Retrato de Bezerra de Menezes

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Bezerra de Menezes

Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. - Allan Kardec

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É TEMPO DE CELEBRARMOS NOSSOS HERÓIS

Capa do livro Inácio Bittencourt, Apóstolo da Caridade, de João Marcos WeguelinNestes dias incertos para a humanidade, neste momento de dores e desafios de toda ordem, carecemos de “alimentos” espirituais que nos fortaleçam a fé e nos inspirem a combater o bom combate, contribuindo com Jesus, com nossos pequeninos dons e recursos, na construção da Era Nova do Espírito, à luz do Evangelho e da Doutrina Espírita, roteiros divinos e faróis poderosos a nos guiar na noite escura da vida. Carecemos de exemplos de fé, perseverança, de dedicação ao bem, que nos motive o espírito e incendeie o coração para a vivência cristã e à pratica da Caridade, no serviço ao próximo em nome de Jesus.

É com estas palavras, tão felizes, tão inspiradas, que nosso irmão Almir começa o prefácio que preparou para o próximo volume a ser lançado por nossa CASA: "Inácio Bittencourt, Apóstolo de Caridade", de João Marcos Weguelin (vide ao lado foto da Capa), celebrando os oitenta anos da desencarnação do querido e admirado mentor espiritual de nosso Departamento Mediúnico.

Precisamos mesmo lembrar a memória, os grandes feitos, os atos heróicos de nossos medalhistas de ouro, dos nossos campeões, dos nossos heróis, desses valorosos mensageiros do Alto que, quando encarnados entre nós, demonstram-nos como é possível superar as próprias limitações e todo tipo de adversidade, para que o Bem se materialize na Terra, para que o Reino de Deus finalmente se estabeleça entre nós.

Bezerra de Menezes, Azamôr Serrão e Inácio Bittencourt são certamente alguns desses "campeões de atitude". Desses exemplos ambulantes, capazes de fazer brotar em nossas almas as energias mais nobres, de "incendiar-nos o coração" com o calor do afeto, de iluminar nossas mentes com a lucidez da verdadeira caridade, para que possamos brilhar como Jesus nos ensinou: não por vanglória pessoal, mas pelo rastro de luz deixado por nossa trajetória na Terra.

Inácio Bittencourt desencarnou a 18 de fevereiro de 1943. Como a segunda quinzena desse mês estará comprometida pelos festejos carnavalescos, deixamos para março o lançamento do volume, mas fizemos questão de registrar aqui a nossa gratidão e a nossa homenagem, transcrevendo, abaixo, uma de suas mensagens mais significativas, entre tantas, que temos recebido, na forma de um verdadeiro alerta para todos nós, habitantes deste Brasil abençoado, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho... Ouçamo-lo!

DOR, FORJA DAS ALMAS

Paisagem de rio e mata, evocando a lembrança da bandeira brasileiraPara o povo de Israel, que sofria o jugo egípcio, o primeiro passo em direção à Terra Prometida foi motivo de inesquecível emoção, sensação gloriosa daqueles que a qualquer preço, vencendo qualquer dificuldade, vão de encontro ao próprio destino.

Naquele primeiro passo estava uma determinação férrea, e para atingir seu alvo aquele povo não hesitaria em sacrificar a própria vida, e por ele sofreria a mais tremenda dor com verdadeira alegria.

Após o primeiro passo, porém, passaram-se quarenta longos anos num deserto árido, quente como o fogo, seco qual o pó, trazendo àquela gente simples as mais duras provações; entre elas a fome e a sede. Não fora aquele desejo a queimar-lhes no coraçao e a chama da esperança teria se apagado diante dos ventos poderosos e gélidos da dor.

Para o Brasil de hoje, a vinda da Doutrina Espírita, através da Codificação de Kardec, da “Revelação da Revelação” e de tantos outros tesouros que têm sido oferecidos pelo Alto a esta Pátria, foi o primeiro passo em direção ao seu futuro, à sua missão que é ser o berço da Civilização do Amor, a Pátria do Evangelho.

As provas coletivas por que passais são, também, o teste necessário para averiguar se sois dignos de receberdes esta graça que vos está reservada, se sois merecedores de participar deste futuro glorioso que se aproxima.

A união será o único remédio salutar para os vossos males, a dissenção será o sinal da vossa reprovação neste teste que a Vida vos impõe.

Por isso, força e coragem! Uma bela missão possuís!

Um futuro vos aguarda! Cristo vos guia!

Inácio Bittencourt

(Mensagem recebida em nossa Casa, a 18/03/1987, e publicada originalmente em “O Cristão Espírita”, No. 81, janeiro / abril de 1987)

ALEGRIA

Capa do livro Entrega-te a Deus, de Joanna de Ângelis, por Divaldo FrancoNo turbilhão voluptuoso das paixões primárias, a sociedade, sem rumo, estertora...

Acontecimentos desastrosos e desvarios do comportamento constituem a paisagem momentânea do planeta terrestre em convulsão...

Há glórias da ciência e grandeza da tecnologia, caracterizando as conquistas da inteligência, lamentavelmente sem a correspondente contribuição dos valores éticos e morais.

Denominações religiosas inumeráveis e filosofias de variadas escolas pretendem orientar as vidas que se estiolam ante a devastação do desequilíbrio.

A exaltação do corpo e sua imposição nos campeonatos da beleza e da exibição do ego em alucinadas competições pelo brilho ilusório do mundo social e econômico empurram o ser humano para o fosso da insensatez, logo apresentando-se frustrado e deprimido, tombando na tragédia da drogadição e do suicídio...

A transitoriedade da existência física, não compreendida quanto seria necessário, impõe o desvario pelo gozo insaciável e permanente, com total olvido da sua fragilidade.

Os exemplos contínuos de triunfadores que permanecem infelizes, de afortunados que vivem em solidão íntima, de famosos que anelam por um pouco de carinho, não conseguem despertar aqueles que se deixaram hipnotizar pelo engodo das ambições exacerbadas.

As glórias de um momento logo cedem lugar ao esquecimento e ao anonimato a que são atirados esses iludidos, poucos momentos depois...

Tem-se a impressão de que o caos moral instalou-se no mundo, e o desespero, usando diferentes tipos de máscaras, é presença constante nas existências em estiolamento...

Nada obstante, as criaturas permanecem em correria louca, na busca de coisa nenhuma. [...]

Há um grande vazio existencial na criatura contemporânea, que perdeu o referencial da felicidade, manipulada pela habilidade dos vendedores bem-sucedidos do prazer entorpecente e dos gozos exaustivos...

***

Divaldo FrancoDias estes de paradoxos na cultura da Terra!

Uma pausa de reflexão, no entanto, pode contribuir de maneira eficaz para a equação definitiva dos graves problemas em vigência.

Nessa análise interna que resulta da tranquila busca do entendimento das ocorrências do cotidiano, descobre-se qual a real finalidade da existência física na esteira das reencarnações. Assim ocorrendo, o estudioso de si mesmo logo percebe quais as necessidades fundamentais para sua autorrealização, envidando esforços para alterar o ritmo dos acontecimentos nefastos, dando-lhes outro roteiro.

Indispensável se torna o trabalho pessoal de despertamento da consciência para alcançar a felicidade, que é o objetivo básico de todas as buscas filosóficas e espirituais que fazem parte do processo evolutivo.

Nenhuma solução, porém, existe em caráter milagroso para a solução das graves problemáticas que atingem a população da Terra. [...]

A questão de natureza moral é que deve ser alterada, a fim de que a sensatez e o equilíbrio norteiem as existências no rumo da sua imortalidade.

***

Encontrado o significado existencial, o espírito encarnado descobre que a sua jornada objetiva produzir-lhe o sublime ensejo da iluminação interior, libertando-se da treva da ignorância, assim como dos atavismos que o retêm no primarismo defluente do processo da evolução.

Joanna de ÂngelisEmpreendido o esforço do autoencontro, inunda-se de inefável alegria por descobrir o maravilhoso mundo de bençãos que lhe está ao alcance, bastando-lhe iniciar o labor de identificar as possibilidades de que dispõe e executá-las.

A vida é um hino de louvor ao Pai Criador, que faculta aos Seus filhos os dons da imortalidade e da relativa perfeição que lhes cabe alcançar a esforço pessoal.

Eis porque a finalidade precípua da religião é estabelecer o vínculo de nova união profunda entre a criatura e seu Genitor Celeste, facultando-lhe o desenvolvimento dos atributos adormecidos que o sol da verdade faz germinar e proporciona os recursos hábeis para o seu desenvolvimento.

Iniciado esse especial empreendimento, nada mais o detém, porque, a cada instante, defronta novos painéis a serem contemplados e incorporados ao patrimônio já acumulado.

Se as lutas se fazem mais ásperas em razão da sensibilidade mais desenvolvida ou porque as condições ambientais já não lhe são mais favoráveis, nelas encontra estímulos para treinar paciência e compaixão, proporcionando os meios eficazes para produzir as alterações necessárias, sem enfastiar-se nem perturbar-se.

Lúcido quanto aos desafios que são próprios nas áreas por onde se movimenta, melhor entende o seu próximo, as suas aflições e agressividade, equipando-se de mais amor, embora não concordando com os seus excessos, ao tempo que mais se esforça por oferecer-lhe os instrumentos próprios para a libertação das heranças que o atormentam. [...]

Um halo de gentileza e bondade envolve-o, mantendo-o pacífico e pacificador em qualquer situação, mesmo nas mais penosas, estampando na face a alegria da vida, que a todos igualmente oferece os meios que levam à plenitude.

A alegria é tesouro da vida que deve ser buscada e vivenciada, em razão das bençãos que proporciona. Isso, porém, não quer dizer que não ocorram momentos de preocupação, de tristeza, de ansiedade e de receio, perfeitamente naturais no comportamento saudável que, em vez de uma linha horizontal, possui os seus ascendentes e descendentes emocionais, dentro, no entanto, dos padrões de equilíbrio.

O ser alegre é extrovertido sem ser bulhento, é confiante sem permitir-se leviandades, é bondoso embora sabendo o que deve e pode realizar em relação a tudo quanto pode mas não deve fazer, ou deve executar mas não o pode, porque não lhe é lícito.

Esse discernimento é filho da razão e da consciência do dever que lhe propõe o vir a ser, em lugar de o deter nas evocações do passado, onde encontra justificativas para a conduta irregular.

Estabelecido o compromisso com o futuro feliz, é grato a Deus por todas as concessões e esparze alegria e respeito onde se encontre.

(Fonte: Trechos de mensagens do livro “Entrega-te a Deus”, de Joanna de Ângelis, por Divaldo Franco)

ESTUDOS FILOSÓFICOS: A MAIOR E MELHOR COLEÇÃO DE ARTIGOS ESPÍRITAS DA IMPRENSA BRASILEIRA ESTÁ DE VOLTA

Artigo CCCLVI - O PAIZ, 27.08.1894

Retrato de Bezerra de MenezesBem considerado, eu não compreendo, dizia-nos outro dia um ilustrado cavalheiro que nos faz a honra de ler; bem considerado, eu não compreendo a razão lógica do viver de um materialista.

Acredita na redução do seu ser pensante ao nada depois da morte, e no entanto sacrifica muitas vezes todos os gozos ao trabalho de enriquecê-lo com as mais penosas conquistas feitas nos domínios das letras, das artes e das ciências!

Acredita na redução ao nada de seu ser moral; e, no entanto, suporta muitas vezes torturas e dores, quer físicas, quer morais, evitando, como o que acredita na sanção penal da lei da responsabilidade, livrar-se de tais sofrimentos por um ato que depende exclusivamente de sua vontade - pelo aniliquilamento de seu ser, que está em suas mãos jogá-lo a esse nada, que é mais do que o nirvana do hindu, porque é a extinção completa e absoluta - porque é o nada!

Para que o trabalho pelo cultivo intelectual, se o desgraçado não lhe colhe os frutos e sabe que não os há de colher?

Nem, ao menos, pode animá-lo a esperança de poderem eles ser colhidos por seus filhos - por seus descendentes; visto como também crê que estes terão o seu destino - estão votados ao pavoroso báratro, onde todas as luzes que colheram - todas as que receberam por herança paterna, se extinguirão com eles!

Nem, tampouco, contará que lhe aproveite o suor de sangue, que verteu na luta, a grande família, que se chama - a humanidade -; pois que esta também vai toda desaparecer no seu terrível nada!

Tudo tem sua razão de ser; mas que razão tem o trabalho do materialista por conquistar, a custo de vigílias - de privação - de toda espécie de sofrimentos, o saber, o cultivo de sua inteligência, que não aproveita nem a si, nem a ninguém, mais do que aproveita ao castor a bela casa que faz - mais do que aproveita ao gênero alado o mais ou menos bem preparado ninho que prepara?

“Tanta lida, para tão curta vida!”

Tanto brilho, para se extinguir como um meteoro!

Pode ser tal o destino do homem - o destino da humanidade!

A borboleta de asas iríadas não representa, na vida, papel somenos ao do mais glorioso sábio!

Tudo, então, é vaidade - e, em tal caso, confessemos que tanto vale o sábio como o boçal, como a borboleta, como o cão!

É falso, pois, que tudo tem a sua razão de ser - e a gradação das espécies pelos diversos graus de instintos, até a razão da espécie humana - e a gradação desta faculdade, na espécie humana; por que? para que?

É sempre o mesmo absurdo monstruoso, a que se chega, considerada a questão materialista pelo lado moral.

O homem persegue, o homem defende a seu semelhante - faz-lhe mal e faz-lhe bem; e, no fim, o mesmo resultado: nem pena, nem prêmio!

Logo, o homem não se distingue do animal - não é um ser moral - não é perfectível!

Mas, então, que papel representam a liberdade, a razão, e a consciência, trindade augusta que nenhum animal possui?

Mas, então, porque o homem distingue o animal, cujos instintos se aproximam mais da inteligência ou da razão - e a humanidade distingue o homem, cuja inteligência desfere mais vivos fulgores - cuja consciência se lhe apresenta imaculada?

Por que recua o materialista que sofre, diante do fato da morte, ele que não admite a sanção da moral - ele que não admite a responsabilidade moral - ele, enfim, que deve logicamente, uma vez que acredita na sua extinção fatal, ser indiferente a que ela se dê hoje ou amanhã?

Oh! a razão de tudo isto é que o homem pode ser arrastado pelas ondas de suas paixões, de seu orgulho, como um navio sem leme e sem bússola; mas lá dentro, no mais recôndito recesso de sua alma, segreda-lhe a consciência umas coisas que não lhe chegam à razão, mas que impelem-no em sentido contrário aos ditames de sua razão desvairada, porque está divorcidada da consciência.

Daí, essas incompreensíveis contradições de viver sofrendo para não chegar mais cedo ao alívio eterno de todas as dores da vida - daí, esse monstruoso, indefinível e impossível modo de compreender o destino humano - daí, o lamentável absurdo de considerar um ser moral e livre, isento de responsabilidade moral; de admitir moral sem sanção; de sacrificar a vida pelo saber, sem que isto lhe aproveite nem a ninguém, mais do que as iríadas cores da borboleta lhe podem aproveitar!

Dir-me-ão, continua o nosso interlocutor, que os espiritualistas também perdem, pela morte, todas as grandes conquistas de saber, que fizeram na vida - e que também estas conquistas não aproveitam a ninguém, porque todos, morrendo, perdem- -nas. Confesso que não sei responder.

Responderemos nós, dissemos-lhe.

O Espiritismo ensina e prova experimentalmente que o Universo criado e especialmente o homem estão sujeitos à suprema lei do progresso indefinido - e que o homem realiza-o, mediante vidas corpóreas múltiplas, sucessivas e solidárias, quer dizer - que o que colhe, intelectual e moralmente, em cada uma, não perde, apesar da morte, que não é senão a libertação de seu ser da veste que tomou para poder representar no cenário da vida material.

Não perde, antes acumula ao que conquistou em passadas existências, até reunir um acervo tal, que lhe dê para subir da Terra a um mundo mais adiantado - e deste a outro superior e assim sempre subindo, pelo progresso intelectual e moral realizado.

Sendo assim, que é, o que gasta a vida a trabalhar no cultivo de sua inteligência colhe o fruto de seus labores, avigorando uma das asas de voar - e seus filhos; seus descendentes, a humanidade também os colhem porque guardam o que aprenderam por ele.

Eis explicado, simples lógica, natural e razoavelmene, o grande problema, que escapa ao espiritualismo, em geral e particularmente à Igreja romana, porque não aceitam a pluralidade das existências da alma.

N’outro artigo responderemos às perguntas que nos fizeram alguns dos nossos leitores, cujas cartas nos chegaram muito atrasadas.

Max.

(Da União Espírita)

Fonte: Confira o original deste artigo no arquivo da Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Para conhecer os demais artigos dessa coleção e seus volumes publicados por nossa CASA visite por favor nossa Biblioteca Virtual.

OS EVANGELHOS EXPLICADOS

Regresso do Egito
(Mateus, 2: 19 a 23)

Regresso do Egito, Carlo Maratti, 1625-1713V. 19. Morto Herodes, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, — 20, e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel, pois que estão mortos os que queriam a morte do menino”. — 21. José se levantou, tomou o menino e sua mãe e voltou para a terra de Israel. — 22. Mas, ouvindo dizer que na Judeia reinava Arquelaus, em lugar de Herodes seu pai, teve receio de para lá ir e, avisado em sonho, dirigiu-se para as bandas da Galileia, — 23, e foi residir numa cidade chamada Nazaré, a fim de que se cumprisse esta predição dos Profetas: “Ele será chamado Nazareno”.

José intentava fixar residência em Jerusalém ou nos seus arredores. Dele, porém, se apoderou o temor de chamar a atenção sobre o menino.

2. Aconselhado, então, pelo Anjo, que lhe apareceu de novo em sonho, retirou-se para Nazaré, na Galileia.

3. Insistimos neste ponto, a fim de bem vos fazermos compreender que nada sucede senão pela Vontade do Senhor e a fim de verificardes que, para alcançar um objetivo humano, os meios humanos são sempre os empregados. O Senhor podia mandar José imediatamente para Nazaré, mas o espírito humano não se deteria sobre este fato. Foi, portanto, em cumprimento de uma profecia que, depois de haver encaminhado José para um lugar afastado do de sua residência, Deus o desvia do caminho que tomara e o faz vir a Nazaré. É Deus quem inspira a José, pai de Jesus aos olhos dos homens, temores pelo filho. É Deus, sempre Deus, quem conduz pela mão Aquele que abriria para a humanidade o caminho dos céus.

(Fonte: "Os Quatro Evangelhos", org. de Jean Baptiste Roustaing, psicografia de Émilie Collignon, Ed. Ibbis, Brasília, 2022. Item 46)

ANTOLOGIA UBALDIANA

A VERDADEIRA RELIGIÃO (1952)

Prof. Pietro Ubaldi em São Vicente, São PauloEncontrei-me, viajando pelo mundo, em todos os ambientes.

Achei-me entre católicos e os observei. Muitos deles eram sinceros e convictos e viviam aplicando, realmente, os princípios de sua religião. Sua verdadeira fé me encheu de admiração. Outros deles, porém, embora verbalmente se confessassem e nas práticas religiosas se manifestassem perfeitamente ortodoxos, não viviam inteiramente seus princípios, demonstrando com fatos que, em realidade, neles não acreditavam de modo absoluto. Isso me encheu de tristeza.

Achei-me, depois, entre os protestantes e os observei. Muitos deles eram sinceros e convictos e viviam aplicando, realmente, os princípios de sua religião. Sua verdadeira fé me encheu de admiração. Outros deles, porém, embora verbalmente se confessassem e nas práticas religiosas se manifestassem perfeitamente ortodoxos, não viviam inteiramente seus princípios, demonstrando com fatos que, em realidade, neles não acreditavam de modo absoluto. Isso me encheu de tristeza.

Achei-me, também, entre os espiritistas e os observei. Muitos deles eram sinceros e convictos e viviam aplicando, realmente, os princípios de sua doutrina. Sua verdadeira fé me encheu de admiração. Outros deles, porém, embora verbalmente se confessassem e nas práticas formais se manifestassem aderentes à sua doutrina, não viviam inteiramente seus princípios, demonstrando com fatos que, em realidade, neles não acreditavam de modo absoluto. Isso me encheu de tristeza. Achei-me, depois, entre os teosofistas, os maçons, es maometanos, os budistas etc. e observei o mesmo fenômeno.

Encontrei-me até entre ateus, materialistas convictos. Não obstante, entre eles encontrei os que procuravam viver segundo superiores princípios de retidão. Senti respeito por eles. Qualquer convicção vivida com retidão merece respeito. O que me encheu de tristeza foi ver o ateu, materialista animalescamente involvido, somente animado de instintos egoístas para prejudicar o próximo.

Observando-os todos, perguntei a mim mesmo, então: a divisão real, verdadeira, entre os homens, é a de uma religião, doutrina ou crença, ou é, antes, entre o homem sincero e honesto e o homem falso e desonesto, que se encontram no seio de todas as religiões, doutrinas e crenças? Embora as várias divisões humanas, em cada uma delas sempre encontrei esta outra divisão universal de bons e maus.

Perguntemos a nós mesmos, então: não será esta a verdadeira distinção, muito mais real que a outra em que tanto se insiste? Pertencer ao primeiro tipo de homem, antes que ao segundo, não será muito mais importante e decisivo do que pertencer a um determinado agrupamento religioso? Que importa pertencer a esta ou aquela religião, quando não se é sincero nem honesto? Não é o fundamental em qualquer campo? E não é, então, esta a mais importante entre todas as divisões humanas, muito mais do que a atualmente aceita? Não será essa a divisão que Deus mais assinala, de preferência a outra, que se refere, mais que a bondade do homem, aos interesses humanos que em torno dela se agrupam?

Qual é o fato mais decisivo para a edificação do homem (isso constitui o objetivo de todas as crenças) — os pormenores dogmáticos e doutrinários, a ortodoxia da letra ou o haver compreendido o simplicíssimo princípio do bem e do mal, princípio universal, existente em todas as religiões, inscrito no espírito humano e, sobretudo, viver esse princípio?

A verdadeira distinção, nesse caso, não é a atualmente vigorante em nosso mundo — católicos, protestantes, espiritistas, teosofistas, maçons, maometanos, budistas etc. — mas, sim, o justo e o injusto. Esta é a distinção substancial, a que tem valor diante de Deus, muito mais importante que a outra, que pode ser apenas formal. Na segunda se pode mentir e ela, então, é fictícia; nunca na primeira, que é real.

Por que, então, tantas lutas religiosas e doutrinárias? Não têm elas outro valor senão o de defender o patrimônio conceptual do grupo e os interesses que dele dependem. Por que, então, não reduzir todas as crenças a esse seu denominador comum, que é a sua substância, em que todas se encontram, além de todas as divisões? E por que não achar nessa substância a ponte que as une todas numa característica comum, em lugar de procurar em especulações sutis que pode dividí-las? Por que não parar e insistir no que importa acima de tudo; a bondade e a evolução do homem?

Tudo isso é importantíssimo para a fusão das almas no caminho da unificação, que é o futuro do mundo em todos os campos. Daí nasceria um grande respeito recíproco, uma nova possibilidade de compreensão, um superior espírito de fraternidade. O cioso amor à ortodoxia, justificável em outros tempos, excitado até o ponto de preferir a letra ao espírito, pode significar uma satânica falsificação da fé na psicologia farisaica, enfermidade de todos os tempos e de todas as religiões. Pode, então, acontecer que se faça da religião o que sempre se tem feito do amor à pátria que, embora santo em si, se transforma em agressividade e guerras contra outras pátrias. Ora, como esse tipo de amor nacional está hoje em vias de desaparecimento, superado pela vida que caminha para a unificação social, do mesmo modo a vida superará o espírito de absolutismo e intransigência, pois ela se dirige para a unificação religiosa.

Prof. Pietro Ubaldi em São Vicente, São PauloÉ necessário, assim, abandonar o espírito separatista de domínio, em nome de absolutismos, numa verdade que na Terra, para o homem, não pode deixar de ser relativa e progressiva, isto é, em função de sua capacidade evolutiva.

A vida hoje caminha para a colaboração por compreensão em todos os campos e os imperialismos, políticos ou religiosos, pertencem a fases que estão sendo superadas. Os imperialismos espirituais retardam a unificação, que se situa justamente no campo das convicções e das consciências e que não se pode obter com o espírito de absolutismo e de domínio.

Qual é, pois, a religião de substância em que poderão pacificar-se todas as distinções humanas, encontrando-se em seu denominador comum?

A religião de substância é somente uma. A ela pertencem todos os honestos que crêem sinceramente e vivem suas crenças, sejam católicos, protestantes, espiritistas, teosofistas, maçons, maometanos, budistas etc.. Estão, ao contrário, fora da religião, todos os falsos, os injustos, os que interiormente não crêem (embora formalmente em seus lugares), os que não vivem suas crenças, sejam católicos, protestantes, espiritistas, teosofistas, maçons, maometanos, budistas etc. Estes se igualam no representar a traição a ideia que professam.

Na "Mensagem de Natal" de 1931, diz Sua Voz: “...não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos.” Na Terra, em todos os campos, existem sempre dois tipos humanos: o evolvido e o involvido. Encontram-se em todas as filosofias, governos, religiões, hierarquias e povos.

O envolvido vive sempre no nível animal, é animado pelo espírito de dominação e, por isso, intransigente e agressivo; fecha-se na forma, desprezando a substância; é mais ligado à Terra que ao céu. julga-se, em todos os campos, sempre com a posse da verdade e da parte de Deus, julgando todos os outros como situados no erro e da parte de Satanás. Tende à egocêntrica monopolização da Divindade. O evolvido tem características opostas. Vivendo num nível mais alto, é animado pelo espírito de fraternal compreensão; tolera e auxilia; fala com o exemplo, dando e não dominando; é mais aderente à substância que à forma, mais unido ao céu que à Terra. Não julga nem condena. Tende a anular seu eu em Deus e no amor ao próximo. Não se faz paladino da verdade para exigir virtude dos outros, mas começa por praticá-la, ele mesmo: ilumina, não impõe, pois respeita as consciências. Não pretende ser o único que tem Deus consigo. Não identifica com o mal tudo que está fora de seu eu, do seu grupo ou hierarquia nem o condena em defesa própria. Não se faz representante de Deus para dominar com sua personalidade, mas reconhece em Deus o Pai de todos.

O homem está evolvendo e a religião dos justos será a religião unitária que a todos entrelaçará. O estado vigente até hoje corresponde à fase caótica do mundo. Ele caminha, porém, para a fase orgânica na qual, em todos os campos, os relativos pontos de vista se coordenarão numa verdade universal.

A religião una será a substancial, a religião do bem e dos bons, que se compreenderão, por serem evolvidos. Para essa compreensão os involvidos ainda não estão maduros, pois só podem crer que a salvação depende apenas da filiação a esta ou aquela forma da verdade, sem cuidar da substância, que pode estar em todas as formas. Tudo isso, porém, será fatalmente superado.

É lei de evolução que o dualismo, em que se dividiu nosso universo, gradativamente, em todos os campos se vá reconstituindo em sua originária unidade de que o espírito caiu na cisão, na forma, na matéria. É fatal lei de evolução que chegue finalmente à Terra a tão esperada realização do Reino de Deus.

(“Fragmentos de Pensamento e de Paixão - Primeira Parte)