Retrato de Bezerra de Menezes

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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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NO CAMPO FÍSICO

“Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual.” – Paulo. (I Coríntios, 15:44.)

Mão a semearNinguém menospreze a expressão animal da vida humana, a pretexto de preservar-se na santidade.

A imersão da mente nos fluidos terrestres é uma oportunidade de sublimação que o espírito operoso e desperto transforma em estruturação de valores eternos.

A sementeira comum é símbolo perfeito.

O gérmen lançado à cova escura sofre a ação dos detritos da terra, afronta a lama, o frio, a resistência do chão, mas em breve se converte em verdura e utilidade na folhagem, em perfume e cor nas flores e em alimento e riqueza nos frutos.

Compreendamos, pois, que a semente não estacionou. Rompeu todos os obstáculos e, sobretudo, obedeceu à influência da luz que a orientava para cima, na direção do Sol.

A cova do corpo é também preciosa para a lavoura espiritual, quando nos submetemos à Lei que nos induz para o Alto.

Toda criatura provisoriamente algemada à matéria pode aproveitar o tempo na criação de espiritualidade divina.

O apóstolo, todavia, é muito claro quando emprega o termo “semeia-se”. Quem nada planta, quem não trabalha na elevação da própria vida, coagula a atividade mental e rola no tempo à maneira do seixo que avança quase inalterável, a golpes inesperados da natureza.

Quem cultiva espinhos, naturalmente alcançará espinheiros.

Mas, o coração prevenido que semeia o bem e a luz, no solo de si mesmo, espere, feliz, a colheita da glória espiritual.

FONTE: "Vinha de Luz", de Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier, Cap. 171.

RENASCER

“Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino dos Céus.” – João (Cap. III Vers. 5)

Veleiro no horizonteQuando observamos da praia um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, conduzido pela brisa suave, nos sentimos tocados por tal beleza. A nau, impulsionada pela força dos ventos, vai ganhado o imenso caudal. O pequeno ponto, cada vez menor, pouco a pouco vai sumindo no horizonte, onde o céu parece encontrar o mar.

De repente, a exclamação: “Já se foi!”

Terá sumido? Não, certamente, apenas o perdemos de vista. O barco, continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua, tão capaz quanto antes, de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não podemos mais vê-lo. Ele continua o mesmo.

Talvez, no exato momento que alguém diz: “Já se foi.”, haverá outras vozes a afirmar: “Lá vem o veleiro!”.

Assim é a temida morte. Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível, dizemos: “Já se foi”. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente, apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo, sua capacidade mental não se perdeu, suas conquistas e valores morais seguem intactos, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.

Conserva o mesmo afeto que nutria por nós; nada se perde, a não ser o corpo físico (matéria) de que não mais precisará do outro lado.

É assim que, no mesmo instante em que dizemos: “Já se foi.”, no Mais Além, outro alguém dirá, feliz: “Já está chegando.”.

Chegou no destino levando consigo as aquisições feitas em sua viagem terrena. A vida jamais se interrompe ou oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos. Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva desfazer do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas, de idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser partida, para outros é chegada.

Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro, partimos deste para o espiritual, num constante ir e vir, como viajores da imortalidade que somos todos nós.

Que a Esperança seja a vela e que a Fé seja o timão. Mas, acima de tudo, que a Verdade seja o leme a nos conduzir na viagem da eternidade.

Que Deus abençoe a todos.

La Rocque (Antônio de La Rocque Almeida, ex-Conselheiro de nossa CASA) - mensagem recebida em nossa Casa, em agosto de 2022.

ESPIRITISMO CRISTÃO

Lucas, 2: 8 a 20 Os pastores

Os pastores e a claridade de DeusOra, havia no país muitos pastores que passavam as noites no campo, revezando-se na guarda dos seus rebanhos. De repente, um Anjo do Senhor se lhes apresentou, circunvolveu-os a claridade de Deus e eles se sentiram presa de grande temor. Então o Anjo lhes disse: “Não tenhais medo, pois venho trazer-vos uma notícia que, para vós, como para todo o povo, será motivo de grande alegria: é que hoje, na cidade de David, vos nasceu um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Eis aqui o sinal que vos fará reconhecê-lo: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. No mesmo instante reuniu-se ao Anjo um grande troço da milícia celeste, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na Terra aos homens de boa vontade. Logo que os Anjos se retiraram para o Céu, os pastores disseram entre si: Vamos até Belém para verificar o que nos acaba de ser dito, o que sucedeu, o que o Senhor nos mostra. Partiram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado numa manjedoura. E, tendo-o visto, reconheceram a verdade do que lhes fora dito a respeito Daquele menino. E todos os que os ouviram se admiraram do que lhes era relatado pelos pastores. Maria prestava atenção a tudo isso que diziam e tudo reunia no seu coração. Os pastores regressaram glorificando e louvando a Deus por tudo quanto tinham ouvido e visto, conforme ao que lhes fora dito.

Quanto à manifestação espírita, isto é, quanto à aparição do Anjo, ou Espírito enviado, aos pastores e quanto às palavras que lhes dirigiu, a mediunidade explica como puderam eles ver e ouvir. Foram médiuns videntes e audientes.

Pelo que toca à luz, à claridade que os envolveu, enchendo-os de grande temor, a explicação é a seguinte: sob a ação e a influência do magnetismo espiritual, achando-se em estado de êxtase por efeito de um desprendimento completo, com a visão espiritual, portanto, desimpedida, os pastores viram os fluidos ambientes, que, para vós, são incolores e, para nós, espalham grande claridade. Viram-nos tais como nós os vemos.

Essa claridade, relativa ao grau de elevação, de adiantamento do Espírito, não deixa, para este, de existir e de ser por ele percebida, qualquer que seja a sua inferioridade (trate-se de um sofredor ou de um mau), senão quando é condenado às trevas.

Não compreendendo a causa simples de tal claridade, que olhos humanos não podem distinguir senão em casos excepcionais, em situações como aquela em que eles se encontravam, os pastores tomaram por uma luz divina, por uma manifestação do próprio Deus, a luminosidade dos fluidos ambientes e, por isso, lhe deram a designação de claridade de Deus, claritas Dei.

(Continua na próxima edição - Transcrito e adaptado de "Os Quatro Evangelhos", de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Tomo I, item 33)

ESTUDOS FILOSÓFICOS: A MAIOR E MELHOR COLEÇÃO DE ARTIGOS ESPÍRITAS DA IMPRENSA BRASILEIRA ESTÁ DE VOLTA

Artigo CCCL - O PAIZ, 23.07.1894

Retrato de Bezerra de MenezesMuitos foram os que, lendo o nosso artigo, dobraram gostosas gargalhadas, terminaram a festa por perguntarem a si mesmos: não haverá no hospício um lugar para este sujeito?

Ainda bem que passou o tempo dos circos, onde os senhores do mundo pretendiam afogar em sangue, no sangue frio, as verdades sublimes, que punham em relevo suas depravações.

Hoje, graças ao progresso realizado, a favor daquelas verdades, já não se ousa esmagar a consciência com a pressão, já não se leva ao circo por crenças, já o mais que se faz é lavrar patente de loucos para os que pregam ideias que envolvem a responsabilidade moral.

Como é bom viver-se senhor dos seus sentimentos e até de suas obras, desde que não incorram na responsabilidade legal!

Nós somos tão bons que criamos para nós mesmos leis que garantam a sociedade contra nossos abusos.

Neste ponto reconhecemos a necessidade de limitação à nossa liberdade.

Quanto, porém, aqui está fora da alçada do poder social; nada de lei, nada de autoridade, nada de responsabilidade; liberdade sem restrição!

Se viemos aqui como os macados representar uma função tal como eles; embora tenhamos academias, embora façamos discursos, embora arquitetemos um código penal, coisas que eles não fazem; por que havemos de ter responsabilidade moral, que eles não têm?

Respeitemos a lei social que nos impõe responsabilidades e nos tolhe a liberdade civil, que já não fazemos pouco.

Quanto ao mais, que matemos, que roubemos, que deturpemos a honra da mulher ou da filha do nosso melhor amigo, que pratiquemos todos os crimes e infâmias imagináveis, mas de modo que a sociedade ignore e que a autoridade n~~ao nos possa chamar a contas; por que nos coagirmos?

Também nossas mulheres e nossas filhas, a mulher em geral, por que guardar a honra, a fidelidade e a castidade, uma vez que possam satisfazer seus arrastamentos sem que ninguém o saiba?

Parecer bom, sério, honrado, adstrito aos deveres sociais é tudo que exige a nossa lei, a lei da irresponsabilidade moral!

Que futurosa sociedade a que se constituísse sobre tais fundamentos, dizemos nós.

E não seriam outros os que servissem de base a uma sociedade materialista.

Não tem uma moral imposta pela responsabilidade, dizem os mais ousados; mas tem a moral imposta por si mesma - por seu decoro.

Eis uma peça de cobre bem galvanizada a representar ouro de alto quilate.

Se o temor da responsabilidade não contém a explosão das humanas paixões, quanto mais o decoro, a moral sem sanção, a moral de convenção!

A esposa cristã quantas vezes não sucumbe a uma paixão criminosa, apesar de acreditar que tem de prestar contas ao juiz que lê nas consciências; o que será da esposa sem fé, sem religião, que acredita na completa impunidade do mais negro crime, que olho humano não possa descobrir!

Eis para onde querem arrastar nossa sociedade os tais que riram do nosso passado artigo e nos deram patente de louco.

A negação, de um notável escritor, não pode produzir-se sob forma dogmática, porque vem sempre, por um caminho ou por outro, a resolver-se no ceticismo.

Quanto mais, dizemos nós, sob forma social!

Para dar mais sal ao riso dos nossos sábios, transcrevemos ainda algumas linhas do mesmo escritor.

João Jacques Rosseau, interrogado sobre o que se devia pensar das sanções eternas, respondeu: “não sei”.

Um brilhante espirito disse a Diderot que tinha chegado à certeza da falsidade de tais crenças, e Diderot respondeu-lhe: “desafio-o a provar”.

Com Voltaire deu-se o mesmo caso, e ele respondeu: “é mais feliz do que eu, porque aí não tenho podido chegar”.

Pois, meus senhores da Enciclopédia, o que os senhores, apesar de sua inteligência e boa vontade, não conseguiram, temos aqui no Brasil uma legião de sábios que já ultrapassaram.

Com a Ordem e Progresso, que é a divisa dos que já excederam a Diderot e a Voltaire, por já terem posto à margem as sanções eternas, e se arrumado com uma moral de convenção, por decoro próprio; aí vai o Brasil, sob a impulsão dos sectários da negação, a constituir-se um Estado sem Deus e sem alma, como não o puderam alcançar para a França os gigantes da incredulidade.

Chegaram a plantar na Terra de Santa Cruz a política de Conte, que é a supressão da moral social?

A deusa Razão, a quem rendeu culto público um povo em desvario, tendo à sua frente um vulto como Robespierre, não teve poder para obstar que a razão dos próprios que a elevaram, melhor esclarecida, a lançasse de seu trono.

Riam, pois, dos nossos desvairados conceitos, mas tomem um conselho que é de sábia prudência:

Pensem como João Jacques e lá, no seu íntimo, digam: “não sei”; pensem como Diderot, e digam: “provas, provas”; pensem como Voltaire, e digam: “ainda não chegamos a provar que não há Deus, nem alma, nem sanções eternas”.

E pensando e dizendo assim, que diante do público não lhes tira o garbo de espíritos fortes; estudem, observem, experimentem, não frouxamente e pela superfície, que é no mais fundo dos mares que se colhem as pérolas e depois de múltiplas e reiteradas investidas; mas com a consciência e com o ardor de quem procura a chave de seu futuro.

O homem, quer materialista, quer espiritualista, não possui o dom da infalibilidade; logo nós e vós, que acreditamos estar com a verdade, devemos admitir que podemos estar enganados, abraçando o erro por verdade.

E nem pode ser de ouro modo, pois que a verdade é só uma, e dois sistemas opostos a julgam consigo.

Sendo assim, surja entre nós e para todos nós a dúvida, a dúvida científica, que nos coloque na posição de quem procura a verdade, e nos tire a veleidade de já a possuirmos completa e absoluta.

E, visto que não há divergência sobre a existência do mundo material, apliquemo-nos, com a melhor vontade, ao estudo do ponto sobre o qual divergimos: a existência do mundo espiritual, que vós negais e nós afirmamos.

Isto é razoável, é lógico, é digno de quem já possui mais ou menos pecúlio intelectual; o que não é razoável, nem lógico, nem digno, é resolver tão alteroso problema pelo riso, e não pelo estudo.

Não vos pedimos que deserteis do vosso campo, que risqueis do vosso pensamento as ideias que fazem vossa crença, somente porque vos oferecemos o quadro dos que constituem a nossa; pedimo-vos sim que submetais as nossas ao estudo, à observação e à experiência, e que, depois, julgueis como vos ditar a razão, porque, então, se nos combaterdes, combateis com a consciência e com a superioridade do ser pensante.

Este conselho é só em vosso benefício; porque, acreditai: “Deus não deixa de ser, porque o negais; a vossa responsabilidade moral não será menos efetiva, porque não a quereis; o vosso - Nada - não vos salvará.

P.S. - Ao vosso crente, julgamos dar bom conselho, recomendando que leia e estude, antes de tudo, as obras fundamentais da Doutrina, que são as cinco de Allan Kardec. - Max.

Max.

(Da União Espírita)

Fonte: Confira o original deste artigo no arquivo da Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Para conhecer os demais artigos dessa coleção e seus volumes publicados por nossa CASA visite por favor nossa Biblioteca Virtual.