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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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É TEMPO DE ACORDAR

Fotomontagem de relógio se desmaterializandoAcorda, irmão, enquanto a tua luta vai em meio por entre as tribulações da vida terrena. Até aqui, tens recebido ajuda. Agora, porém, caberá a ti ajudar. Tens recebido o ensinamento preciso. Por isso, agora, cabe a ti corporificar o ensinamento, vivê-lo e transmiti-lo a outrem, ajudando também. O bem é uma estrada estreita que conduz à pousada repousante e à paz ativa e edificante. O mal, que muitas vezes se enfeita e se abrilhanta, é uma estrada larga. Todavia, está dissimulado em ilusões perigosas que podem desviar-se da virtude.

Acorda, irmão. Medita um pouco. Faze um exame retrospectivo da vida que levaste ou estás levando até este momento. Pensa. Reflete. Concentra tuas forças construtivas e trabalha com Jesus. Se pudeste chegar até o hoje, se já mereceste tanta misericórdia do Alto, medita sobre o que tem recebido e o que já deste de ti.

É chegado o teu tempo de caminhar com maior firmeza e abnegação em favor de outros que precisam de ajuda. Pensa nas alegrias que nascem em nosso coração quando nos esforçamos pelo bem alheio. Aprende a meditar e pela meditação poderás renovar-te em tua trajetória, na trajetória que escolheste antes de renascer no mundo terreno, desejoso de realizar um esforço redentor. É preciso que cada um de nós retifique, corrija, dia a dia, o nosso comportamento. Fazer o bem é participar de uma sinfonia de bondade divina. Esforça-te para que as melodias do bem alegrem sempre um coração sofrente e que de tua boca saiam frases capazes de se transformarem em bálsamo para almas deprimidas pela tristeza e coagidas por preocupações constantes.

Acorda, irmão. Deixa de lado frustrados sonhos e usa tuas energias para servir. Repele os maus pensamentos, expulsa a maledicência e reúne teus esforços para exercer a boa-vontade em benefício dos teus semelhantes. Não busques elogios nem fales em teu favor. Deixa que teus atos falem por ti. Os aplausos do mundo pouco ou quase nada valem. O reconhecimento do Alto, porém, beneficiará muito o teu Espírito. Que a tua mão esquerda não saiba o que fizer a direita. O elogio ao teu trabalho virá de Jesus e sentirás, então, que o teu roteiro está certo. Não te julgues superior nem privilegiado. Recebe tudo com serenidade e confia ao Alto os teus pensamentos mais graves. Caminha com Jesus, o único que, sem tropeços, te levará a bom rumo, se te amparares no trabalho, na humildade e na fé. Tudo dependerá de ti. Exclusivamente.

Ignácio Bittencourt

(Mensagem originalmente publicada em O Cristão Espírita, ed. 32, novembro-dezembro de 1970)

A HORA E A VEZ DO HOMEM DE BEM

"Nosso objetivo é tornar-vos melhores." - Massdilon
("O Livro dos Médiuns", Cap. Dissertações Espíritas, Item XXV)

Os Espíritos são bem claros quando questionados sobre o objetivo principal de sua Doutrina: tornar-nos melhores. Nem mais, nem menos, tão só. Sobre as bases sagradas e rochosas do Evangelho de Jesus, milhares e milhares de páginas têm sido recebidas com esse mesmo e único propósito. Nelas, eles nos ensinam a entender melhor quem somos e o mundo que nos cerca. A razão e o destino de nossas existências. Os laços indestrutíveis que nos unem e irmanam a todos, mesmo quando ainda não temos consciência deles, e a importância de descobri-los, para que possamos enfim alcançar a felicidade e realizarmos no mundo as nossas potencialidades. Nesse conjunto de páginas, no entanto, nesse esforço maravilhoso que já ultrapassam os 150 anos de reiteradas e crescentes manifestações de amor, duas páginas se destacam, e gostaríamos hoje de aqui reproduzí-las, para nosso deleite e reflexão. A primeira, "O Homem de Bem", de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capítulo XVII - Sede Perfeitos, item 3 (1); a segunda, o comentário dos Espíritos autores de "Os Quatro Evangelhos", Tomo I, item 75, recebida mediunicamente por Emílie Collignon e publicada por Jean Baptiste Roustaing; ambas páginas magistrais - e de extrema atualidade - a nos ensinar o bem viver, a verdadeira virtude, para cada passo e techo do caminho... Esperamos que apreciem!

O HOMEM DE BEM

São José, verdadeiro exemplo de Homem de BemO verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.

Deposita fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria. Sabe que sem a sua permissão nada acontece e se lhe submete à vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.

Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.”

Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.

Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.

Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.

O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.

Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as Leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz.

(1) Vide também a respeito "O Livro dos Espíritos", Q. 918

A VIRTUDE E AS BEM-AVENTURANÇAS

Maria, modelo feminino de virtudes"A humildade, - a doçura que tem por companheiras a afabilidade e a benevolência, - a resignação nos sofrimentos físicos e morais, que são sempre uma expiação justa, porquanto derivam ou de faltas e imprudências com que o homem agrava sua provações terrenas, ou de existências anteriores, todas solidárias entre si de modo que cada um traz consigo a pena secreta da sua precedente encarnação, - o amor ardente, sério, perseverante do dever por toda parte e sempre, - a tolerância também por toda parte e sempre, a indulgência para com os fracos e para com as faltas de outrem, a simpatia viva e delicada pelos sofrimentos e dores, físicos e morais, de seus irmãos, - o perdão, do íntimo d’alma, para as injúrias e ofensas, - o esquecimento, mas de maneira tal que o passado fique morto tanto no coração, como no pensamento, - a caridade e o amor, - a pureza de coração, que exclui não só todas as palavras e ações más, como ainda todos os maus pensamentos, e que só existe quando há abstenção de tudo que é mal, de par com a prática ativa e abnegada de tudo que é bem, assim na ordem física, como na ordem moral e na intelectual, - a moderação, a brandura, - a paciência, a obediência, - a resignação, - a fé, - a firmeza e a perseverança na fé e na prática da justiça, quaisquer que sejam as injúrias, as perseguições físicas e morais que venham dos homens, - o desinteresse, - a renunciação às coisas materiais, como determinantes do orgulho e do egoísmo, dos apetites materiais; das paixões e dos vícios que degradam a humanidade, - a aspiração da felicidade celeste, - o reconhecimento ao Criador que reserva grande recompensa aos que cumprirem esses deveres e praticarem essas virtudes, - eis o que encerram aquelas palavras do Cristo [As Bem-Aventuranças]. Estudai-as, pois, e ponde-as em prática. Não vos fieis na felicidade terrena, não descanseis nas vossas riquezas, na vossa inteligência. Confiai unicamente no vosso Deus, de quem recebeis todas as coisas.

Que aquele que possui riquezas faça como se fora pobre, as reparta com seus irmãos e viva humildemente; que aquele que tem inteligência faça como a criancinha que espera ser guiada pela mãe, mas que ao mesmo tempo a partilhe com seus irmãos, dando-lhes conselhos salutares e brandos, tirados sobretudo do exemplo; que aquele que está saciado pense nos que têm fome e divida com eles o pão material que sustenta o corpo e o pão espiritual que alimenta a alma; que aquele que se acha alegre faça como se estivesse triste e associe à sua alegria o irmão que chora, prodigalizando-lhe consolações e tomando parte nas suas dores.

Aquelas palavras [s Bem-Aventuranças] se resumem nisto: prática do trabalho, do amor e da caridade, tanto na ordem física ou material, como na ordem moral e intelectual.

Os pobres de espírito são os que só confiam no Senhor e não em si mesmos; são os que, reconhecendo dever tudo ao Criador, reconhecem que nada possuem. Despidos de orgulho, são como o pobre despojado dos bens mundanos. Podem caminhar mais livremente, pois não temem os ladrões que durante a noite assaltam a casa do rico. Apresentam-se nus diante do Senhor, isto é, sem se terem apropriado de coisa alguma, cônscios de que tudo devem à bondade do pai celestial. A humildade lhes aplaina o caminho a percorrer afastando os obstáculos que o orgulho faz surgir de todos os lados.

Tende o coração simples, oh! bem-amados, e humilde o espírito, porquanto a humildade, que é o princípio e a fonte de todas as virtudes, de todos os progressos, abre ao homem a estrada que leva à luz e às moradas felizes, ao passo que o orgulho conduz às trevas e à expiação, ao exílio em mundos inferiores".