lei de cooperação representam atos louváveis do Espírito que identifica a própria fraqueza, contudo, insistir para que outrem nos substitua no esforço, que somente a nós outros cabe despender, demonstra falsa posição, suscetível de acentuar-nos as necessidades.

Satanás, representando o poder do mal, na vida humana, será esmagado por Deus; todavia, Paulo de Tarso define, com bastante clareza, o local da vitória divina. O triunfo supremo verificar-se-á sob os pés do homem.

Quando a criatura, pela própria dedicação ao trabalho iluminativo, se entregar ao Pai, sem reservas, efetuando-lhe a vontade sacrossanta, com esquecimento do velho egoísmo animal, apreendendo a grandeza de sua posição de espírito eterno, atingirá a vitória sublime.

O Senhor Todo-Paternal já se entregou aos filhos terrestres, mas raros filhos se entregaram a Ele.

Indispensável, pois, não esquecer que o mal não será eliminado, a esmo, e sim debaixo dos pés de cada um de nós.(*)

***

Lendo Emmanuel, chama-nos a atenção, de imediato, três usuais enganos que costumamos cometer, no presumivelmente louvável esforço e intenção do “combate ao mal”:

Sem alimentar-nos o dúbio entendimento, que pode agravar-nos as dificuldades, Emmanuel alimenta-nos, porém, a esperança e a certeza de que “o Deus de paz”, que costumamos abandonar, mas que jamais nos abandona, será, sim, capaz de libertar-nos do mal...

Porém, este mal insidioso que necessitamos esmagar é aquele “nosso amigo”, que defrontamos a todo momento e em toda parte por “residir em nós” e que não conseguiremos demover senão por “esforço gradual e contínuo”.

Pior ainda do que situá-lo alhures, será atribuir-nos o julgamento e o direito de eliminá-lo em outrem.

Este mal encontra-se em nós, abastece as zonas inferiores de nosso ser e será necessário que o esmaguemos sob nossos próprios pés, caminhando no Bem.

(*) Fonte: Pão Nosso – 27 – Emmanuel/Francisco Cândido Xavier

"A GRANDE SÍNTESE":
O EVANGELHO DA CIÊNCIA COMPLETA 90 ANOS

Capa de A Grande SínteseNeste mês de agosto, tão especial à nossa CASA, teremos a oportunidade de comemorar também os 90 anos de "A Grande Síntese", a obra prima do Prof. Pietro Ubaldi, pedra fundamental de sua magnífica Obra de 24 volumes. Esse ano fazem também 50 anos da desencarnação de Ubaldi, pelo que o Instituto que leva o seu nome preparou uma programação toda especial para a celebração destas duas efemérides (vide quadro, abaixo).

De nossa parte, participaremos dessa "festa" do Espírito retomando esse mês o estudo de sua Obra, em nossa Casa (vide Horários & Atividades); bem como publicando abaixo a famosa mensagem de Emmanuel, de 1938, sobre "A Grande Síntese", que veio a transformar-se em Prefácio de muitas de suas edições aqui no Brasil; como também criando uma nova área de estudos em nosso site - ANTOLOGIA UBALDIANA - reunindo textos, frases, imagens, tudo o que puder louvar e incentivar ao estudo do trabalho desse grande missionário de Jesus. Esperamos que apreciem!

A GRANDE SÍNTESE - MENSAGEM DE EMMANUEL

Quando todos os valores da civilização do Ocidente desfalecem numa decadência dolorosa, é justo que saudemos uma luz como esta, que se desprende da grande voz silenciosa de A Grande Síntese.

Na mesma Itália, que vulgarizou o sacerdócio romano, eliminando as mais belas florações do sentimento cristão no mundo, em virtude do mecanismo convencional da igreja católica, aparelhos existem da grande verdade, restaurando o messianismo, no caminho sublime das revelações grandiosas da fé.

A palavra do Cristo projeta nesta hora as suas irradiações enérgicas e suaves, movimentando todo um exército poderoso de mensageiros seus, dentro da oficina da evolução universal. O momento é psicológico. As nossas afirmativas abstraem do tempo e do espaço, em contraposição às vossas inquietudes; mas, o século que passa deve assinalar-se por maravilhosas renovações da vida terrestre.

Cartaz do evento de celebração dos 90 anos de A Grande SínteseAs contribuições exigidas serão bem pesadas. Todavia, uma alvorada radiosa sucederá às angústias deste crepúsculo.

Aqui fala á Sua Voz divina e doce, austera e compassiva. No aparelhamento destas teses, que muitas vezes transcendem o idealismo contemporâneo, há o reflexo soberano da sua magnanimidade, da sua misericórdia e da sua sabedoria. Todos os departamentos da atividade humana são lembrados na sua exposição de inconcebível maravilha!

É que, sendo de origem humana a razão, a intuição é de origem divina, preludiando todas as realizações da Humanidade. A grande lição desta obra é que o Senhor não despreza o vosso racionalismo científico, não obstante a roupagem enganadora do seu negativismo impenitente.

Na sua misericordiosa sabedoria, Ele aproveita todos os vossos esforços, ainda os mais inferiores e misérrimos. Toma-vos de encontro ao seu coração augusto e compassivo, unge-vos com o Seu amor sem limites, renovando os Seus ensinamentos do Mar da Galiléia.

Vede, pois, que todos os vossos progressos e todos os vossos surtos evolutivos estão previstos no Evangelho. Todas as vossas ciências e valores, no quadro das civilizações passadas e no mecanismo das que hão de vir, estão consubstanciados na sua palavra divina e redentora.

A Grande Síntese é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo, em todos os institutos da evolução terrestre.

Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos de coração genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a fé se irmanam para Deus.

E, enquanto o mundo velho se prepara para as grandes provações coletivas, meditemos no campo infinito das revelações da Providência Divina, colocando acima de todas as preocupações transitórias, as glórias sublimes e imperecíveis do Espírito imortal.

Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier, Pedro Leopoldo, Outubro de 1938

ESPIRITISMO CRISTÃO

LUCAS, Cap. II, v. 1-7: - Concepção, gravidez e parto de Maria, por obra do Espírito Santo.
Aparecimento de Jesus na terra(continuação)

Manjedoura

Tendo José e Maria, como tinham, parentes e conhecidos em Belém, de que modo se explica a çontingência em que se viram de acolher-se a um estábulo e de aí deitarem o "menino" numa manjedoura, por não haver para eles lugar na hospedaria?

Grande era a afluência de viajantes e excedia os limites da hospitalidade, mesmo na hospedaria. Os hebreus, sobretudo os de ínfima classe, não construíam casas para si como se foram príncipes.

Morava em Belém um irmão de José, mas, não tendo sido avisado da sua vinda, não pudera recebê-lo, por lhe ocuparem toda a casa outros hóspedes.

José não era esperado. Não devendo afastar-se de Maria, atenta a sua adiantada gravidez (aos olhos dos homens), seu irmão é quem iria fazer por ele as declarações da lei.

De fato, estando certo de não poder ir pessoalmente, José incumbira seu irmão Matias de inscrevê-lo no registro censitário, assim como sua mulher e o filho que então já teria provavelmente "nascido" e que ele sabia pelo aviso que recebera do anjo, seria varão.

Não era críveI que Maria, num estado de gravidez tão adiantado (aos olhos dos homens) se aventurasse àquela caminhada. Ninguém por isso a esperava. Mas, impelida pelo Espírito, para empregar as expressões de que usam as Escrituras, isto é, sob a inspiração do seu anjo de guarda, ela resolveu, à última hora, empreender a viagem. Era preciso que Jesus "nascesse" daquele modo. Sim, era preciso que "nascesse" assim, num lugar miserável, longe dos homens e de todos os socorros, a fim de dar um grandíssimo exemplo de humildade, a fim também de que se simplificassem as circunstâncias que lhe haviam de cercar o "nascimento" e que já vos explicamos (n. 31).

(Continua na próxima edição - Transcrito e adaptado de "Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Tomo I, item 32)

ESTUDOS FILOSÓFICOS: A MAIOR E MELHOR COLEÇÃO DE ARTIGOS ESPÍRITAS DA IMPRENSA BRASILEIRA ESTÁ DE VOLTA

Artigo CCCL - O PAIZ, 16.07.1894

Retrato de Bezerra de MenezesDissemos, aliunde, que a nossa mocidade é cega ou fanatizada pelas ideias dominantes: materialismo envernizado pela brilhante inteligência e fecunda imaginação de Augusto Conte, que, por mal da humanidade, tem feito escola, a favor de grandes talentos, que lhe têm seguido o rastro... tristíssimo rastro!

Nosso plano, o que nos impõe os sentimentos naturais e a educação que recebemos, não nos permite molestar a ninguém, na propaganda de nossas ideias, para as quais não teríamos o direito de exigir o respeito dos díscolos, se não lhes respeitássemos as suas.

Além de que o erro, principalmente em matéria que decide do futuro de quem o abraça, mais comove a quem tem bom coração, do que lhe acende as paixões, por tolos motivos de divergências de opinião.

Nós sentimos profundo pesar, assistindo, sem poder dar remédio, à dolorosa cena: de moços, dotados de ingente talento e de nobre caráter, cavarem a própria ruína, cerrando os olhos à luz e abraçando-se com as trevas mal rasgadas por fosforecências de sua própria criação.

Dói-nos muito ver isto; mas respeitamos o livre-arbítrio dos que assim procedem; tanto mais quanto podemos repetir com o poeta: et quorum pars magna fui.

Nós, também, já passamos por esta quadra da vida - e já lhe pagamos o tributo, que outros agora lhe pagam.

O sentimento de liberdade, nunca tão vicejante como no coração do moço, leva-o a repelir tudo o que lhe possa por peias à satisfação de seus ilimitados intuitos.

É esta a circa, cujos filtros fazem-nos adormecer nos santos princípios, que recebemos com o leite de nossas ternas mães - e acordar-nos nos que nos sopra orgulho humano, sob o nome da ciência.

A ciência é, com efeito, uma das asas para a elevação do Espírito às imagináveis alturas de seu esplendoroso destino; mas nem é a única, porque com uma asa só o pássaro não voa - nem é isto que conhecemos na Terra, que não passa de primeiras noções do quase infinito saber, que é dado ao homem.

E muito menos pode ter aquele nme sem um amontoado indigesto de hipóteses - de sistemas, de escolas, que se combatem e que se destroem, para de suas cinzas surgirem novas entidades, scilicet: novos gladiadores, que se batem contra moinhos de vento.

É triste dizê-lo; mas a verdade é que não passa disto a ciência da Terra: meia dúzia de verdades provadas, perdidas n’um pavoroso deserto, o das verdades ainda desconhecidas, algumas das quais mais afastadas de nossa concepção, por hipóteses ainda filhas do orgulho que da ignorância.

A ciência é uma arma poderosa - é um valioso instrumento do desenvolvimento da perfectibilidade humana; mas, mesmo rudimental como é na Terra, não pode - não deve ser aplicada exclusivamente às coisas do mundo físico, porque, bon grê, mal grê, não há quem não sinta dentro de si um quid, que não se confunde com a rocha que se decompõe - com a planta que tem vida, mas não tem sentimento - com o animal que vive e sente, mas não progride - com esta evolução, enfim, que faz da natureza material uma maravilha indecifrável à razão humana.

A ciência aspira o infinito conhecimento de todas as leis do Universo, em si - em seus efeitos - e em suas relações; e no infinito conhecimento não pode excluir aquele quid, que sentimos em nosso íntimo - e que fez o eminente filósofo exclamar: sors tua mortalis; non est mortale quod optas: tu és mortal; mas tens aspiração imortal.

Pois este quid, que mais se nos revela nas horas de nossas amarguras, é a outra asa, para nossa ascensão às fulgurantes alturas de nosso destino, tão elevado que não o podemos alcançar, no tempo - que só nos é dado alcançar, na eternidade - e que, na Terra, mal podemos colher os primordiais elementos da sublime ascensão.

Ciência do mundo físico - e ciência do mundo moral, eis as duas asas para aquela ascensão - e é de simples intuição: que devem ser alimentadas por igual, devem ser perfeitamente equilibradas, pois que não pode manter-se nos ares a ave que é ferida, ainda que ligeiramente, em uma de suas asas, de modo a não deslocar, com uma e com outra, a mesma coluna de ar.

A natureza humana, considerada só por seu lado físico, é um monstro inconcebível e inexplicável; tanto quanto fica transparente à razão, considerada pelo duplo lado: um ser imortal (lado moral), revestido de um corpo mortal (lado físico).

Quem pode advinhar na nojenta lagarta a mimosa e leve borboleta, de asas iríadas?

Por que, então, não admitir no corpo humano o princípio - o ser humano - Espírito imortal, que o veste, para poder, na vida material, preparar os elementos de seu progresso, como o campeiro veste-se de couro, para poder correr no mato?

Aqui, neste planeta, ainda impera a matéria. Aqui, pois, não pode o Espírito fixar-se, sem revestir-se da matéria ainda grosseira do planeta.

Quando um desses peregrinos do infinito, que, em sua eterna viagem, pousou aqui, tiver colhido aqui tudo o que lhe pode dar este pouso, em conhecimentos e em sentimentos elevados e no toque da verdadeira ciência, aqui apenas incipente, como dissemos; quando tiver chegado a este ponto, suas duas asas, equilibradas, já terão força para o voo deste para superior mundo, novo pouso, onde a matéria já não impera e, portanto, não precisará de um corpo material - onde a ciência já abrange mais longa esfera e, portanto, suas faculdades, livres da prisão corpórea, centuplicarão de intensidade apreensível - onde, finalmente, seu progresso se fará por entre risos e flores e não mais com dores e agonias, como nos mundos materiais.

E aquele mundo fluídico será apenas o vestíbulo do majestoso edifício, constituído por uma série infinita de mundos, progressivamente mais sublimados, pelos quais o pobre homem de hoje, desta nossa pobre Terra, peregrino do infinito, irá fazendo sua eterna hegira, fortificando progressivamente as duas asas ao influxo da ciência, que dilata sua esfera de mundo a mundo, até levar o Espírito àquele, onde existe o Trono do Ser dos seres - do Criador do Universo - do Único que possui a ciência infinita e o infinito poder.

E, aqui na Terra, prendem-se exclusivamente às coisas da Terra - à deficiente ciência da matéria - à concepção, tão limitada quanto absurda, da existência corpórea, terminada, como a do animal, por uma decomposição orgânica, que reduz - a nada - sua consciência - suas aspirações imortais - em sã moral; esta cairá no báratro horrível de um viver insconsciente, qual imaginou para depois da morte; mas com uma consciência a lhe bradar: que não acabou: horrorosa tortura - pesadelo horroroso, que excede em sofrimento a tudo quanto, no gênero, imaginou o tétrito autor da “Divina Comédia”.

É o fruto de suas crenças. Cada um segundo suas obras. Deus, porém, clemente e misericordioso, não castiga para matar, mas sim para corrigir, e levada a culpa pelo sofrimento, que lhe é relativo, e desde que o arrependimento entra na alma do que delinquiu, faz cair sobre ele o rocio bendito de seu amoroso perdão.

Estás livre de horroroso suplício, moço inconsiderado que fizeste de tua inteligência arma de suplício para teu Espírito; mas ainda tens de vir à vida corpórea dar provas de que sincero foi teu arrependimento - preparar o voo, como teus irmãos, que fizeram de sua liberdade o convincente uso.

Quantos séculos perdidos para o gozo de tua felicidade!

Max.

(Da União Espírita)

Fonte: Confira o original deste artigo no arquivo da Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Para conhecer os demais artigos dessa coleção e seus volumes publicados por nossa CASA visite por favor nossa Biblioteca Virtual.