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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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TESE DO ANO - 2024

Já virou tradição: todo início de ano o presidente de nossa CASA, Azamôr Serrão Filho, inspirado por nossos mentores, propõe um tema de reflexão para o ano que começa. Esse tema é lido, para reflexão, ao longo do ano inteiro, sempre na abertura de nossas reuniões públicas. É a nossa TESE DO ANO. A de 2024 já está pronta, e segue abaixo, em primeira mão, para conhecimento de todos. Esperamos que apreciem, e que seja útil de fato como inspiração para o bem viver! Que esse ano seja FELIZ e de fato NOVO, em todos os sentidos, é o que desejamos!

Cartaz da Tese do Ano de 2024

EMBRIOGÊNESE ESPIRITUAL

Flor de lótusA Terra – abençoada escola de provas e expiações – encontra-se ainda situada na categoria de mundo inferior, porque os Espíritos que a habitam ainda permanecem em faixas primitivas do processo evolutivo.

Neles predomina, por enquanto, a ignorância das leis de Deus, desenvolvendo no seu íntimo as paixões servis, como a violência, a agressividade, o egoísmo, o ódio, o ressentimento, o ciúme, a luxúria, a prepotência, o orgulho e todo um séquito de hediondos facínoras morais, que lhes governam a natureza, demonstrando o primarismo espiritual em que ainda se encontram no trânsito pelo orbe terrestre.

Como decorrência desta injunção lamentável, as formas, embora venham adquirindo relativa harmonia, se as compararmos aos primatas homini, encontram-se muito distantes do biótipo de beleza que a que estão fadadas.

Possuindo o planeta os elementos essenciais para a formação dos seres vivos, especialmente os humanos, nessas moléculas foram modeladas as necessidades propiciatórias para o progresso intelecto-moral que os aguarda.

Na singeleza das suas primeiras experiências, quando se destacavam os instintos em detrimento da inteligência e da razão, o Espírito modelava o claustro onde desenvolveria as aptidões inatas, com os recursos orgânicos vigentes e as estruturas que lhe pudessem traduzir os objetivos na busca de elevação.

Mediante o seu perispírito pôde definir genes e cromossomos de melhor constituição, portadores de cargas vibratórias especiais para a elaboração do cérebro, do sistema nervoso central, do sistema endócrino e do imunológico com recursos que pudessem bem expressar a inteligência, o sentimento e a razão.

Nada obstante, porque atado aos hábitos ancestrais infelizes, não logrou ainda o Espírito vestir-se de uma indumentária menos densa, que lhe facultasse a movimentação e o deslocamento, embora mergulhado no processo reencarnatório.

A sua fatalidade está desenhada mediante uma embriogênese psíquica, que lhe facultará modificações estruturais na organização fisiológica, a fim de ser mais útil à finalidade da evolução.

À medida que supere o caos interno e faculte ordem à vida íntima, estabelecendo metas que lhe cumpre alcançar, os pensamentos edificantes, sem cargas degenerativas, irão sutilizando os tecidos vibratórios do perispírito, que se encarregará de delinear outros tipos de materiais, refletindo a limpidez dos sentimentos e a sublimação das aspirações mentais.

*

De igual modo, a estrutura física da Terra modificando-se, a pouco e pouco, proporcionará os recursos nutrientes e preservadores da vida orgânica, sem intoxicações nem degenerescências, como hoje sucede com frequência assustadora, em razão da agressão ao meio ambiente, à camada de ozônio, à Natureza em si mesma...

A mente direcionada aos valores elevados e lúcida, o sentimento altruístico e amoroso promoverão a estruturação de genes psíquicos, que se condensarão por meio das moléculas orgânicas, produzindo corpos e seres formosos, felizes, nos quais não mais se hospedarão a inarmonia, a enfermidade, o sofrimento, os transtornos emocionais e psíquicos...

Na estrutura molecular dos genes encontra-se o campo mental do Espírito que a utilizará no futuro para a elaboração da roupagem celular.

Por isso ensinou Jesus com firmeza: Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito, a fim de que do âmago do Espírito se exteriorizem as energias que conformarão a sua aparência física, compatível com as ondas mentais elaboradas.

Somente, portanto, partindo da transformação moral do espírita sempre para melhor no rumo da sabedoria e da plenitude, é que as futuras gerações que povoarão o planeta e o promoverão a mundo de regeneração, se apresentarão realmente belas, rumando ditosas para a Grande Luz.

(Diretrizes para o Êxito – Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco)

MUNDO DE REGENERAÇÃO

Mãos ofertam a flor da Terra[...] O fim do mundo vem sendo preparado desde há muito e pouco a pouco se vai operando. Avançais para a época em que, pela só influência da vossa presença, os espíritos inferiores que encarnam na Terra serão repelidos e fugirão para meios que melhor lhes quadrem. Os Espíritos inferiores, como sabeis, temem a presença dos Espíritos elevados. Não é natural que o homem devasso e vil se sinta embaraçado e pouco à vontade numa reunião de pessoas de escol, das mais instruídas e virtuosas? e não é natural também que volte, assim lhe seja permitido, para o meio de seus iguais? É o que se dará com os Espíritos inferiores, quando chegar o fim do mundo, isto é: quando, por se haverem as vossas naturezas elevado e mudado de ordem, subido na hierarquia espírita, tudo mudará em torno de vós. O joio terá sido, então, lançado ao fogo da purificação e o bom grão refulgirá aos olhos do pai de família.

Nessa época, em que o vosso progresso já será bastante para repelir os Espíritos inferiores que vos cercam, entrareis na fase espírita. Quer isto dizer que, tanto para o homem como para o planeta, a matéria se depurará, sem passar, contudo, às condições de fluidos puros. Compreendei bem todas as fases, todos os graus que, de modo mais ou menos material, mais ou menos sutil, separam os Espíritos encarnados nos diversos mundos que eles ocupam. Chegando à primeira fase espírita, à primeira separação da matéria espessa, entrareis numa categoria de Espíritos cujo invólucro leve difere inteiramente do vosso invólucro atual, sem, todavia, ser completamente fluídico. Será uma nova vestimenta, que tereis de mudar ainda muitas vezes, antes que chegueis à condição de poderdes habitar mundos fluídicos, o que sucederá um dia, porquanto não deveis acreditar que, alcançado esse ponto de adiantamento, estejais amalhados no planeta em que viveis. Ele também terá progredido, mas, nessa ocasião, todos os mundos, cuja categoria corresponda à dos vossos Espíritos, vos poderão servir de morada; não estareis adstritos a habitar estes de preferência àqueles.

O fim do mundo, compreendido como sendo a época da colheita, se apresenta dividido em três períodos distintos: o primeiro é o em que aos Espíritos inferiores foi e será permitido encarnar na Terra para, por sucessivas expiações e reencarnações, se purificarem, passarem de "filhos de iniquidade", que eram, a "filhos do reino".

O segundo é o em que o joio começará a ser separado do trigo, o em que os Espíritos que se mantiverem culpados, rebeldes, voluntariamente cegos, serão afastados do vosso planeta e deportados para planetas inferiores.

O terceiro é o em que, concluída a separação do joio e do trigo, estará acabado o afastamento dos Espíritos inferiores; é, portanto, o em que a terra se terá tornado morada de paz e de felicidade, de bons Espíritos já aptos a entrar na fase espírita, o que se efetuará conforme acabamos de explicar, e a avançar, sob a influência dos Espíritos do Senhor e de Espíritos encarnados em missão, na via do progresso, pela ciência, pela caridade e pelo amor.

*

[...] Quando chegar o tempo de ultimar-se a regeneração do vosso planeta (e ele não vem longe), os homens serão separados, conforme vos foi dito. [...]

Deveis contar que vereis renovar-se a raça material do vosso globo e essa renovação não se pode efetuar senão por meio da destruição da matéria compacta que vos envolve e que será substituída progressivamente, pouco a pouco, pela essência que recobrirá os vossos Espíritos, essência que se irá tornando cada vez menos material e aproximando cada vez mais do estado fluídico.

Não creais, todavia, que essa mudança se opere de um momento para outro. Para o Senhor, vós o sabeis, o tempo não tem limites: ontem e amanhã são para ele a mesma coisa.

Cada fase dessa renovação será assinalada pelo que chamais — calamidades públicas, flagelos. Essa a ocasião em que os maus vinhateiros serão expulsos. O dono da vinha é o Senhor. Ele virá quando o seu reino se implantar em todos os corações. Só então estará entre vós. O Senhor é Deus, que reina nos corações dos puros.

*

Mundos celestes[...] Mundos de provações e expiações, uns inferiores aos outros, uns aos outros superiores, havendo-os de todas as gradações ao longo da respectiva escala, desde os apropriados ao aparecimento do homem, à encarnação primitiva, até os que servem de habitação a Espíritos prestes a entrar no período de regeneração.

Mundos regeneradores, destinados a preparar os Espíritos, que faliram e que ainda têm o que expiar, para saírem progressivamente do período da materialidade. São mundos de transição, onde domina a justiça, onde os Espíritos continuam e acabam a sua depuração, tornando-se capazes de só praticar o bem e incapazes da prática do mal. Também nessa categoria de mundos, há-os em todos os graus da escala, inferiores uns aos outros, uns aos outros superiores. [...]

Nos diversos mundos regeneradores, preparatórios e intermediários entre os de expiação e os felizes, o corpo se liberta progressivamente de uma parte da matéria putrescível, se torna pouco a pouco mais leve, sem contudo, ficar de todo livre da decomposição da matéria. Quanto mais o corpo se aperfeiçoa, em consequência do adiantamento do Espírito, tanto mais volatizáveis se fazem, por ocasião da morte, as matérias e se isentam da decomposição animal. Isto, porém, envolve questões de fisiologia, estranhas ao quadro que se vos traçou.

(Os Quatro Evangelhos – Jean-Baptiste Roustaing – Tomos II, III e IV)

NOVAS RESPONSABILIDADES

Ilustração de pessoas ascendendo em uma escadaFilhos da alma! Que Jesus nos abençoe.

O século XXI continua guindado à mais alta tecnologia, desbravando os infindáveis horizontes da Ciência.

Antigos mistérios do conhecimento são desvelados. Enigmas, que permaneciam incompreensíveis, são decifrados, e o materialismo sorri zombeteiro das mensagens sublimes do amor.

Paradoxalmente, os avanços respeitáveis dessas áreas do intelecto não lograram modificar as ocorrências traumáticas que têm lugar no Orbe, na atualidade. No auge das conquistas das inteligências, permanecem as convulsões sociais unidas às convulsões planetárias no momento da grande transição que passa a Terra amada por todos nós.

De um momento para outro, uma erupção vulcânica arrebenta as camadas que ocultam o magma, e as cinzas – atiradas acima de 10 mil metros da superfície terrestre – modificam toda a paisagem europeia ameaçando as comunicações, a movimentação, enquanto se pensa em outras e contínuas erupções que podem vir assinaladas por gases venenosos ou lava incandescente... Fenômenos de tal monta podem ser detectados, mas não impedidos, demonstrando que a vacuidade da inteligência não pode ultrapassar a sabedoria das leis cósmicas estabelecidas por Deus.

E Gaia – a grande mãe planetária – estorcega-se, enquanto na sua superfície a violência irrompe em catadupas, ameaçando a estabilidade da civilização: política, econômica, social e, sobretudo, moral, caracterizando estes como os dias das antigas Sodoma e Gomorra das anotações bíblicas...

Poder-se-ia acreditar que o caos seria a conclusão final inevitável, entretanto, a barca terrestre que singra os horizontes imensos do Cosmo não se encontra à matroca.

Jesus está no leme e os seus arquitetos divinos comandam os movimentos que lhe produzem alteração da massa geológica, enquanto se operam as transformações morais.

Iniciada a Era Nova, surge, neste mesmo século XXI, o período prenunciador da paz, da fé religiosa, da arte e da beleza, do bem e do dever.

Assinalando este período de transformação, estamos convidados, encarnados e desencarnados, a contribuir em favor do progresso que nos chega de forma complexa, porém, bem direcionada.

Avancemos com as hostes do Consolador na direção do porto do mundo de regeneração.

Sejam os nossos atos assinalados pelos prepostos de Jesus, de tal forma que se definam as diretrizes comportamentais.

E que todos possam identificar-nos pela maneira como enfrentaremos dissabores e angústias, testemunhos e holocaustos, à semelhança dos cristãos primitivos que viveram, guardadas as proporções, período equivalente, instaurando na Terra o Evangelho Libertador, desfigurado nos últimos dezessete séculos, enquanto, com Allan Kardec, surgiu o Consolador trazendo-nos Jesus de volta.

É compreensível, portanto, que os Espíritos comprometidos com o passado delituoso tentem implantar a desordem, estabelecer o desequilíbrio das emoções para que pontifique o mal, na versão mitológica da perturbação demoníaca. Em nome da luz inapagável daqueles momentosos dias da Galileia, particularmente durante a sinfonia incomparável das bem-aventuranças, demonstremos que a nossa força é o amor e as nossas reflexões no mundo íntimo trabalham pela nossa iluminação.

Nos dias atuais, como no passado, amar é ver Deus em nosso próximo; meditar é encontrar Deus em nosso mundo íntimo, a fim de espargir-se a caridade na direção de todas as criaturas humanas.

Trabalhar, portanto, o mundo íntimo, não temer quaisquer ameaças de natureza calamitosa através das grandes destruições que fazem parte do progresso e da renovação, ou aquelas de dimensão não menos significativa na intimidade doméstica, nos conflitos do sentimento, demonstrando que a luz do Cristo brilha em nós e conduz-nos com segurança.

A Eurásia, cansada de tantas guerras, de destruição, da cegueira materialista, dos contínuos holocaustos de raças e de etnias, de governos arbitrários e perversos, clama por Jesus, como o mundo todo necessita de Jesus. Seus emissários, de Krishna a Bahá’u’lláh, de Moisés a Allan Kardec, de Buda aos peregrinos da não violência, de Maomé aos pacificadores muçulmanos, todos esses, ministros de Jesus, preparam-lhe, através dos milênios, o caminho para que através do Consolador – mesmo sem mudanças de diretrizes filosóficas ou religiosas – predomine o amor.

Sejam celebradas e vividas a crença em Deus, na imortalidade, nas vidas ou existências sucessivas, fazendo que as criaturas deem-se as mãos construindo o mundo de regeneração e de paz pelo qual todos anelamos...

Jesus, meus filhos, ontem, hoje e amanhã, é a nossa bússola, é o nosso porto, é a nave que nos conduz com segurança à plenitude.

Porfiai no bem a qualquer preço. Uma existência corporal, por mais larga, é sempre muito breve no relógio da imortalidade. Semeai, portanto, hoje o amor, redimindo-vos dos equívocos de ontem com segurança, agora, na certeza de que estes são os sublimes dias da grande mudança para melhor.

Ainda verteremos muito pranto, ouviremos muitas profecias alarmantes, mas a Terra sairá desse processo de transformação mais feliz, mais depurada, com seus filhos ditosos rumando para mundo superior na escalada evolutiva.

Saudamos-vos todos os companheiros dos diversos países aqui reunidos e, em nome dos Espíritos que fazem parte da equipe do Consolador, exoramos ao Mestre inolvidável que prossiga abençoando-nos com sua paz, na certeza de que com Ele – o Amor não amado – venceremos todos os obstáculos.

Muita paz, filhos da alma, e que Jesus permaneça conosco.

São os votos do servidor paternal e humílimo de sempre,

Bezerra.

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, na manhã de 9 de maio de 2010, no Encontro do Conselho Espírita Internacional, reunido em Varsóvia, Polônia.)

OS EVANGELHOS EXPLICADOS:
A INFÂNCIA DE JESUS

(Mateus, 11: 28 a 30)

Cristo-LuzJesus crescia aos olhos dos homens, mas aos olhos de Deus era sempre o mesmo: Espírito, Espírito devotado, desempenhando a sua missão.

Sabeis e aqui devemos repeti- lo: Atentos o estado das inteligências, as necessidades da época e com o fim de preparar os tempos vindouros e o advento da era nova e atual do Espiritismo, a origem do menino ainda e por muito tempo mais não devia ser conhecida. Não o devia ser, senão por meio da Nova Revelação, que vos trazemos hoje em nome do Espírito da Verdade e por ordem do Senhor, uma vez que são chegados os tempos preditos.

Sabeis também e já vos dissemos: Jesus tinha que ser, aos olhos dos homens: — primeiramente, um homem tal como vós, revestido da libré material humana, exatamente como os Profetas da Lei antiga; — depois, cumprida a sua missão terrena, um Deus milagrosamente encarnado, em consequência da divulgação do que o Anjo revelara a Maria e a José, revelação que se mantivera até então secreta, e em consequência também das inter- pretações humanas dadas a essa revelação, as quais prepararam o reinado da letra, transitoriamente necessário como condição e meio de progresso; — por último, um homem tal como vós quanto ao invólucro corporal e, ao mesmo tempo, quanto ao Espírito, um Deus: portanto, um homem-Deus.

Sendo-vos a origem espírita de Jesus revelada neste momento, em que soou a hora do advento do reinado do espírito que vivifica, substituindo o da letra que agora mata, o que se conservou oculto até hoje tem que ser desvendado, o que se manteve secreto tem que ser conhecido. Trazemos, por isso, a missão de vos dizer qual foi a aparente vida humana de Jesus, desde o instante da sua aparição em o vosso planeta, chamada, na linguagem humana, seu nascimento, até a época em que surgiu no templo entre os doutores; o que foi feito Dele durante os três dias que passou em Jerusalém, tendo, entre os homens, a aparência de um menino de doze anos; qual a sua vida aparente desde esta época até quando, às margens do Jordão, entrou em missão publicamente aparentando ser um homem de trinta anos.

Tudo, na vida humana de Jesus, foi apenas aparente, mas se passou em condições tais que, para os homens, houve ilusão, assim como para Maria e José, devendo todos acreditar na sua humanidade, quando, entretanto, Ele tão somente revestira e revestia um perispírito tangível, conforme já vos explicamos, um corpo meramente perispirítico e, como tal, inacessível às exigências, às necessidades da vossa existência material.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Tomo I, Item 47, parágrafos 9 a 13)

ESTUDOS FILOSÓFICOS: A MAIOR E MELHOR COLEÇÃO DE ARTIGOS ESPÍRITAS DA IMPRENSA BRASILEIRA ESTÁ DE VOLTA

Artigo CCCLXVII - O PAIZ, 19.11.1894

Retrato de Bezerra de Menezes

Uma senhora que se assinou – Uma cristã sincera – dirigiu- -nos com data de 9 de setembro último a seguinte carta, de que transcrevemos hoje a primeira parte, deixando a segunda para o seguinte artigo, por levantarem duas questões muito distintas, ambas de grande importância:

“Pela leitura assídua de seus artigos sobre Espiritismo, vejo que costuma elucidar aqueles que lhe pedem esse favor, apagando dúvidas, que porventura germinam em seu Espírito.

“Confiada e animada por tais exemplos venho pedir-lhe que me esclareça sobre certos pontos em que meu Espírito vacila; e tenho certeza que me atenderá e que sua resposta fará brilhar intensa luz nas trevas da ignorância em que me vejo mergulhada e que tanto me fazem sofrer.

“Ei-las as minhas perguntas:

“Será verdade ou possível que um Espírito, que já tenha deixado o invólucro material, volte a encarnar-se por horas n’um corpo, para fazê-lo sofrer toda a sorte de torturas físicas?

“É a minha primeira pergunta, e vou explicá-la.

“Tenho um cunhado, rapaz morigerado, crente, religioso e que repentinamente sente-se possuído de uma força desconhecida, e tem prostrações, fica sem sentidos, mas fala, diz coisas misteriosas, diz que é um tio que está encarnado nele, e só responde a quem o chama pelo nome do morto.

“Outras vezes tem ataques violentos, parece louco, fora de si, quer estrangular-se, faz gestos de querer dar ou segurar n’um ser invisível, e tudo isso com frases, que confesso, não entendo mas dirigidas à visão.

“Depois acorda ou sai daquele torpor, fatigado e fraco, e assim fica por algum tempo.

“Os médicos dizem ser ataques histéricos, outros riem-se da histeria em homem e qualificam de epilepsia a enfermidade.

“O que devemos crer?”

Histeria não é moléstia exclusiva da mulher, embora seja nela mais geral e mais caracterizada.

Entretanto, no caso vertente, é evidente que trata-se de uma obsessão, isto é, daquilo que nossa leitora pergunta se é possível. Os que vêm a esta vida trazem missão expiatória das faltas de passadas existências, e é por isto que vemos torturadas por vários modos pessoas que respeitamos como um símbolo de bondade e de virtudes.

São boas e virtuosas hoje; mas foram ontem más e perversas – e os sofrimentos por que passam é a moeda com que resgatam as maldades passadas, sem o que jamais poderão vestir a túnica roçagante dos que se assentam à mesa dos eleitos.

D’aqui se infere: que Espíritos há, cuja expiação, às vezes por eles mesmos pedida, pode ser: sofrer cruel perseguição daqueles a quem cruelmente perseguiu em eras passadas e que ora se acham no Espaço, tendo deixado o invólucro carnal.

O homem vivente não tem memória do mal que fez – e por isto não pode explicar-se o mal que sofre; mas seu Espírito tem a consciência de tudo, e aceita resignado ou repele revoltado o castigo, ou antes, a expiação de seus erros, que vive a resgatar por aqueles sofrimentos.

O Espírito perseguidor não se encarna no corpo de sua vítima, que já foi um algoz, pois que, se assim fosse, haveria dois Espíritos n’um corpo.

O perseguidor domina a vontade da vítima e obriga-a a todos os disparates próprios da loucura – e leva-o a todos os tormentos, até o suicídio.

Não vemos na vida camponesa, indivíduos que se submetem a outro como o cavalo ao peão?

É obsessão que, incompleta dá momentos de descanso à vítima – e que, levada ao grau da dominação, reduz a vítima à completa passividade.

Para melhor esclarecermos à consultante e ao mesmo tempo não faltarmos ao nosso programa, daremos aqui o seguinte fato da nossa observação, testemunhado por cavalheiros como os Srs. Batter, Dr. Antônio Luiz Sayão, negociantes José e João Augusto Ramos e médium Rodrigo de Oliveira e Fructuoso.

Uma senhora conhecida da nossa sociedade, tento perdido o marido, passou a segundas núpcias.

Algum tempo depois, começou a sentir sofrimentos bem singulares.

Os médicos nada conseguiram – e acabaram pelo recurso miraculoso das moléstias nervosas.

A senhora já quase não podia servir-se de uma perna, o que a tinha como presa em casa.

Reconhecemos uma obsessão ou perseguição de um Espírito e fizemos a evocação do perseguidor, no intuito de esclarecê-lo sobre o mal que a si próprio estava fazendo, violando a lei do amor ao próximo, a principal via do progresso dos Espíritos.

O perseguidor era o primeiro marido da senhora, e aqui a causa do mal era o ciúme, porque o pobre Espirito ainda se achava muito materializado, quase como em vida.

Aquilo era causa para ele; para a senhora, porém, a causa era muito outra: era o mal que praticou em passadas existências, era o sofrimento necessário a seu Espirito para lavar-se daquelas máculas, era finalmente a justiça de Deus que se cumpria, por amor e misericórdia para com o pobre Espírito, que ficaria privado do gozo dos bem-aventurados, se não se limpasse da lepra, pela ação específica daquele amargo remédio.

Felizmente conseguimos, em longa discussão com o Espírito obsessor, chamá-lo ao bom caminho; com o que a doente sentiu imediatas e prontas melhoras, tais que se nos ant’olha prestes a cura, como temos colhido em casos análogos.

Foram duas curas, de que a mais notável é a moral.

Max.

(Da União Espírita)

Fonte: Confira o original deste artigo no arquivo da Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Para conhecer os demais artigos dessa coleção e seus volumes publicados por nossa CASA visite por favor nossa Biblioteca Virtual.